domingo, 17 de junho de 2018

Vendo, revendo e vivendo: a intuição e os processos psíquicos na senda mágica da superação!!

Existe uma inteligência sagaz e divina, que sempre está a nos acompanhar: algumas mulheres chamam de egrégoras, colapsos quânticos, almas, anjos de guarda, intuição, a depender do paradigma espiritualista ou religioso a que se filia.

Não importa o nome, apenas vem uma sensação forte, ora latejando, ora arrebatadora, um verdadeiro "tranco", a nos dizer "não vá por aí", "isso vai acontecer" ou, ainda, "vá por aqui ou acolá". 

Qualquer que seja o aviso, símbolo ou sinal, é algo forte e avassalador tal sentimento, de modo que ir ou lutar contra é simplesmente nocautear a alma e aguardar, mais à frente, um desfecho nada agradável. 

Em tenra idade, costumamos não seguir, achando se tratar de sabotagem, falsa informação, anunakis manipulando, enfim. Mas, na medida em que o tempo passa e ficamos mais experientes, costumamos parar e olhar o céu, observando e sentindo, respirando e percebendo a necessidade de ouvir essa voz, bem forte, que, ao final, é o som da mais pura intuição.

É o som do Sagrado Feminino, a voz da intuição pura que nos conecta à fonte primordial, uma espécie de antena a captar ondas, som, frequência. Ela não erra nunca, pois, ao final, há um fluxo inteligente, que vai se desenrolando e seguindo, fazendo com que tudo à nossa volta magicamente se encaixe e dê certo. 

Enquanto mulheres, a tal "construção histórica de gênero" nos favoreceu um pouco, pois, a despeito das perseguições e atrocidades (inescusáveis), atribui-nos um espaço tido como privado e escondido, mas, que, no fundo, reservou-nos a magnitude da sabedoria, conhecimento e poder. 

Negar esse lugar é negar o próprio poder pessoal, intrínseco ao Feminino, e quando percebi isso, reavaliei algumas posições ortodoxas que, num esforço de ajuste "racional" ao politicamente correto, acabavam me afastando do caminho sagrado.

Hoje, mais consciente, olho até mesmo para as postagens antigas do blog e percebo que a senda mágica sempre encontra uma forma de me devolver ao caminho de aprendizado e de poder.

Não um poder androcêntrico, exclusivista, competitivo e beligerante por essência, mas um poder circularizado, que não constrói o mundo em hierarquias e subalternidades. 

Antes, enxerga cada elemento e ser como um pedaço vital da grande teia da vida e da Deusa. Quando nos permitimos - homens ou mulheres - à esta conexão, passamos a brindar na taça da criação, adentrando o líquido premonitório e passando a perceber o devir antes mesmo de ele chegar a se plasmar no mundo.

O caminho, para tanto, passa o silêncio, a meditação, bem como a abertura de vórtices sensíveis, como a glândula pineal, também conhecida como o centro da terceira visão, ou terceiro olho. 

Do tamanho de uma ervilha, ela nos mostra mundos e horizontes não acessíveis pelos olhos físicos. E, para tanto, precisa ser descondicionada, descalcificada, voltar à ativa, já que a vida moderna, bem como a desconexão em relação ao Sagrado, à Natureza e à intuição, podem fazer com que ela se petrifique. 

Mas, uma vez libertada do aprisionamento que o véu da ignorância e da mente, ela nos abriga em sua proteção e descortina um céu de possibilidades, bastando que tenhamos sensibilidade para perceber isso e nos deixar conduzir por este fluxo de pura mágica.

Esse ano a herança intuitiva veio de uma forma muito interessante, quase um estrondo de um terremoto, avisando-me para não seguir determinado caminho. Junto a ela, a advertência materna, de igual forma imbricada por tal poder: minha mãe, diante de uma pessoa que me era próxima, advertiu-me sobre algo que sequer ela sabia muito bem o que era, mas que inspirava cuidados. 

Diferentemente de outras vezes em que negava o aviso ancestral, tratei de me conectar e polir minhas antenas, silenciando, lendo minha runas. Mas, no fundo, aquela pontada de desconfiança desse poder feminino da intuição fez com que me lançasse rumo a uma situação bem desafiadora. 

O mais interessante foi que, ao ler as runas para a figura, saíram jogos que apenas confirmavam o que internamente já era do conhecimento: perigo, desgaste energético, finalização. Ali, contudo, percebi que se tratava de algo a ser resolvido no plano desta existência, para deixar o fluxo da vida, enfim, seguir.

Foi bem interessante essa experiência, pois, no auge de um momento em que me sentia plena em meus poderes psíquicos, decidi afrontar meu sagrado feminino para me lançar na prospecção em uma saga que, ao final, volta-se para mim, entrando em um vórtice especular que, ao final, trouxe-me grandes lições.

Não se trata tanto de avaliar o outro em suas limitações, mas, antes, em ME perceber nas minhas. Se antes passava boa parte do tempo pensando, sentindo e escrevendo sobre os déficits e as limitações do masculino na alteridade, desta vez, naturalmente, voltei o foco para minhas demandas. 

Ponderei em uma situação aparentemente chata, mais parecida com uma fuga e, a partir dela, olhar para minha proposta de vida, bem como onde, desavisadamente (ou não), saí de mim para me embrenhar em um relacionamento atávico que simplesmente atraí.

Aliás, com ele aprendi que, ao contrário de me ver como alguém estática que simplesmente é "atacada" pelo masculino misógino, percebi, enfim, que os relacionamentos tóxicos e atávicos, são, em verdade, espelhos de nossas limitações, bem como dos medos mais ocultos, aqueles que encobrimos e escondemos até mesmo de nós. 

Encontramos no outro o somatório de nossas sombras, que sibilam, em termos de frequência, atraindo aquilo que, embora repelido, é elemento central de nossos padrões inconscientes.

Fazendo um retrospectivo disso em minha vida, avaliei meu maior dilema: a cobrança interna, a demanda ou jornada rumo à constituição de um lar ou família que espelhasse o mundo mágico e devocional no qual fui sociabilizada. 

Talvez por conta da desestruturação e negação secular do poder do Feminino, quem sabe, somos impelidas, mulheres de poder, a nos relacionar com a primeira pessoa a aparentar um sólido estereótipo de potencial elemento familiar que foge ao que se vê na superfície como modelo de masculino atávico, androcêntrico, misógino e machista.

Mas, saindo da superfície em que uns cozinham, fazem nhoques de banana-da-terra, acordam felizes, limpam o quintal, fazem serviços domésticos e são prendados, ou seja, o que realmente enxergamos em nós mesmas, vem o resíduo das lições que precisamos enfrentar, sobretudo em um momento histórico ímpar, no qual nós, mulheres, não dependemos mais de ninguém financeiramente. 

Baluartes de um mundo novo, de comunicação e solidariedade entre sexos, o chamado "resíduo de masculino atávico" é a projeção de nosso medo interno em, sendo empoderada, ficarmos sozinhas em face de nossa auto suficiência e, com isso, passamos a fazer concessões em nossa lista seletiva, tendo como resultado o encobrimento do outro e a auto ilusão. 

Percebi isso tão logo as palavras-chave "trabalho" e "responsabilidade" passaram a incomodar o masculino travestido no discurso do desapego, o bastante para trazer o desconforto e, ao final, a libertação já prevista lá atrás, tanto pelo clã mágico (minha mãe e avó), quanto por mim.

Anteontem, depois de três meses, tive um sonho em que a pessoa se comunicava comigo e, diante disso, desse canal aberto, fiquei a esperar a notícia que se avizinhava, materializada em uma mensagem. Olhei para aquele sinal e percebi que a lição estava, mais uma vez, apresentando-se para mim.

A boa e velha lição que sempre nos remete à pergunta: por que o pescoço não dá voltas de 360 graus? Ele se volta um pouco para trás, o bastante para olharmos os caminhos seguidos e, diante deles, voltarmos a atenção para a frente. Ou seja, não existe retorno para o passado, qualquer que seja a razão. 

Um fim, uma discussão, términos. O que passa, passa, como o fluxo de um rio que nos banha: o rio e eu, não mais somos os mesmos diante desse devir constante na vida que se projeta em tantas experiências. 

O que fazemos, então? Aproveitamos ao máximo as lições tiradas de cada experiência de vida, seja ela inicialmente agradável ou desagradável para nós. Existe uma sabedoria incomum que nos guia a ponderar, depois, o significado de tudo e, com ele, seguir para outros momentos, ao lado de outras pessoas. 

Sem olhar para trás...com gratidão ao Universo e o coração focado no que podemos fazer com para acessar o ensinamento oculto em cada lição de vida. 

Com isso inexiste saudade, arrependimento ou frustração. Apenas gratitude e uma benignidade que traz leveza à alma e nos alimenta a passar adiante a ideia, para que mais e mais pessoas possam seguir adiante e mergulhar nas lições valiosas que o autoconhecimento traz. 


domingo, 20 de maio de 2018

Monoculturas: do solo para sua mesa, o perigo está na sobremesa!


Revisitando um livro muito interessante sobre monoculturas, escrito por Vandana Shiva, ativista e física indiana, achei o momento propício para algumas reflexões sobre o cotidiano de nossas atitudes, sobretudo as relacionadas ao Meio Ambiente e à forma pela qual estamos a passear pelo mundo.

Não tenho o propósito de fazer proselitismo aqui, até porque ainda tenho muito a desenvolver no sentido de respeitar mais a Natureza, mas, diante de um cenário de total indiferença ao impacto que o humano trouxe ao Planeta Terra, creio que toda e qualquer atitude de conscientização um grande passo para modificação do comportamento, da atitude e do pensamento. 

Bom, quanto ao admirável "mundo novo", quero falar sobre as monoculturas e como estamos tão próximos ao que elas produzem de mais nefasto em nossa vida em sociedade. 

As monoculturas são um sistema de exploração do solo para uma destinação, substituindo-se a cobertura vegetal originária por uma espécie apenas (uma + cultura).

No Brasil, a tradição da monocultura se deve ao período colonial, o que faz com que tenhamos sempre em mente o aspecto predatório que está sempre relacionado ao cultivo exclusivista. 

Cana, milho e soja, três grandes monoculturas, destinadas, quase sempre, ao insumo para alimentação do gado, outra atividade mononuclear. No caso, em especial, da soja, a maior parte (estou sendo otimista) das sementes é transgênica (GMO, ou genetically modified organism), o que significa dizer que são alteradas geneticamente, sem que, com isso, saibamos, ao certo, as consequências da adulteração. Isso quer dizer menor controle quanto aos resultados e impactos, tanto em relação ao meio ambiente, quanto em relação ao nosso consumo. 

Para que as monoculturas vinguem, por sua vez, torna-se necessária mecanização (o que traz a importação de maquinário e o envio de divisas para os locais de origem dos artefatos), bem como a inoculação de agrotóxicos e venenos, pois, em larga escala, o espargimento de doenças pode comprometer a produção, acarretando perdas. 

No que diz respeito ao impacto disso em nosso organismo, muitas pesquisas sugerem que a disseminação de doenças degenerativas e do câncer (doença latente), está relacionada com o acúmulo de elementos químicos não elimináveis do nosso corpo (mercúrio, por exemplo), que fazem parte do cardápio do agrotóxicos. 

No caso das grandes atividades agropecuárias, além de avançarem em setores de florestas e matas, danificando o ecossistema ali existente, utilizam, de igual sorte, antibióticos e hormônios em larga escala, uma vez que é uma atividade macro, com potenciais perdas. 

Efeitos nefastos para nosso organismo? 

Vários, a começar pela ingestão de carne, que já é altamente contaminada pela própria putrefação. 

Para torná-la mais ou menos saborosa, maior ou menor insumo no capim a ser ingerido pelo gado, bem como confinamento que traz dor e sofrimento, transmitido para os músculos e demais partes do animal. 

Isso, sem desconsiderar o momento da morte, que vai desde choque até pancada na cabeça: tudo isso absorvido pelo nosso organismo, enquanto estamos ALIENADOS do processo, pois entramos no supermercado, que toca músicas que mexem com nossa frequência, tornando-nos mansificados para consumir tudo que está pela frente. 

Isso sem deixar de mencionar a mecanização, que se transforma em robotização, reduzindo lucros, mas também alijando os agricultores locais. Ou seja, ou se tem dinheiro para um agronegócio, ou, então, trabalha-se para o empresário (não estou qualificando isso a priori). 

No que diz respeito à agricultura de subsistência, mesmo raciocínio, com a diferença que, no caso de agricultura, o rol de pesticidas, hormônios e antibióticos é mais amplo por conta da vulnerabilidade das plantas e dos tubérculos. 

O acondicionamento das verduras, dos legumes e frutas é precário no Brasil, pois a melhor produção vai para o exterior, em detrimento do controle de qualidade para o consumo interno. 

Quanto aos produtos industrializados, além de não serem feitos com a integralidade dos elementos que os compõem, contém conservantes, acidulantes e outras substâncias que são acumuladas pelo nosso organismo, sendo responsáveis por doenças que aparecem ao longo da vida. 

Interessante pensar nisso como uma "loteria da vida", pois, num mundo de escassez de bens de subsistência, esse procedimento sela a vida e a morte de quem consegue vencer tais obstáculos. 

Continuando, os industrializados (e alguns veganos que não fogem da regra de consumismo, tá?) são apresentados como de livre escolha para os consumidores, mas acobertam ligações entre as empresas que, internacionalmente detém nosso mercado interno, a exemplo da Gessy-Lever e Monsanto, sempre arroz de festa dos supermercados. 

Estes, por seu turno, pactuam entre si as "ofertas" que colocarão à disposição dos compradores, aumentando internamente o valor do produto, para compensar a diminuição de preço. 

Sem deixar de mencionar o achatamento e fechamento dos mercados pequenos e familiares, em função do boom das relações contratuais anônimas na pós-modernidade. 

Esse é um pequeno recorte do cenário. Minha pergunta é: COMO PODEMOS MUDAR ISSO?

terça-feira, 8 de maio de 2018

Diga-me, afinal, o que está acontecendo com o mundo? Desmistificando a dualidade na percepção da consciência


De tempos em tempos, quando a Lua começa a minguar e se esconder, nossa alma também busca se recompor, quer seja nos impelindo a dar um tempo em nossas rotinas, ou, ainda, literalmente nos encaminhando para um momento de recolhimento necessário para a recomposição da alma.

Diante das rotinas de uma vida que insiste em se transformar em robótica neste séc. XXI, esse movimento marca a sabedoria com a qual a ancestralidade nos municia de condições para que não nos percamos ou diluamos num vasto processo de desumanização que segue no contra fluxo da expressão de crescimento moral e espiritual.

Sim, pois ao lado de um fluxo de elevação, transição planetária, passagem para multidimensões e toda sorte de nomenclatura que denomine o momento terreno atualmente, existe um contra fluxo que nada mais é do que a dinâmica de ação e reação (uns chamam de newtoniana, outros de carma, lei tríplice etc.), que nos aloja para rupturas, caos, instabilidade e sentimento de perda do pertencimento à comunidade cósmica.

É o fiel numa balança energética que ora espelha o maniqueísmo mítico que nos conduziu até aqui.

Este processo se inicia tímido, lá na primeira infância - quiçá no útero de nossas sagradas mães - quando a socialização oficial começa sua liturgia de nos propor uma vida de competitividade, materialidade e fragmentariedade, na qual os indivíduos são condicionados em papéis sociais que definem posições de subalternidade, quase toda voltada, em nossa história oficial ocidental, para o desprestígio do sagrado feminino.

Ele se alastra em nossa alimentação alienada, dentro da qual sequer nos damos conta da cadeia de produção do que vertemos para dentro de nossos corpos. Agrotóxico, veneno, transgênico, carne, industrializados. Tudo mascarado em belas embalagens a apetecer os olhos para seduzir o estômago. 

Propaga-se para nossas escolhas de tratamento, remédios etc., pois mesmo que nos convençamos que a Natureza nos brinda com fartura e saúde, na hora H nos veiculamos ao assassinato que a alopatia e os remédios monopolizados pela OMS e as grandes indústrias nos impelem goela abaixo. 

O antibiótico é ovacionado, as sulfas idolatradas. A traja preta toma conta de uma plataforma liderada por grandes rótulos e pelos representantes de um paradigma de ciência que findou por escravizar o humano. O holismo cedeu, enfim, espaço para a ciência dicotômica e causal, que se contenta apenas com o restrito espaço tridimensional que a empiria do visível nos proporciona. 

Depois se irradia para nossos relacionamentos, que replicam a base sólida lá atrás pavimentada, encaminhando-nos para a busca dos padrões que foram inoculados em nosso chip infantil, condicionando-nos ao aprisionamento para a docilização do potencial criativo e selvagem que tanto nos encampa para a ruptura.

Ele se expande e amplia para nossa vida profissional, dando-nos a deleitosa sensação de escolha e autonomia, acobertando, contudo, uma imanação da matrix, na medida em que nosso papel se resume em alimentar uma cadeia produtiva que apenas se destina a manter o status quo que apartou a vida e a Natureza de nosso convívio diário.

Até a academia, espaço destinado à busca do conhecimento, transformou-se no ethos fordista de custo/benefício dimensionado em torno de metas financeiras e lucro. Nunca estivemos em tamanha crise no ensino, quer seja de base, ou, ainda, superior. 

Como vírus sintéticos, a frieza da uniformização de métodos e técnicas do saber massificado passaram a ocupar o que foi, um dia, a ágora dos antigos pensadores, ouvidos atentamente pelos discípulos que se acotovelavam para ouvir e debater questões sobre o âmago da vida. A sala de aula presencial e o contato com a pulsação do outro cederá, de vez, lugar para bits e data.

Até mesmo a religiosidade se converteu - literalmente - em um epicentro dogmático de amansamento para replicação sintética de um script mecânico. Nunca tivemos a oportunidade de ver tanta gente em rede social, youtube etc. falando tanto sobre tanta coisa que tão pouco sabe com tanta razão.

A cognição se petrificou e, com ela e a pineal calcificada, a consciência foi atingida por um sopapo de mediocrização e ignorância. Passamos a cultuar novos-velhos ídolos de sabedoria, ao invés de simplesmente usar nossos neurônios para que possamos pensar e intuir por nós mesmos.

De potestades e deidades, descemos a simples acessoriedades, no mundo pós-moderno, no qual a combatividade, o espírito de extermínio, o olhar superior para o outro e, sobretudo, o esquecimento proposital do princípio básico de solidariedade e consciência clânica passam a ser a nota de uma grande toada ilusória.

Nós, mulheres, diante disso, não passamos incólumes a tal processo, pois, de doadoras da vida, passamos a projetos supostamente emancipatórios de cidadania, numa igualdade que nos aproximou da saga mais sangrenta da competitividade do macho alfa guerreiro.

Despojamo-nos da simplicidade da vida e do contato com a Natureza e seus ciclos, desapegando-nos dos nossos próprios, pois ser mulher, agora, é ser sinônimo de tudo que remonta à agressão travestida de empoderamento (aliás, palavra da vez, sem que boa parte das irmãs se atente para o que isso realmente significa), à equiparação com o masculino e à saída da ordem cósmica a nos guiar pelas veredas de nossa essência.

Aliás, para algumas vertentes do feminismo, essencialismo é uma balela e a aproximação entre mulher e Physys uma arapuca misógina trazida pela metafísica androcêntrica. 

A menstruação é visa como aborrecimento, o útero pressionado começa a se desdobrar em cólicas. Temos TPM, depressão, histeria. O natural se artificializa e, dentro do processo, perdemo-nos progressivamente. 

Quando nos damos conta, o processo já se instalou dentro de nossas almas, petrificando-nos de tal maneira que, depois, acostumamo-nos a viver o ciclo de ilusão, até mesmo o defendendo com unhas e dentes diante da menor saída da tal zona de conforto.

O metal que simbolicamente representa as trocas passa a ser o termômetro para uma vida de plenitude. 

Aliás, agora a bola da vez nem é o dinheiro em espécie: o que está a dragar a vida é o cartão de débito. O cartão de crédito. 

Trocas em meios virtuais. Bitcoin...

Ou seja, a sofisticação do sistema está de tão forma entranhado que o dinheiro em espécie está sendo progressivamente substituído pelas trocas virtuais, frias e robotizadas.

Tempos de cingimento da Natureza, da vida e do Sagrado!

E agora?

Diante dessa visão dantesca, respirar profundamente é um bom caminho. 

Ouvir os sinais que a alma e o corpo dão é outra forma de retomar o rumo da própria trajetória. Sempre que situações limítrofes desafiam minha vida auspiciosa eu me recolho, esperando, dali à frente, a onda simplesmente se dissipar. 

Às vezes o sinal vem nos pequenos toques de sincronicidade. Alguém fala uma palavra aqui, uma fala acolá. Um buraco aparece à nossa frente. Não importa, pois a vida dá o toque sutil da seda, para nos avisar que estamos saindo de nossa senda de alma. 

Quando nos esquivamos e insistimos, advém os processos de somatização, por intermédio da patologização. A alma adoece e plasma no campo físico o que não conseguimos resolver em nossa trajetória. O colapso, então, acontece, para que possamos nos conscientizar das mudanças necessárias para a retomada de nosso caminho de luz. Sombra e luz. 

Ou seja, ação e reação internamente consideradas como um caminho de ruptura com o véu de ignorância que tem transformado o humano em um organismo robótico e despersonalizado. Os surtos, então, eclodem como pedidos de socorro, para nos mostrar que não somos escravos, mas criadores de nossa sagrada experiência cósmico-espiritual.

Para isso o rompimento com essas zonas de estagnação, encarando de frente as situações, identificando os processos e deles tomando espiritual e emocionalmente consciência. 

Não existe salvamento, não há cavalo branco com herói, nave espacial, avatar ou qualquer outra sorte de personagem a nos lançar boias em meio a tempestades. 

Existe consciência tecida em rede a alimentar no Universo a expressão do compartilhamento da noção de ruptura com esses fantasmas que nos reduziram a marionetes. Consciência essa que passa pura e simples pelo fluxo, tal qual um rio onde não somos os mesmos e a água se modifica a cada nano segundo.

Quando respiramos e nos conscientizamos de que somos energia, tudo se resolve: os condicionamentos acima descritos se rompem e deixamos extravasar a vida em seu estado mais lânguido de pulsação. Tomamos consciência e nos transformamos em consciência!!!

Daí começamos a nos alimentar melhor, a viver melhor, a escolher melhor nossos parceiros, empregos, nossas prioridades. Passamos a conviver melhor com a simbiose matéria-espírito, olhamos as sombras como uma forma de encarar nossos desafios para a existência. Deixamos a agressividade ceder espaço à colaboratividade e ao diálogo. Deixamos de ser tão julgadores de nós mesmos.

Começamos a respirar e, dentro desse processo, início e fim marcam a vida numa simples respiração que nos devolve ao útero sagrado da fonte primordial. Quando isso acontece, não precisamos mais procurar, pois o Universo nos invade num fluxo de consciência tão grandioso que se torna apenas necessário vivê-lo, assim, sem medo do devenir.

É simples assim...



terça-feira, 1 de maio de 2018

Fáilte, Samhain! Mais um tempo de mudanças!

Acredito que a palavra mais escrita neste blog seja "mudança". 

Ou, ainda, seus sinônimos: alteração, transformação, transmutação, movimento...

Ou o que o valha. Não importa. 

A impermanência é o que continuamente se apresenta como a marca paradoxalmente permanente em minha vida e, como resultado, em minha forma de expressar o que penso e sinto. O que "pensinto"...

Hoje celebramos Samhain pela roda do sul, que segue tanto a sazonalidade deste hemisfério, como, no caso de acentuadas estações do ano, o prenúncio do inverno no cerrado.

O ano termina hoje. Um ciclo de vida termina hoje. Um ethos finda seus dias no dia de hoje. Não poderia ser Samhaim se assim não fosse. O sol cede espaço para o frio, a semente remanesce latente ao solo, o que foi produzido e colhido agora será o fruto do qual iremos nos alimentar.

Samhain é uma época mágica de desnudamento dimensional. Honram-se os que se foram durante 3 dias e, sobretudo, 3 noites, ocasião em que acendemos velas para orientação dos que se perderam na trajetória ao cruzarem os mundos. 

Girando pelos oito sabás, Samhain marca a morte sacrificial do Cornífero - símbolo fálico de fertilidade - que, adiante, em Yule renascerá no ventre fecundado da Grande Mãe provedora. O Cornífero atingiu seu ápice de espargimento seminal, cumprindo a tarefa de povoar e disseminar. 

Como adulto e macho, Ele ruma para o direcionamento consciente do seu fim. 

Tragédia, fatalidade ou evitabilidade? 

Não importa, pois a narrativa celta marca - ao contrário da pegada grego-romana -  a adoração pelo abraço da morte, já que o destino nos encaminha para as moradas de nossos antepassados. O Deus morrerá no invólucro de uma roda para despontar revigorado em outra existência, razão pela qual Samhain e Yule se dão tanto as mãos!

A tessitura das fronteiras encontra-se tênue, ao mesmo tempo em que as vibrações findam por formar egrégora forte de conexão com o Outro Mundo na noite do dia 1o. da Maio, possibilitando toda sorte de comunicação com os antepassados. 

Sim, claro, já que a senda vivificada nesse dia invoca o perecimento do Deus Cornífero, o ato reverencial consiste na devoção aos que já foram. Por isso Samhain remonta ao silêncio, à austeridade e, sobretudo, ao respeito a quem não está mais em carne. 

O acionamento dessa egrégora é essencial para compor, noutro giro, a polaridade da realização do devir em Yule. 

Afinal, só podemos seguir e cumprir nossas metas fortalecidos e confiantes, tarefa assumida pela coligação ao passado e catalisada pela colocação de velas acesas (na cor laranja, roxa ou preta) nas janelas das residências [guiando os caminhos e abençoando os liames consolidados na noite sagrada].

A tradição recomenda, ainda, a colocação de comidas (à base de abóbora, cereais e carnes), acepipes e bebidas (vinhos quentes) a serem partilhados durante a noite para os ancestrais se nutrirem do alimento abençoado. 

Pode soar ingenuidade acreditar que não, mas os espíritos se nutrem dos campos eletromagnéticos elaborados em torno dos alimentos consagrados. 

Noite de queima, por excelência, dos agradecimentos pelas colheita, em ervas auspiciosas para tanto, como manjerona, manjericão, louro. 

Se a Lua estiver bem aspectada, faço, ainda, outra queima, de tudo de desejo alcançar e construir no ciclo seguinte, queimando com cravo, canela, gengibre, mirra ou alecrim. 

Escrevo tudo em uma lista, imanto a vontade em uma rima entoada ao som de tambores e sopro três vezes antes de jogar no caldeirão. 

De resto, reúna quem você mais ama e glorifique suas ancestralidade nessa noite auspiciosa! Seja feliz, forte e plena!



domingo, 29 de abril de 2018

Lua Rosa e Samhaim: preparando a alma para o fim da roda do ano e o início de mais um ciclo!

"The night is dark, the way unknown
I journey with no light or sign, no fear or hope,
Without knowing if I'm near or far from you, Mother, 
For I see the path behind,
But not where you are leading me[1]"
Mirella Faur (2016, p. 17)


Às 21h58min a Lua resplandece e fica Cheia, marcando o Plenilúnio em Escorpião, nesta, que é a primeira Lua Cheia do outono e, por esta razão, chamada de Lua Rosa, marcando a mudança de estação. 

Por aqui, a temperatura está progressivamente baixando, a chuva escasseando e o ar ficando mais seco: é a Natureza se preparando para a chegada do Inverno, a estação da latência e da hibernação, ocasião em que guardamos nossas reservas energéticas para enfrentar as baixas temperaturas.

Nos locais de alto inverno, onde a oferta de comida fica rarefeita - como nas tundras e florestas geladas -, o outono marca o finalzinho da preparação do estoque de alimentos para que, diante do clima adverso, não falte alimentação. 

Aqui não neva, ainda, mas o momento é de internalização, onde a gratidão pela colheita farta do ano cede espaço para a mudança drástica de estação, com a finalização do ciclo da roda para os antigos celtas, que tinham no calendário agrícola e nas estações marcantes (inverno e verão) sua forma de marcar o tempo e o curso da história. 

Dia 1o. de Maio no Hemisfério Sul comemoramos Samhaim, fim e início do ano celta, noite sagrada em que os véus dos mundos se abrem para que as dimensões e o seres possam se comunicar entre si. 

É o início da estação escura do ano, dedicada às deusas que representam a face escura da Grande Mãe, a sombra presente em todas nós. 

Mirella Faur no livro As faces escuras da Grande Mãe: como usar o poder da sombra na cura da mulher, lembra que a sombra é a parcela reprimida de nossas características psíquicas, reprimidas tanto individual como socialmente

Creio que a metáfora do quartinho de despejo seja a mais adequada para tentar retratar o que a sombra significa, um lugar onde "jogamos" tudo aquilo que desejamos negligenciar ou não enfrentar: uma hora, ao abrir a porta, tudo cai em cima de nós, lembrando-nos que não podemos fugir de nós mesmas. 

Nosso elo de comunicação com a sombra reside, quase sempre, nos sonhos, insights, bem como nos movimentos inconscientes nos quais nos vemos "lançadas", bem como nos atos falhos e em tudo que representa uma materialização de algum impulso que não sabemos muito bem de onde tiramos: uma espécie de padrão contra o qual passamos boa parte do tempo em luta.

Escrevi, certa vez, um conto chamado O monstro e a face, retratando nele meu encontro com minha sombra, quase sempre feito de maneira conflituosa, de início, mas, depois, ao compreendê-la melhor (por me compreender melhor), harmonizando-me com ela. 

Nessa fase de Samhaim (sem luz, sombra), cultivamos a conexão com as deusas escuras, tais como Andraste, Morrighan, Cailleach, Cerridwen, Macha e Maeve, além das emblemáticas figuras de Morgana, Rhiannon e Sheela-Na-Gig, todas reunidas em torno da ideia de deusas escuras, que nos colocam em contato com nossas sombras e fazem aflorar o que reprimido foi pela herança patriarcal de controle.

Essa época do ano marca a introspecção para que nos renovemos...

O horizonte iluminado pelas velas mostra o caminho para quem já deixou essa egrégora poder encontrar sua senda. Tudo é austero e lembra o findar dos dias, para que novos dias se avizinhem.

Reza a lenda que Morrighan e Dagda deitam-se em Samhaim às margens do rio Shannon para selar uma união mágica entre vida (Dagda) e morte (Morrighan). 

Tudo envolto em magia, mas, também, em reverência e calmaria. Tempo de meditação, sobretudo nesta noite auspiciosa de Lua Rosa, que marca a vinda do novo. 

Por aqui o mundo giro, a roda se une, tal qual um grande ouroboros. 

A Natureza em seu magistral recado, enviou uma enxurrada para o condomínio, que fez com que o curso do rio mudasse e, com ele, a cachoeira secasse. Foi assustador, de início, mas marcou dentro de mim a ideia de mudança no fluxo da minha própria vida. 

Mergulhei, a partir disso, em minha sombra, para compreender, ao final, a razão interna das projeções que, por afinidade, encontraram outras projeções, na reciprocidade de relações. Decidi estar e permanecer comigo e, por certo, tenho sido minha melhor amiga e companheira. Eu e minha sombra.

É hora de deixar o antigo sair e brindar o novo na mudança produzida por Samhaim e potencializada pela Lua Rosa. Esse é o sentido de tudo. 

Céad mille fáilte!!!!


[1] "A noite é escura, o caminho desconhecido, eu sigo sem luz ou qualquer sinal, sem medo ou esperança, sem mesmo saber se estou perto ou longe de ti, Mãe, pois eu vejo a estrada atrás de mim, mas não sei para onde Tu me levas, Mãe" (tradução da autora)

domingo, 22 de abril de 2018

Fáilte! Dia da Terra e gratidão

Hoje é mundialmente comemorado o Dia da Terra, uma iniciativa do Senador estadunidense Gaylord Nelson, que propôs a data para que possamos, como planeta e comunidade, celebrar a Terra e nos conscientizar da necessidade de preservá-la.

O evento, que teve seu primeiro formato em 1970, reuniu 20 milhões de participantes. 

Hoje, cada vez mais motivada pela atividade em mídia e redes sociais, o Dia da Terra mobiliza algo em torno de 500 milhões de pessoas, crescendo a cada edição.

Data auspiciosa para que possamos nos reconectar à Terra, ao sagrado e ao elemento estabilizador. 

Terra nos remete ao silêncio da montanha, imersa em sua sabedoria no calar, bem como à prosperidade, fartura, abundância e fertilidade. 

Não se trata do aspecto financeiro e do consumismo: aliás, estes elementos, tão mal compreendidos no materialismo em que vivemos atualmente, são antagônicos à ideia de prosperidade de estado de alma, que supõe um preenchimento do espírito com a abertura de estados de consciência para a verdadeira compreensão de nossa senda aqui nesse planeta. 

Trata-se da amplitude consciencial, o verdadeiro sentido de prosperidade que nos conecta à energia da Terra. Ela esbanja, mas também retém, mantém, poupa para mais tarde. 

Quem já não se pegou observando a latência de uma semente, que pode ficar embaixo da terra por tempos antes de explodir e explorar o mundo fora das entranhas da Grande Mãe criadora? 

Terra que esteia cada passo nosso, deixando paradoxalmente as marcas de nossa impermanência nesse solo, que acolhe a semente para germinar, e a raiz para entranhar. De onde parte o caule, os frutos, lembrando-nos dos frutos que nós mesmos elaboramos com nosso labor.

Terra que recebe, todos os dias, nossa cabeça para o repouso merecido do corpo e que acolherá nossas cinzas no dia incerto em que nossos olhos se cerrarem para esta realidade. 

Sobretudo, Terra da ancestralidade, daqueles que aqui estiveram antes de nós, preparando o caminho, na historicidade helicoidal, para que estivéssemos neste exato momento, aqui e agora. 

Terra do foco, da firmeza e da determinação. 

O dia hoje - sobretudo aqui no cerrado, onde ainda chove - está propício para andar descalço, colocar os pés no solo para aterramento. 

Ou, seja, para plantio, silêncio, introspecção. 

Para preservar Gaia, usando velas e poupando energia elétrica. 

Para se prostrar na postura da Montanha, que nos mantém firmes e conectados aos objetivos de senda mágica...

Para celebrar colheitas! Comer raízes, brotos, tudo que se entranha para nascer!!!

Para imantar cura em nossas vidas, visualizando a frequência de onda e a pigmentação verde enquanto repetimos "eu me curo, recupero e regenero". 

Para agradecer, enfim, por tudo até aqui realizado. 

Dia de leitura oracular, sim, por que não? Afinal, podemos acessar a Lua Crescente, bem como a sabedoria da Terra para que, de suas entranhas, possamos enxergar nosso caminho a seguir.

Agora há pouco tirei minha runa do dia, saindo Inguz...

Inguz está diretamente relacionada aos processos de finalização de começos, sendo a eclosão de um caminho que se finda para a abertura de outro, demandando energia de término, quer seja de um sentimento, relacionamento, hábito, projeto ou o que o valha.

Aliás, bem providencial, pois, segundo Thorsson[1], Ingwaz é o nome de Nerthus, Deus-parceiro da Mãe Terra, o sacerdote que a acompanha. Nada mais representativo para a data de hoje, agregar a energia do masculino à fonte primordial. 

Equilíbrio entre polaridades na eclosão do que está latente e que vai, mais à frente, vir à tona.

Biancardi[2] remete à essência da runa, que nos motiva a trabalhar nossa herança divina, sendo necessários desapego, fé, confiança e comprometimento para acionar a energia de Inguz. A vibração é "Eu sou uma criatura divina e mereço o melhor", materializando, assim, o bem-estar e a plenitude.

Neste Dia da Terra desejo a todos e todas plenitude, bons auspícios e conexão!

Céad mille fáilte!

[1] O oráculo sagrado das runas: autoconhecimento e orientação pelo sistema divinatório milenar dos povos nórdicos. THORSSON, Edred. São Paulo: Editora Pensamento, 2013, p. 141.
[2] Runas, magia e transformação. BIANCARDI, Rosa Maria. São Paulo, Editora Alfabeto, 2002, p. 136.

domingo, 15 de abril de 2018

Apenas GRATIDÃO!!! O sentido da vida...


Há tempo essa sensação benigna instalou-se dentro de mim e não mais foi embora. Acredito que tenha encontrado, enfim, um lugar de pouso e, no auge da calmaria, resolveu ficar. 

É indescritível tal constância: mesmo que passasse horas postando, não conseguiria retratar ou sequer detalhar, de maneira opaca, como a vida tem sido uma defluência direta de estar plena e íntegra.

Oscilações vieram e se foram, afinal, esse é um dos sentidos da vida. É a resposta a eles, as escolhas diante desses percalços que definem quem somos e nosso papel diante do Universo.

A sensação de benignidade calma e lânguida faz ressoar a GRATIDÃO diante do que se desenrola neste espetáculo do viver. 

Hoje estava escutando uma música linda, chamada Eu agradeço, da Marie Gabrielle e não pude conter as lágrimas de intensa felicidade ouvindo "(...) Deste jardim cujo eu sou jardineiro e de amor eu sempre vou regar(...).

Mas não uma alegria histérica, rompante. 

Não!!! 

Um regozijo de compreender, enfim, o sentido de tudo isso aqui. 

Sim, mas, então, qual é sentido?

Ahhh, tão irredutível em palavras, quem dirá em um texto! 

É uma sensação, um sentimento, sentimentos não são fidedignamente retratados em prosa ou verso. São sentidos, vividos, escorridos. Vão e vem no fluxo, tal qual um rio cujas águas chegam até o mar sem que precisemos perguntar onde se encontram as gotas.

Gratidão, Grande Mãe Sagrada, por me acalentar na palma de suas mãos!!!

sábado, 14 de abril de 2018

Criando a própria senda dentro de um mundo muito mágico!!!


Essa semana fiz algo bastante incomum, a despeito de ser simples, tão simples: ao me dirigir para a loja de óculos a fim de buscar uma encomenda, num lugar  bem distante de onde resido, decidi fazer um percurso para rever lugares antigos, os quais não visitava já fazia um tempo.

Escola antiga, ex-casa de avó, faculdade onde lecionei, médico que frequentei, escola de inglês e muitos outros lugares que estão hoje bem diferentes de tempos atrás. 

Desacelerei o jipe, coloquei o braço no vidro do carro e comecei a respirar profundamente, tentando, com isso, sorver o ar daqueles que, um dia, foram ambientes bem próximos.

Com isso, magicamente me transportei para cada cenário representativo de uma fase da minha vida: infância, adolescência, vida adulta. 

Não importa. Tudo ali se transformou, de súbito, numa egrégora atemporal, que me trouxe uma doce sensação de estar de volta ao pequeno lar dentro de mim. Observando atentamente minhas reações, senti ter gerado uma egrégora que está me acompanhando até o presente momento...

Ao chegar em casa, comecei a pensar na importância de elaborarmos nossa senda a partir da elaboração desse vórtice contínuo de energia e informação chamado egrégora, que nada mais é do que o caminho sagrado que será nossa própria lição de vida. 

O que realmente é relevante para se viver uma vida mágica? 

Afinal, são tantas receitas de "magicalidades" que ficamos à deriva quando não sabemos, ao certo, o caminho que estamos a percorrer. 

Lembrei-me de alguns grupos mágicos dos quais participo, quase todos com inúmeras postagens sobre dúvidas em relação a feitiços, rituais, deidades. Cada postagem espelhando uma dúvida bem pragmática, um desejo incontido, não importa. 

Ao final, o que percebo nesses anos todos de Arte mágica é o acesso pragmático a receitas sem, contudo, o aprofundamento necessário para se refletir sobre como efetivamente viver uma senda. 

Hangouts, lives, talk shows e cursos, geralmente on line

Livros, livros e livros. Apostilas e conversas ao pé do caldeirão. 

Tudo tão fácil e acessível!!!! 

Tão disponível FORA de nós, ao mesmo tempo em que revela muito sobre o que está dentro da gente: escolhas, medos, anseios e expectativas.

Em idos de pós-modernidade, acessar informações sobre magia não é mais artigo de luxo ou tabu: tudo está disponível na rede, bastando garimpar os locais onde procurar informações fidedignas.

Mas acessar informações, acionar dados, ritos, feitiços, rituais e deidades está longe de, solitariamente, trazer mágica em nossas vidas. A Arte é uma senda, ou seja, um caminho iniciático (quer seja em grupo ou individualmente) no qual imersão e reflexão são pressupostos da trajetória.

Não basta saber o que se faz com canela, alecrim ou arruda: é penetrar nos mistérios que a Natureza tão amorosamente compartilha conosco, a partir do significado que Ela mesma atribui a cada elemento, erva, artefato ou ingrediente.

Mais do que isso, é se render à formação de uma verdadeira egrégora, saindo, assim, do cotidiano de uma vida programada e robotizada, na qual a ligação com a Natureza e seus ciclos não mais ocupa espaço central. A vida mágica é vivenciada a cada lapso temporal contido entre o nascer e o pôr-do-sol, momentos de eternização da magia, da transformação energética e, sobretudo, da auto realização.

Quando internamente elaboramos esse pequeno-grande mundo, tudo em volta se ressignifica, na medida em que ambiente/observador passam a se harmonizar em uma só realidade. As fronteiras se dissipam para que tudo sibile em consonância com uma plenitude que ultrapassa qualquer limite.

Tudo passa a ser uma só frequência e, dentro dela e para além dela, podemos empreender aos atos verdadeiramente mágicos. Mas, para isso, a motivação interna, baseada na constância de uma vida plena, é o ponto de apoio: emoção, necessidade e conhecimento, os vetores de magia que sempre estão na lembrança. 

Quais os anseios de nossas almas? De que realmente precisamos? Qual o real significado de se adoecer, ter um acidente, perder ou ganhar um emprego ou, ainda, ganhar na loteria? 

Em um mundo regido por essas relações de implicação causal (à exceção, claro, da teoria e magia do caos), tudo promana de nossas próprias redes ocultas e internas, em simbiose com Gaia, nosso ambiente primordial. 

Criar a própria senda, a partir disso, consiste em vivenciar todos os dias a benignidade contida em um nascer do sol. 

É fazer um almoço em tom de devoção e agradecimento à Grande Terra nutriz em suas várias nomenclaturas (reverencio Dana, Danu, Ana, Anu, Eriu, Fodla, Banba, Badb, Madb, Morgana, Morrighan, Maeve, Cerridwen, Macha, Aine, Fand, Andraste, Brighid, Ategina, Deirdre e tantas outras deusas celtas que tão fortemente ligadas à terra e à Soberania são). 

É tomar o banho diário com a sensação de efetiva limpeza, amando-nos e nos enaltecendo como pequenas pérolas de divindade. 

É honrar a ancestralidade e as deidades que prepararam a terra para nós no aqui e no agora. 

É, enfim, ter sempre ínsita aquela sensação de se estar entre-mundos, aqui, na tridimensionalidade, bem como no além-matéria, nos confins dos sídhes e nas florestas onde cultuamos a Natureza em seus atributos essenciais.

Quando isso tudo é realizado, todo o resto passa a ser secundário: notícias de tragédias, guerras, política. Tudo passa a ser olhado em perspectiva, a partir de uma tomada de consciência incomum, que traz a brisa da CALMARIA.

Por isso que a Arte, a sagrada Arte, sempre representou para minha senda um continuum de languidez, calmaria e paz, ainda que estivesse sob as intempéries e sazonalidades da vida e de mim mesma. Quando tudo está oscilando, a senda iniciática nos ancora, lançando-nos fora desse vórtice de inconstância e turbação que a dissonância vibracional traz. 

Esse sentimento...livro algum irá ensinar. Hangout algum compartilhará. Live alguma trará para nosso peito, sabe por que? 

Porque se trata de experienciar, viver! Realizar, fazer! Ou, nas palavras ancestrais, saber, ousar, querer e calar, pilares de toda nossa vida nessa e em outras existências.

Trata-se de produzir uma centelha interna, faiscante e contínua, a partir da qual acionamos a egrégora, onde quer que possamos ir. Ela estará sempre conosco, acalentando-nos nos dias difusos , bem como reforçando a alegria interna nos dias de glória.

Eis o segredo essencial que não é muito compartilhado: somos nós o epicentro de nossa senda mágica, bem como o vetor da transformação do mundo. Basta que nos transformemos em fontes primevas de consciência pura expandida, que o Universo, os Multiversos se abrem para nossas escolhas e vontades.

So mote it be!

Blessed be!

Céad mille fáilte!



sábado, 7 de abril de 2018

Entre experimentos, experiências e experienciações: a senda mágica do viver






Acredito que viver uma senda mágica é, antes de qualquer tentativa de explicação racional ou teorização (que acabem virando livro ou hangout de autoajuda), uma experienciação. 

Não, não, não é uma experiência, mas experienciação: um profundo abismo separam essas percepções, muitas vezes vividas e compreendidas como sinônimas, o que traz confusões enormes no momento em que nos lançamos para interagir com o mundo e as pessoas. 

Uma experiência é algo que nos retira de nosso usual, um feito, rito ou experimento, baseado em uma rotina distinta, um teste que acarreta um binário: tentativa/erro. 

A experiência, portanto, reside na capacidade que temos de sair de nosso script de vida para abraçar uma nova realidade, ainda que momentânea, logo retornando para nossa zona de conforto, nossos hábitos e nossas rotinas mentais, emocionais e espirituais. 

Vamos, sorvemos e, a seguir, voltamos para nosso casulo perpétuo de imobilidade espiritual, deixando vidas e vidas se seguindo, sem que nossos dilemas sejam, enfim, encarados e geridos. 

A experienciação, ao contrário, consiste em um estado prolongado de um modus vivendi: saímos de nossa zona de conforto para abraçar uma nova vida, deixando para trás tudo que representou, até então, internamente, nossa forma de ver e sentir o mundo. 

Trata-se de uma ruptura, algo brusco e que rompe padrões internos, tornando impossível retornar ao que já se viveu, por se ABANDONAR internamente os padrões que estavam contidos nessa antiga vida que já se viveu...

Comprometemo-nos a olhar internamente, romper com nossos padrões, superar nossos medos mais abscônditos, pois, assim, podemos deixar o novo entrar, fazendo com o que seja arcaico e obsoleto dê espaço para novas percepções de vida. 

De vida...

Isso supõe prática, ação, envolvimento e compreensão de si mesmo: experiencia em ação, experienciação: eis o segredo! 

A senda torna-se mágica quando ousamos agir, no aqui e no agora, olhando para nós mesmas e nos superando, a partir de um profundo mergulho na alma.

A senda mágica, para alguns (muitos), a própria ideia de bruxaria, nada mais é do que a vivência imanente desse mergulho, sem que ofusquemos os elementos componentes de nossa psiquê (luz e sombra) em nome de uma necessidade transcendente de sufocar aspectos que não gostamos em nós mesmas.

Ao contrário, é se assumir em todos os pequenos cantos de nossa alma, ainda que sejam aqueles desconhecidos ou colocados embaixo do tapete. 

Eis a razão pela qual a senda é mágica: pressupõe coragem para olhar de frente em um grande espelho e conversar com ele, no firme propósito de olhar para esses cantinhos ali projetados e, com isso, crescer, amadurecer: viver!

Quando nos relacionamos, quer seja afetivamente, ou, ainda, em um clã ou coven, é necessário fazer essa nítida distinção entre tais dimensões de agir, para que não incorramos em uma confusão de propósitos de vida e, portanto, de ilusões, tanto projetadas no outro, como no grupo, formação uma egrégora de pura neurose.

Por isso sempre gostei de caminhar solitariamente na bruxaria...Nas vezes em que participei de grupos, logo advinha o despontar dessas projeções, reciprocamente consideradas, fazendo vir à tona, no grupo, as desavenças, o desgaste e a ruptura. 

Na senda afetiva, da mesma forma: reciprocidade projetiva, umas em medidas mais explícitas, outras em questões ainda opacas para a consciência. Pouco a pouco, vamos descobrindo que lidar com os outros é, em muita medida, lidar com a profundidade de nossas próprias almas. 

Agora, mais amadurecida pela senda de experienciação, tenho, a cada experiência (sim, a de ir e vir), descoberto o quão valiosa é minha experienciação (a languidez do estado de constância na alma que está numa senda). 

Isso porque a interação traz à luz os resquícios que precisam ser clarificados, os aspectos de sombras a integrar. Quando isso acontece, podemos prosseguir ou simplesmente olhar, agradecer e seguir o fluxo, retomando a experienciação. Ou, então, prosseguir na ilusão de achar que estamos crescendo apenas evitando o olhar para dentro de nós. 

Ledo engano, pois, como um pedalar eterno, andamos, andamos, mas não saímos do lugar. Podemos olhar para belas paisagens, tirar maravilhosas fotos, mas sempre estaremos a pedalar rumo a nós mesmos, sem, contudo chegar ao cerne, ao bulbo do que realmente precisamos encarar em nossas vidas. 

O caminho na bruxaria solitária é essa senda mágica de experienciação: é um ethos de vida, ou, melhor dizendo, um próprio modo de ser, estar, viver. 

Não se trata de fazer poções, ritos, mas de se unir ao sagrado eterno da Natureza, sentindo cada um dos elementos, bem como o registro eterno da ancestralidade a reforçar essa egrégora de plenitude. 

Assim, contemplar a lua, celebrar estações, ritos sazonais e se conectar é estar nesse fluxo, e não apenas acioná-lo quando conveniente, quer seja para acrescentar conhecimento, sabedoria, grandiosidade ou poder. 

Muitas pessoas de boa-fé se perdem ao longo do caminho, quando tentam, com sofreguidão, sair de um estado de alma de pura ignorância e desconhecimento de si, para transcender e negar suas mazelas, sem saber que estão negando sua totalidade.

Já ouvi muita conversas de "ego", muita gente acreditando realmente que sua alma é "de luz", que "campo mórfico" de encarnação é ilusão e outras tantas banalidades, repetidas, contudo, com tamanho despreparo e desconhecimento do mergulho em si que, de fato, acabam criando para si um personagem que, ao menor aperto de botão - geralmente na convivência - deixam extravasar esse "pior" que reside dentro delas. 

Aliás, não é o "pior", é apenas a sombra não aceita porque formulada uma máscara de beneplácito e benevolência. Puro discurso, ao final, que aloja a pessoa para bem distante de uma senda contínua e, portanto, da experienciação.

Vivem, assim, experiências. Relacionam-se na experiência, uma espécie de test drive do viver: se colar, colou. Dando "errado", a desculpa (ex + culpa, ou seja, a retirada da culpa interna) se dá pelo script de "foi uma experiência, um aprendizado" e, logo a seguir, incidem na mesma...experiência!!!!

Eis a distinção, ao final, no caminho mágico, entre experimentar e experienciar: a possibilidade de verdadeira mudança no mais abissal ponto de nossas almas!

Por fim, gosto de compartilhar sempre uma lembrança do saudoso Scott Cunningham, autor renomado na wicca, que nos deixou cedo, não sem, antes, registrar o que, para ele, é uma senda mágica. Tenho-o registrado em uma louça em cima do fogão, ali em minha cozinha, para sempre olhar e contemplar. Mas, acima de tudo, para viver:


"Conheça a si
Conheça sua Arte
Aprenda
Aplique seus conhecimentos com sabedoria
Atinja o equilíbrio
Mantenha suas palavras em boa ordem
Mantenha seus pensamentos em boa ordem
Celebre a vida
Sintonize-se com os ciclos da Terra
Respire e alimente-se corretamente
Exercite corpo e mente
Honre a Deusa e o Deus"

Céad mille fáilte!!!