quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

O Ano Novo de sempre!o Novo

Estou imersa em fogos, sendo regada, por todos os lados, de Prosecco (afff), da mesma comilança e, enfim, da repetição dos mesmos rituais que embalam os corações das pessoas. Não sei, mas não consigo, e nem tento, ver sentido nisso...

A comilança...quilos e quilos de comida, que será transmutada, em átimos de segundos, em metano. As brigas já começam aqui: na decisão do veneno que será deglutido pelas pessoas. Leitão, pernil, somente bombas e mais bombas...E brigas, e mau humor.

Porque as pessoas insistem nisso? Em acobertar o que existe de pior dentro de si com a vã expectativa do anestesiamento da alma, com a mentira que povoa, sempre, o discurso tacanho? Nossa, que coisa!

Que tragicomédia...

Realmente, o humano é algo de surpreendente, porque inexiste inovação. Inexiste mudança quando o tema é comemoração de um negócio rentável chamado Natal e Ano Novo. Quantos itens de simpatias são vendidos, às custas do desespero de causa? E quanto metano (quanta flatulência) é lançado. Bom, acho que estou traumatizada, porque sempre falo em flatulência, mas não é exagero, é a realidade de um mundo que perdeu a vergonha na cara e deixou a Deusa de lado...

Feliz Ano Velho de sempre!

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

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Nem assisti ao filme, mas, de cara, já penso no pando de fundo: por que nós, humanos, poeira cósmica do Universo, quintal da Via Láctea, compostos pela degeneração do carbono 12, sempre estamos imersos num etnocentrismo ridículo, e, a partir dele, inflando nossos egos e provocando guerras?

Nem me interessa saber se o povo lá da tal Pandora é sub-in ou sei-lá-o-que evoluído: onde entra a humanidade arrogante, fico sempre do outro lado...

Estou falando demais para quem não assistiu ao filme, mas, a menos que eu esteja muitooooo enganada (desconfio que não), meu desejo será que os habitantes azuis de Pandora insiram - sem cuspe - nos meus compatriotas humanos, ainda mais porque eles falam inglês...Affff

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

A paranóia do Natal e o significado de Litha

Natal, uma data comemorativa, ocasião em que os corações se unem, em abundância, para a celebração do nascimento de Cristo. Muito se fala e se compra no Natal, mas poucas pessoas sabem, de fato, que se trata de uma data literalmente "importada" da cultura pagã de Yule, data de derrocada e preparação sacrificial do Deus, a partir da deusa, marcando, no hemisfério norte, a passagem para o inverno.

Nas tradições nórdicas e em alguns focos celtíberos, a tradição do pinheiro enfeitado com a estrela (que, por sinal, tem 5 pontas, sendo, pois, um pentagrama) existe muito antes de o Cristianismo se apropriar do evento, mudando seu significado para, em nome da necessidade de unificação (e extermínio produzido pela Igreja), condenar tudo que não fosse centrado na figura crística.

O pinheiro representa o falo do Deus, cingido pelos 5 elementos (ar, água, fogo, terra e espírito),marcados no pentagrama, que, não sem coincidência, coloca-se no topo... No hemisfério sul, por outro lado, a data não é Yule (passagem para o inverno), mas, antes, Litha, o nacimento do Deus, que, de igual forma, parte da deusa.

São ciclos de morte e vida, morte e nascimento, de início e fim, para a perpetuação do ciclo de espirais. Infelizmente, porém, são esquecidos pelas pessoas, para quem o único significado desta data resume-se em comprar um bando de tralhas, bugingangas e artefatos de destruição ambiental, fingir que as desavenças não existem entre as pessoas (recalcando as raivas, as iras e as transformando em câncer) e, claro, muita comida, para contruibuírem, ainda mais, com o lançamento de metano na atmosfera e, com isso, acabando com o mundo.

Sim, o Natal, para mim, nada tem de significado, a não ser observar o rettrato mais fidedigno da decadência humana, vendo as pessoas em seus pequenos mundos de egoísmo. Levadas pela ilusão de preenchimento, aliada ao auto-engano e a baixa auto-estima, o consumo desenfreado estabelece-se na seguinte relação: quanto mais vazias, frustradas e infelizes as pessoas estão, mais adquirem, no afã insaciável de tentarem tapar o buraco de suas vidinhas completemente sem significado...

Ao invés da reflexão vem o consumo, justamente para que o silêncio da alma seja substituído pela ruminação e pela deglutição. O mastigar dos perus, dos lombos, e de toda carne que será putrefeita nos estômagos adornados de fel forma uma ruidosa sinfonia em descompasso com o ritmo da Natureza... Somos o que comemos e, com isso, basta um raio X dentro do nosso estômago, para observarmos que somos inerentemente... fétidos!

Fui a uma dessas "Mecas" de consumo, onde a palavra de ordem é comprar e o dialeto é o desespero. Filas de pessoas que andam, como formigas, sem consciência, sem reflexividade e, talvez, sem a menor noção de quem são ou sejam no mundo são o retrato mais fiel da falta de amor... O mundo está acabando e o que as pessoas fazem é comprar. Até os noticiários dedicam suas reportagens apenas a isso: lojas, shoppings, consumo, consumo e mais consumo, até que todos os recursos sejam esgotados. Somos mesmo um bando de vírus, espalhando nosso poder letal para a Terra...

O amor cedeu espaço às "saudáveis" (escrevi assim porque, de fato, nada vejo de saudável em se brincar de destruir a estima alheia) brincadeiras de "Amigos secretos" ou "Inimigos ocultos". Quando foi que perdemos a noção do respeito ao próximo? Não sei, mas desconfio que foi quando perdemos a noção do que seja, verdadeiramente, amar alguém. Desconfio que perdemos a vergonha na cara ou o que resta dela porque ensimamos nossas crianças que papai Noel somente leva $$$$$$$.

As pessoas não se respeitam e não será uma data fictícia, em relação a qual nem se sabe se um ser humano nasceu (duvido que Cristo seria capricorniano), que irá produzir mudanças. A maior mudança está em se voltar para si e, com isso, observando a imbecilidade em que nos tranformamos, podermos, com muito esforço, transmutar...Afinal, como dizia Gandhi, sejamos nós a mudança que desejamos no mundo...

Pena que o mundo, ao que vejo, parece ser o quintal sujo da casa de alguém...

terça-feira, 24 de novembro de 2009

O desaparecimento do Sol

Desapareceu o Céu e, com ele, o Sol não pode vir, escondendo-se por trás do morro dos sonhos que, um dia, embalaram a viagem do Astro-Rei rumo à imensidão da felicidade...Como o Céu pôde fazer isso com alguém que ama?

Não sei, ao certo, mas sei que a Lua também não quis irradiar seu brilho, ofuscada pela penumbra que insistiu em permanecer em seus contornos. Saudosa a Lua estava do Sol, pois mesmo que habitassem, por átimos de segundos, o mesmo firmamento, eram um só, diante de todas as estrelas, e alimentavem, assim, a esperança de quem procurava alento debaixo de suas luzes unificadas.

Por onde anda o Sol? A Lua está perdida em suas rotações, sem saber, ao certo, por onde gira. Não baila mais no suave tom da melodia do amor sem fim, perdida que está no encalço do Astro que se foi. Foram-se, Lua e Sol, por momentos, cada qual em um caminho sem fim, deixando as lembranças do que foi, um dia, a realização da plenitude.

Pobre humanidade, perdida sem a Lua e sem o Sol, por não compreenderem o que significa, realmente, amar!

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Um estrangeiro chamado Amor

Um dia, um estrangeiro chegou ao país, trazendo na bagagem uma novidade: um coração que pulsava. Naquela terra isso era algo de novo, porque, há tempos, artigos assim eram tidos como iguarias incomuns, pois o mundo era apenas um grande mar de desolação.

No peito dos habitantes, apenas um vazio a habitar a casa de um eco descompassado, dando a falsa sensação de residir algum sentimento nobre. Nada mais. O pior de tudo era que naquele país todos achavam que estavam amando e, de tanto "amar", destruíam-se uns aos outros, na ingenuidade de entender naquilo o mais nobre ato de desinteresse...

Quando chegou à alfândega, Amor - como era chamado o andarilho portador do pulsátil coração - foi barrado, porque ninguém entendia o que era aquele pequeno opúsculo que apenas fazia "bum-bum", "bum-bum", "bum-bum". Não tinham a menor idéia de onde surgira aquilo porque, de fato, no catálogo universal de contrabando, referência alguma havia sobre o que era, de fato, um coração pulsátil.

Pessoas se acotovelavam, querendo saber mais informações. A imprensa também chegou, dali a pouco, para a cobrir a informação que estaria a estampar o notíciário da noite: vende muito falar sobre coisas inusitadas! Amor, contudo, explicou aos agentes do que se tratava: coração, um órgão forte, o mais forte órgão do corpo humano, que resiste à dor, à indiferença, a todas as intempéries.

Os agentes pegaram o coração dentro de sua caixinha e, ao tocarem o corpo diminuto, foram invadidos por uma sensação de paz e plenitude, algo que nunca haviam sentido antes. Vendo o êxtase no semblante dos colegas, os demais funcionários logo foram formando uma fila para acariciar o coração e sentir suas badaladas, porque, naquele país, a esperança do sentimento fora, há tempos, convertida na petrificação da alma. Deixaram de amar e, não amando, sequer compreendiam o que seria o pulsar de um coração de verdade.

Por não amarem, não tinham mais coração e, na ausência dele, jazia no peito dos moradores locais apenas o vazio, alimentado pelo automatismo com que apenas sobreviviam, dia após dia, na tomada de fôlego para o devenir já tão constante e previsível.

Ninguém chorava, ninguém ria, porque, para isso, precisavam verdadeiramente de um coração.

Mas, ao tocarem o coração de Amor, com ele veio a certeza de preenchimento de tudo aquilo que, um dia, foi, em algum lugar, o espaço de plenitude procurada...

E de tanto pegarem no coração, Amor decidiu deixá-lo ali, sem saber que, com esse ato, deixaria para trás boa parte do que sentira pela humanidade...

domingo, 15 de novembro de 2009

A descoberta da Deusa no paradigma ecofeminista


Hoje acordei no ápice da reflexão sobre meu papel dentro de um modelo institucionalizado de academia cujos métodos me aborrecem a cada dia. Estava pensando na razão pela qual a rotina de reprodução - ainda que escondida no discurso de "crítica" - está sempre espreitando meus atos, beirando as aulas que dou e se inoculando nos filetes de hemácias que transitam, noite e dia, em meu sangue.
Falta-me fôlego e, sinceramente, acho que está começando a faltar o ar que respiro. "All I need is the air that I breath to love you" - penso em relação à ciência, porque, a cada livro que folheio, e em cada texto sobre o qual me debruço - não raro, em lágrimas - tenho a franca sensação que o conteúdo está tão fora da realidade, tão sacral e transcendentalmente disposto como uma fórmula mágica, que se torna impossível dizer que faz parte da minha vivência. E duvido que, ao final, possa fazer parte da vivência de alguém que persiga unidade e coerência.
As conversas com amigos, amigas e colegas não me animam, porque, ao final, por mais que se esteja querendo chegar a algum lugar de questionamento, o discurso esbarra num problema estrutural: nosso paradigma científico ainda se crava, finca - em desespero, é bem verdade - numa compreensão de mundo mecanicista e reducionista, que enxerga o mundo como um rato de laboratório e nós, maravilhosos seres, como cientistas que se colocam fora do "objeto de análise". Somente não saberia dizer qual o locus de onde iríamos fazer a observação, já que estamos imersos no ambiente que definimos como sendo o laboratório.
Acho que o locus seria nosso umbigo etnocêntrico e separatista, firmado na ignorância de uma concepção de apartheid com a Natureza (Physis), que precisa ser "conhecida para ser dominada", no sentido de, reificada, apenas render bons frutos ao consumo de massa, numa concepção puritana de acesso ao usufruto expropriatório que está destruindo tudo ao nosso redor. O consumismo industrial na lógica nefasta do capitalismo de drenagem da Natureza: a marca da pós-modernidade globalizante, que irradia ao mundo a concepção de um localismo central (países centrais, G8, G9 e tantos Gs por aí), que, a pretexto de libertar o mundo da ignorância, mergulha, ainda mais, na escuridão do completo desrespeito ao outro.
Sim, o outro é apenas "excêntrico", "primitivo" e, dentro disso, não compreendido em suas especificidades. O outro é o doce e suave objeto de debruçamento para, ao final, do alto de nossas torres de marfim polido - de uma pretensa cientificidade de esquina - apenas nos colocarmos como o mais sofisticado modelo (ocidental, romano-germânico, capitalista, pós-qualquer-coisa), a contramão de toda a compreensão sobre a dimensão de respeito ao que nos é diferente.
De tantas leituras feministas, nada, sinceramente, agradou minha necessidade de encontrar a Deusa na arquetipização da ciência. Nada favoreceu a busca pela superação da fragmentariedade desse modelo bipolar que, sinceramente, faz com que eu me veja, a cada dia, no espelho, como um protótipo de "O médico e o monstro", perdida em meio da contradição inerente à falta de harmonização entre mente e corpo, bem como à tentativa de confrontação de igualdades com diferenças que se marcam e lançam como simples...diversidade.
Um raio de luz surge, enfim, ligando a compreensão de vida, experiência, alteridade, mundo e autoconhecimento, na medida em que faça o caminho de volta à Física. Por muitas vezes fui pega - não de surpresa - sendo indagada em relação à aparente contradição e fatal abismo entre direito e física. "Nossa, que diferente!" - ouvi, por muitas vezes, sem saber que, hoje, ao final de tanto atropelo, consegui, por fim, a calmaria da alma, na paz interna que me move a afirmar que o abismo é apenas a falta de compreensão das dimensões de um novo paradigma científico, a partir do redimensionamento do que se entende por ciência e, dentro disso, da superação de outrora intransponíveis cisões entre mente e corpo, ciências humanas e naturais, bem e mal etc.
Um sopro de alento! Eis que surgiu, imerso no retorno para o lar de deidade. Como não pensei nisso, diante de tantos atropelos? Os atropelos da saída de um mundo dual, para o berço eterno de unidade. Voltar para o braço amoroso (e forte) da deusa dos antepassados. A Deusa ressurgiu, firme e forte, poderosa e plena, no resgate a um feminismo deídico, no qual movimentos da década de 70 começaram a indagar o modelo de produção, de economia e, dentro disso, de academia. Daí minha crítica veemente ao feminismo de reação extirpatória, que almeja a alocação para um espaço de poder (econômico, cultural, moral e religioso) que reproduz a lógica de submissão da Natureza, com a dominação, em vários níveis (principalmente na apropriação do discurso) do corpo sutil do sagrado e do feminino.
A cientificidade ocidental e o patriarcado andam de mãos dados e, sem saber (será?), boa parte da literatura feminista reproduz uma compreensão de manutenção de relações desiguais e hierárquicas em face da Natureza e, dentro dela, dimensionadas para as relações humanas, que se irradiam em um puro materialismo extirpador, já que, de fato, a nova alocação das mulheres se dá para um domínio público, que adveio também de uma dualidade (público e provado) de reflete o modelo ocidental da sociedade industrial que se teorizou para legitimar o extermínio da Natureza.
O sopro de vida da Deusa encarcerada e submissa volta, já em Starhawk (década de 70) e encontra em Vandana Shiva aporte teórico em relação a uma proposta de retomada de discussão do espaço que a Natureza (Physis) ocupa da agenda humana, não mais como simples objeto de dissecação e análise estrutural, mas, antes, como pano de fundo de superação da dialógica separatista - ainda que o ecofeminismo seja rotulado como separatista e naturalizador da diferença.
Dentro disso, ele não seria muito diferente, não, em relação à herança que o Iluminismo trouxe em relação a simplesmente TUDO que se discute em termos de enunciados e valores (liberdade, dignidade etc.) já que, dentro do paradigma de discussão de igualdade proposto por alguns marcos feministas, a força motriz ainda é o substrato de dualidade mente/corpo que, ao final, faz a discussão voltar para o mesmo ponto: hierarquização, ainda que encoberta pela sutileza do manto da igualdade, a mesma que mata, pouco a pouco, um mundo interligado.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

O poço sem fundo da academia que não se renova

De todas as artimanhas criadas pela prodigialidade humana, o debate acadêmica é, sem dúvida, para mim, a maior demonstração de insuperável dualidade. Um poço sem fundo nos separa de nossa vida pulsante, como se cada doutrina fosse uma bonita roupa de zíper, que vem e vai, no balanço de nossos corpos que não encontram o vestido certo para o baile de formatura.

Não nos encaixamos, e, por não nos encaixarmos, culpamos a liberdade... Mas, enfim, não nos encaixamos porque nunca procuramos a unidade que estabiliza mente e corpo.

Tal qual o Médico e o Monstro, passamos uma vida inteira de bipolaridade, debatendo-nos diante dos gritos de alerta e socorrro que o corpo dá como resposta à mente que o sodomiza.

Gritamos.

Expulsamos secreções.

Adoecemos.

Caímos, enfim, na mais pura escuridão de nossos piores pesadelos, que se alimentam do verbo soprado pela mente demente e enferma.

E a academia?

A concretudo de toda a mediocridade esquizóide: somos senhores e senhoras fecundos e fecundas de idéias, teses e teorias. Estéreis, contudo, em sensibilidade para a vivência harmônica entre a alma e o corpo.

Aliás, que alma?

Que espírito?

Não temos Deus porque Ele, sendo reduzido a uma pantomima, foi excomungado por nosso desespero em nos fazer autônomos. Excluímos do Universo, criando um outro, em cujo centro egóico, perverso e indiferente, projetamos nossa insensibilidade, para que possamos assistir, de camarote, o fim de um tempo que outrora já anunciamos.

Estamos morrendo e, com nossa morte, celebramos a vida.

Vida e morte dão-se as mãos e se abençoam, no casamento sagrado entre mente e corpo.

Salve a vida!

Salve a morte!

No eterno ciclo de vida-morte-vida, salvam-se todos à margem do purgatório!

Amém!

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Sobre o urro ancestral da faculdade injuriada

Na quinta-feira passada a professora Débora Diniz comentou, no espaço do Estado de São Paulo, a reação da "comunidade acadêmica" em relação a um vestido cor-de-rosa usado por uma estudante, que foi explicitamente assediada por uma trupe de estudantes "indignados" com o ataque aos costumes e aos bons valores...

Argh, quanta mediocridade se revela na reação...

Não consigo compreender como em pleno século XXI alguém ainda fala em moral e bons costumes, numa compreensão burguesa de castração feminina, bem como de controle de sexualidade.

Sim, a reação em cadeia apenas mostra o retrato de uma sociedade hipócrita, misógina, androcêntrica, machista e, sobretudo, mesquinha, que deita seu posicionamento de vida em cima de tão frágeis preocupações. Nossas preocupações com a moral são tão efêmeras e contraditórias que expomos nossos corpos no Carnaval, mantramos músicas de triplo sentido (triplo sentido, mas, de fato, querem apenas expressar o óbvio, sexualidade), sacudimos nossas tetas, bundas e pintos, em gingas de expressão de sexo. Nada contra, afinal, cotidiano popular. Segundo alguns - Casa Grande e Senzala - parte de um DNA. Nada contra, nada contra mesmo...

Agora, tudo contra o acossamento da menina, porque, afinal, parte dos algozes se requebra nas micarês da vida, parte assedia mulheres, pilhando-nos nas noites urbanas, com o afã predatório de nos colocar como presas...Enfim, não consigo entender tamanha hipocrisia...

Aliás, minto, entendo, porque, dentro do estudo de gênero, isso é apenas uma manfistação simples do que Foucault e um bando de outros autores e teóricos mencionam há tempos: aa ira em relação ao corpo feminino. Ainda somos objeto de controle, pois não bastam as mutilações que fazemos em nome de um ideal, agora tempos que brincar de boneca, ganhar jogo de panelinha, andar de cor-de-rosa, bater palminha e nos submeter ao que os outros determinam como padrão...

Nada, nada mesmo justifica o acontecido. E mais odiosa ainda é a valoração que nós, MULHERES, fazemos em relação às nossas pares: nós somos as maiores algozes de nossas irmãs, porque, num mundo que nos odeia (o mundo misógino odeia o feminino), insistimos em chamar a outra de "puta", "vadia", "periguete" (essa última palavra é engraçada), adjetivos que apenas têm significado porque as AUTORES SÃO MULHERES.

Afinal, o homem ser galinha, puto, perigueto (hehehe, será que é assim?) é atestado de virilidade, porque o pênis fala mais alto na historicidade atroz que nos empurrou, até agora - salve melhor juízo - para a latrina... Guerras, chacinas, extermínio, eugenia, tudo feito em nome da testosterona... desafio alguém a mostra, com dados históricos e com o carbono 14 algo diferente disso. E, ainda que encontrem, a exceção apenas confirmará a regra.

A faculdade - nem sei que faculdade é essa - como IES não deveria fomentar o desrespeito aos postulados báscicos de dignidade, previstos constitucionalmente. Os alunos e as alunas, então, lamento... Mas isso, no auge dos 15 anos de docência, não constitui conduta cidadã, adulta e razoável. É uma chacina moral, um retorno às galés inquisitoriais, um Estado de exceção. Incompatível com uma demanda por espaço de democracia...

Isso não revela uma comunidade acadêmica, mas sim uma horda sanguinária, que, à escusa de sacrificar seus bodes pessoais, suas frustrações com os fortes ids, apenas extravazam um superego perverso... Isso é perversidade... Nada mais.

Enquanto legitimamos a pauta de reificação dos corpos e da alma da mulher, alimentando cifras de IBOPE nas bundas, nos peitos e nos rostos plastificados, não existe legitimidade para a perseguição. Ainda que não fôssemos assim, NADA JUSTIFICA A AGRESSÃO MORAL...Nada...não em um Estado que se nomine democrático de direito...

O comportamento da "comunidade" revela a ancestralidade mais macabra: a de extermínio...

domingo, 8 de novembro de 2009

Em breve, novidades no blog!


Isso mesmo, novidades com artesanato, leitura, café e pão!!!

Aguardem!

Do alto de Alto para a imensidão do Moinho...


Estivemos fora, é bem verdade, numa jornada de reconhecimento, na qual a busca incessante pela recomposição da paz interna cedeu espaço ao olhar...Sim, apenas um olhar basta para que identifiquemos, com a alma, nosso companheiro ou nossa companheira, sem a preocupação com dias, meses e anos para se "conhecer verdadeiramente alguém" ...

Quem inventou essa poderia amar mais, porque, de fato, nenhuma teoria psicanalista, psicoterapeuta e outras tantas dentro da racionalidade conseguem suprimir o coração em seus desígnios. Não se ama com a mente e com o tempo, mas, antes, sente-se o amor no mero pulsar da alma, que sibila ao menor som de empatia com o ser amado...

Do alto de Alto fomos para a imensidão de um mar, lá embaixo, no Moinho, que exalava, a todo tempo, o imã que nos conduz à reflexão em relação a toda uma vida...Saí de lá, contudo, com a certeza de breve retorno...Mais, ainda, porque aí com a sensação de nunca ter deixado aquela terra, olhando para o Daniel, como se ele igualmente nunca tivesse arredado o pé de lá...

Daí, enfim, como sempre, tudo aqui, nessa Babilônia, adquire um significado de muita ilusão...Estava lendo Vandana Shiva no livro Ecofeminismo, redescobrimendo minhas missões e, dentro delas, a transmutação de uma "ordem" paradigmática e científica, porque, simplesmente, encontro-me rompendo casulos, o tempo inteiro, em relação a uma visão de mundo, do Direito e, sobretudo, da vida, alicerçada em cima de uma dualidade tão estúpida e anestésica que cega, maltrata, viola e denigre a mais senível das almas.

Cansei de discursos e a academia é o mais tórrido deles, com a pretensão de formulação de explicações e compreensões sem o menor significado para tornar a vida de cada um melhor, no sentido de agregar compaixão, amor e fraternidade. Como máquina de egolatria, teorias vêm e vão, tentando prencher o vazio que se estabelece na alma de quem não encontra explicação para suas mazelas...

O Ecofeminismo talvez esteja sendo muito mal interpretado por algumas percepções feministas de mundo, porque, afinal, ele rompe com a lógica de acesso ao beneplácito de um capitalismo androcêntrico, egoísta e destruidor, que - não tem jeito - não irá respeitar a solidariedade. O capitalismo não se coaduna à dimensao de agregação do ser humano à Natureza e, dentro disso, não vejo melhoria alguma em apregoar uma emancipação da mulher, para que...DESTRUA, VIOLENTE E ACABE COM A NATUREZA. Simples.

O feminismo de postulação de igualdade relaciona-se a que? À igualdade para destruir a Natureza e acessar poder para oprimir? Essa lógica apenas subverte, e não traz paz para a compreensão de um mundo em que nos posicionemos como seres que se ligam a uma grande teia chamada Terra.

Cansei, enfim, e acho que, de tanto cansação, sentido alguma existe em brincar de fazer doutorado usando marcos teóricos ue entendo serem medíocres...Sim, sinceramente? O paradigma dominante na ciência (hahahaha, como se o direito - com letra MINÚSCULA) do direito está ainda em Locke e no absurdo de usurparmos a Natureza por sermos seres de superior casta...hahaha, ou, ainda, na verborréia de Marx, Hegel e a maior parte dos pretensos filósofos ocidentais, que malham a mente e destróem os corpos.

Paradigmas novos... Ruptura, Capra, Boaventura, Goswami, Vandana... Trabalho pedreira, mas vale a pena, porque alguém precisa começar...

Alguém precisa desmistificar muita coisa... Tornar visível um processo "global" que apenas revela o localismo predador do colonialismo cibernético, que marca a irradiação de modelos do G7 (lembrando o saudoso Milton Santos). Um processo de imperialização baseado no controle de pessoas, de recursos e tecnologias, bem como no acúmulo de capital.... Um modelo que se antagonize à proposta androcêntrica (e seu contraponto, nos "ismos" que se espalham por aí), para que a unidade na divergência não corresponda à hierarquização.

Ciência, tecnologia, direito, academia não são neutras, nunca foram, porque estão ligadas à temática de exploração da Natureza pelo homem e, dentro disso, a colocação da mulher, dentro do "mundo natural", como objeto reificado e explorado. Explorado para que? Para, ainda mais, explorar, dentro do consumo desenfreado, a Natureza e sua capacidade regenerativa...

Sim, penso que a pós-modernidade (uma pós-modernidade que agrada Habermas, Arendt e demais autores BRANCOS, EUROPEUS e inseridos numa LÓGICA colonisal) marca um discurso de reprodução de exploração, que exclui a Natureza do centro da atenção, para colocá-la sob o jugo da transformação predatória, movida pelo acúmulo, pelo interesse pessoal, nada mais.

A emancipação do mundo natural marca a exploração e a submissão desse mesmo mundo, pelo simples fato das temáticas políticas e dos discursos ideológicos (principalmente de toda teologia que situe a Natureza como objeto à disposição do Homem) colocarem o mundo em que vivemos como pátio de nossa casa e, portanto, acumulando o lixo e a podridão de nossas escolhas.

E a emancipação "feminina" dentro disso? Estamos nos emancipando para que? Para darmos o chute final na Natureza? Penso que não, portanto, rompo com o feminismo de igualdade, que se baseia em uma cegueira em relação ao dimensionamento da luta feminista em relação ao cenário ambientalista...

Igualdade para o consumo??? Não, que seja a igualdade para a substituição de paradigma: do consumismo para a subsistência, afinal, nada mais precisamos, a não ser uma boa vista e um bom café!!!

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Sabbat Beltaine! Fàilte!


É tempo de Beltane, ou Beltaine, Festival Sagrado do Fogo celta, encontro do Deus e da Deusa, que se tornam UNO na concepção, no giro da vida e da morte, na plenitude do devir. Bellenos, deus a quem o fogo se dedica, ou, ainda, Bel, como também é conhecido, uma divindade ígnea, sibilante.

Em Beltane celebramos a dádiva do encontro de almas, sendo que, para os antigos celtas, Beltaine ou Beltane marca o casamento sagrado nas florestas. As crianças nascidas daí eram consideradas sagradas, por terem sido concebidas em um festival tão alegre como esse.

No giro da roda do sul, dia 31 de outubro marca Beltane, em contraponto ao que se celebra no hemisfério norte, que é Samhain, a noite do limiar entre-mundos. Aqui estamos em plena globalização de datas e, portanto, não se espante... Muitas bruxas comemoram no giro da roda do norte, ou seja, de acordo com o ciclo do hemisfério norte.

Prefiro seguir o ritmo do hemisfério sul, por uma série de motivos. Primeiro, porque o giro segue o ciclo da Natureza, na virada que o HS dá, em termos de rotação diferenciada - o efeito Coriolis marca isso muito bem. Segundo, porque prefiro seguir as estações de acordo com o que estou vivendo de ciclo aqui - aliás, o giro da minha roda, meus ciclos biológicos - estão todos girando no sul, de modo que não vejo razão para faezr diferente, já que a arte segue os ciclos da Natureza.

Época de renovação dos laços e das uniões. Momento de consolidação de vínculos: é BELTANE chegando no ar, enchendo a atmosfera de magia, amor, sedução e paixão. Dia 31, tire suas vassoura do armário, do canto, limpe bem seu espaço sagrado e se una ao seu pólo, ao seu ponto, ao seu parceiro ou sua parceira, em fertilidade!

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

LCD, DVD, PQP: as siglas do sucesso de uma felicidade virtual



Sinceramente?


Não sei o que LCD significa. Na verdade, não tenho a menor curiosidade em saber e, quando a vendedora da loja me persegue para ver a novidade do momento, o único impulso que tenho é de simplesmente desviar a rota... Mentiraaaa! Tenho vontade de sair correndo para debaixo da cama, na esperança de passar o pesadelo do cancro chamado capitalismo consumista (desculpem a redundância), que nos reifica e nos coloca como presas na frente de um vendedor doidão pela promoção a gerente...

Em relação ao LCD, sei apenas que é uma tela de onde saem dados decodificados, que se reagrupam e formam imagens...Nada mais. Não sei da qualidade de definição, do controle da imagem, do tubo, do som... Não estou a fim de saber. Ponto. Não, não, antes do ponto: não estou interessada em consumir mais uma inutilidade que anestesia a minha mente e me empurra, de maneira pré-elaborada, pança a dentro, um monte de informação chucrute, "facim, facim", em relação a qual eu nem precisaria refletir, pois, afinal, já tem alguém que faz isso por mim, trancafiado ou trancafiada numa bat-sala de controle por aí...

Por que eu haveria de pagar mais caro por um embuste? Afinal, quem enxerga não são os olhos, mas o cérebro! Portanto, antes de programar o LCD, o DVD, PQP!!! Desprogramemos a mente, para que ela, ao contrário, possa enxergar onde nunca enxergou, e retirar a poeira que turva a alma e demole o senso crítico. Taí, gostei da marca...

PQP, eis uma sigla interessante para os eletrodomésticos. Só pelo caráter libertário, eu compraria um produto PQP... Uma televisão desprogramadora, que tivesse um mecanismo de explosão - in locu - do programa demente e rebolativo. Imaginem só! Ou, ainda, um fogão a lenha PQP, equipado com o forno a lenha PQP e, quem sabe, o poço artesiano ecológico PQP. Isso, sim, seriam produtos de qualidade. Quem sabe, ainda, uma lavadora de roupas PQP, que se limitaria a... uma bacia...sim, uma bacia basta para quem quer lavar. Não é demérito ter as mãos grossas pelo contato com a roupa, ou, ainda, com a Terra.

E por falar em terra, produtos orgânicos PQP, vendidos no supermercado. Mas, ao invés dos rabanetes e das alfaces, os produtos orgânicos PQP seriam um kit com sementes, pás, rastelos e adubo, para aprendermos a plantar, saindo, assim, da penúria da dependência de quem explora a ignorância...

Produtos PQP, esses eu indico!!

O grito sufocado de um Dedo Libertário


Era um dia, como outro qualquer...

O Sr. Dedo levantou com o raiar de mais um nascer do Sol, espreguiçando-se à sombra de uma frondosa jaboticabeira, ao mesmo tempo em que bocejava num gutural som de despertar. "Vejamos as notícias de hoje" - esperando, afoito, pela hora da leitura do jornal matinal, regada sempre com um maravilhoso café da manhã.

"O prazo termina amanhã", "As cópias não estão prontas", "Que trânsito dos infernos" - foram as manchetes daquele dia, que disputavam espaço com as informações sobre tempo, política e relacionamento humano. "Nossa, como tudo permanece igual, dia após dia" - pensou, com uma certa dose de desalento. Nesse mesmo instante veio à mente a pergunta que nunca se calou: como pode ser possível viver uma existência toda num marasmo existencial, sendo sempre cobrado por suas ações?

"Seja firme, Dedo!" - "Aguenta, você sustenta tudo acima" - sim, essas eram as máximas do cotidiano de Dedo, que sempre era lembrado disso por seus pares, de modo a saber muito bem o "seu lugar" na escala hierarquizada e fortemente rígida naquela sociedade de castas que drenava seu sangue e o espoliava até a exaustão. Afinal, ali tudo funcionava como um maquinário, onde cada "peça" era apenas um elemento a fazer parte de uma grande engrenagem.

Dedo se levantava, tomava banho, assistia ao espetáculo da escovação de seu vizinho Dentes. Observava a tudo atentamente do "topo" de sua colina, mesmo que, para os vizinhos e amigos, Dedo morasse, enfim, na periferia. Aliás, para o jovem, isso apenas confirmava o jogo geopolítico que sempre apontou uma inversão entre localidades centrais e periféricas, dentro da qual, Dedo, Pé, o casal Tornozelos e demais convivas, faziam, ao final, reverências aos nobres companheiros do topo...

Dedo estava cansado disso... Há tempos, em uma informal conversa, confessara ao Braço que não mais estava disposto a seguir num regime de exceção, uma ditadura de classes dentro da qual, mesmo sendo importante, sua opinião era deixada de lado, em prestígio dos dirigentes. O General Cérebro Encéfalo comandava aquele país com mão-de-ferro, não admitindo consenso, harmonia, sequer diálogo entre os cidadãos. Era difícil a reunião. Dedo sequer conhecia o general: nunca o viu pessoalmente e o máximo que conseguira foi alcançar o Queixo porque existia uma vigilância enorme forjada em torno do Líder Máximo do país.

Depois de tanto pensar - sim, Sr. Dedo era nitidamente um ser pensante, com altas notas na escola e um brilhante futuro pela frente, se não fosse o regime de exceção a limitar "seus passos" (que ironia!) - Dedo decidiu colocar adiante um plano mirabolante e, ao mesmo tempo, perigoso. Iria ser o baluarte de uma revolução. Estava disposto a destronar o poderoso Cérebro e instaurar a democracia no país, pois desejava igualmente de oportunidades para todos os cidadãos dali. Convocou uma reunião com seus irmãos mais novos (Dedo era o primogênito e, por isso, mais respeitado na família), concitando também seus vizinhos da periferia. "Sim, meus amigos, somos quem sustenta esse país e devemos perseguir o respeito dos demais" - essas foram as palavras de ordem que Dedo proferiu, sendo aclamado por todos que estavam ali presentes.

"Mas, se pararmos de trabalhar tudo acabará" - ponderou Joelho, a seguir. "O país conta conosco para que possamos ganhar nosso pão. Isso é um suicídio, Dedo!" - advertiu, sendo aplaudido pelos que estavam preocupados com as represálias.

Dedo refletiu, parou por aqueles segundos que representam uma eternidade... Olhou para cada um dos presentes, coçou a cabeça e suspirou: "Sabe o que mais me agradava em nosso país? FELICIDADE. E hoje, o que mais me entristece? Saber que, ao final, não vivemos uma felicidade plena, porque nos permitimos, sob tortura, ficar ao jugo de um tirano que destronou nosso Monarca. Sim, senhoras e senhores, tenho saudades do tempo em que Coração reinava num parlamentarismo constitucional. Tenho saudades de nossas assembléias, onde conversávamos, todos nós, em harmonia, e agíamos na uniformidade de espírito, sendo UNOS, e não fragmentados..."

"Longe de vão esse dias e, por certo, se não fizermos nada, morreremos sem atingir a consciência do que é o viver. Por isso, pedirei o apoio de vocês e me oferecerei em sacrifício. Vou, sozinho, para a guerra" - afirmou Dedo, já reunindo seus pertences para a batalha final.

Os membros silenciaram... Nada mais seria dito, porque, de fato, estavam esperando que alguém se oferecesse para o sacrifício. Faltava a todos a coragem que sobrava naquele baixinho chamado Dedo...

A possibilidade de malograr êxito era alta, porque os portões do Castelo do Casal Mente e Cérebro eram guardados por uma série de mecanismos de defesa: medo, espanto, ansiedade e toda sorte de sentimentos que eram mantidos como soldados de reserva e manipulados pelo poder do tirano, que se escondia para não ser encontrado, enfrentado e destronado.

Mas, mesmo assim, Dedo partiu, com a certeza que não mais voltaria para sua casa, porque a opção, dali para a frente, seria a morte ou a libertação. Com essa certeza, Dedo lançou um último olhar lânguido para sua casa, despediu-se dos irmãos e dos membros e partiu para sua jornada solitária, certo que, dali para a frente, encontraria seu destino...

Depois de 2 dias de caminhada, sendo criticado, advertido e ironizado, Dedo deparou-se com a estrada do castelo e, em sua frente, uma placa, dizendo "Não ultrapasse, campo minado" - Lembrou, então, que ali era zona de combate no passado e que deveria ter cuidado, pois muitas bombas poderiam explodir naquele local. Controlando a respiração, Dedo se lançou, vagarosamente, rumo à trajetória que escolhera para sua vida: iria contestar o domínio de Cérebro e fazer romper, dali, uma chuva de democracia em seu país.

Com a alma cheia de certeza e coragem, Dedo não teve tempo de se desviar de uma pequena mina, que explodiu e o atingiu, em cheio, bem no peito... Em meio a tanto sangue espesso e vívido à sua volta, Dedo olhou ao seu redor e se lembrou da época em que era apenas uma criança... Não precisava doar suas entranhas para uma jornada de robotização, pois o mundo era apenas o quintal e a jaboticabeira...

Sentia frio e não conseguia mais se mexer... "Vou morrer sem conseguir completar minha jornada" - pensou, ao mesmo tempo em que sentia uma daquelas lágrimas que caem sem querer de nossas faces, aquelas que orgulhosamente negamos, mesmo que desejemos vertê-las...

Quando já sentia a morte chegar, Dedo ouviu um pulsar se aproximando dali... "Bum-bum, bum-bum, bum-bum" - em passadas largas, afoitas, porém seguras e certeiras. Ao levantar os olhos, Dedo viu caminhando, em sua direção, o Grande Rei Coração, seguido de perto por todos os membros de seu país que, convocados, foram à guerra deflagrada por Dedo.

"Pé, Dedos, levem Dedo para a enfermaria" - bradou o guerreiro real enquanto lançava um sereno olhar de gratidão para o pequeno: "Meu amigo, você fez o mais importante, merece descansar. Graças a você a à sua indignação aprendemos aqui a nos solidarizar, a sentir e vivenciar a compreensão de um mundo de UNIDADE DE ALMA. Muito grato por você despertar isso, meu amigo! A Era da Mente acaba aqui hoje, para que o pulsar do Coração volte a unir a todos..."

Seguido pelos membros, Coração avançou, enquanto Dedo ia, feliz, para a tenda, a fim de receber o bálsamo que iria, dali a pouco, restaurar seu peito e cicatrizar suas feridas.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Homo demens

O assunto em cima do qual debrucei-me por toda essa semana relaciona-se a todas as referências a mim como uma pessoa "surtada", ou "louca". Vá lá, até de "excêntrica" já fui chamada, lembrando que excêntrica é quem sai do centro, não é mesmo?

Tudo por conta da desprogramação mental de um mundo de puro lixo e que, às vezes, muitas vezes, tentamos encobrir para que se pareça com algo "bonitinho", apenas para justificar nossa falta de coragem em romper com as limitações que nossa mente tenta impor ao coração. Pronto, essa frase é já o bastante para os que apontam o "surto psicótico" que tomou conta, segundo falam, da minha alma.

De início, preocupava-me... Talvez, hoje, ainda me preocupe com isso - sim, acho que o fato de ficar escrevendo e-mails e postando textos no blog ainda são um claro sinal de inquietação em relação a isso, porque, se realmente desapegada eu estivesse do meu ego que necessita de auto-afirmação, minha face não se modificaria um só centímetro.

E mais: não acharia cansativo e repetitivo ficar falando, o tempo inteiro, o que a palavra "surto" significa para quem, de maneira desavisada, não respeita, de fato, a opção de uma pessoa em simplesmente não querer mais um caminho. Mas, enquanto não entro num consenso com meu ego saltitante, prefiro transformar o sentimento de "bicudo" em texto, a fim de compartilhá-lo com as pessoas.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Senhora dos olhos vendados, tira e venda e veja quanta mentira!

Toda a vez que me deparo com um processo, tenho vontade de chorar... Chorar pelas árvores que caem para servirem de matéria-prima para as petições ctrl c + ctrl v de pessoas que se locupletam em cima das idéias dos outros.

Chorar pela arrogância com que alguns (claro que não são todos, mas, surpreendentemente, os que se colocam em minha frente) membros de Poderes se colocam acima do Bem e do Mal, fazendo valer apenas o vazio de suas almas que jazem na mais perfeita escuridão.

Não acredito que seja feita justiça... Aliás, quanto mais estudo Antrologia, mais saio da robotização que um imbecil plano normativo kantiano insiste em cadavericamente se manter. O mundo real não se opera no dever-ser porque somos, e simplesmente não devemos, ou não quermos dever: isso é a própria negação do SUJEITO em si... E, ainda por cima, em cima de puro sofrimento...

Sim, o Direito regula sofrimento, ele existe para regrar sofrimento...Vivemos como urubus, tripudiando da alteridade, zombando da dor alheia e jurando que somos os senhores e as senhoras dos destinos da humanidade!

O Direito deixou de ser a alta e alva torre de marfim... Não tem mais graça: nunca teve, mas, talvez, minha mente ainda insana tenha acreditado que, algum dia, seria possível tornar a vida de alguém mais plena por decisão judicial. Que ingenuidade achar que bonitas palavras (somente entendidas por quem se "adestra", como um poodle circense, ou talvez, uma "foca", nas "artes" secretas da retórica - quase sempre de quinta expoência). Que meus clientes sairiam satisfeitos, mesmo não entendendo "necas" do que e falado em tanta água que corre das salas e dos gabinetes..."ad argumentandum tantum", "per via de consequentiam", "data venia", "ex nunc" e "plic ploc" (esse é invenção minha, a língua do meu país de origem, não liguem).

Talvez estejamos a brincar de exercício de poder: advogados, advogadas, promotores, promotoras, juízes e juízas...

Quando encontrar com a Deusa da Justiça, pedirei a ela que tire a venda e veja quanta mentira é produzida em seu nome!!!

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Cobrando dos outros o que se exige de si


Mahatma Gandhi sugeriu certa vez: "Seja você a mudança que pretende ver no mundo" e sempre pensei, com isso, que a idéia seria cada qual saber de si e, com isso, a conscientização se fazer de dentro para fora, pouco a pouco, individualmente (individual enquanto ilusão de ego).

Não importa, o que é claro para mim é a certeza de não podermos incidir em uma opressão do outro, sob qualquer hipotése, ainda que sejam nobres os motivos, lembrando sempre que o enunciado de "nobreza" igualmente possui diferentes compreensões, de acordo com o que cada cultura cria como universo simbólico, religioso, social etc.

Por isso, mesmo sendo uma pessoa sensível ao vegetarianismo, à auto-sustentabilidade e à conscientização, achei muito doida a situação de "cobrança de conscientização", quando, a interlocutora - supostamente engajada em uma organização não governamental - pretendendo conscientizar meu namorado sobre o impacto do consumo de carne, foi indagada: "Tudo bem, mas você come carne?"

A resposta, que me espantou muito, foi o SIM da pessoa. Não por ela comer carne. Nada contra, afinal, uma pessoa comer carne (sou vegetariana e não acho legal proselitismo opressor, é tão radical quanto o mais reacionário discurso pró-Nhacdonald's), pois é direito dela...

Mas, creio, uma organização não governamental direcionar uma pessoa carnívora para fazer propaganda de conscientização sobre carne é, no mínimo, algo que aponta para a necessidade de reflexão em relação à coerência...

Ela poderia participar de todas as campanhas da ONG, mas, exatamente de uma sobre a carne e o desmatamento, não....
Não se extorque vontade. Não se oprime para conscientizar. Com isso, o uso do verbo no imperativo - "faça isso", "faça aquilo", "deixe de fazer" - soa como atentatório à liberdade. Cada um tem uma linha de pensamento, ação, um posicionamento. "Evolução espiritual" é uma expressão de largas fronteiras, mas que, ao meu entender, tem um único sentido: respeito à opinião e à evolução individual...
Ser objetivamente vegetariano não transforma ninguém em bodhisatva: já convivi com pessoas extremamente apegadas à idéia de vegetarianismo "a fórceps", e que, por isso mesmo, longe de se desapegarem, manifestam o puro apego à idéia...

Vai aí o alerta geral!

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

A arte zen de desmontar as armadilhas da mente

Um koan é um enigma absurdo para a mente analítica e racional, cuidadosamente preparado para que percebamos as limitações da mente, da lógica e do raciocínio, desentrelaçando, assim, a consciência superior e transpondo, com isso, as barreiras das limitações físicas, emocionais e mentais.

A compreensão de um koan não se faz com a lógica: essa, ao contrário, limita o conhecimento, cataloga, fragmenta, restringe... Não adianta o cérebro aqui, gente!

"Qual a imagem do seu rosto antes de nascer? Você consegue vê-la?"

"Um cão possui a natureza de Buda? Mu"

"Você pode produzir o som de duas mãos batendo uma na outra. Qual o som de uma das mãos?

"Não tente entortar a colher, é impossível. Em vez disso, tente se dar conta da verdade, a colher não existe. E verá que não é a colher que entorta, é você" MATRIX.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

O trabalho enobrece a alma...quem disse??? Locke?


Estava um dia desses lendo o pessoal que deu origem a posterior compreensão de um mundo pautado na apologia do trabalho como um meio de alcançar Deus... Li um pouco de Locke, outro tanto de Weber (adorei, achei pertinente o desvendamento da lógica protestante).
Daí me peguei a pensar no grande e profundo contingente de pessoas que simplesmente vegetam em seus ambientes de trabalho, sem a menor satisfação, apenas porque se convencem que o dinheiro, ao final, compensaria todo o despropósito de uma vida de mesmice e sofrimento no apego...
Ser ferramenta de um mundo maquinário é, sobretudo, ainda encontrar desculpas para se manter na programação. "Tenho que manter o básico" daqui, "a gente precisa sobreviver" de lá. Mas, dentro da vassalagem ao vil metal, não se SOBREvive, mas, antes, SUBvive-se num mundo de completa escuridão.
Quantas vezes nos deparamos com os questionamentos sobre o que fazemos nessa lógica perniciosa? Quantos e quantas de nós conseguem se desprogramar de um condicionamento tão profundo e centenário?
O quão longe podemos ir? E o medo de arriscar?
Não sei...
Não acredito ou sinto que o trabalho enobrece alguém. O trabalho forçado, às custas da integralidade da alma que busca a evolução não pode cruzar o mesmo caminho da usura e da sodomia monetária. E não existe MAS.
Não passa, criamos isso e aceitamos essa anestesia, porque simplesmente não ousamos fazer melhor. Não ousamos dar vazão ao nosso lado cigano e andarilho, que vai e volta, vem e se vira, porque nossos antepassados assim faziam.
Não temos mais garras, "evoluímos" para a tecnologia que destrói, para o papel higiênico que perfuma nossos traveiros e, sem que percebamos, nos mata com tantas bactérias.
O que enobrece a alma é o conhecer descompromissado, a experiência por ela, e não como meio a outro fim que não seja a contemplação do mundo. Nada mais...

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

O que realmente vale a pena nessa vida...

Todo dia é sempre um mesmo expediente burocrático que a vida de "gado" faz conosco...

Acordamos, quase sempre sem querer, porque nossa alma anseia por algo muito mais profundo do que a alienação da mão-de-obra para lutas com as quais não concordamos...Escovamos os dentes, fazemos uma liturgia sempre bem cadenciada, para, depois, lançarmo-nos no "maravilhoso mundo do ganha-pão", sem sabermos que, pouco a pouco, gota a gota, nosso sangue se esvai de nossos corpos, tomado de sola pela pasmaceira de um cotidiano virtual, mecânico, sem novidades, previsível em seus mínimos detalhes e enfadonho em seus propósitos.

Saímos, trabalhamos, achando que nossa atividade mecanizada trará melhorias para todos... Ledo engano, nada pode melhorar numa lógica de puro engano e egoísmo, porque, de fato, o bem do outro é apenas o discurso que ilude nossa alma, para, ao final, nos impulsionar ao abismo da solidão.

Encontramos pessoas, quase sempre em seus mundinhos, vibrando essa mesma energia. Carros, motos, viagens, roupas caras e chiques, festas, sensações e sentimentos de puro vazio, que é preenchido pela roda viva de reprodução do consumo desenfreado, que tenta, tal qual os meninos nas estradas esburacadas do Nordeste, tapar os buracos que eles (nós) mesmos reforçam.

Almoçamos, ouvimos a família, comemos a sobremesa. Trancamo-nos nos gabinetes, nas salas, apertamo-nos nos carros quentes, nas estradas quentes, nos engarrafamentos quentes, na esperança de, algum dia, quem sabe, nossa alma se entregar a isso, pois, sem isso, sentimo-nos impotentes perante a lógica pérfida do materialismo.

Buscamos o status, o reconhecimento em relação a nós, sem, contudo, muitas vezes, sabermos até quem somos. Porque não sabemos, não temos condição de saber, de uma vez, quem somos, num caminho de tanta transformação...

Vamos ao fórum, damos boa tarde ao porteiro. Entramos numa audiência, já sabendo que tudo que será ali julgado foge do direito, se é que algum dia isso realmente existiu...quem sabe tudo não passe de um holograma, uma imagem projetada na mente de todos nós, na qual acreditamos, e pela qual damos a vida, sem sabermos que, dentro disso, nem vida mais temos.

Hora do lanche, oba! Pensamos que estamos a fugir, mas, de fato, corremos, mais uma vez, para os doces braços e abraços da ilusão de fuga, sendo engolidos pela sensação rápida de estarmos "dando uma escapadinha" desse mundo. Olhamos o relógio - sim, claro, precisamos de um relógio a comandar nossa vida, porque, há tempos, não mais olhamos o Sol... Apagamos o sol e sua medida de nossas vidas, e agora estamos apagando o que ele representa em nossa sobrevivência.

Voltamos ao escritório, cheios de cópia e papéis que fizeram tombar árvores. Papéis que, mais adiante, farão homens tombar, dada a frustração de uma das partes que, já insatisfeita, recebe ainda mais frustração da vida, num Judiciário macabro e falsiforme, corrompido pelo fracasso do homem em se conhecer e reconhecer no outro. Conversamos com os colegas, tiramos onda, fazemos pactos de verdadeira miséria e mediocridade, dia após dia, hora após hora...

Vamos, ao final, para a faculdade, enganando... Fingindo dar aula, fingindo receber lições, porque, de fato, a mente não está ali. Uma mente consciente não pode, realmente, habitar outro plano que não o céu. Uma sala de aula é um espaço diminuto para uma alma que precisa se fazer livre para ser feliz...

Nesse giro da roda da vida, da vida de gado, voltamos, ao final, para os braços de Morfeu, esperando a virada do dia para que a mesmice retorne, tal qual o dia anterior, na metódica ciranda da vida.

O que vale a pena?

O que tem valido a pena?

A morte de uma vida que já vinha moribunda, mas que, com sua passagem meteórica, tem se mostrado natimorta.

O que vale a pena para mim é o amor...

Apenas isso, porque no amor me realizo na expressão de mais sutileza, pureza, sinceridade e honestidade de alma. No amor não preciso girar no giro da roda da mesmice...não preciso fazer parte de algo em que nunca acreditei.

Nada mais. Tudo, para mim, que foge disso, afasta-me de minha alma, de minha luz.

Nasci e vim ao mundo para amar... Para aprender a amar...

É isso que me preocupa hoje: COMER (para manter a carcaça até os últimos dias) - REZAR (como expressão de consciência do Todo, que ne renova, em deus, na deusa e na natureza) e AMAR (como linguagem universal). Não estão na ordem, porque, de fato, esse é o nome do livre de uma jornalista americana que, assim como tantas pessoas, largou tudo para ser feliz consigo...para se realizar.

Estou pensando muito nisso - que estou cansada do que estou fazendo, encontrando a mesmice da minha alma, que se renova a cada rosto em que me encontro. Tenho por certo que mesmo diante de todas as dificuldades pelas decisões que estamos tomando, o caminho do amor é sempre edificante!

Estou cansada, num lindo dia de segunda-feira, da pasmaceira do viver fora do mundo de paz em que me encontro...

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

A amora e o sonho


Ariana estava se preparando para dormir, pois o Natal não tinha a menor significação para ela. Já fazia um tempo que não mais sentia ou acreditava na indicação que o Solstício de Verão apontava sobre renascimento, porque Ariana não mais renascia...

Jazia morta, em vida, para tudo que se colocava diante de sua vida e mesmo esboçando seu terno e doce sorriso, seus olhos amendoados, ao fundo, mostravam o vazio de suas volições e sensações. Não batia mais no peito aquela sensação de flutuação, pois seu corpo, retrato de sua vida, era apenas uma densa massa sujeita à gravidade, impedindo Ariana de voar e se lançar à plenitude do colorido de seu mundo de sonhos e idéias.

O tic-tac do relógio de parede sempre enganava Ariana, que dormia ao som do amigo pontual, tal qual a disciplina de um monge secular que, sem pressa, relaxava e se deixava embalar pelo afago dos sonhos.

Nesse dia, porém, Ariana dormiu em vida, viveu em sonho uma fábula que não sabia ser real ou imaginária para o mundo dos vivos. Não importava, porque, afinal, viver sozinha em seu mundo havia trazida à jovem mulher a certeza que sonhar era a mais vívida experienciação de si.

E "repleta de si", Ariana sonhou, sonhou como nunca havia sonhado, recordando do passado de renascimento que jamais esquecera, numa história de encontro que nunca tivera...

Lembrou-se (ou "sonhou-se", "desejou-se", quem sabe) de um tempo em que era feliz, tal qual é hoje, mas um momento em que a felicidade vinha acompanhada de um renascimento, de um início. Um dentre vários inícios de sua vida, contudo, foi muito mais do que o tenro frescor de uma alvorada que anuncia o canto dos pássaros.

Ariana era feliz, sem dúvida, pois todo mundo assim achava. Afinal, tantos sorrisos, tanta presteza, tanta solitude somente poderiam vir de alguém repleta de amor, um amor, contudo, que Ariana havia trancado em um quarto escurecido pela dor de sua alma, apagando, pouco a pouco, de sua essência, a sensação gostosa e acalentadora da luz que trazia em si.

Dentre tantos fantasmas por ela criados em sua vida de renascimentos, Ariana criara aquele que, sem ela saber - mas sendo sabido por todos ao seu redor - era a sombra de si mesma, diluída no sofrimento da culpa que carregava consigo, por não deixar a Natureza seguir o fluxo de suas descobertas.

Ariana sonhou com toda sua vida de Natais passados, passando como um rolo de filme, em tiras justapostas de presente, passado e futuro, num continuum temporal que não entendia muito bem, mas que fazia, ali,naquela cama, naquele mundo, o coração dela palpitar.

Não poderia mais viver dos Natais passados, muito menos poderia Ariana conter o fluxo da vida e da morte, pois a partir dali, a alça do tempo-que-não-existe persistiu e insistiu, levando Ariana pela mão, a enxergar a si no espelho de sua alma.

Mesmo quando lágrimas de Sol quedavam de seus olhos profundos, Ariana sentia paz, pois a sensação do renascimento voltara, depois de tanto tempo, a povoar seu peito, coroando a jovem com o resplendor da pulsação de uma primavera que acontecia, mas que, pelo medo, não transbordava para ela.

Foi quando Ariana acordou, feliz, plena, e viu, da janela de seu quarto, o brilhante ponto que saltava, uno, de sua amoreira, anunciado pelo toque das cigarras orquestradas pelo divino: nunca havia tido amoras em seu quintal e, justamente aquele dia, aquela amora surgiu, lembrando a mulher que a Natureza, mesmo quando não desejado por nós (humanos que pouco sabemos), segue seu implacável trajeto rumo à vida-morte-vida, na espiral eterna do renascimento.

E com o sangue rubro da amora pendente veio o sangue uterino de Ariana que, a partir dali, não teve mais dúvidas, seguindo atrás do que seria, dali a pouco, o retorno de um passado que não mais existe no mundo de coordenadas tão cartesianas, mas que está presente dentro do peito, apontando para a felicidade de cada respiração.

Uma intuição bem forte a encaminhou, então, para o início de sua mesma nova vida de antes, uma nova vida que, num passado remoto, não tinha espaço, mas que, no aqui e no agora da vida de Ariana, era a constante marca de sua essência. Afinal, essências não mudam e Ariana, por apenas ter desvendado a sua, fez irromper a mágica presente em cada ponto desse imenso Universo: o amor...

domingo, 20 de setembro de 2009

Festa Medieval do Mittelalter

Festa Medieval, sagrado encontro de povos mágicos!

Reminiscência do giro da eterna espiral, que une passado, presente e futuro no aqui e no agora.

Dia 17 DE OUTUBRO...

sábado, 19 de setembro de 2009

Quando Nietzsche errou...

Seria possível?

Claro que não!

Nem erro, muito menos acerto... Na vida, como ela é, não existe, como ele já afirmava, argumento... Não há erro ou acerto, apenas movimento...

Quando Nietzsche fala no desacerto do budismo - penso - acho que ele estava muito mais negando sua proximidade teórica e filosófica, do que qualquer outro impulso de questionamento...

Afinal, o viver "aqui e agora" de Nietzsche está presente nas tradições orientais... E, quanto ao famoso Nirvana que tanto comenta, o não-ser, o vazio, nada mais é do que a confirmação de sua percepção de não-ser no aqui, em carne, nada mais...

Mas nós matamos Nietzsche, assim como matamos a nós mesmos, em cada dia de negação do viver no presente, pois somos espectros de um futuro que nunca virá ao nosso encontro, pelo simples fato de ser apenas uma sombra, dentro de uma imensa análise combinatória que algum matemágico louco lançou para as ingênuas pessoas inconscientes, adormecidas...

Quando tudo parece desanimar...


Às vezes olhamos para o lado e queremos nos lançar a um vôo libertário, deixando para trás tudo aquilo que não faz sentido em nossas vidas sempre tão programadas por um "computador universal" chamado ilusão.

Quando ficamos muito tempo na frente de uma televisão sentindo saudade de um não-tempo, de uma não-paisagem bucólica, toca a campainha: é sinal de nossa insatisfação... Liberdade...mas, e as contas ao final do mês?

Engraçado como pensamos e supomos - do alto de nossa arrogância primitiva - que teremos um "final do mês"... Daí, como o final do mês é importante para o pagamento da conta, voltamos nossa atenção para ele, sem, contudo, cuidarmos de nossa próxima RESPIRAÇÃO...

Sim, como sabemos que estaremos vivas e vivos na próxima respiração? Com que futurologia podemos nos arvorar de tamanha pretensão surreal? Não podemos e, dentro disso, enganamo-nos, cada um de nós, com ilusões projetadas...Um devenir que nunca se perfaz, porque, de fato, não há controle...

Somos organismos interligados, de tal sorte, que minha vida está atrelada ao suspiro do meu cão. Talvez, pensando assim, seja mais fácil observar que o imenso calor que está fazendo, juntamente com a extemporânea chuva que nos lava são, na verdade, nossas próprias condutas, que se renovam, o tempo inteiro, nessa espiral incessante chamada vida...

Por que, então, tanto desânimo? Será que o viver no aqui e no agora tem sido tão enfadonho para o ser humano que, no auge do desespero para fugir de si, de nós, lançamo-nos para a frente? Não adianta muito, pois, quando existenete, o "para a frente" é apenas um espelho truncado de um aqui e agora que desejávamos, mas em relação ao qual muito pouco fazemos, a não ser LA MEN TAR, como crianças ególatras, pelos percalços DE NOSSAS ESCOLHAS em teia...

Por que não largamos, então, tudo que nos aborrece e nos limita e simplesmente não nos voltamos para o que verdadeiramente importa?

Talvez porque, no ápice da robotização, nem mesmo sabemos quem somos...e, na histeria da ignorância, somos tudo, menos nós mesmas...

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

O vôo da gralha no conselho dos nobres

Estavam todos reunidos diante do Conselho dos Nobres: ali, somente a nata mais expressiva da sociedade adviense poderia fazer parte do conselho.

Na verdade, muitos nem sabiam o que faziam ali: tão absortos em suas maquinações de si, esqueciam-se que os cofres da cidade-luz ostentavam a missão de alimentá-los. Alma e corpo sequer sabiam a dimensão do que isso significava, mas o ego, esse, sim, letrado que era, já sabia que a ida de cada uma daquelas pobres almas perdidas justificava-se na completa e total falta de luz. Talvez, algum dia, aprendam na sombra...

Quando o ancião convocou o alto clero, vozes esganiçadas romperam o equilíbrio, cedendo espaço à confraria dos medíocres. O diferente não precisa dizer de si: a diferença desponta tal qual uma chaga lacerante, que lateja, dói, escalda, mas que, ao final, permite a evolução dos mundos. Dor e alegria na diferença são dois pólos que, a cada tempo, aproximam-se em propósito, fazendo com que a dualidade ceda espaço ao que é humano: instinto.

Mas o medíocre que deseja ser a diferença, esse pobre coitado não sabe de si, muito menos das armações que o universo de institntos traz para o ser, esse humano tão simples...E a gralha ralhou, e falou, até cantou, para o espetáculo de nossas vidas.

E o restante do conselho dos nobres, seguros em suas zonas de conforto, não perceberam que o retrato da vida dali a pouco sucumbiria à pantomima do ridículo: eram nobres, isso bastava, mesmo que sequer soubessem qual a nobreza a que se referiam...

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Do direito para a Antropologia Jurídica: o salto no abismo, da ignorância para o céu de Ícaro

Hoje fomos a uma aula com o Professor Roberto Kant de Lima...

Perguntei-me: existe vida após o direito? Penso que não, sinto como se estivesse anestesiada durante 12 anos da minha vida, imersa numa realidade que tenta, a fórceps e vácuo, condicionar a realidade a uma realidade por ele criada...

Criamos um monstro que nos engole todos os dias, na arrogância de nossa ignorância em relação aos sentimentos, ao humano: sim, negamos o humano em nós e, à escusa de exposição de ordálios, negamos o Outro, o tempo inteiro...

Mas existe luz, existe libertação...basta saltar, tal qual Ícaro, para um vôo em que ele, sabichão, notoriamente sabia seu destino: não haveria como resistir à liberdade do Sol!

E, como Ícaro, salto, a cada dia, para o vôo da Antropologia Jurídica, que estabeleceu paz no meu coração já tão sucateado pela migalha tormentosa do mundo normativo, que não sabe NADA, apenas o DEVER SER que-nunca-é...

domingo, 13 de setembro de 2009

Esse ainda é um mundo dos homens...

Isso é importante, porque, afinal, podemos incorrer na ingenuidade de acreditar que fazemos parte dele em plenitude de igualdade, quando, por um lado, conquistamos; por outro, vamos até onde ainda "nos permitem"...

Por que?

Porque ainda aceitamos os rigores da estética como condição de seletividade, porque ainda nos mutilamos com botox, plástica e horas de ginástica invasiva. Porque, mesmo diante de tanta autonomia, insistimos em alimentar o ego masculino, que ostenta o pedaço de carne...

Toda vez que uma mulher precisa ceder num espaço de negociação, sem, contudo, negociar, acabou-se a igualdade (que nunca existiu) e veio a "complacência" masculina com o feminino.

Cada vez que compramos uma revista de moda, com a modelo gostosona, cada vez que falamos "homens são de Marte, mulheres são de Vênus", enfim, cada vez que usamos o dicurso da diferença, não duvidem, criamos a diferença... E, engraçado, cada vez que, furiosamente partimos para cima do masculino, querendo o reconhecimento, a fórceps, do feminino, também alimentamos a contenda...

A idéia é não termos que pedir "licença, sinhozinho", porque, de fato, ser senhora de si é não fazer pacto, qualquer que seja ele, ainda que sob a escusa de não ficar só... Isso porque, mesmo que o pacto seja feito e, num imediatismo atroz, a sensação de solidão, naquele momento, não venha, o devenir mostra, ao contrário, a solidão em sua maior expressão...

Antes só do que mal acompanhada. Mesmo!

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

O resgate do soldado Redenção


Redenção tinha sido convocado para a guerra, uma luta interna travada, há tempos, com seus medos, fantasmas e todas as sensações e os sentimentos que negava em si. Enquanto arrumava sua sacola para a viagem, pensou em tudo que providencialmente esquecera em tempos de paz, quando o conforto do anestesiamento da alma escondia o caos que sua mente insistia em alimentar.

Lembrou-se de todas as pessoas que passaram, nesses 44 anos de vida, por seu caminho. Todas elas espelhos de suas mazelas, transformadas em inimigos ocultos que, um a um, Redenção tentava destruir, sem saber, porém, que estava assassinando a si...

O avião iria partir dali a pouco. Toda a vida de Redenção passou por sua mente, em átimos de segundo, enchendo-o de um vazio enorme, seguido pelo desejo de tentar, antes de ir para a guerra, recompor a paz com seus inimigos-espelhos.

Lembrou-se de Compaixão, uma pessoa muito importante em sua vida. "Onde anda?" - indagou, esperançoso, ao mesmo tempo em que buscava internamente a referência do endereço da inimiga-hoje-amada, ou, ao menos, algum dado que pudesse ser útil para encontrá-la. Foi quando veio à mente o nome do bairro em que a mulher morava, na estrada da "Consolação".

Rapidamente, Redenção juntou o restante de suas roupas e rumou para lá, confiante que, depois de tanto tempo em que perseguia sua inimiga oculta, Compaixão e ele poderiam, de fato, conversar. Redenção poderia ir para sua guerra em paz. Morreria, dali a pouco, feliz, por haver recomposto a calmaria perdida há tanto tempo.

Quando chegou à rua, viu a mulher, serena, entrando em casa. Com passos sorrateiros, Redenção aproximou-se da janela, para espionar Compaixão e sorver - ainda que por efêmeros segundos - o mundo de felicidade de sua amada paradoxalmente odiosa inimiga.

De súbito, lembrou-se, diante da porta de Compaixão, um detalhe, esquecido por ele enquanto lutava: não existe resgate da alma num elongar de tempo que se lança sempre para frente...Com essa tristeza no olhar, Redenção foi embora, calado, pegar seu avião, sem saber que, providencialmente, morreria, dias depois, no campo das batalhas perdidas de seu coração.

domingo, 6 de setembro de 2009

No giro da roda da transmutação

Está chovendo em plena seca!

Bom, se está chovendo, talvez a seca não esteja tão seca assim...

Mas, de fato, essa chuva repentina tem acelerado tudo, inclusive o relógio biológico, que tende a aproximar a época da chuva do final do ano. Sim, porque usualmente começa a chover no pico de novembro, passando por dezembro e, com direito a barquinho e colete salva-vidas, janeiro e cia.

Essa chuva - abençoada chuva! - traz uma sensação gostosa de grand finàle... um final de tempo, fora de tempo propriamente dito, talvez para brincar com o sentimento de controle de uma variável que talvez nem exista!

Que tempo?

Talvez seja tempo, no sentido de época, de despertar para o que está acontecendo, num ritmo de transmutação nunca antes percebido.

Tudo em volta está diferente, mas, acima de tudo, a Natureza está se comunicando conosco, enviando muitas mensagens...

E viva a roda do ano que se finda em pleno setembro!

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Um dia no Tribunal...

Essa semana foi um barato!

Como há tempos não fazia, fui encontrar uma cliente no tribunal, para resolver uma pendenga que, para variar, era uma grande viagem de alguma criança que não foi sociabilizada pelos parentes e, por conta disso, atribui aos outros a tarefa de expiação de uma responsabilidade que é dos genitores.

Enfim, não vou polemizar porque estou sem paciência com pais irresponsáveis e crianças tiranas (apenas penso no futuro desse planeta na mão de mini-ditadores).

O detalhe mais que legal foi o fato de ficarmos - eu e a cliente (que, na verdade, é para lá de parente ou amiga de outras encadernações) - em pleno fórum, falando sobre o Céu, a Terra, astrologia, tarot, arcanos.

Nossa, eu não ficava tão feliz assim em um fórum chato há tempos!!!!

O processo? A audiência? Que nada, aproveitamos o tempo para a troca de proveitosas informações! Isso que realmente vale a pena, o resto, é cumprimento de tabela cármica!!! Ah, detalhe, carma no sentido de fluxo, e não na idiotice que o Ocidente transformou (ou seja, no arremedo de culpa e expiação). Será que não aprendemos a lição?

Quem vem primeiro: Pluft, o fantasminha, ou Gasparzinho?


"Toda a busca do ser está fadada ao fracasso; esse mesmo fracasso, porém, pode ser assumido. Renunciando ao sonho vão de nos tornarmos deus, podemos satisfazer-nos simplesmente em existir"Simone de Beauvoir...


Sim, claro, não poderia deixar de ser, pois, afinal, que simplicidade em desvendar mitos e histórias de devenires que não se encontram no aqui e no agora, mas numa projeção mental em relação a qual sequer nos damos conta?Nietzsche matou Deus, Simone matou Deus, por que a alusão à morte como estado destrutivo do que não existe a não ser em nossa ignorância? Não estou falando essencialmente de Deus, mas do que criamos à nossa imagem e semelhança (hehehe, e não o contrário) para a justificativa de uma predestinação da qual nosso umbigo egoíco faz parte como protagonista...


O devenir do Paraíso, do Céu, do Nirvana (um não-devenir, mas, enfim), tudo em nossa parca mente de 5% de capacidade desenvolvida parece desembocar numa quebra de sentido de pertencimento no aqui e no agora, porque, com o continuum quebrado, rompido, imputando-lhe uma perspectiva de vir-a-ser (ou não-ser, mas devir), o presente adquire o fardo de ser simplesmente uma "etapa" na jornada da alma, com ulterior libertação. Daí, nada do que está no aqui e no agora vale mesmo a pena, pois o devenir é certo, bem como o Julgamento da minha alma.Com isso, com a perpetuidade da alma, tudo aqui vai para o saco (desculpe, falei assim, mas estou sendo super feliz e não estou com raiva, não!)


Hehehehehe, matamos a Natureza, poluindo rios, lagos, assassinando animais e acabando com a possibilidade de devenir porque o futuro será mesmo no Paraíso.Anestesiamos, pois, nossa alma para que a indiferença ao que se passa aqui (se passa, não, o que se constproi aqui, como ato de vontade NOSSA) seja a mola da destruição... Uhuuu, sejamos, pois, todos e todas, Plufts, Fantasminhas... Ou melhor, Casper, the friendly ghost!

Marcha pela Paz: meia-volta, volver!

É, estou lendo aqui a Marcha pela Paz, que será realizada a partir do dia 02 de outubro, data do aniversário de Gandhi.
Observando a mobilização, não posso deixar de refletir sobre o significado da cultura de guerra, presente subliminarmente até na mais sutil forma de comunicação. "Marcha" lembra inegavelmente o militarismo beligerante, que, por anos, assolou esse país. Lembra, ainda, o carpete de soldados que assolaram o Afeganistão e, até agora, o Iraque...
Marcha lembra a cadência de uma parada de 7 de setembro, na qual a noção de independência cede espaço para o exibicionismo de guerras que já não vencemos há tempos: fome, analfabetismo, ignorância, falta de educação, de trabalho.
Acordei pensando em PASSEIO PELA PAZ... Jornada pela Paz, nunca em Marcha... Uma vez perguntaram à Madre Tereza de Calcutá se ela iria a uma mobilização de luta pela paz... Ela disse, em linhas gerais, que não... Luta é luta, marcha é marcha. Paz é simplesmente o oposto disso...
Não se tem paz com luta, ou marcha... Apenas mais e mais luta... E menos e menos... paz!
Paz para todas nós e todos nós!

domingo, 23 de agosto de 2009

Retorno a lugar algum da alma...


Sugestivo o título? Nem tanto, parecem chavões, que marcam mais chavões e transformam a vida numa tentativa constante de sair do repetitivo, caindo nos...chavões!

Sabe o dia em que um ciclo parece ter se findado?
Foi a maçã, a maçã sempre marca mudanças nos corações... Desde a maçã, avermelhada, com seu pentagrama oculto, que revela os mistérios antigos da ancestralidade, situações magicamente inusitadas acontecem...


sábado, 22 de agosto de 2009

As deusas não são de Vênus nem os deuses sãode Marte!

Acordei pensando numa conversa sobre dualismo, na qual as deusas (mulheres) seriam de um Planeta ligado aos segredos do Amor e da beleza (Vênus), enquanto os deuses (homens) seriam provenientes de Marte, Ares, arquétipo da guerra e da destruição.
Mais uma vez, os arquétipos reducionistas, que apelam para a colocação da mulher no espaço privado da alcova, negando-lhes a plenitude! Sim, negar a guerra às deusas é reduzir a expressão de suas essências de completude.
Lembrando, claro, que essa dicotomia está presente na estrutura arquetípica grega, porque a mitologia celta está recheada de deidades que literalmente "vão à luta". Macha, Morrighu, Cerridwen, Maeve, todas elas dignificam multiplicidade de atributos, e não o encarceramento em torno de uma proposta de sublimação dos sentimentos ancestrais relacionados à guerra.
Portanto, nada de Marte ou Vênus, somos todas vindas do Cosmos, aqui e agora!

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Mitos, lendas e magias da ciência androcêntrica

Hoje estava aquecendo os motores, lendo as bibliografias de metodologia científica, pois daqui a pouco darei aula...

Em um dado momento, deparei-me com "surtos psicóticos" do autor do livro, dizendo que a ciência não "acredita" em magia. Daí, para ilustrar a grande descoberta, o autor em questão começou a falar do trabalho de um antropólogo bem conhecido, que estudou os ritos dos Azande (dei a dica aqui)... Fazendo referência, de maneira bem contundente, à desqualificação da magia para aquele povo...

Fiquei pensando: por onde eu começo? Pelo eurocêntrismo, pelo etnocentrismo ou pelo androcentrismo? Foram tantos "imos" que a minha mente entrou no transe dos Azande mesmo...

Como esse autor explicaria, por exemplo, dentro do "causalismo" científico, o que acontece na trajetória dual de um feixe de luz? Como explicaria, onde ninguém explica?

Como explicar as providenciais correlações entre campos quânticos, auras, chackras, onde nós, ocidentais, nunca conseguimos????

Não sei, mas fica a dica... A ciência, nos primórdios, era considerada "mágica"... A magia está no ar, no romanceamento da ditadura iconoclasta dos falsos profetas...

Afff...

domingo, 16 de agosto de 2009

Mulheres de 30 em crise? Só se for de escutar tanta abobrinha!

Acabei de abri meu e-mail e me deparar com uma notícia sobre as mulheres em crise aos 30 anos, por se tornarem "balzaquianas".

Não pude deixar de rir, porque, no fundo, é a repetição da mesma ladainha: mulher, estética, idade, filhos e marido.

Já repararam que não se fala sobre isso tomando o universo masculino como foco? Por que? Não responderei, claro, mas deixo a discussão em aberto, porque é importante modificar essa concepção "chocadeira" e "nutriz"....

Fico pensando: eu sou um E.T. de Varginha, pois: tenho 36, não tenho marido e detestaria dividir espaço com alguém (já dividi e não gostei, pelo simples fato de... não gostar), não tenho filhos ou filhas, e, muito menos, tenho pretensão em ter, porque não entendo que minha feminilidade e "realização" - no sentido de completude - advém de um ser que egoicamente eu coloco no mundo.

Decididamente é hora de repensar espaços de atuação e poder, mais especificamente, de mudança de percepção, para uma sociedade plúrima, e não baseada na logística de "um padrão" de feminino.

sábado, 15 de agosto de 2009

Falando sério sobre óleos!

Depois de ler tanta informação e escutar aqui e acolá muitos dados sem sentido, resolvi dar meu pitaco. Sei lá, sentia-me muito omissa em relação aos ensinamentos a às fórmulas (lembrei-me das aulas de Química na UnB), mas, diante de tanta atrocidade que tenho lido, fruto de algum delírio existencial muito grande, decidi sair do armário alquímico e arriscar, ao menos, desmistificar a tonelada de abobrinha solta por aí...
Óleos, óleos, óleos, muito simples: alinhamento planetário (seguindo mapa natal e revoluções), elemento a ser trabalhado e oráculo. Pronto...
Algumas dicas sempre são IMPORTANTES para os neófitos na arte sagrada e antiga de elaboração de óleos de ervas...
  • Não adiantam desculpas, ÓLEO TEM QUE CHEIRAR BEM!!! Não tem desculpa: se, na primeira lunação, você tirar a tampa do frasco e subir aquela coisa mórbida, jogue fora e comece tudo novamente!
  • Por favor, não confundam óleo essencial com essência!!! A essência não pode ser passada no corpo, tá? Se tiver dúvida, basta ver o preço: 30 ml de óleo essencial pode custar até 100,00.
  • Para o óleo essencial render, simples, simples: diluição em óleo de amêndoa, de uva ou mineral.
  • O que é do ar é CÍTRICO.
  • O que é do fogo é CÍTRICO-AMADEIRADO.
  • O que é da terra é AMADEIRADO.
  • O que é da água é DOCE.
  • Usar vidro âmbar, pois filtra a luz do sol e impede modificação no óleo.
  • Não usar metal pois reage e modifica a substância.
  • DECOCÇÃO: fervura da água com RAIZ ou SEMENTE.
  • INFUSÃO: introdução da ERVA, das FOLHAS na água ebulindo, deixando repousar.
  • MACERAÇÃO: erva é ESMAGADA no almofariz.
  • PULVERIZAÇÃO: etapa posterior à maceração, com o esfacelamento da erva.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Simone de Beauvoir

Uma pessoa notável...
Simone de Beauvoir, que magnífica pessoa!

A lua minguante e o coração partido

Coração partido, quebrado ao meio, pulverizado... Quem nunca passou pela incômoda sensação de aperto, como se alguém estivesse comprimindo o tórax, deixando-nos sem ar?
Ou, ainda, aquela sensação de falta de chão?
Lua Minguante, bota fora no coração!!! Hoje é sexta-feira, dia consagrado a Vênus, Freya...Tempo de mudança, porque a lua mingua e, com ela, a reflexão chega...
Sempre ouvi dizer que a Lua Minguante servia para banir, mas acho que isso é muito maniqueísmo lollypop...
A face Anciã remete para o foco no aqui e no agora, com a percepção reflexiva sobre tudo que passou em nossos ciclos.

Gastando menos água na pia...

Nas lojas de 1,99 existe um bico plástico, acoplável à torneira. Nossa, dá uma ilusão de enxurrada!!!! Mas, de fato, reduz a quantidade de água que você gasta. Ah, aproveitando, basta encher um recipiente com água e ir, aos poucos, tirando de lá.

Relaxante muscular

Pegar meio maço de alecrim fresco e macerar (de preferência em um lugar que não seja alumínio). A maceração solta a canforação da erva. Coloque a erva num vidro pequeno de álcool e deixe por uma semana...Ah, não vale álcool em gel, óbvio, né?

Equimose e hematomas

Maceração com a erva, da mesma maneira feita em relação ao alecrim. Mas, nesse sentido, a arnica solta seu bálsamo mais rápido. Dois dias de repouso e o vidro de álcool já está com o líquido verde! Importante! Uso externo.

Borra de café e jardinagem

Borra de café, excelente fertilizante natural, junto com casca de laranja e o sumo, para quem não o utiliza...basta colocar na terra, removendo-a, aos poucos...

Do you believe in Nature?

Um dia desses estava conversando com uma pessoa que se dizia cética, porém, partidária da Biologia Evolucionista e da chamada "ciência" causal determinista. Sim, aquela mesma galiléica-newtoniana, que se ocupa de traçar conexões de causal e consequência a partir do equacionamento e da observação fenomênica (vixe, o que e isso? Ah, simplificando, a concepção clássica de ciência, que se baseia na estrita compreensão do mundo a partir de vínculos de resultado - mas que sejam, de algum modo, captados ou captáveis pelos "métodos" tidos como aceitos).

O tema da conversa foi astrologia e herbologia... O cidadão argumentou não "acreditar" nisso. Foi então que providencialmente perguntei: "Do you believe in Nature?" Essa pergunta encerra uma petição de princípio, uma "pegadinha"...

Lembrei-me, mais uma vez do conceito de Physis dos pré-socráticos... numa compreensão de conexão radial entre indivíduos, Cosmos e Todo, aproximando-se, assim, do que alguns hoje chamam de Holismo (apesar de reconhecer que as maiores abobrinhas que já ouvi encerravam esse conceito também, coisa de mercadologia, entendem?).

Eis o ponto onde quero chegar: eu não preciso "acreditar" em astros, estrelas, abóbada celeste, propriedades do alecrim ou quaisquer outros elementos da Natureza... Estão ali, há milênios, realizando o que, para nós, seres humanos apartados da Physis, seria milagre...sobrenatural... Por isso a necessidade de religare como uma expressão de volta ao lar...

Não preciso acreditar que o boldo é ótimo, que a carqueja é excelente, que a valeriana, a beladona e o maracujá acalmam. Aliás, o simples fato da gringalhada querer patentear a Floresta Amazônica inteira já mostra que, independentemente do meu umbigo egóico existencialista sartreano, existe algo em outro subnível... Que aponta para o sentido de uma percepção de existência e de causalidade que, sinceramente, um paquímetro e uma pipeta não captam...Muita densidade, muito P = m X g para eles, dêem licença...

E por que, então, ficamos nessa mesma tecla já empoeirada, repetindo como papagaio-de-pirata as mesmices: quem sou, de onde vim e para onde vou? Meu, sentir o invisível, deixando a sensação de bem-estar entranhar-se... Eis a questão... Não se foge de quem se é...

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Repúdio ao Programa "Assombrações" da Discovery

Ontem fiquei ES TAR RE CI DA com um programa chamado Assombrações, que transmite experiências sobrenaturais (pois é, é difícil falar em sobre + natural, mas até entendo, afinal, a Inquisição e os Concílios soterraram de vez o conceito de Physis grego).

Daí, a bola da vez no programa foi uma experiência "ocultista" de uma senhora que mexia com wicca. Sim, sim, novamente, o fubá feito com os conceitos de "ocultismo" e "wicca". A partir de então, passei a ver o programa com total falta de credibilidade.

Ele mostrou a prática wiccana da senhora - não sou wiccana, mas percebi mais farofa de fubá ali - com inúmeras percepções e práticas equivocadas, de mera manipulação etc.

Mas, ao final, a redenção, pois o cristianismo aparentemente a salvou.

Sinceramente? Não aguento tamanha ignorância, que apenas reforça o preconceito e o RETORNO DA CAÇA ÀS BRUXAS.

Portanto, se você acha mesmo que as pessoas esquecem a Inquisição, ela está apenas mais sutil, em nível subliminar, porém, não menos preconceituosa e sectarista...

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Moonlight blessing

"Lua cheia, lua bela, enfeitando o céu sempre a brilhar...Vêm passando as estrelas, Firmam aqui o seu pousar...Nesse dia de Luna PlenaRogo à Deusa te abrigarEm Sua mão sempre serena, que se estende até o mar...Que segredos guarda o Cosmos, que tanto tem a ensinar?Sopra, vento, sopra forte e muda, assim, a minha sorte...Por três vezes três, que a Lua bela sempre o faça muito forte... Para o vento desta vida ser seu rumo e seu norte...Três vezes três, hey ho!"

Femininos e masculinos: a polarização da ilusão

Iludimo-nos, é bem certo, porque, desde sempre, sintetizamos o mundo numa lógica pretensamente ordenada, de natureza cerebral e mental, catalogando tudo e todos, de acordo com juízos antagônicos: sabemos do bom porque contra ele nominamos o mau...sabemos do frio porque o quente a ele se antagoniza - na verdade, antagoniza-se à ilusão de existir o frio, o quente, e tudo...

Feminismos, masculinismos, mesma dialógica da criação antípoda, que limita as possibilidades do Todo.

Preciso usar calça jeans porque a saia é feminina e a calça me coloca em patamar de igualdade???? É isso?

Se uso cabelo comprido, estou na lógica da subserviência de Eva, ou, então, na opressão de Lilith, desterrada para os confins da terra. Se os uso curtos, sou isso, aquilo, e adiante. Sou tudo, menos o que sou, em essência, porque de tão rotulada nessa dilógica imbecil, ninguém mais sabe de si como essência, porque ninguém mais sente "de Si", em si.

Aliás, o si deixou de existir porque o me impera, tangenciando o apelo da contundência bipolar da alma que se fragmentou...NÃO SOMOS PEDAÇOS DE VIDRO...por que, então, comportamo-nos como CACOS? Não seria, pois, uma estratégia para vencer um medo que apenas existe porque o ego está suplicando por um pouco mais de atenção???

O que existe depois? O que existe é o Todo em si, em mi, em todas as melodias, numa sinfonia que poucos, encarnados, sutilmente agregam...

É o se...em si...em mi.

Insistência

Por que as pessoas insistem no resgate de algo que não mais existe?
Não se cansam e vão, vão, vão, até a hora em que recebem uma porrada no meio da fuça....
Sim, não sei se estou acreditando na força do argumento religioso, em nível algum...
Aliás, nem sei se acredito mais em alguma coisa que não seja o Não-existente...
O que vi nesses dois anos daria um livro: egos, superegos, falsários, ególatras e mentirosos...todos à espreita da Verdade Sagrada porque, de fato, coitados, o Sagrado princípio da criação é feminino...
E da dor em não ter útero vem o ódio mortal à entranha...

Newton e Einstein

Nature and Nature's law lay hid in night. God said “Let Newton be” and all was light. It did not last: the Devil howling “Ho! Let Einstein be!” restored the status quo. After a while, playing dice, thinking they were free In the space-time they started singing “What will be, will be!”

Os ciclos lunares

No ciclo da Lua Branca a ovulação coincide com a Lua Cheia, sendo que a menstruação vem exatamente na Lua Negra (Lilith) - 3 dias antes da Nova. Como a ovulação trabalha na lunação de fecundidade, está associada a tudo que expressa prosperidade, procriação e fecundidade. Já o ciclo da Lua Vermelha é mais introspectivo, pois, como se estabelece ao contrário (ovulação na Lua Negra e menstruação na Cheia), simbolicamente marca a internalização... Hey ho!

O ciclo vida-morte-vida na espiral celta do renascimento

"Em YULE a Criança-Rei nasce, com a promessa da esperança que no ventre a Deusa carrega. Hibernamos, refletimos, paramos

Para em IMBOLC manter.

Nesta data o leite é farto,

a Deusa amamenta o Rei.

Em OSTARA tudo é equilíbrio

Dia e noite, Deusa e Deus

Sol e Lua para florescer

Em BELTANE, Deusa e Deus deitam-se no solo.

Fecunda Gaia, sexo à flor da pele.

Sagrados bebês e tochas flamejantes

Para em LITHA o Deus ser pleno.

Dia mais longo, finda a vida.

O Deus está caminhando para o Outro Mundo.

Em LUGHNASADH agradecemos

Queimamos o que não serve.

Em MABON, a seca, fecha o Deus o ciclo, para em SAIMHAIM, findar"

Cânfora e esterilização

Dr. Márcio Bontempo (CRM-DF 15458) é homeopata e médico sanitarista. Achei interessante uma dica simples dada por ele.
O médico lembrou que gripe espanhola não atingiu os profisisonais que lidavam com os doentes, sabem por que? Usavam um saquinho de gaze com pedras de cânfora pendurados no pescoço. As emanações da cânfora esterilizam o ar em sua volta e protegem as mucosas.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Aniz estrelado e erva-doce para a resitência à gripe óinc óinc

Minha querida amiga Mary Angel enviou essa notícia e eu fui checar... O anis estrelado é o extrato-base (75%) da produção do comprimido Tamiflu. O anis estrelado, amplamente cultivado na China, é o extrato-base (75%), da produção do comprimido Tamiflu, da Roche (empresa do antigo Secretário de Defesa dos EUA Donald Runsfield).Mas, como é um pouco difícil encontrar o anis estrelado aqui no Brasil, podemos usar o nosso anis mesmo - a erva-doce - pois esta erva possui as mesmas substâncias, ou seja, o mesmo princípio ativo do anis estrelado, e age como anti-inflamatória, sedativa da tosse, expectorante, digestiva, contra asma, diarréia, gases, cólicas, cãibras, náuseas, doenças da bexiga, gastrointestinais, etc...Seu efeito é rápido no organismo e baixa um pouco a pressão, devendo ser feito o chá c/apenas uma colher de café das sementes para cada 200ml de água, administrado uma a duas vzs dia, de preferência após uma refeição em q se tenha ingerido sal.Se vc está lendo, ajude a divulgar o uso da erva-doce como preventivo do H1N1, ou mesmo como remédio a ser tomado imediatamente após os 1ºs sintomas de gripe, pois seu princípio ativo poderá bloquear a reprodução do vírus e mesmo evitar seu maior contágio.Porém, pouco ou nada adiantará utilizar a erva-doce após 36 horas do possível contágio pelo H1N1, pois a erva ñ terá mais força substancial p/bloquear a propagação do vírus no sistema respiratório.Efeitos colaterais: pequena sonolência nas 2 primeiras horas - evitar dirigir e/ou operar máquinas.
Obs:- O uso da erva-doce é alternativo e poderá ser até eficaz, mas ñ substitui a assistência médica necessária.