domingo, 12 de agosto de 2018


ENTREGO
CONFIO
ACEITO
AGRADEÇO!!!

A indescritível leveza do estar...

Quem está acostumado a assistir aos filmes românticos mainstream - sejam os oficiais hollywoodianos, ou, ainda, os que se apresentam como alternativos "alla Diablo Cody" ou outra que o valha - sempre se deparam com algum tipo de cena de casamento, onde os enamorados, entusiastas do amor, trocam juras e proferem a frase emblemática "até que a morte nos separe".

Trata-se de uma significação que nos traz à lembrança a reflexão: o que, exatamente, significa isso? 

Significa estar ao lado, fisicamente, até o momento em que um desencarna? Um contrato de almas, escrito no livro das estrelas? Uma fatura a nos lançar, vidas e vidas, num trampolim de compromissos eternos com alguém?

Ou seria uma linguagem figurada a espelhar o fim do relacionamento em si mesmo? O fim de um ciclo, talvez?

Isso se aplica à toda sorte de relacionamentos? 

Não sabemos se existe uma resposta de valor universal, e, em meio ao desconhecimento, uma míriade de interpretações se lançam no ar. 

Gostaria de explorar uma delas, a que melhor expressa a sensação que ultimamente tem sido uma constante em minha vida, a constância da impermanência, o paradoxo que sempre está a nos desafiar.

Primeiro, que tipo de relacionamento está sujeito a esse recall?

Acredito serem todos, desde a mais branda interação entre colegas de trabalho, passando por amizades de longa data, relações de parentesco e relacionamentos em geral. 

Afinal, tudo está sujeito à impermanência, ao movimento, à consolidação e, sobretudo, à superação de si, sem que necessariamente seja um dramático fim.

Transformação... trans + forma + ação, a nova forma que a ação toma.

Como tudo que rege os Universos, relacionamentos se transformam, sobretudo, quando NOS transformamos. 

Não no sentido melodramático de avaliar ou julgar o outro e, na comparação, justificar o fim na conta da desqualificação do outro, mas de nos compreendermos de tal sorte que, a partir disso, simplesmente seguimos outros caminhos, sem dor, sem latência de mágoa ou frustração.

Talvez com o remanescente de uma sensação de "poderia ter sido se não fosse", mas nada que não seja facilmente compreendido como uma tentativa do ego em se apegar ao que toma como certo sentido de identidade e segurança no passado. 

Quando nos damos conta desse peguinha do ego, tudo fica bem mais clarificado e, a partir daí, podemos seguir em frente para novas aventuras, novos contextos e novos rumos. 

Tudo dentro do fluxo!

Minhas primeiras experiências de seguir em frente estão sendo mais profundas com meus círculos mais próximos de amizades. 

Melhor dizendo: com minhas expectativas ilusoriamente elaboradas em relação aos meus círculos mais próximos de amizade

Melhor dizendo, ainda mais: com a desconstrução do que EU inventei como sendo um modelo de amizade, considerando meus amigos como se projeções do meu ego fossem.

Daí, obviamente, a cobrança interna projetada na cobrança da alteridade. A sensação de que o outro, meus amigos e amigas, não me compreendem, entendem, não lidam direito comigo etc. 

Os três últimos meses de imersão profunda nos rincões da minha alma têm me trazido a consciência a respeito dessas criações de mundo: do meu pequeno grande mundo, para o qual procuro trazer as pessoas que amo. 

Uma redoma de Alê, na qual todos protagonizam parcelas egoicas fulgurantes, uma espécie de Game of Thrones em relação ao qual, ao final, o ego se perde, tamanha a confusão em termos de identidade e expectativas. 

Descobri, em meio a isso, que simplesmente tudo passa, amigos, parentes, namorados, amores platônicos, colegas, pessoas, seres, sensações.

Tudo está sempre passando no fluxo dessa impermanência...

Quando tentamos dar o "freeze" da câmera fotográfica, ilusoriamente retemos uma pequena parte disso tudo e, se não nos acautelarmos, vivemos pálidas sensações estagnadas no passado, no contra fluxo desse viver exponencial. 

Somos, assim, tomados pela angústia, que nada mais é do que a retenção do passado, na medida de saudosismo e nostalgia que passam a nos assombrar no aqui e no agora, dada a dissintonia entre o que estamos a experienciar no HOJE e a carga emocional trazida do PASSADO

Lembro-me de um sonho em que estava sentada numa pedra no topo de um penhasco, observando o fluxo de estrelas cadentes que estavam simplesmente passando muito rápido, como se fossem água num caudaloso rio em correnteza. 

Esse sonho me impactou e hoje, 20 anos depois, consigo entender o que isso realmente representa: o fluxo da vida, de uma vida, da energia que emana da consciência e que nos leva a vários rumos, várias vidas, várias formas, várias experiências e a vários protagonismos. 

Como lidar com eles? 

Sendo grata pelo desvendar desses gatilhos egoicos, bem como pela sabedoria escondida em cada pequena parcela de experiência que vem, chega, traz o ensinamento e simplesmente se vai. 

Esvai...

O que fica?

Lembranças, saudade? Não, pois isso também é o holograma atemporal lançado pelo ego para tentar sustentar a ideia de individualidade.

Fica o (...)

O que é (...)? É a tentativa de escrever o que não encontra palavras, teclas e linhas nas quais possa se estruturar. 

Trata-se de uma sensação leve, sopro de brisa que acolhe e me remete ao penhasco do qual observava as estrelas em perspectiva... tal qual percebo, ultimamente, a vida, nos contornos que minha consciência entrelaçada ao coração me encaminha, assim, de maneira lânguida, rumo de encontro ao desconhecido!










quarta-feira, 18 de julho de 2018

Da areia para a Terra: sustentabilidade e economia no cuidado com os gatíneos

Hoje a conversa é sobre os queridos gatíneos e suas demandas especiais , ou seja, como lidar com as fezes e a urina e, ainda assim, contribuir para a sustentabilidade, limpeza e preservação ambiental.

Segundo dados de revistas especializadas (o que me faz ter receio, pois desconfio - e muito! - do paradigma informativo atual), o comércio faturou R$18,9 bilhões de reais em 2016 (fonte: Fecomércio), mesmo diante do desaquecimento de outros setores da economia brasileira.

Afinal, são quase 50 milhões de catiorros e 22 milhões de gatíneos, segundo dados oficiais do IBGE, que não contabilizou os seres em trânsito, ou seja, que estão aguardando a adoção. Ou, ainda, os seres abandonados ou que nasceram na rua e lá se encontram. 

Independentemente do número específico da população de seres catiorros e gatíneos, a preocupação com o bem estar, bem como a sustentabilidade do planeta estão na pauta de uma verdadeira mudança de paradigma por parte dos que convivem com esses seres. 

De início, quando comecei a acolher gatos de rua, fiz algumas leituras a respeito da higienização das fezes e da urina e, claro, fui logo parar nas famosas "caixas de areia". As mais distintas composições: sílica, argila, mandioca, dolomita, independentemente da composição, fui testando o que representava um custo-benefício adequado ao orçamento. 

Em média - considerando o alto custo de vida aqui em Brasília - cheguei a investir R$ 648,00 para a manutenção mensal das caixas para 28 gatos. Considerável valor, pensando, ainda, na forma como especificamente o mercado pet é direcionado para o consumo, ou consumismo, se pensarmos nas "vantagens" apresentadas pelos proprietários de pet e pela indústria para que compremos sempre mais e mais.

Daí cheguei a fazer uma experiência que deu muito certo, mesmo na contramão do paradigma especista dominante, que busca refutar tudo que não é considerado saudável e "bom" para os bichanos (segundo, claro, a versão oficial). Na outra casa, experimentei o uso de serragem como substitutivo da areia. 

Fiz algumas pesquisas e busquei me informar melhor com profissionais e, claro, as opiniões se dividiram.

Uns acharam extremamente saudável e positiva a substituição, enquanto outros - geralmente os veterinários e empresários pet no paradigma dominante de consumo e dualismo na ciência - entenderam existir uma série de problemas (perigo de intoxicação, alergia etc.).

Lembrei-me dos tempos em que vivia em uma estância no Sul do país e, lá, observava o uso da serragem, sem que existissem quaisquer efeitos colaterais para os seres (gatos, ovelhas e vaquinhas).

Decidi, então, experimentar. 

De início, peguei serragem gratuita em uma madeireira próxima ao local em que residia, estocando em casa o material e o utilizando segundo as necessidades mensais. Misturava a serragem mais fina com a grossa, para que os torrões pudessem ficar adequados para o recolhimento. 
Logo na primeira utilização já observei os efeitos: menos cheiro, menos volume e menos peso. A serragem, por ser mais leve, aglutinava os torrões sem que isso representasse um peso na hora do descarte. O aroma amadeirado também foi o diferencial nesse procedimento, uma vez que a urina passou a ser contida na serragem, não eliminando o cheiro ácido de amônia. 

Fui modificando, então, o hábito, observando, por outro lado, se algum gatíneo reagiria negativamente ao uso da serragem.

Sem efeitos danosos.

Aprovado! Desde então, o uso da serragem tem sido bem vindo em nosso lar.

Mudei-me há pouco tempo para um espaço maior e com arejamento. Com isso, logo busquei locais onde pudesse captar a serragem. Ganhei em termos de espaço, pois no caminho - na estrada mesmo da minha casa para a cidade - existe uma madeireira que estoca, armazena e até recicla os sacos para a serragem.

No caso eles cobram um valor bem simbólico por saco, mas, daí, ficam elas por elas em relação ao antigo fornecedor, uma vez que o deslocamento para ir até a cidade vizinha representava um gasto maior do que o valor que pago hoje no saco. 

Aliás, sai até mais em conta, pois poupo no diesel, no saco (saco é deles, aqueles de farinha, resistentes) e no tempo de deslocamento até o local. 

Os gatíneos seguem felizes, creio, e eu, realizada por contribuir um pouco com essa alegria, além, é claro, de igualmente estar feliz por conta dessas superações. 


sábado, 14 de julho de 2018

Ciclar e reciclar: dentro e fora, a oxigenação da ALMA!

Com a mudança, havia deixado lacrado o tonel de compostagem. A última "atualização" foi em fevereiro, ocasião em que o processo de "produção" estava em seu ápice, com um fluxo diário lá no teto... Havia armazenado muita matéria orgânica até então, enchendo o tonel até a tampa.

Depois, deixei "curtindo" e, semana passada, quando me mudei, decidi abrir para ver como estava a compostagem. Isso porque havia desmontado a horta anterior para refazê-la aqui no ambiente novo.

Qual não foi a surpresa que...


Ao abrir a tampa aí ao lado, fique super feliz, pois oque era uma tonelada de matéria orgânica fresca até a tampa, deu uma assentada, como podem observar na foto, chegando a ocupar 1/4 do volume do recipiente.

Daí fui tentar ver se havia minhocas e igualmente surpresa fiquei, pois elas estavam lá, lindinhas, trabalhando arduamente na oxigenação do húmus.

Terra bem escura, perfumada, com notas acidificadas, muito fecunda mesmo, como haveria de ser. 

O mais interessante foi que o processo não contou com intervenção humana (no caso, minha), porque, como disse, havia meio que "abandonado" o tonel, diante do passar do tempo desde as últimas atualizações de material orgânico. 

Isso mostra o quão providencialmente soberana é a atividade da Natureza, mesmo em processos que se iniciam com alguma espécie de impulso humano. Apenas algumas folhas, essas que estão mais à direita na foto abaixo, ainda em decomposição, mas, de resto, um adubão só.

A prova dos nove foi o plantio, em que tudo correu bem, já que transplantei ervas que estavam sujeitas a outras condições climáticas (o espaço anterior era mais úmido e com menos luz) e, com a adubação, correu tudo bem, pois elas se adaptaram bem ao novo solo, bem como à terra enriquecida com húmus puro e novinho.

Daí, a partir do sucesso dessa empreitada inusitada, reconsiderei aqui a compostagem interna, pois, antes, utilizava um recipiente para matéria orgânica, mas alternava com dejetos não recicláveis. 

Com isso, aproveitei um vasilhame estacionado no mundo da imaginação "plástica" e o destinei especificamente para começar o processo, porque, tendo uma tampa mais lacrada, o processo de decomposição é mais eficiente, como observei por meio da exsudação que deixava a parte interna da tampa mais umedecida. 

A foto aí ao lado mostra bem isso. Vou depositando a matéria orgânica de acordo com minha demanda aqui e, quando o depósito está bem cheio e compactado, migro para o tonel azul lá fora, que fica ao abrigo da luz direta e do calor do Sol (que pode matar as minhocas).

Achei isso bem mais eficiente destinar esse pote - que não tinha muita utilização mesmo - para começar a cadeia produtiva da matéria orgânica...

E já que estamos falando de cadeia orgânica, reciclagem e compostagem, por que não observar isso como um processo interno? 

Tal qual uma compostagem, alojamos, dentro de nós, substratos orgânicos (afinal, somos carbono puro em composição, junto com água), que se alojam, depositam, decompõem e fazem nascer e brotar a plenitude da vida.

Assim como deixei o tonel azul em stand by e me surpreendi ao encontrá-lo com matéria orgânica vital, igualmente assim fiz em relação aos meus processos internos mais profundos: o vital potencialmente alocado, em hibernação nos meus tonéis internos emocionais.

Foram acumulando, acumulando, crescendo, crescendo e, uma hora, vieram à tona mudanças significativas em minha vida. Ou seja, contrariando a saga do "quartinho de despejo" (para onde alojamos o que não é vital e orgânico), essa "compostagem" faz surgir o novo, a transformação para abrigar novos plantios.

Um compartimento menor aqui, um tonel acolá: assim bem é o emocional, que se aparta nessas pequenas e grandes caixas a recolher nossa vitalidade para o renascimento adubado!

Com tal revitalização a vida vem e vai, ao balanço de nossas sendas que se cumprem, ao final, nesse bailado impermanente do simples fluxo da existência, onde tudo é orgânico, vital e renascido!

Viva a reciclagem!



A impermanência e a cocriação: a importância do autoconhecimento como fonte de imanência

Um dos grandes temas que tem atraído a atenção de quem mergulha na senda do autoconhecimento e da espiritualidade consiste na ideia de cocriação: somos simplesmente "criaturas" cujas almas vieram a lume com o sopro da deidade ou, ainda, somos a própria divindade e cocriadores de nossos destinos?

Ou, no caso do sincretismo brasileiro, "somos tudo-ao-mesmo-tempo-agora"? 

A ideia de criação é tradicional e sedutora aos olhos da ocidentalidade dividida nos três grandes troncos religiosos (judaísmo, cristianismo e islamismo), pois, afinal, ela nos aloja para o abraço protetor de uma entidade, egrégora ou vibração universal, que se encontra em um mundo invisível, desconhecido à tridimensionalidade. 

Um trono do qual promana a energia de proteção, bem como a centelha de vida da qual supostamente viria toda a vida nessa Terra (bem como em outros planetas e universos). A partir do Ente criador tudo seria, então, plasmado em nível de Universo, inclusive nosso destino a Ele atrelado por derivação. 

Em nível energético, a Fonte, nesse paradigma, é o epicentro de vontade e de criação, sendo nossa própria existência um ato de vontade dessa Razão Última, que nos investe da possibilidade de realizar um pouco da parcela de criação, em face do livre arbítrio (bem simplificada a ideia aqui, mas creio que o bastante para fazermos algumas diferenciações posteriores) e cujo extrapolamento leva a outro tabu: a culpa, velha conhecida de todos e todas nós (ainda que repliquemos, para todos os lados, que devemos superá-la).

Por outro lado, a cocriação - assunto bastante em voga nas últimas duas, três décadas de esoterismo no Ocidente, cujo conteúdo, contudo, é bem mais anterior a essa datação no Oriente - retira o cunho antropomórfico, patriarcal e paternalista, lançando-nos para a autossuficiência e responsabilidade, de modo a deslocar o eixo criador de um ponto para uma rede de consciência vívida, integrada e compartilhada, não-local e fora da experiência corpórea. 

Nela, a vontade ou o ato de vontade atrela-se a uma consciência que está presente em todos os rincões dos Universos e Multiversos, tendo em vista o reconhecimento do estado consciencial em tudo, uma espécie de éter de consciência, reproduzida em nível macro e micro. É, portanto, a consciência a "matéria-prima" dos universos e de tudo que está presente...

Para acessá-la conceitualmente, precisamos sair do realismo dualista - típico da ciência e da religiosidade tradicionais (duais e incompatíveis) - para penetrar no conceito de monismo idealista, no qual matéria, ideia e consciência são elementos básicos da REALIDADE (ou seja, a realidade não é apenas a matriz tridimensional, mas a coexistência, ao mesmo tempo agora, de todas as dimensionalidades). 

E como isso se dá? 

Muitas explicações nas últimas décadas, algumas das quais, desejosas de introduzir, a todo custo, a Física Quântica na equação, pecam pela deturpação dos conceitos, uma espécie de "sopas de letrinhas" esotérica e perniciosa, pois, no jogo do "tudo pode" (ou vale tudo), abre-se espaço para toda sorte de manipulação - inclusive a hiperdimensional, essa que está agora sendo relacionada aos reptilianos, alienígenas, agências secretas ou, ainda, a entidades malignas.

A maior contribuição da Física Quântica, contudo, nunca foi ou é dizer que "tudo é energia", pois, aliás, isso é a negação de um dos conceitos-chave da quântica: a natureza DUAL do elétron, que ora se comporta como partícula, ora se apresenta como onda (matéria E energia). 

Considerando o elétron como um integrado partícula-onda potencialmente apta a encerrar informação, dado e, portanto, consciência, daí, sim, faz sentido se falar que o preceito primordial do Universo é energia. Aqui reside a grande inversão que a Mecânica Quântica faz no paradigma clássico de ciência realista dualista: é a consciência que plasma a matéria

Ou seja, "estar" matéria é uma probabilidade energética, não a única. E, dentro da ideia de matéria, com uma ressalva: a tridimensionalidade também é uma possibilidade dentro da matéria, mas não a única, já que não conseguimos "ver" o elétron, mas, a partir de experiências de colisão de partículas, conseguimos equacionar sua trajetória e, portanto, perceber sua infinitesimal massa inercial.

A partir disso faz sentido se falar em cocriação, pois saímos de uma entidade criadora (a ideia de Deus máquina, detentor da fagulha inicial e da energia potencial), para a fagulha creacionista numa rede ou malha de consciência espargida como energia que se projeta em matéria "porque também é/não é matéria". 

Daí a cocriação, a habilidade de gerar, em nível de consciência, enquanto ser tridimensional também (porém não apenas), opções de manifestação (os chamados colapsos quânticos).

Para tanto, essa parcela monádica (ou seja, nós enquanto percepção de individualidade) precisa estar em sintonia com a energia-fonte que está em rede, entrando nesse fluxo e, com ele, colapsando as potencialidades de realização.

Mas, para que isso realmente atinja um propósito maior (que não seja plasmar ou colapsar um carro, um iate, uma emprego, bitcoins, uma esposa/esposo ou outro que o valha: assuntos e bens de somenos importância no mundo do engrandecimento espiritual), é necessário mergulhar nas profundezas de nossa alma, numa imersão no autoconhecimento, para que essa tarefa não seja apenas uma ética de auto ajuda ou de mera prática de acesso à prosperidade material que replique, nos planos múltiplos de pluri existências, um padrão ou modelo de comportamento. 

O contato com nossa sombra - o que jaz nas profundezas do que não está clarificado em nossa pineal - é imprescindível para que possamos superar as limitações que ainda nos atrelam à repetição, em nível de dimensões (alguns chamam de existências, encarnações, prisão-Matrix, não importa), de uma mesma sequência de comportamento replicado ad infinitum.

Assim, para colapsar probabilidades, a necessidade da alma em decodificar esses processos repetitivos e superar a replicância é procedimento imprescindível. 

Simplificando: para transcender e ascender precisamos nos conhecer, o que somente é possível quando se opera nesse mergulho legítimo e sincero na profundeza do que não desejamos enxergar na superfície das múltiplas cascas de cebola. 

Com isso, muito pouco adiantam a mera repetição mântrica, a entonação de decretos, rituais, orações etc., pois, se, de um lado, acende-se a fagulha da fé e da catarse, por outro, em nível subatômico, trata-se de um paliativo para a alma, que irá se contentar, no plano da matéria, com a graça ou o beneplácito obtidos. 

Isso apenas repete o padrão de comportamento, a matrix de nossa identidade monádica, levando-nos a sempre agir da mesma forma, em qualquer espaço-tempo-dimensional. Essa configuração, para alguns, constitui a cela-matrix de condicionamento para a qual boa parte da dogmática religiosa contribui com a noção uni-creacionista, antropomórfica, monoteísta e paternalista. 

Ou seja, nesse modelo, o enfrentamento das mazelas é algo que está fora de nós, por beneplácito de nossas ações (lei da ação e reação), e não segundo uma reconfiguração de nós mesmos, a partir da descoberta das limitações encobertas pela sombra não encarada.

Quando nos tornamos responsáveis pela compreensão de nossas sombras, daí, sim, possível é se falar em cocriação completa e integrada ao Todo (Cosmos), pois a linha limítrofe entre o eu e o todo se rompe, de modo a fazermos parte do fluxo de criação.

Simples assim...

Sejamos cocriadores e cocriadoras, sim, com o enfrentamento diário no espelho de nossas almas, que tudo reflete!

Céad mille fáilte!

domingo, 17 de junho de 2018

Vendo, revendo e vivendo: a intuição e os processos psíquicos na senda mágica da superação!!

Existe uma inteligência sagaz e divina, que sempre está a nos acompanhar: algumas mulheres chamam de egrégoras, colapsos quânticos, almas, anjos de guarda, intuição, a depender do paradigma espiritualista ou religioso a que se filia.

Não importa o nome, apenas vem uma sensação forte, ora latejando, ora arrebatadora, um verdadeiro "tranco", a nos dizer "não vá por aí", "isso vai acontecer" ou, ainda, "vá por aqui ou acolá". 

Qualquer que seja o aviso, símbolo ou sinal, é algo forte e avassalador tal sentimento, de modo que ir ou lutar contra é simplesmente nocautear a alma e aguardar, mais à frente, um desfecho nada agradável. 

Em tenra idade, costumamos não seguir, achando se tratar de sabotagem, falsa informação, anunakis manipulando, enfim. Mas, na medida em que o tempo passa e ficamos mais experientes, costumamos parar e olhar o céu, observando e sentindo, respirando e percebendo a necessidade de ouvir essa voz, bem forte, que, ao final, é o som da mais pura intuição.

É o som do Sagrado Feminino, a voz da intuição pura que nos conecta à fonte primordial, uma espécie de antena a captar ondas, som, frequência. Ela não erra nunca, pois, ao final, há um fluxo inteligente, que vai se desenrolando e seguindo, fazendo com que tudo à nossa volta magicamente se encaixe e dê certo. 

Enquanto mulheres, a tal "construção histórica de gênero" nos favoreceu um pouco, pois, a despeito das perseguições e atrocidades (inescusáveis), atribui-nos um espaço tido como privado e escondido, mas, que, no fundo, reservou-nos a magnitude da sabedoria, conhecimento e poder. 

Negar esse lugar é negar o próprio poder pessoal, intrínseco ao Feminino, e quando percebi isso, reavaliei algumas posições ortodoxas que, num esforço de ajuste "racional" ao politicamente correto, acabavam me afastando do caminho sagrado.

Hoje, mais consciente, olho até mesmo para as postagens antigas do blog e percebo que a senda mágica sempre encontra uma forma de me devolver ao caminho de aprendizado e de poder.

Não um poder androcêntrico, exclusivista, competitivo e beligerante por essência, mas um poder circularizado, que não constrói o mundo em hierarquias e subalternidades. 

Antes, enxerga cada elemento e ser como um pedaço vital da grande teia da vida e da Deusa. Quando nos permitimos - homens ou mulheres - à esta conexão, passamos a brindar na taça da criação, adentrando o líquido premonitório e passando a perceber o devir antes mesmo de ele chegar a se plasmar no mundo.

O caminho, para tanto, passa o silêncio, a meditação, bem como a abertura de vórtices sensíveis, como a glândula pineal, também conhecida como o centro da terceira visão, ou terceiro olho. 

Do tamanho de uma ervilha, ela nos mostra mundos e horizontes não acessíveis pelos olhos físicos. E, para tanto, precisa ser descondicionada, descalcificada, voltar à ativa, já que a vida moderna, bem como a desconexão em relação ao Sagrado, à Natureza e à intuição, podem fazer com que ela se petrifique. 

Mas, uma vez libertada do aprisionamento que o véu da ignorância e da mente, ela nos abriga em sua proteção e descortina um céu de possibilidades, bastando que tenhamos sensibilidade para perceber isso e nos deixar conduzir por este fluxo de pura mágica.

Esse ano a herança intuitiva veio de uma forma muito interessante, quase um estrondo de um terremoto, avisando-me para não seguir determinado caminho. Junto a ela, a advertência materna, de igual forma imbricada por tal poder: minha mãe, diante de uma pessoa que me era próxima, advertiu-me sobre algo que sequer ela sabia muito bem o que era, mas que inspirava cuidados. 

Diferentemente de outras vezes em que negava o aviso ancestral, tratei de me conectar e polir minhas antenas, silenciando, lendo minha runas. Mas, no fundo, aquela pontada de desconfiança desse poder feminino da intuição fez com que me lançasse rumo a uma situação bem desafiadora. 

O mais interessante foi que, ao ler as runas para a figura, saíram jogos que apenas confirmavam o que internamente já era do conhecimento: perigo, desgaste energético, finalização. Ali, contudo, percebi que se tratava de algo a ser resolvido no plano desta existência, para deixar o fluxo da vida, enfim, seguir.

Foi bem interessante essa experiência, pois, no auge de um momento em que me sentia plena em meus poderes psíquicos, decidi afrontar meu sagrado feminino para me lançar na prospecção em uma saga que, ao final, volta-se para mim, entrando em um vórtice especular que, ao final, trouxe-me grandes lições.

Não se trata tanto de avaliar o outro em suas limitações, mas, antes, em ME perceber nas minhas. Se antes passava boa parte do tempo pensando, sentindo e escrevendo sobre os déficits e as limitações do masculino na alteridade, desta vez, naturalmente, voltei o foco para minhas demandas. 

Ponderei em uma situação aparentemente chata, mais parecida com uma fuga e, a partir dela, olhar para minha proposta de vida, bem como onde, desavisadamente (ou não), saí de mim para me embrenhar em um relacionamento atávico que simplesmente atraí.

Aliás, com ele aprendi que, ao contrário de me ver como alguém estática que simplesmente é "atacada" pelo masculino misógino, percebi, enfim, que os relacionamentos tóxicos e atávicos, são, em verdade, espelhos de nossas limitações, bem como dos medos mais ocultos, aqueles que encobrimos e escondemos até mesmo de nós. 

Encontramos no outro o somatório de nossas sombras, que sibilam, em termos de frequência, atraindo aquilo que, embora repelido, é elemento central de nossos padrões inconscientes.

Fazendo um retrospectivo disso em minha vida, avaliei meu maior dilema: a cobrança interna, a demanda ou jornada rumo à constituição de um lar ou família que espelhasse o mundo mágico e devocional no qual fui sociabilizada. 

Talvez por conta da desestruturação e negação secular do poder do Feminino, quem sabe, somos impelidas, mulheres de poder, a nos relacionar com a primeira pessoa a aparentar um sólido estereótipo de potencial elemento familiar que foge ao que se vê na superfície como modelo de masculino atávico, androcêntrico, misógino e machista.

Mas, saindo da superfície em que uns cozinham, fazem nhoques de banana-da-terra, acordam felizes, limpam o quintal, fazem serviços domésticos e são prendados, ou seja, o que realmente enxergamos em nós mesmas, vem o resíduo das lições que precisamos enfrentar, sobretudo em um momento histórico ímpar, no qual nós, mulheres, não dependemos mais de ninguém financeiramente. 

Baluartes de um mundo novo, de comunicação e solidariedade entre sexos, o chamado "resíduo de masculino atávico" é a projeção de nosso medo interno em, sendo empoderada, ficarmos sozinhas em face de nossa auto suficiência e, com isso, passamos a fazer concessões em nossa lista seletiva, tendo como resultado o encobrimento do outro e a auto ilusão. 

Percebi isso tão logo as palavras-chave "trabalho" e "responsabilidade" passaram a incomodar o masculino travestido no discurso do desapego, o bastante para trazer o desconforto e, ao final, a libertação já prevista lá atrás, tanto pelo clã mágico (minha mãe e avó), quanto por mim.

Anteontem, depois de três meses, tive um sonho em que a pessoa se comunicava comigo e, diante disso, desse canal aberto, fiquei a esperar a notícia que se avizinhava, materializada em uma mensagem. Olhei para aquele sinal e percebi que a lição estava, mais uma vez, apresentando-se para mim.

A boa e velha lição que sempre nos remete à pergunta: por que o pescoço não dá voltas de 360 graus? Ele se volta um pouco para trás, o bastante para olharmos os caminhos seguidos e, diante deles, voltarmos a atenção para a frente. Ou seja, não existe retorno para o passado, qualquer que seja a razão. 

Um fim, uma discussão, términos. O que passa, passa, como o fluxo de um rio que nos banha: o rio e eu, não mais somos os mesmos diante desse devir constante na vida que se projeta em tantas experiências. 

O que fazemos, então? Aproveitamos ao máximo as lições tiradas de cada experiência de vida, seja ela inicialmente agradável ou desagradável para nós. Existe uma sabedoria incomum que nos guia a ponderar, depois, o significado de tudo e, com ele, seguir para outros momentos, ao lado de outras pessoas. 

Sem olhar para trás...com gratidão ao Universo e o coração focado no que podemos fazer com para acessar o ensinamento oculto em cada lição de vida. 

Com isso inexiste saudade, arrependimento ou frustração. Apenas gratitude e uma benignidade que traz leveza à alma e nos alimenta a passar adiante a ideia, para que mais e mais pessoas possam seguir adiante e mergulhar nas lições valiosas que o autoconhecimento traz. 


domingo, 20 de maio de 2018

Monoculturas: do solo para sua mesa, o perigo está na sobremesa!


Revisitando um livro muito interessante sobre monoculturas, escrito por Vandana Shiva, ativista e física indiana, achei o momento propício para algumas reflexões sobre o cotidiano de nossas atitudes, sobretudo as relacionadas ao Meio Ambiente e à forma pela qual estamos a passear pelo mundo.

Não tenho o propósito de fazer proselitismo aqui, até porque ainda tenho muito a desenvolver no sentido de respeitar mais a Natureza, mas, diante de um cenário de total indiferença ao impacto que o humano trouxe ao Planeta Terra, creio que toda e qualquer atitude de conscientização um grande passo para modificação do comportamento, da atitude e do pensamento. 

Bom, quanto ao admirável "mundo novo", quero falar sobre as monoculturas e como estamos tão próximos ao que elas produzem de mais nefasto em nossa vida em sociedade. 

As monoculturas são um sistema de exploração do solo para uma destinação, substituindo-se a cobertura vegetal originária por uma espécie apenas (uma + cultura).

No Brasil, a tradição da monocultura se deve ao período colonial, o que faz com que tenhamos sempre em mente o aspecto predatório que está sempre relacionado ao cultivo exclusivista. 

Cana, milho e soja, três grandes monoculturas, destinadas, quase sempre, ao insumo para alimentação do gado, outra atividade mononuclear. No caso, em especial, da soja, a maior parte (estou sendo otimista) das sementes é transgênica (GMO, ou genetically modified organism), o que significa dizer que são alteradas geneticamente, sem que, com isso, saibamos, ao certo, as consequências da adulteração. Isso quer dizer menor controle quanto aos resultados e impactos, tanto em relação ao meio ambiente, quanto em relação ao nosso consumo. 

Para que as monoculturas vinguem, por sua vez, torna-se necessária mecanização (o que traz a importação de maquinário e o envio de divisas para os locais de origem dos artefatos), bem como a inoculação de agrotóxicos e venenos, pois, em larga escala, o espargimento de doenças pode comprometer a produção, acarretando perdas. 

No que diz respeito ao impacto disso em nosso organismo, muitas pesquisas sugerem que a disseminação de doenças degenerativas e do câncer (doença latente), está relacionada com o acúmulo de elementos químicos não elimináveis do nosso corpo (mercúrio, por exemplo), que fazem parte do cardápio do agrotóxicos. 

No caso das grandes atividades agropecuárias, além de avançarem em setores de florestas e matas, danificando o ecossistema ali existente, utilizam, de igual sorte, antibióticos e hormônios em larga escala, uma vez que é uma atividade macro, com potenciais perdas. 

Efeitos nefastos para nosso organismo? 

Vários, a começar pela ingestão de carne, que já é altamente contaminada pela própria putrefação. 

Para torná-la mais ou menos saborosa, maior ou menor insumo no capim a ser ingerido pelo gado, bem como confinamento que traz dor e sofrimento, transmitido para os músculos e demais partes do animal. 

Isso, sem desconsiderar o momento da morte, que vai desde choque até pancada na cabeça: tudo isso absorvido pelo nosso organismo, enquanto estamos ALIENADOS do processo, pois entramos no supermercado, que toca músicas que mexem com nossa frequência, tornando-nos mansificados para consumir tudo que está pela frente. 

Isso sem deixar de mencionar a mecanização, que se transforma em robotização, reduzindo lucros, mas também alijando os agricultores locais. Ou seja, ou se tem dinheiro para um agronegócio, ou, então, trabalha-se para o empresário (não estou qualificando isso a priori). 

No que diz respeito à agricultura de subsistência, mesmo raciocínio, com a diferença que, no caso de agricultura, o rol de pesticidas, hormônios e antibióticos é mais amplo por conta da vulnerabilidade das plantas e dos tubérculos. 

O acondicionamento das verduras, dos legumes e frutas é precário no Brasil, pois a melhor produção vai para o exterior, em detrimento do controle de qualidade para o consumo interno. 

Quanto aos produtos industrializados, além de não serem feitos com a integralidade dos elementos que os compõem, contém conservantes, acidulantes e outras substâncias que são acumuladas pelo nosso organismo, sendo responsáveis por doenças que aparecem ao longo da vida. 

Interessante pensar nisso como uma "loteria da vida", pois, num mundo de escassez de bens de subsistência, esse procedimento sela a vida e a morte de quem consegue vencer tais obstáculos. 

Continuando, os industrializados (e alguns veganos que não fogem da regra de consumismo, tá?) são apresentados como de livre escolha para os consumidores, mas acobertam ligações entre as empresas que, internacionalmente detém nosso mercado interno, a exemplo da Gessy-Lever e Monsanto, sempre arroz de festa dos supermercados. 

Estes, por seu turno, pactuam entre si as "ofertas" que colocarão à disposição dos compradores, aumentando internamente o valor do produto, para compensar a diminuição de preço. 

Sem deixar de mencionar o achatamento e fechamento dos mercados pequenos e familiares, em função do boom das relações contratuais anônimas na pós-modernidade. 

Esse é um pequeno recorte do cenário. Minha pergunta é: COMO PODEMOS MUDAR ISSO?

terça-feira, 8 de maio de 2018

Diga-me, afinal, o que está acontecendo com o mundo? Desmistificando a dualidade na percepção da consciência


De tempos em tempos, quando a Lua começa a minguar e se esconder, nossa alma também busca se recompor, quer seja nos impelindo a dar um tempo em nossas rotinas, ou, ainda, literalmente nos encaminhando para um momento de recolhimento necessário para a recomposição da alma.

Diante das rotinas de uma vida que insiste em se transformar em robótica neste séc. XXI, esse movimento marca a sabedoria com a qual a ancestralidade nos municia de condições para que não nos percamos ou diluamos num vasto processo de desumanização que segue no contra fluxo da expressão de crescimento moral e espiritual.

Sim, pois ao lado de um fluxo de elevação, transição planetária, passagem para multidimensões e toda sorte de nomenclatura que denomine o momento terreno atualmente, existe um contra fluxo que nada mais é do que a dinâmica de ação e reação (uns chamam de newtoniana, outros de carma, lei tríplice etc.), que nos aloja para rupturas, caos, instabilidade e sentimento de perda do pertencimento à comunidade cósmica.

É o fiel numa balança energética que ora espelha o maniqueísmo mítico que nos conduziu até aqui.

Este processo se inicia tímido, lá na primeira infância - quiçá no útero de nossas sagradas mães - quando a socialização oficial começa sua liturgia de nos propor uma vida de competitividade, materialidade e fragmentariedade, na qual os indivíduos são condicionados em papéis sociais que definem posições de subalternidade, quase toda voltada, em nossa história oficial ocidental, para o desprestígio do sagrado feminino.

Ele se alastra em nossa alimentação alienada, dentro da qual sequer nos damos conta da cadeia de produção do que vertemos para dentro de nossos corpos. Agrotóxico, veneno, transgênico, carne, industrializados. Tudo mascarado em belas embalagens a apetecer os olhos para seduzir o estômago. 

Propaga-se para nossas escolhas de tratamento, remédios etc., pois mesmo que nos convençamos que a Natureza nos brinda com fartura e saúde, na hora H nos veiculamos ao assassinato que a alopatia e os remédios monopolizados pela OMS e as grandes indústrias nos impelem goela abaixo. 

O antibiótico é ovacionado, as sulfas idolatradas. A traja preta toma conta de uma plataforma liderada por grandes rótulos e pelos representantes de um paradigma de ciência que findou por escravizar o humano. O holismo cedeu, enfim, espaço para a ciência dicotômica e causal, que se contenta apenas com o restrito espaço tridimensional que a empiria do visível nos proporciona. 

Depois se irradia para nossos relacionamentos, que replicam a base sólida lá atrás pavimentada, encaminhando-nos para a busca dos padrões que foram inoculados em nosso chip infantil, condicionando-nos ao aprisionamento para a docilização do potencial criativo e selvagem que tanto nos encampa para a ruptura.

Ele se expande e amplia para nossa vida profissional, dando-nos a deleitosa sensação de escolha e autonomia, acobertando, contudo, uma imanação da matrix, na medida em que nosso papel se resume em alimentar uma cadeia produtiva que apenas se destina a manter o status quo que apartou a vida e a Natureza de nosso convívio diário.

Até a academia, espaço destinado à busca do conhecimento, transformou-se no ethos fordista de custo/benefício dimensionado em torno de metas financeiras e lucro. Nunca estivemos em tamanha crise no ensino, quer seja de base, ou, ainda, superior. 

Como vírus sintéticos, a frieza da uniformização de métodos e técnicas do saber massificado passaram a ocupar o que foi, um dia, a ágora dos antigos pensadores, ouvidos atentamente pelos discípulos que se acotovelavam para ouvir e debater questões sobre o âmago da vida. A sala de aula presencial e o contato com a pulsação do outro cederá, de vez, lugar para bits e data.

Até mesmo a religiosidade se converteu - literalmente - em um epicentro dogmático de amansamento para replicação sintética de um script mecânico. Nunca tivemos a oportunidade de ver tanta gente em rede social, youtube etc. falando tanto sobre tanta coisa que tão pouco sabe com tanta razão.

A cognição se petrificou e, com ela e a pineal calcificada, a consciência foi atingida por um sopapo de mediocrização e ignorância. Passamos a cultuar novos-velhos ídolos de sabedoria, ao invés de simplesmente usar nossos neurônios para que possamos pensar e intuir por nós mesmos.

De potestades e deidades, descemos a simples acessoriedades, no mundo pós-moderno, no qual a combatividade, o espírito de extermínio, o olhar superior para o outro e, sobretudo, o esquecimento proposital do princípio básico de solidariedade e consciência clânica passam a ser a nota de uma grande toada ilusória.

Nós, mulheres, diante disso, não passamos incólumes a tal processo, pois, de doadoras da vida, passamos a projetos supostamente emancipatórios de cidadania, numa igualdade que nos aproximou da saga mais sangrenta da competitividade do macho alfa guerreiro.

Despojamo-nos da simplicidade da vida e do contato com a Natureza e seus ciclos, desapegando-nos dos nossos próprios, pois ser mulher, agora, é ser sinônimo de tudo que remonta à agressão travestida de empoderamento (aliás, palavra da vez, sem que boa parte das irmãs se atente para o que isso realmente significa), à equiparação com o masculino e à saída da ordem cósmica a nos guiar pelas veredas de nossa essência.

Aliás, para algumas vertentes do feminismo, essencialismo é uma balela e a aproximação entre mulher e Physys uma arapuca misógina trazida pela metafísica androcêntrica. 

A menstruação é visa como aborrecimento, o útero pressionado começa a se desdobrar em cólicas. Temos TPM, depressão, histeria. O natural se artificializa e, dentro do processo, perdemo-nos progressivamente. 

Quando nos damos conta, o processo já se instalou dentro de nossas almas, petrificando-nos de tal maneira que, depois, acostumamo-nos a viver o ciclo de ilusão, até mesmo o defendendo com unhas e dentes diante da menor saída da tal zona de conforto.

O metal que simbolicamente representa as trocas passa a ser o termômetro para uma vida de plenitude. 

Aliás, agora a bola da vez nem é o dinheiro em espécie: o que está a dragar a vida é o cartão de débito. O cartão de crédito. 

Trocas em meios virtuais. Bitcoin...

Ou seja, a sofisticação do sistema está de tão forma entranhado que o dinheiro em espécie está sendo progressivamente substituído pelas trocas virtuais, frias e robotizadas.

Tempos de cingimento da Natureza, da vida e do Sagrado!

E agora?

Diante dessa visão dantesca, respirar profundamente é um bom caminho. 

Ouvir os sinais que a alma e o corpo dão é outra forma de retomar o rumo da própria trajetória. Sempre que situações limítrofes desafiam minha vida auspiciosa eu me recolho, esperando, dali à frente, a onda simplesmente se dissipar. 

Às vezes o sinal vem nos pequenos toques de sincronicidade. Alguém fala uma palavra aqui, uma fala acolá. Um buraco aparece à nossa frente. Não importa, pois a vida dá o toque sutil da seda, para nos avisar que estamos saindo de nossa senda de alma. 

Quando nos esquivamos e insistimos, advém os processos de somatização, por intermédio da patologização. A alma adoece e plasma no campo físico o que não conseguimos resolver em nossa trajetória. O colapso, então, acontece, para que possamos nos conscientizar das mudanças necessárias para a retomada de nosso caminho de luz. Sombra e luz. 

Ou seja, ação e reação internamente consideradas como um caminho de ruptura com o véu de ignorância que tem transformado o humano em um organismo robótico e despersonalizado. Os surtos, então, eclodem como pedidos de socorro, para nos mostrar que não somos escravos, mas criadores de nossa sagrada experiência cósmico-espiritual.

Para isso o rompimento com essas zonas de estagnação, encarando de frente as situações, identificando os processos e deles tomando espiritual e emocionalmente consciência. 

Não existe salvamento, não há cavalo branco com herói, nave espacial, avatar ou qualquer outra sorte de personagem a nos lançar boias em meio a tempestades. 

Existe consciência tecida em rede a alimentar no Universo a expressão do compartilhamento da noção de ruptura com esses fantasmas que nos reduziram a marionetes. Consciência essa que passa pura e simples pelo fluxo, tal qual um rio onde não somos os mesmos e a água se modifica a cada nano segundo.

Quando respiramos e nos conscientizamos de que somos energia, tudo se resolve: os condicionamentos acima descritos se rompem e deixamos extravasar a vida em seu estado mais lânguido de pulsação. Tomamos consciência e nos transformamos em consciência!!!

Daí começamos a nos alimentar melhor, a viver melhor, a escolher melhor nossos parceiros, empregos, nossas prioridades. Passamos a conviver melhor com a simbiose matéria-espírito, olhamos as sombras como uma forma de encarar nossos desafios para a existência. Deixamos a agressividade ceder espaço à colaboratividade e ao diálogo. Deixamos de ser tão julgadores de nós mesmos.

Começamos a respirar e, dentro desse processo, início e fim marcam a vida numa simples respiração que nos devolve ao útero sagrado da fonte primordial. Quando isso acontece, não precisamos mais procurar, pois o Universo nos invade num fluxo de consciência tão grandioso que se torna apenas necessário vivê-lo, assim, sem medo do devenir.

É simples assim...



terça-feira, 1 de maio de 2018

Fáilte, Samhain! Mais um tempo de mudanças!

Acredito que a palavra mais escrita neste blog seja "mudança". 

Ou, ainda, seus sinônimos: alteração, transformação, transmutação, movimento...

Ou o que o valha. Não importa. 

A impermanência é o que continuamente se apresenta como a marca paradoxalmente permanente em minha vida e, como resultado, em minha forma de expressar o que penso e sinto. O que "pensinto"...

Hoje celebramos Samhain pela roda do sul, que segue tanto a sazonalidade deste hemisfério, como, no caso de acentuadas estações do ano, o prenúncio do inverno no cerrado.

O ano termina hoje. Um ciclo de vida termina hoje. Um ethos finda seus dias no dia de hoje. Não poderia ser Samhaim se assim não fosse. O sol cede espaço para o frio, a semente remanesce latente ao solo, o que foi produzido e colhido agora será o fruto do qual iremos nos alimentar.

Samhain é uma época mágica de desnudamento dimensional. Honram-se os que se foram durante 3 dias e, sobretudo, 3 noites, ocasião em que acendemos velas para orientação dos que se perderam na trajetória ao cruzarem os mundos. 

Girando pelos oito sabás, Samhain marca a morte sacrificial do Cornífero - símbolo fálico de fertilidade - que, adiante, em Yule renascerá no ventre fecundado da Grande Mãe provedora. O Cornífero atingiu seu ápice de espargimento seminal, cumprindo a tarefa de povoar e disseminar. 

Como adulto e macho, Ele ruma para o direcionamento consciente do seu fim. 

Tragédia, fatalidade ou evitabilidade? 

Não importa, pois a narrativa celta marca - ao contrário da pegada grego-romana -  a adoração pelo abraço da morte, já que o destino nos encaminha para as moradas de nossos antepassados. O Deus morrerá no invólucro de uma roda para despontar revigorado em outra existência, razão pela qual Samhain e Yule se dão tanto as mãos!

A tessitura das fronteiras encontra-se tênue, ao mesmo tempo em que as vibrações findam por formar egrégora forte de conexão com o Outro Mundo na noite do dia 1o. da Maio, possibilitando toda sorte de comunicação com os antepassados. 

Sim, claro, já que a senda vivificada nesse dia invoca o perecimento do Deus Cornífero, o ato reverencial consiste na devoção aos que já foram. Por isso Samhain remonta ao silêncio, à austeridade e, sobretudo, ao respeito a quem não está mais em carne. 

O acionamento dessa egrégora é essencial para compor, noutro giro, a polaridade da realização do devir em Yule. 

Afinal, só podemos seguir e cumprir nossas metas fortalecidos e confiantes, tarefa assumida pela coligação ao passado e catalisada pela colocação de velas acesas (na cor laranja, roxa ou preta) nas janelas das residências [guiando os caminhos e abençoando os liames consolidados na noite sagrada].

A tradição recomenda, ainda, a colocação de comidas (à base de abóbora, cereais e carnes), acepipes e bebidas (vinhos quentes) a serem partilhados durante a noite para os ancestrais se nutrirem do alimento abençoado. 

Pode soar ingenuidade acreditar que não, mas os espíritos se nutrem dos campos eletromagnéticos elaborados em torno dos alimentos consagrados. 

Noite de queima, por excelência, dos agradecimentos pelas colheita, em ervas auspiciosas para tanto, como manjerona, manjericão, louro. 

Se a Lua estiver bem aspectada, faço, ainda, outra queima, de tudo de desejo alcançar e construir no ciclo seguinte, queimando com cravo, canela, gengibre, mirra ou alecrim. 

Escrevo tudo em uma lista, imanto a vontade em uma rima entoada ao som de tambores e sopro três vezes antes de jogar no caldeirão. 

De resto, reúna quem você mais ama e glorifique suas ancestralidade nessa noite auspiciosa! Seja feliz, forte e plena!