sábado, 31 de março de 2018

Lua Azul, a lua da abundância!!

Hoje é um dia muito especial, Lua Azul despontando no horizonte e enchendo nossas taças de plenitude e prosperidade.

Segunda Lua Cheia no mês, marca os auspícios de abundância, sobretudo neste março, conhecido por ser dedicado a Marte ou Ares (deus da guerra em suas expressões romana e grega), bem como a Morrighan, Deusa da guerra, sexualidade e fecundidade na mitologia celta. 

Uma lua intensa, auspiciosa, inspiradora e, sobretudo, frutificadora. 

Tudo aquilo que é imantado durante uma lua azul intensifica-se e, ao mesmo tempo, renova-se, em todos os aspectos, trazendo alento e renovação aos corações e às almas.

A semana foi agitada por aqui. 

Términos e inícios de giros de roda nos ciclos que se renovaram, ao mesmo tempo em que a vida mostrou o curso da impermanência, bem como desnudou o que era ilusório e irreal. Deixou apenas - e que apenas - o bem-estar diante d do eixo etéreo da vida-morte-vida. 


Dia de conexão com a energia da Grande Lua Azul de Prata. 

No silêncio da reclusão sábia, apenas a sintonia com meu ciclo, que veio, novamente, durante a linda plena lua. Muito linda essa sincronicidade que somente nós, mulheres, temos com a Natureza. 

Até entendo, diante disso, a razão pela qual o Feminino é tão invejado, e nós, mulheres, tão drenadas e vampirizadas por quem não tem o dom da criação.

Uma sensação de júbilo e gratidão invadiu meu ser, enaltecendo cada parte do meu corpo rumo ao encontro com a Deusa. Conexão real e intensa. Gratidão demais diante da rima forte que nos liga, como irmãs na Arte, a vivificar a vibração no ritmo da Natureza:

"Salve, Salve, grande DeusaLuna prata sobre o marDeita o véu entre as estrelasAnunciando o despertar Ciclos infindos Noite e diaQue se lançam a se encontrar Cai o breu do eterno brilhoNo horizonte a sibilar Salve a Prata, Luna mestra Que nos mostra onde chegarVenham todas para o círculo Nesta noite de Luar"

A lua nascida em meio à mata me cura, preenche meu coração de um alento que me aloja no centro do útero de Dana, a senhora de toda criação.

Dissipa toda a incerteza que a racionalidade masculina tenta imputar ao coração do Sagrado Feminino, lembrando ao mundo que é a Mulher o epicentro do espetáculo da vida. Feliz o homem que penetra nos mais profundos e abscônditos recantos de suas sombras para se elevar diante do divino e o reverenciar. 

Muitos tentam, de bom grado e até boa-fé, mas quedam diante do atropelo do ego em desejar mais do que pode oferecer. Com isso, desconhece o verdadeiro sentido da vida e da contemplação da sacralidade, bem como o pulsar da vida que se impõe em meio a tantas incongruências do mundo moderno.

Mas a Lua, ah, a Lua!

Essa Deusa linda, sagrada, voluptuosa, está sempre ali, plena, desejosa em sua potestade, derramando sobre nós seu bálsamo de renovação...

Desejo a todas e todos o beneplácito de uma noite linda de Lua Azul! Que Ela traga prosperidade e calor aos corações!!!

Céad mille fáilte!

Diga-me, afinal, o que representa a Soberania?


Soberania sempre foi considerada uma palavra feminina... 

Em alguns dicionários, definida como substantivo feminino, designativo de qualidade ou condição de soberana, ou seja, dotada de poder ou autoridade máxima, em face da qual inexiste contraponto...

Aliás, não apenas no português, mas em boa parte da literatura estrangeira, trata-se de um atributo feminino, usualmente ligado à mitologia nobiliária, monarquia e, sobretudo, ao PODER

Em outro momento no blog tive oportunidade de escrever a respeito, basta checar na postagem A soberania e o rei, onde abordo o reconhecimento da liberdade a condição imprescindível para a simetria do Casal Sagrado e o equilíbrio de forças (polaridade masculino e feminino):
"Eis o sentido de uma relação livre em sua origem, que não traz mácula de usurpação, pois cada qual, sabendo de si, pode oferecer ao outro o que tem de melhor"
Basta folhear os contos arturianos para perceber que a perda da fertilidade dos vastos campos de Camelot estava diretamente vinculada à expressão do amor sentido por Arthur em relação à Guinevere, cujo coração foi abalroado por Lancelot, esfacelando, pois, a soberania do reinado do nobre monarca. 

Ou, ainda, a potestade de Viviene, Senhora de Avalon, Rainha e sacerdotisa que orienta Morgana em sua iniciação nos segredos da Ilha mágica. Morgana, Morgause, Igraine, todas grandes mulheres de poder. 

Por outro lado, o mito do Rei-pescador (muitas vezes confundido com a própria saga de Arthur em sua etapa final de vida) que tem sua terra tornada infértil pela perda da soberania igualmente nos coloca a refletir sobre o vital papel e a arraigada conexão existente entre FEMININO, SOBERANIA e TERRA

A soberania sempre atraiu a atenção dos romanos em sua saga expansionista, o bastante para que eles retratassem as províncias como figuras belas, representadas por mulheres. Aliás, daí vem a expressão tida por machista: "conquistar a mulher", tal qual fincar uma bandeira no solo fecundo para dela se assenhorar. 

No texto A experiência imperialista romana: teorias e práticas, Mendes, Bustamante e Davidson analisam os processos interativos elaborados como uma forma hegemônica de ingresso do Império Romano nos lugares onde deitou estacas, a exemplo da Britannia e África. 

O projeto da pax romana nada mais era do que um expansionismo cultivado na derrocada da soberania dos povos ditos bárbaros (ou seja, todos que não erma romanos), por intermédio de uma política geno e etnocida sem precedentes, o bastante para que hoje, séculos depois, estejamos em pleno retorno do bumerangue, imersas em lutas por nacionalismos e identidades usurpadas pelo colonizador.

Boudicca, neste sentido, foi uma rainha iceni que fortemente lutou para manter intacta sua soberania em face da agressividade misógina de Nero, que só descansou quando Suetônio, depois de muita força, conseguiu derrotar a rainha ruiva, não sem provocar nela a ira que, em último gesto, evitou o deleite de Nero, o Louco: tomou veneno para não ser feita prisioneira de Roma.

Por onde quer que investiguemos, a história esta cheia de mulheres fortes, plenas e soberanas (Elizabeth, Cleópatra, Hipátia, Catarina etc.), que exerciam poder com honra, retidão e dignidade, buscando a preservação da alma impoluta, mesmo diante do grande desafio em coexistir num mundo basicamente instruído por homens e suas fálicas formas de auto afirmação. 


Mas hoje vou falar de outra rainha celta tão grandiosa quanto Boudicca e fortemente vinculada à SOBERANIA, atributo com o qual nós, celtas e celtíberas, identificamos nossas raízes e nós, mulheres, exercitamos nosso protagonismo de vida. 

Seu nome era Maeve, rainha de Connacht, conhecida por ser inebriante, a partir do nome, livre em suas escolhas e em sua sexualidade, o bastante para ter tido, segundo Quintino, nove maridos e incontáveis amantes, todos cientes de sua posição e do incontrastável poder da soberana (2002, p. 150).

Reza a lenda que o direito celta, dada a igualdade presente nas relações entre homens e mulheres, estabelecia a chefia da família a quem tivesse maior patrimônio. Maeve e um de seus esposos, Ailill, certa feita travam uma discussão sobre seus bens e suas riquezas, ambos desejando se tornar o mais rico da relação. 

Aillil possuía um touro, Finnbennach, tornando-se, com ele, o mais rico e, com isso, provocando Maeve a entrar em guerra contra Ulster para obter outro touro, Donn Cuailgne e, com isso, tornar-se mais rica e chefe do clã. 

Soberana incontrastável...

A partir desse relato a se perder na história, podemos refletir sobre o significado clânico da palavra soberania, sobretudo nas relações domésticas e afetivas travadas entre parceiros e parceiras.

Isso porque os anos de androcentrismo e patriarcado trouxeram a consolidação de um enredo predominantemente masculino na gestão da casa, incumbindo à mulher a subalternidade de um espaço privado de atuação. 

Agora, em plena contemporaneidade, afinal, qual o sentido de igualdade para um casal?

Estaremos num movimento da Nova Era, que apenas "inverte" papéis? 

Penso que a resposta seja um sonoro NÃO, até por experiência própria em enredos afetivos nos quais eu tinha a propriedade do touro. Os séculos de patriarcado não apenas trouxeram a hegemonia masculina, mas a subalternidade feminina nos serviços de gestão, o que, aliás, está em franca mudança.

Mas dizer que o presente marca o alojamento do homem para o serviço doméstico, sensibilização-namasté ou o que o valha, quer seja a pretexto de produzir uma mudança no sistema (a mesma conversa de matrix, ilusão, samsara e outros nomes) não faz, num passe de mágica, desaparecer os tempos de locupletamento emocional que o atavismo masculino produziu em si mesmo, projetando na relação a obscuridade das relações assimétricas. 

Homens emocionalmente atávicos, ainda não desvinculados da forte presença de uma mãe submissa e de um pai castrador e ausente, até mesmo em situação pretérita de violência doméstica: esse é um retrato presente em nossa geração e que precisa de ruptura. 

Neste sentido, o imaginário ainda oscila na saída desse padrão e em sua permanência nele, sem, contudo, espelhar em si o que realmente se faz necessário para se alcançar a soberania: a autonomia diante da vida.

Soberania marca, portanto, uma autonomia em relação ao mundo, em vários aspectos, integrando, sobretudo, o dualismo matéria-espírito (Terra e Fogo), por intermédio da harmonização entre razão e emoção (Ar e Água). Atributos herméticos presentes na ideia de prosperidade que tanto move as pessoas, mas que tão desconhecida é como prática diária de vida. 

Ser soberana e soberano implica o fluir na senda a partir da descoberta de SI, do próprio objetivo de vida (que não é meta material, mas encampa viver na matéria) a partir da clarificação da alma. 

Quando uma pessoa sabe quem é enquanto ALMA, tudo lhe favorece... A estrada se abre à sua frente, o vento sopra morno nas costas, a chuva cai de mansinho sobre os campos. Tudo flui e frutifica, acarretando, assim, a prosperidade que tanto se almeja.

Caso contrário, como dizia Sêneca, "quando um homem não sabe a que porto se destina, vento algum lhe é favorável". Suas terras quedam inférteis, sua vida estagna sem um objetivo, a incredulidade bate à sua porta. O mundo interno perde, enfim, o colorido de vida. 

A perda de sentido do em-si traz fragmentação do EU, acarretando a perda da soberania e, portanto, do sentido de pertencimento ao Todo. Passa-se a desconfiar da vida, a se buscar incessante explicação dogmática para se conseguirem respostas que, a bem da verdade, estão dentro de nós, em nossa soberania.

Por isso soberania é um atributo tão invejado e vampirizado no mundo: algumas pessoas a exercer com abundância. Outras, carentes, tentam buscar nos outros aquilo que falta em seus áridos terrenos. 


Céad mille fáilte!

sexta-feira, 30 de março de 2018

Amaciante caseiro, o segredo da suavidade feita em casa!!!

Depois de um longo tempo desde quando prometi a mim mesma que iria fazer amaciante, hoje, aproveitando a chuva e o silêncio reconfortante da minha casa, coloquei a mão na massa (ou na água, diga-se de passagem).

A receita é super simples, já tinha feito outras vezes. Rende bem, 5 litros de amaciante.

Basta anotar...

1/2 sabonete ralado
1 litro de água fervente 
4 litros de água fria
4 colheres de sopa de glicerina
3 colheres de sopa de essência
Pingos de óleo essencial...
Misturar o sabonete ralado e a água fervente. Depois acrescente os demais ingredientes e mexa, mexa, mexa. Pronto está para ser usado regularmente nas roupas. Vale muito a pena e dá aquela sensação de independência da indústria de material de limpeza.

O simbólico, o incontido e a mágica: os sinais com que a vida nos brinda e a força que o Sagrado Feminino nos dá

A vida mágica ora opera no plano do simbólico, ora se concretiza no literal. Em um momento, podemos ter uma epifania olhando uma nuvem a se formar nos céus, em outro estamos a observar uma situação acontecer, de imediato. Ali, na lata...

Não importa, pois bastam conexão e harmonia para que a compreensão do divino possa se materializar em nossas vidas, deixando fluir a imanência da própria vida.

Prestar atenção aos sinais é uma forma de fortalecer essa importante conexão mágica, observando o silêncio e, sobretudo, como a existência se desdobra em nossa frente. É a sabedoria em olhar para a lição que está sendo trazida para nossas vidas, a partir das mais corriqueiras situações, que se interligam em uma teia causal de eventos que passam a ter sentido lá na frente...

Eis o meu sinal e minha história a partir dele...

Dias atrás estava simplesmente caminhando, voltando do mercado após uma aula de yoga na qual havia imantado o sankalpa AUTONOMIA (pois estava a experienciar uma situação em que me sentia frágil nesse sentido).

Simplesmente "do nada" (que não foi "do nada"), caí, assim, como uma jaca. 

Sim, estatelei-me. Foi engraçado. Olhei para o lado e um senhor, muito gentil, ainda tentou justificar o injustificável - "foi o degrauzinho que engana mesmo" - para me animar.

Olhei para ele e falei: "não, não, não, fui eu mesma". 

Consciência na queda. Algo a apreender naquele momento. 

Depois percebi que, átimos antes da queda, estava eu a pensar em um relacionamento que estava ruim. Em uma pessoa que estava em minha vida, solícita, alegre, saltitante, uma pessoa que se apresentou como a mais pura encarnação do altruísmo e da luz, namasté!

E caí!!!

Não, o degrauzinho me acordou, veio de encontro aos meus passos para me chamar à consciência para uma situação inóspita e desconfortável que instalei em minha vida a partir da permissão para que minha alma abrisse mão de sua autonomia. 

Poucos dias depois tudo fez sentido em relação à queda. 

Minha sábia mãe, bruxa mãe, comentou, no auge de sua intuição aguçada: "vai ver, ali, na queda, algo estava sendo mostrado a você". Prestei atenção nesse movimento para concatenar todo o desenrolar dos eventos e, mais uma vez, a sabedoria ancestral mostrou-me o acerto das coisas da vida.

Sankalpa, autonomia, relacionamento com a alteridade. 

O sincrônico foi a queda ter sido no mesmo local onde, dias antes, estive ali com a figura, aborrecendo-me deveras com sua insistência em pegar as compras do supermercado. 

Posso ser taxada de radical, feminazi, insensível. Não importa. Não se trata disso. Trata-se do sinal de alerta máximo que minha alma me deu. 

Cheguei até a verbalizar para a figura: "isso já é manipulação", não sem antes olhar sua cara de espanto quando puxei as sacolas, tal qual uma criança sabedora de sua arte se vê quando é descoberta... Quando é descoberta...

Na sutileza de seu ato falho que, nalgum dia, vem à tona, pois, afinal, gasta-se muita energia para a mentira. Cedo ou tarde tudo se revela diante da luz...

Sim, mas voltando ao assunto, não é por conta de alguém carregar uma sacola de compra que ocorre manipulação: ela se dá porque, ali, na recorrência de um padrão de altruísmo extremo, minha alma passou a se sentir sufocada com um zelo que começou a mostrar reais intenções.

Tanto que agora, depois de um tempo, outra sincronicidade: materializou-se para mim um vídeo muito interessante do Flávio Gikovate sobre como perceber uma pessoa dissimulada e cínica. Nunca tive a curiosidade de ver vídeos assim, pois, confesso exaustão em face dos tempos de terapia. Hoje agradeço aos deuses e às deusas por ela, pois isso e minha conexão com o sagrado que me permitiram sair de uma situação desfavorável. 

Quando vi o vídeo enxerguei o evento e me vi ali. Daí, como um flash, esses que nos lembram o túnel com a luz branca e o filme de nossas vidas, vi passar todo o enredo de uma situação de manipulação e engano. Um engano que começa em mim, claro, na auto ilusão que elaborei diante da alteridade, contando com a empatia da projeção no espelho de meus déficits e minhas limitações. 

Senti um ar de certeza e calmaria tão grande que decidi escrever às 03 da manhã (sim, hora mágica e auspiciosa, que só reforça a ideia e a sensação de estar no caminho certo da minha intuição) sobre essa experiência, pois, afinal, ela diz respeito ao Sagrado Feminino e em como, cada vez mais, as elaborações manipulativas vão se aprimorando e se tornando sofisticadas. 

Tive a oportunidade de escrever sobre isso no texto Misógino rehab: a mutação na contemporaneidade, onde abordo como as práticas de desrespeito ao Sagrado Feminino estão mais sutis, disfarçando-se em altruísmo, não raro com o discurso em voga de "gratidão", "namasté", "somos todos um" e outros tantos, que se destinam apenas a encobrir intenções mais espúrias. 

No caso narrado, o altruísmo em excesso encobriu o interesse em usufruir da boa-fé, hospitalidade e prosperidade. Esse último elemento, inclusive, expressamente declinado pela figura numa imprecação mágica feita em um ritual de gratidão, onde paradoxalmente agradeceu com uma mão, mas solicitou com a outra a prosperidade.

Aliás, uma observação: prosperidade sem pregar um prego numa barra de sabão, pois o ente não desejava mais "servir à Matrix" (outro peguinha da Nova Era, sem que se compreenda exatamente o que é isso): já tinha vivido de luz, feito cursos e tal, abandonando a vida "normal" e viajando pelo mundo afora na carona da cauda do cometa.

Agora desejava era viver da luz dos outros, a começar de uma espécie de pirâmide esotérica na qual seres de sociedades etéreas iriam dividir dinheiro com um grupo de desesperados (pausa para pegar fôlego: como assim, seres da mais alta celestialidade e do mais puro desapego, vão abrir cofres de vil metal e distribuir?)

Isso e mais, muito mais, fez com que, aos poucos, fosse me fechando, blindando minha alma já calejada por outras andanças. Quando dei por mim estava caída ao solo, tendo sido acometida por esse insight.

O mais mágico, porém, estava reservado para o dia do meu aniversário...

Todos os dias, ao sair de casa, tenho por hábito fazer minha conexão com o Sagrado Feminino durante o trajeto entre o condomínio e a pista, pois é um caminho lindo e inspirador.

No dia do giro de roda, saí de casa e mentalizei fortemente: conectei-me à Terra, à Água, ao Fogo e ao Ar, bem como à Deusa dos dez mil nomes, à ancestralidade sagrada. 

Liguei-me às entranhas da Grande Mãe, ao Feminino arraigado em mim. Enfim, foi visceral e uterino.

Falei com Ela que, no dia do meu aniversário, gostaria de ganhar um presente. Gostaria que a situação inóspita e desagradável fosse desvelada e se findasse por si só, que eu não me desgastasse ou sequer movimentasse. 

Pedi que, pela primeira vez em minha vida, não fosse eu a finalizar. Que, se fosse real, tudo permanecesse. Mas que, se fosse ilusório, que tudo se esfacelasse naquele dia e viesse à luz, à tona.

Estava feito...pois, mais tarde, recebi uma benigna mensagem da figura dizendo ter ido embora. 

Isso é realmente mágico. É o simbólico e o literal em uma mesma escala. É a vida no indizível a se mostrar. A me mostrar que tudo é um processo de causa e efeito desenrolado como um novelo de lã.

Estou, desde esse dia, em êxtase com a vida. Meu sankalpa - AUTONOMIA - reergueu-se com o renovado propósito de me ensinar mais uma lição. 

Uma que, nos últimos relacionamentos, havia eu esquecido, tendo sido lembrada pelos espelhos: compartilhar não é carregar outra pessoa nas costas. Não é sustentar alguém. 

Compartilhar é COM (ao lado de, ou seja, com igualdade, equanimidade, isonomia nos esforços) PARTILHAR (ou seja, partir, dividir), ou seja, agir e viver ao lado de alguém em paridade de esforços, olhando para o mesmo horizonte e dividindo o mesmo núcleo ético de metas. 

Quando isso acontece na polaridade masculino-feminino temos a união, a comunhão, a confluência de propósitos de vida legítimos e autênticos. Onde isso falta temos apenas processos de drenagem e vampirização. 

Saber discernir entre compartilhar e vampirizar, em meio à tanta sutileza manipulativa, é uma arte a se renovar constantemente. Apenas vivendo, caindo "do nada" e levantando para se saber. 

E agradecendo ao Sagrado Feminino por toda benignidade em nos proteger.

Céad mille fáilte!





sábado, 17 de março de 2018

Fáilte! Lá Fhéile Padraig! Dia verde de comemoração a Paddy!

Hoje é um dia bem especial para a cultura irlandesa, dia de São Patrício, ou Lá Fhéile Pádraig, Paddy´s Day e outros tantos nomes por intermédio dos quais o padroeiro é conhecido. 

O blog Sagrados Segredos destina-se à sacralidade celta, mas, no caso de St. Patrick, o que me motiva a escrever reside no sincretismo religioso muito forte na Ilha Esmeralda, porque a conversão ao catolicismo, ali, seguiu com mitigações. 

É o caso de Santa Brígida, uma forma católica de se referir à Brighid, deusa celta dos ferreiros, da poesia e do parto. Retratada como uma freira, reputa-se a ela  primazia de manter em Kildare suas sacerdotisas alimentando o fogo sagrado curador.

A Ilha Esmeralda é orgulhosa de sua história e ancestralidade celtas, razão pela qual o catolicismo ali não seguiu a conversão como nos demais países, onde o romanismo seguir forte. Por toda Irlanda é possível ver monumentos erigidos a heróis.

Pagão de origem e, posteriormente, convertido a cristão, reza a lenda que a Irlanda é carente de cobras porque Paddy tomou a cautela de expulsá-las todas de lá. O dia 17 de março marcaria a data de sua morte, em 461.

Hoje o dia é de festa e celebração regada a uma boa pint (medida de cerveja, quase sempre caramelizada, como nossa boa e velha amiga Guinness, inesquecível). 


Sláinte! Ela é tomada com fish´n chips e smashed peas. Ou seja, peixe e ervilhas. A ervilha é boa pedida, a carne, por questões pessoais, declino. Rs. 

Dia em que o orgulhoso povo da Ilha se veste de verde, cor representativa da bandeira, das vestes de São Patrício e, sobretudo, do cenário bucólico do Eire. 

Seus pastos, suas montanhas, tudo ali é de um verde incontrastável, que nos faz perder de vista o olhar. 

O shamrock ou trevo de 3 folhas é outra marca da Ilha e do dia, representando a santíssima trindade. Dizem até que St. Patrick sempre usava um para empreender ao seu serviço missionário de catequizar e converter os habitantes da Ilha. 




Converteu...

Mas o bom sangue celta ainda se mantém presente ali, quer seja nas práticas sincréticas, alimentação, como no idioma, o gaélico irlandês, que insiste em coexistir com o inglês invasor. 

Os irlandeses têm muito em comum com os galegos, pois ambos têm origem nas tribos celtas dispersas ao longo da Europa. 

Dizem que, numa boa briga entre irlandeses e galegos, não é possível saber quem é quem nem se se jogar um caneco de cerveja: povos temperamentais, brigões, alegres e muito, mas muito amantes de cerveja e música. 

Nesse dia especial que aglutina povos e culturas, desejo fazer um especial brinde à cultura celta remanescente na Irlanda, Galícia, Lusitânia e em tantos outros lugares diferentes. Sensação de plenitude a-espacial é o que me motiva, no dia de hoje, a abrir uma boa garrafa de cerveja e sorver a dádiva dos deuses e das deusas.

Sacralidade é isso...Ao menos para mim, pois não temo minha alma livre e celta, que se eleva diante da lembrança de tempos imemoriais nos quais a honra e a retidão eram a máxima a designar a alma humana.

Anam Cara...

Simples assim!!!!

Céad mille fáilte!



O Sagrado Feminino entre os véus da vida e da morte: a transcendência no limiar de novos ciclos


A meia-idade (situada entre 38-45 anos) é uma época que marca em nós, mulheres, uma profunda mudança em nossas mentes, almas, corpos e corações, situando-nos para a vivência no fluxo da constância da alma que se liga aos ciclos de vida-morte-vida. 

Tal qual a Lua que se enche, plenifica, esvai e se recompõe, nós, mulheres, igualmente seguimos essa trajetória. Não é à toa que a historicidade ancestral sempre uniu os fluxos das mulheres às lunações da Senhora de Prata: a donzela (pueril, no início da jornada), a mãe/guerreira (que se encontra na plenitude de sua vivência e a anciã, a detentora dos mistérios e segredos que regem a vida e a morte. 

Sangramos com a Lua Cheia, recolhemo-nos com a Lua Negra. 

Amamos sob a luz da Lua Nova, regozijamos na Lua Crescente. 

Extravasamos sensações ditas como "irracionáveis" e "histéricas" nos 28 dias que marca um giro completo no caldeirão diversificado de emoções, sentimentos, sensações e mergulhos, muitas vezes incompreendidos - tantos pelas irmãs de sangue, quanto pelos homens que invisibilizaram o feminino na história. 

Loucas, histéricas, irracionais e todo o desqualificador que paradoxalmente marca amor, respeito, raiva e admiração por nós, mulheres plenas.  

Com isso somos temidas, odiadas, mas também desejadas, pois, afinal, o poder dos mistérios de sangue gravita em torno do cerne da criação, que é feminina. Da intuição, que é feminina. Da soberania, que é feminina.

Da Deusa, que é a expressão máxima do Feminino Sagrado. 


Assim como a chegada dos dias de lunação, a devir dos anos incorpora à jornada da mulher vincos, cicatrizes, marcas de nossa vivência e experiência ao longo de nossa senda espiritual, dotando-nos de sabedoria na contemplação da vida, bem como nos preparando para a continuidade mágica de nosso percurso até o momento de transposição do véu da morte. 

A cultura ocidental - com raras exceções - progressivamente passou a evitar a morte: não se fala sobre o morrer, é um tabu, assunto proibido nas rodas de prosa. Sempre estamos a celebrar a VIDA, não convidando para compor a mesa a Senhora do Negro Véu, cuja presença é inevitável e imprevisível. 

Mirella Faur em seu livro O legado da Deusa: ritos de passagem para as mulheres comenta ser a morte "temida, esquecida, ignorada ou evitada por ser considerada um mau presságio" (2003, p. 232), de modo que, não-raro, tudo é feito para se evitar encarar o final da existência corporal.

A ordem do dia é viver 100, 200, talvez uma eternidade e, com isso, promessas e milagres são emprenhados, apenas porque, ao final, inseguro(a)s sobre o findar da vida, desejemos perpetuar nossa permanência aqui na tridimensionalidade. 

Dicas sobre ilusão da morte, roda de samsara, vida eterna, viver de luz, programação quântica das células, urinologia etc. somam-se no imaginário coletivo para proposição de estratégias de evitabilidade do momento, alojando-nos, quase sempre, para uma reprodução de fórmulas e elixires "da vida", fazendo com que o caminho seja relegado para segundo plano em função da busca permanente de vitalidade. 

Importante considerar, por outro lado, que, ao lado da proposição de evitabilidade da morte, existem culturas (tais como a viking, celta, tradição xamânica, indígena) nas quais a morte é retratada como uma decorrência natural do ciclo de vida conectado à Natureza, bem como às suas regras submetido: tudo que e orgânico nasce, desenvolve-se e morre, completando, dali a frente, outros tantos infindos ciclos.


Nossas células nascem e morrem o tempo inteiro. Nossos cabelos caem, nossas unhas crescem e são cortadas. Nossa pele descama. Nosso funcionamento interno eclode em um eterno ciclo de ordenação e desordenação, para, dali a frente, recompor nossa integridade. 

Não seria exagero dizer que nascemos e morremos o tempo todo sem que sequer tenhamos consciência desse processo, tamanha a alienação e desconexão da Natureza. 

Olhar a Lua e seus ciclos, a maré e seus rompantes, bem como a água e seus refluxos, passou a ser uma espécie de clichê na Nova Era, aglutinando curiosos leitores de blogs, ouvintes de hangouts e leitores ávidos em um processo mecânico de acúmulo de pseudo conhecimento, sem que a vivência corresponda à senda mágica. 

Walk your talk...Ou seja, caminhe de acordo com o que fala...a máxima para a vivência do sagrado. 

E, dentro dela, viver os mistérios da morte nada mais é do que natural decorrência da maravilhosa realidade quântica sobre a qual muito se fala sem se saber o que é (vida e morte são, assim como o elétron, perspectivas dentro de um mesmo sistema).

Por isso os celtas, como povo nobre que sempre foi, investia na vivência plena da vida, bem como na conscientização quanto à mudança que advém com a morte, regida por ninguém menos do que Morrighan, a Grande Senhora dos Corvos!

Para eles, a morte é resultado da honra, do caráter, da retidão e conexão ao Todo realizado ao longo de uma jornada, apenas e tão-somente porque isso é viver. Viver em comunhão com a Natureza, com os elementos, com o Cosmos. 

O enunciado moral de vida após a morte como expiação ou mérito é uma herança judaico-cristã, especificamente cristã, que impele as pessoas a serem boas ante à promessa de recompensa, e não por pressuposto em se ser assim.

Essa perda de sentido trouxe outra perda: ruptura com a Natureza e a desconexão dos mistérios, relegando, assim, a Morte como uma pena, expiação ou consequência de um pecado original. 

Mas para o Sagrado Feminino e, sobretudo, para quem está na senda por afinidade de alma, a Morte é linda, bela e admirável. Ela encerra um, mas inaugura outros ciclos. Cabe a cada uma de nós a escolha sobre como desejamos renovar nossas existências, apenas e porque vivenciamos cada uma de nossas vidas com plenitude, intensidade e sabedoria. 

Esse é o segredo que poucos conhecem. 

O universo masculino, infelizmente, muito longe, ainda que se esforce em pretender a compreensão, pois não se trata de acesso mental, e sim emocional e espiritual. O universo das mulheres ainda não despertas em sua sacralidade, uma perda de sentido do que se deseja criar em vida. 

A transcendência, dentro disso, emerge como uma necessária volta ao conhecimento ancestral sufocado pela ignorância de um mundo repleto de pessoas que temem a Morte. Que não desejam a Morte. Que repudiam a Morte. Mas que não conseguem, à plenitude, compreender seu papel diante da própria existência. 

Céad mille fáilte!!!







"O fogo transmuta o que me é hostil
O ar carrega as cinzas do que não mais pode me atingir
A terra consagra minha proteção
E a água limpa o que há de vir"

sábado, 10 de março de 2018


"Conheça a si própria
Conheça sua Arte
Aprenda
Aplique os conhecimentos com sabedoria
Atinja o equilíbrio
Mantenha suas palavras em boa ordem
Mantenha seus pensamentos em boa ordem
Celebre a vida
Sintonize-se com os ciclos da Terra
Respire e se alimente corretamente
Exercite o corpo
Medite
Honre a Deusa e o Deus"

 - Scott Cunningham -

De raios, trovões e relâmpagos: os sons e as cores da manifestação interdimensional da Natureza


Estamos em pleno período das águas e, esse ano, a chuva tem ofertado um espetáculo à parte no verão do cerrado no Planalto Central: o aumento da incidência de trovões, trovoadas, relâmpagos e raios, numa espécie de balé mágico a transformar o horizonte expandido do planalto.

Tivemos um longo período de estiagem, no qual nossas reservas hídricas ficaram comprometidas (umas chegando a 12% da capacidade), ora pela escassez de água no subsolo, ora pela ignorância e insistência humanas em não modificar hábitos básicos para o consumo consciente e comunitário: nossa característica reptiliana predatória mostrou-nos, enfim, pela primeira vez na História da Capital, ser possível se pensar no extermínio da raça humana pela privação

Mas transcendendo a isso, a chegada da chuva trouxe alento a todos nós por aqui: o verde logo voltou a brilhar, as reservas voltaram a subir. Brasília voltou a ser um vasto rio verde despontando no meio do país como uma abóboda na promessa de fartura.

As águas voltaram a sorrir por aqui!

Muita chuva, muitos trovões, muitos raios, muito vento. Quedas de obras, viadutos, mostrando a matéria que não resiste ao etéreo plasmado na confluência desses elementos (ar, água, fogo e terra).

Mais afastada da cidade e de tais contingências, daqui onde moro - uma espécie de serra, incrustada em um vale - posso apreciar outra configuração desse espetáculo implacável: por trás da serra, de súbito, com a força magistral e reinante da Natureza que mostra seu poder, posso ver os clarões que subitamente se lançam nesse horizonte. 


O som retumbante e forte dos trovões tem coroado o romper dos relâmpagos a colorir o horizonte com suas centelhas elétricas, ao mesmo tempo em que o céu, acinzentado pelas densas nuvens carregadas com a benção das águas, anuncia a abertura dos portais para limpezas sem precedentes.

Esse cenário torna tudo ainda mais pitoresco e telúrico: o romper das luzes por detrás das montanhas na serra. Clarões se revezam com o estridente brado dos trovões, na onda mecânica que sempre fica atrás da luz, sempre mais rápida do que todo o resto...

Observando como se formam os raios podemos perceber a beleza na harmonização feita pelo composé da Natureza a envolver vários elementos - ora herméticos, ora conhecidos - na orquestração dos raios e dos trovões.

Para que esse fenômeno aconteça é necessária a composição de três elementos: gotas de chuva, cristais de gelo, água em estado quase congelado e granizo, tudo submetido à faixa de temperatura entre 0 e -50 graus, por volta de 2 a 10 quilômetros de altitude, condição barométrica ideal para a deflagração de raios (pressão).

O chacoalhar do movimento entrópico - ou seja, alta energia cinética, caracterizada pela movimentação de tais partículas  - causa a colisão entre entre eles, tornando-os positivos e negativos. 

A diferença de densidade e a força gravitacional faz com que alguns fiquem mais baixos e outros mais altos, de modo que esse continuum acaba transformando o ambiente numa grande pilha alcalina, apta a fornecer energia na modalidade elétrica.

Fiat lux!

Diante de tal variedade, podemos dizer que a chuva seguida por raios e trovões, engloba um bailado dos 4 elementos reunidos em perspectivas herméticas. Isso quer dizer que existe um significado oculto, para além da obviedade dos olhos da Física (o que tentei compartilhar acima), imperceptível para quem não exercita a pineal. 

Água purificadora, império do emocional, do lúdico criativo, templo onírico em que se assentam nossa inspiração e nosso inconsciente. Manifestação latente do que está desenhado no mundo além da tridimensionalidade. Solvente universal, de conteúdo alquímico transformador e, sobretudo, purificador. A água limpa e purifica tudo ao seu redor. 

Granizo e cristais de gelo, eis a novidade. Isso porque nosso primeiro impulso tridimensional é ver, logo de cara, a presença do elemento água apenas. Mas aqui temos a forte e marcante presença da Terra, na petrificação do estado líquido. Na verdade, uma composição entre características predominantes de cada elemento. 

A Água limpa e purifica e a Terra mantém, consolida, preserva e conserva. Silencia para preservar, abrindo os canais meditativos, ao mesmo tempo em que invoca a densidade do concreto e material. 


O Ar move, sopra e movimenta, transpondo tempo e espaço e ligando ao mundo transcendente das deidades e dos arquétipos que reverenciamos em nossas particulares sendas. 

Ao final, o lampejo ígneo que origina a  faísca e a perda térmica nos remete ao Fogo, princípio criador, transmutador e realizador do que é plasmado de nossa consciência para o plano causal-material. 

Água, Terra, Ar e Fogo estão, pois, unidos na formulação das torrentes, imprimindo nas chuvas, nos raios e trovões descomunal força telúrica e, ao mesmo tempo, etérea, razão pela qual seu significado oculto nos impele a perceber nesse cenário um verdadeiro acelerador de partículas, muito antes de qualquer tentativa de reprodução científica ter se arvorado em monopolizar o conhecimento. 

A Natureza, Gaia, Deméter, Rhea, Anu, Dana ou qualquer outra denominação deídica que se dê para esse lindo palco em que extravasa a Physys, constitui um dos mais perfeitos sistemas mágicos, acessível a quem se debruça em busca se sensibilizar para o significado hermeticamente encoberto. 

Está quanticamente disponível e indisponível, numa perspectiva dual que nos convida a penetrar nos abscônditos segredos de nossa própria consciência. Afinal, magia é EMOÇÃO, CONHECIMENTO e NECESSIDADE

Emoção como vetor da potência a lançar a faísca da conexão (aquele arrepio que sentimos quando acessamos outras realidades e frequências). Conhecimento porque precisamos NOS CONHECER em nossas limitações, bem como travar contato com o Universo. 

Caso contrário, a ignorância nos leva, tal qual uma criança a colocar o dedo em uma tomada, a consequências que podem ser danosas para nossas almas. 

É comum o discurso dogmático (mas aparentemente livre e descompromissado) sobre a desnecessidade de se penetrar no conhecimento, mas creio ser uma simplificação temerária, porque a ignorância pode levar a equívocos em relação a nós mesmos, reproduzindo padrões e estados de alma que nos colocam, ao final, a patinar em nossas existências.  Afinal, até mesmo para ser simples e morar no mato precisamos saber que frutinhas comer: caso contrário nos envenenamos, como no filme Na Natureza Selvagem

Conhecimento é relevante: para isso tivemos constantes mutações genéticas, o gene FOXP2 (associado à linguagem e cognição) desenvolveu-se rapidamente em nossa hélice de DNA, eis a razão pela qual somos brindados e agraciados com uma possibilidade ímpar de mudança. Se isso está presente em nossas entranhas, não usá-la é atrofiar nossa capacidade de amadurecimento. 

Se usamos o conhecimento para destruição, isso nada tem a ver com o conhecimento, mas com nossa ignorância e decadência moral. Assim, saber mais sobre o que está disponível no mundo etéreo é condição de ascensão moral e espiritual. Respeito muito quem pensa de outra forma, mas, para mim, conhecimento só trouxe LIBERTAÇÃO, e não aprisionamento. 

Não saber, não pensar, não sentir e não vivenciar a magia no aqui e no agora, sob a desculpa de ser desconfortável é uma forma bem velada de cegueira e conformismo. E a Natureza, bem como o Universo, pautam-se na MUDANÇA, no inconformismo, portanto. Saber equalizar isso é tarefa que cabe a cada qual. 

Lidemos, portanto, com isso, ao invés de imputar responsabilidade na complexidade do conhecimento, para ver numa ilusória simplicidade a tábua de salvação de nossa ignorância. Ela, ao contrário, faz com que chafurdemos, sendo facilmente alojados como massa de manobra e gado nas mãos de quem detém conhecimento...

Por fim, necessidade, que nada tem a ver com privações e desejos momentâneos (carro, dinheiro e, usualmente, bens materiais), mas, antes, com a percepção do que nossa ALMA demanda para crescer. Vejo em rede muita gente querendo rituais de prosperidade, fartura, ganho pessoal e outras coisas que se assemelhem a isso. 

Tudo relacionado à mantença na tridimensionalidade, quando estamos momentaneamente nela. Ou, então, no reverso, outras tantas fugindo da responsabilidade que advém com a prosperidade que jogam pela janela, quase sempre diante do discurso místico do desapego, confundido com fuga da vida. Seja num ou em outro, a lógica é a mesma: ignorância na compreensão do sentido sobre para que tudo que está disponível na dádiva de Gaia...

Por isso, concluindo, dias de trovoadas, chuvas e relâmpagos são momentos que nos envolvem na magia. 

Quer seja porque a Natureza e as esferas superiores estão a travar suas próprias limpezas e trabalhos purificadores e depuradores, quer seja porque se trata de momentos em que a energia convergente é tão alta que podemos aproveitá-la para elaborar e plasmar ideias, desideratos, projetos, sonhos, planos. 

A força que deflui desses processos é descomunal, apta a liberar energia para colapsar nossos processos internos. Basta agregar internamente a sensação de se conectar ao ambiente em que esse fenômeno mágico se assenta. Um banho de chuva, um silenciar de alma. Tudo isso traz o estado de espírito propício para que as verdadeiras transformações se operem. E elas nada têm a ver com o sobrenatural: são estados naturais em que nos agregamos ao Todo inefável.

Céad mille fáilte!