quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Lá vem o Sol!!!

Fonte da imagem: http://www.celticcrossworks.com/SunDisc_cmp.jpg
Fáilte 2016!!!!

2015 está chegando ao fim e, num universo de tantos calendários (gregoriano, juliano, maia, lunar, enfim), independentemente das crenças, hoje acaba o período regido por Marte, astro ligado às guerras, aos desentendimentos, bem como à iniciativa voraz e (quase) beligerante de projeção do eu. 

Minha roda se findou em 31 de outubro, mas sempre acho importante sentir a egrégora produzida pela mudança que acompanha as datas oficiais, pois, afinal, assim são formadas sinergias que trazem mudanças positivas para o mundo.

Bem-vindo o Sol, regente de 2016!

Planeta que apadrinha o signo de Leão na astrologia, o Sol esbanja o apelo à expressão mais altiva de individualidade, personalidade, prosperidade e LUZ!

Acima de tudo, entraremos em um período iluminado, no qual desponta nossa parcela individual de realização, como atributo solar ligado à essência, identidade, estima, individualidade, abundância, vitalidade, energia e autoafirmação. 

Em contraponto, lembra-nos de Ícaro que, com extremada confiança, rumou cegamente com suas asas de cera para o abraço fatal do Sol. A vaidade, o orgulho, a prepotência e a arrogância são o espelho do fluxo, elementos centrais da perspectiva do lado de sombra a ser harmonizado em nossa saga.

Ano de laranja, amarelo, cores vibrantes que nos acendem a alma e motivam à concretização de propósitos relacionados à nossa pessoa. Ervas solares sempre bem-vindas, como calêndula, macela, girassol, camomila e todas as que têm a tonalidade do astro. 

Na mitologia grega, Apolo representa o astro solar, enquanto Lugh, filho de Eithne, personifica os atributos dessa estrela máxima, a começar pela rivalidade com seu avô Balor, trazendo a derrocada formoire e consolidando a era dos Tuatha Dé Dannan na ilha esmeralda. 

Ligado ao número 9, somatório do 2 0 1 6, o próximo ano traz o número mais que perfeito, a chave para a finalização do ciclo de crescimento espiritual, que nos permite ascender para novas etapas em ciclos que se renovam. 

Ano de compaixão, humanitarismo, despojamento e universalidade, bem como da expressão genuína de generosidade para o outro. 2016 promete a saída de um tempo difícil - ano 2015 foi intenso - mas não denota facilidade. 

Ao contrário, somente se finaliza uma estrada de maneira condigna se temos condição de ultrapassar os obstáculos que a trajetória percorrida traz. 

Mas, ao contrário de uma regência tortuosa e bélica como a de Marte, ou a restritiva e austera, como o caso de Saturno, o Sol nos traz o acalento, o calor que nos abraça para que a trilha seja percorrida. 

Ano de descobertas em relação ao autoconhecimento. 

Calar para conhecer. Ouvir para compreender. 

Fazer perguntas para o coração, buscando reconhecer os talentos que o/a tornam especial, bem como os colocando em prática.

São os atributos que, juntamente com o servir, edificam a alma e nos transformam, transportando-nos para novos horizontes ilimitados!!!

Que venha o Sol nesse novo dia, que começa, ainda, com os auspícios da Lua Cheia!

Feliz 2016 para todas e todos nós!





Os microclimas da alma

Andei esses dias pesquisando algumas definições para a palavra microclima, pois tive uma experiência que me trouxe a curiosidade investigativa necessária para compreender se iria empregar aqui um termo razoável para isso.

Pois bem, microclima é conceituado usualmente como uma pequena variação de um padrão climático vigente em determinado local, quer seja representando uma faixa distinta de temperatura, bem como precipitação, vegetação etc. 

Ou seja, um clima diferente do clima usual da região. 

Aqui no cerrado do centrão, o clima é seco, com árvores tortas e de raízes longas o bastante para captação de água em níveis profundos abscônditos na terra. Vegetação hábil a lidar com altas temperaturas e umidade baixa. 

Vegetação e clima sui generis, marcando duas nítidas estações: seca e chuvosa, bem lembrando a dicotomia que os celtas faziam em termos de verão e inverno (rs, tudo é celta na minha cabeça. Fazer o que?)

Estamos, porém, em idos de chuva, o que torna Brasília um verdadeiro tapete verde.

Dias chuvosos, outros tórridos. Oscilações de temperatura que trazem resfriados e alergias, além de um espetáculo que tive a oportunidade de presenciar.

Fui trocar o óleo do carro em um bairro mais distante da minha casa e aproveitei o tempo - 40 minutos - para dar uma caminhada até uma lojinha na qual gosto de me aventurar em minhas compras alternativas (o nome da loja é Canto dos Encantos, da querida Dorothy). 

Pois bem, em meio aos passos reflexivos - quase uma meditação caminhada - passei pela quadra 108 norte, especificamente na altura de uma praça -essas praças são aqui chamadas de "quadradões" - em frente ao bloco D.

Logo que cheguei às imediações, senti uma nítida distinção no clima e na vegetação, pois existiam árvores bem altas - estou falando de 10, 12 metros - responsáveis pela queda na temperatura, destoando da média até então experimentada. 

Algo bem cerrado, estilo uma mata mais fechada, como se percebe nessa foto ao lado. 

Tudo muito verde, exalando perfume típico de vegetação de floresta. 

Imediatamente fui arrebatada e, em uma fração ínfima de segundos, senti como se estivesse em um lugar mágico, em plena cidade!

Observei o prédio - bloco D - e vi que as copas das árvores alcançavam os andares (seis, como de costume em Brasília), fornecendo uma sombra maravilhosa, além de pouso para os pássaros que insistiam em cantar. 

Sem deixar de mencionar algumas jiboias em volta dos caules, pendendo dos galhos como um véu em cascata. 

Observando o solo, logo percebi se tratar - por isso a definição de microclima - de um clima dentro de um clima, já que esse cenário destoa da típica paisagem de cerrado, cuja coloração oscila entre marrom, alaranjado e vermelho. 

Tive vontade de perguntar aos porteiros se aquele clima era constante o ano inteiro, mas, parando para pensar um pouco, concluí afirmativamente, por conta de todos esses sinais.

Daí me pus a pensar no quanto nutrimos, tal qual um microclima, diferentes estados de presença dentro de nossas almas. 

É ilusório pensar - e presunçoso até - que nossa alma encadernada mantém uma habitualidade de sentimentos, que segue uma rotina. 

Não mesmo. 

Reunimos microclimas dentro de nós, o tempo todo, assim como a Natureza (da qual fazemos parte, diga-se de passagem) concebe esses milagres incomuns. 

Essa diversidade é componente central de nossa jornada, mas insistimos, por vários fatores, em sufocar sensações e sentimentos pela cobrança que possamos impelir à nossa alma, negando-nos a sensorialidade de extravasar o que está dentro de nós.

Se não levamos a vida com mais leveza, podemos ser dragadas pela exigência e cobrança em demasia, criticando nossos sentimentos, deslegitimando o que é parte integrante de nossa trajetória nesse planeta. 

Sem perceber, podemos nos tornar amargas, críticas e chatas, desvalorizando tanto as nossas, como as experiências alheias. Ou, pior, dando pitacos onde a experiência própria não é capaz de ensinar, já que temos, cada qual, uma senda que lhe é inerente. 

Não dá!!!!

O grande aprendizado que essa singela caminhada me propiciou está me fazendo ponderar, até agora, no quanto é importante a busca pelo autoconhecimento, para que possamos contemplar nossos microclimas e, a partir deles, podermos crescer em nossa trajetória.

Tenho feito muitas descobertas em meus microclimas, abandonando, cada vez mais, a exigente cobrança em torno de acertos e erros. 

O caminho da alma é seguir o que planeja a partir do momento em que se permite viver e crescer. Isso é íntimo e pessoal e ninguém pode vivenciar por outra pessoa essa trilha. Muito menos doutrinar. Quando muito, compartilhar experiências, sem, contudo, tomá-las como representação de verdade absoluta.

A partir do momento em que ousamos penetrar nos microclimas de nossas almas podemos adquirir a consciência do todo, já que, ao final, são vários climas habitando espaços comuns!

Felicidades a todas nós!

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

De femininos, feminismos e sagrados: a regeneração do ventre ao acalanto da Terra

Fonte da imagem: https://dalilaprosaepoesia.files.wordpress.com/2011/04/mae-terra1.jpg

Quando iniciei esse blog estava fortemente extasiada com a literatura de gênero e feminismo, incorporada, não-raro, ao discurso forte e austero, doído até, de crítica a um modelo androcêntrico de elaboração das relações humanas que privilegiava o homem em detrimento ao respeito e à reverência ao Sagrado Feminino.

Somava-se a isso a bagagem de força e autonomia que a mitologia celta impele às mulheres, protagonistas de suas sagas bem-sucedidas de vitórias e conquistas, pois sempre acionava uma história das heroínas que venciam o medo e a desqualificação de um protótipo de masculino ainda não consciente do papel sacral que a mulher desempenha em termos de força, determinação, criação e potencial.

Passado um tempo e embalada por uma gama de experiências enriquecedoras, tenho refletido bastante sobre as relações entre as distintas percepções de femininos, feminismos, bem como sua articulação com a milenar concepção de reverência e sacralidade. 

O que mudou?

Fonte: https://adaptingtograce.files.wordpress.com/2013/05/mother-earth.jpg
Os arquétipos e os estereótipos talvez não muito, mas a compreensão pessoal com que passei a perceber que cada uma de nós decide ressignificar as percepções a respeito do tema. 

Afinal, também é cada uma de nós a trilhar uma senda que lhe é própria, o que traz certo casuísmo ao que se vivencia, o bastante para não fazer muito sentido pretender construir "teorias explicativas" para todas, ante a pluralidade de vivências nesse maravilhoso sentido do que é ser mulher. 

Tenho cada vez mais percebido que não se constrange, força, violenta ou agride uma mulher, compelindo-a "a fórceps" a "tomar consciência" dos processos de desqualificação e ofensa, pois essa tentativa emblemática e militante, sem a devida cautela de mergulhar no universo da alteridade, pode mais revitimizar do que restituir alguém.

Isso veio à tona enquanto advogada para mulheres em situação de violência doméstica, ocasião em que meu confortável mundo de militância feminista universalista começou a quedar diante do pluralismo que se abria diante dos meus olhos. 

Com o doutorado, então, intensificou-se o processo. 

Não mais fui a mesma em termos de reflexão sobre as dimensões do que é viver a experiência de ser mulher. Lembro-me de ter participado, certa vez, de uma oficina realizada por uma colega da assistência social, que me convidou a trabalhar com algumas mulheres em situação de violência no Núcleo de Assistência Jurídica da Universidade de Brasília ) localizado na Ceilândia.

Elaborei uma tarde de leituras sobre as mais famosas heroínas celtas, aproveitando uma tarde de sábado para falar sobre Macha, a rainha celta dos cavalos, bem como para compartilhar um momento aprazível de yogaterapia. 

Nada de livros - a não ser de contos - teorias, academicismos. Apenas a Natureza e nós, mulheres, embaladas em nossos colchonetes e motivadas ao conhecimento de nossos corpos. 

Pois bem.

Revivendo isso no meu pequeno livro de memórias, logo vem à tona uma cerimônia muito comum no meio pagão - sobretudo wiccano - chamada reconsagração do ventre. Uma espécie de conscientização sobre as dores eventualmente provocadas pelo androcentrismo, na qual se reelabora uma nova relação com o ventre e o útero, pontos centrais da conversa de hoje. 

O útero, para os antigos, representava o caldeirão da vida, arcabouço de toda criação. Por esse motivo - até o momento em que a participação masculina no processo reprodutivo ficou mais clara - a mulher, nós, mulheres, éramos consideradas deusas e artífices de toda a sacralidade. 

O sangue menstrual, o útero e o ventre agregam, pois, uma egrégora ancestral de fortíssima relação com a capacidade criativa, potencializadora, fecundante e próspera, em uma relação de intrínseca harmonia. 

Não precisa muito: lunações, estações do ano, ciclos e processos de amadurecimento. Tudo exala à tal liame invisível, que marca o papel divinizado - e, ao mesmo tempo, mundano - acometido a nós, mulheres sagradas de Anu.

Quando nossa capacidade criativa se encontra abalada, o útero grita. Enfraquece, adoece. Não é sem propósito que boa parte da literatura esotérica e psicológica coliga ao útero as doenças somatizadas de desequilíbrio no feminino. 

Negação de si, desqualificação do parceiro, pressão. 

Tudo isso motiva feridas que passariam inicialmente despercebidas se, ao final, a recorrência não levasse nossa alma para a precipitação somática. Assim como a Terra precisa se recompor, nosso útero demanda atenção e momentos de descanso e silêncio. 

Esse é o trabalho de um ritual de reconsagração, no qual se restitui a dignificação de nosso útero, para que nos lembremos sempre de nossa força vital, que não pode ser subjugada. Aliás, esse é um árduo trabalho de mudança de paradigma para o modelo androcêntrico, pois o caminho ainda é repleto de obstáculos (talvez a falta de consciência de alguns - muitos - homens) que minam a emancipação plena. 

Quando estamos em um relacionamento hostil ao feminino, usualmente percebemos doenças de toda sorte: cólicas, infecções, ovários policísticos, perda de libido. 

São sinais de alerta para que possamos sobrestar as agressões veladas, sentidas, contudo, no plano sutil, pela delicadeza de nossos órgãos. Não somos repositórios do unilateral prazer masculino (isso em termos de relacionamentos hetero), mas, antes, um caldeirão sensorial de sensibilidade e apuração criativa. 

Muitos homens não compreendem isso porque, afinal, estão reproduzindo a lógica do binário agressividade/submissão, pretendendo, com isso, manter a ideia e o comportamento hostil, pouco voltado ao autoconhecimento. 

Com isso, alguns homens ferem, atacam, desqualificam e sequer acham que estão fazendo isso, por acreditarem piamente que o plano mental e discursivo da racionalidade é a única e legítima forma de elaborar relacionamentos. Eis o primeiro passo para o subjugo do ventre, bem como para o enclausuramento da potencialidade criativa de uma mulher.

É o que se chama vulgarmente de "conquista". A mulher haveria de ser conquistada, como um continente inexplorado - a Terra - fecundo para que a tomada de riquezas possa ser empreendida de maneira incólume. Mas, abaixo da superficialidade, nada passa incólume. 

O ventre é violado. Tudo em nome de uma necessidade premente de autoafirmação com que certos representantes do masculino ainda se enxergam, na miopia do descaso com sua própria parcela de sensibilidade, pois isso, ao que parece aos olhos desse estereótipo, retiraria a masculinidade ou, quem sabe, constrangeria o homem não sociabilizado na igualdade. 

Meus 42 anos trouxeram à tona a contemplação de tudo isso. Não mais - talvez essa seja a tônica agora - com o ódio entranhado, mas com a gratidão de observar o fluxo de tal movimentação. 

Se, por um lado, ninguém muda ninguém - outra sábia lição - e não podemos esperar mais do que a pessoa pode oferecer (o que é justo e libertário), por outro, não é justo e razoável com nossa alma colocar nosso útero à disposição para os processos atávicos de desqualificação. 

Trata-se de agradecer e deixar o fluxo da vida seguir seu rumo. E, com ele, as pessoas e, sobretudo, nós. Precisamos, sim, seguir a vida e o pulsar da batida de nosso coração, que sempre procura a felicidade na plenitude da bem-aventurança!








terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Os desafios da vida nos processos concorrenciais terapêuticos

Fonte da imagem: https://lh3.googleusercontent.com/_wIBnV-jS0pk/TaQpNjvM0YI/AAAAAAAAB_U/94hTCnnD5Ko/arvore_celta.jpg

Logo depois que obtive minha certificação como terapeuta floral e me credenciei, fiquei animada em compartilhar a senda com pessoas interessadas no autoconhecimento. 

Uma fórmula de floral para uma amiga aqui, um colega de trabalho desejando lidar com suas questões acolá. 

Senti-me bastante motivada a ajudar, pois entendo que estamos nessa dimensão para elaborarmos uma sinergia de colaboração e conhecimento compartilhado, sem clichês.

Fiz uma arte, imprimi cartões e folders

Coloquei-os embaixo do braço e fui até os locais onde costumo almoçar - restaurantes naturais ou vegetarianos - e às lojas onde adquiro meus artefatos mágicos. 

Desde quando minha mãe tinha uma loja chamada Empório Verde (ficava ali na 714/715 norte), travo contato com o mundo alternativo e esotérico, acreditando piamente nesse compartilhamento de informações, bem como em uma tessitura invisível de bem-aventurança, na qual é possível elaborar uma verdadeira "corrente do bem"

Pois bem...

Tenho experienciado situações muito inusitadas e agradáveis de aprendizado. 

Nos locais onde travo maior intimidade com o/as proprietário/as, sou bem acolhida, acarinhada mesmo. Os cartões são alojados para lugares de destaque, o que, aliás, isonomicamente é feito com outros terapeutas. 

As indicações urgem e surgem, em um movimento que me faz estudar, estudar e estudar, cada vez mais, para que possa adentrar os aspectos mais profundos da alma humana. 

Sinto-me, com isso, bastante gratificada em saber que me sinto útil para a humanidade, por intermédio do caminho de autoconhecimento que as terapias alternativas oferecem para quem deseja imergir em seus meandros existenciais.

Por outro lado, uma questão bastante curiosa. 

Claro que para eu postar aqui tive que fazer uma mini pesquisa de campo, para não ser leviana na abordagem. Pausa para observação: não estou sendo antiética, pois não estou a revelar nomes, apenas fatos e experiências. 

Minha finalidade é apenas contemplativa e, dentro disso, também não estou sendo motiva por um sentimento de rancor ou mágoa. Apenas uma curiosidade inata de perceber as coisas no mundo. 

Sim, vamos à experiência!

Em um local específico onde costumava frequentar - acho que a experiência rendeu um distanciamento saudável à contemplação - comentei sobre os cartões e um certo terapeuta, que não era o proprietário da loja, logo comentou que não poderia deixar os cartões, "porque ninguém era autorizado a deixar cartões". 

Ele me recomendou trazer o folder e deixá-lo no mural do lado de fora da loja, junto com outras propagandas. Achei bem igualitário e, ao final, mais eficiente, já que o mural é bem largo e amplo. 

Achei bem razoável a vedação de exposição dos cartões no interior da loja - por isso o título da postagem fazer referência à "concorrência", com uma pitada de bom-humor - pois logo imaginei que a exposição de cartões poderia acarretar incremento concorrencial ali, sobretudo em relação aos terapeutas que utilizam o espaço da loja, compartilhando com o proprietário dividendos do trabalho.

Cheguei a ficar, por segundos, pensativa em relação a isso, enxergando nisso um dilema ético bem natural. 

Durou átimos de segundo, o bastante para que eu pudesse olhar em uma cestinha de vime ao lado do caixa um quantitativo de cartões de várias modalidades terapêuticas, em número expressivamente maior do que dos terapeutas que prestam serviços ali.

Agradeci e fui embora depois das minhas compras de praxe...

Dias depois apareci e encontrei uma simpática funcionária, a pessoa que sempre me atendia quando fazia minhas compras. Para fins de amostragem da mini pesquisa, perguntei a ela se poderia deixar os cartões e recebi um largo sorriso, "é claro!!! deixe aqui na cestinha".

Nossa, que barato! Fui selecionada para a cestinha. Achei bem legal a atitude dela, pois, até então, minha ideia consistia em acreditar que não seria possível fazer parte da comunidade da cestinha mágica. Embalada por novos ares, tratei de aproveitar a deixa e afixar no mural meu folder.

Bom, digamos que, depois disso, passei na loja em outras oportunidades e percebi - percebi = fucei e não achei - que os cartões haviam desaparecido da cestinha e o folder idem do mural. 

Claro que eu não poderia fazer um julgamento apressado e, embalada pela mini pesquisa, tratei de compor cifras e estatísticas, deixando mais cartões e afixando mais folderes. Talvez eu esteja afixando o cartaz em um buraco negro, não sei, mas o certo é que já afixei 15 vezes no mural e o cartaz simplesmente some de vista. 

Idem para os cartões que, obviamente, não deixo mais nesse lugar. 

A pergunta: por que?

Não, nem acho razoável ficar devaneando sobre as razões. Acredito - e isso foi o resultado da mini pesquisa - que a experiência tenha me servido para mostrar os locais onde posso frequentar com mais assiduidade, lugares onde sou bem-vinda. Locais, enfim, onde não ir. Simples assim. 

Sem viajar perguntando a razão. Esse é o sinal que fala por si. 

Sou bastante agradecida ao Universo pelo acontecimento, pois acredito que a energia do local formula uma egrégora que perpassa nossa alma. Não poderia me sentir à vontade em um lugar onde mal viro as costas e o buraco negro come meus papeis!!!!

E o mais engraçado. Aliás, dois detalhes engraçados. 

O primeiro é que frequentava o lugar a um bom tempo - dada a fartura de artefatos - e o segundo é que, nada obstante frequentar, sempre havia um MAS. Eu, no fundo, nunca me senti à vontade ali.

Mais um motivo para colocar a minha viola - ou melhor, vassoura - no saco e ir onde empaticamente sou chamada... Simples assim. 

domingo, 13 de dezembro de 2015

Criando uma tora de Yule...

Fonte da imagem: http://1.bp.blogspot.com/-5WQOa28Tyo8/TgCknbwudWI/AAAAAAAAAyw/MCQ0TJT_V5U/s1600/Yule5.JPG

Dia 22 de dezembro teremos a virada para o verão, comemorado no giro da roda do sul como Litha, enquanto na roda do norte celebramos Yule, a noite encantada na qual a Deusa dá à luz ao Deus, filho-consorte a componente da complementariedade no ciclo de renovação e promessa.

A noite mais longa do ano marca, pouco a pouco, a guinada do Sol, celebrando dias mais claros, remontando à ideia de novos ciclos. No cerrado, são dias chuvosos, que se estendem até março ou abril, o que muito aproxima esta data festiva à comemoração invernal. 

Como já tive a oportunidade de comentar em outra postagem, tenho comemorado as rodas do norte em consonância com as estações sui generis do cerrado, pois no centro-oeste do país as estações são bem distintas do restante do país e, com isso, é possível sentir a consonância com o girar do norte.

Bom, celebro a roda do norte por uma questão de tradição e ancestralidade, já que na Europa a data marca a chegada do inverno, recolhimento, introspecção e silêncio. Sinto a vibração reverberando aqui, o que me impele a naturalmente reconhecer nesse dia o encantamento festivo da renovação.

No paganismo também se comemora a data como a Luz de Arthur ou Alban Arthan, momento necessário à renovação por intermédio do recolhimento e da meditação, contemplando-se a vida no eterno aprendizado do autoconhecimento.

Por aqui criarei minha tora de Yule. 

A rigor, a tora - como bem expressa o nome - é grande o bastante para ser queimada na lareira no ano seguinte, mas para a celebração doméstica pode ser perfeitamente adaptada para um tronco menor, que será enfeitado com temas e objetos relacionados a Yule. 

Colocarei umas pinhas coletadas no jardim botânico, bem como três velas a representar o mágico número três, ícone dos ciclos de vida-morte-vida que permeia toda a ancestralidade celta. 

Esse ano interpolarei entre duas velas verdes (simbolizando a fertilidade) uma vela vermelha (poder), dando um efeito luminoso muito bonito. De repente escolherei umas flores secas do cerrado, para um toque mais regional, assim como fiz quando reformei a vassoura.

Quando tiver tudo montado aqui postarei algumas fotos. Acho que ficará bem condizente com o meu momento de finalização de ciclo. 

Fáilte!




sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

E a roda vai girando...Que roda? Que giro?

Fonte da imagem: http://1.bp.blogspot.com/-SFmnuJZUrZ0/U9G-2jsnpMI/AAAAAAAAAE8/me2k7WaxhYk/s1600/yulelogentry.jpg

Dezembro em pleno ar e, quando me dei conta disso, percebi que fiquei afastada da "blogagem" por um tempo, o bastante para sentir falta de um bom bate-papo de final de ano. Um bom tema, aliás.

Final do ano...

Férias, ruas vazias, aviões decolando. 

Gente para lá e para cá, na correria, disputando brinquedos, perus, fios de ovos. 

Todo final de ano é sempre assim, uma espécie de desespero generalizado, como se o mundo fosse acabar e, no meio da hecatombe, as pessoas precisassem de felicidade meteórica, aquelas do tipo "então é Natal" entoada pela Simone todos os anos nos alto-falantes das lojas de departamento. 

O tempo de "ser feliz", dentro disso, parece se resumir ao bom e velho peru - agora a Fátima Bernardes, ganhando milhões, empurra o fiesta pela nossa goela na propaganda de uma ave descolorida e artificial (seria um alien esse fiesta?) - ao consumismo. 

Ou então, à egrégora fictícia de paz, amor, perdão e felicidade, alojando familiares que não se suportam o ano inteiro na confraria hipócrita de um jantar que se destina a provocar espasmos gastro-intestinais. 

Independentemente de uma ou outra perspectivas (ou de várias mais), a roda, enfim, do mundo-estruturado-no-paradigma-dominante-judaico-cristão, parece girar agora e, no meio disso, a pergunta que não quer calar: como sibilar em meio dessa roda quando se está noutro giro? 

Pergunta pagã, claro. Afinal, o ano novo celta e pagão foi-se em 31 de outubro para o giro do norte, ou, então, irá em maio para o giro do sul. estamos caminhando para Yule no dia 21 de dezembro. Socorro!!!

Que loucura, não?

Até que não...

Viver uma egrégora é, sobretudo, uma experiência pessoal e dependente de uma profissão de fé. Um modus vivendi nos impelindo aos costumes que, por sua vez, motivam a centelha da percepção e da sensorialidade. 

Interna, emocional e espiritualmente, é bem plausível observar a roda crística sem, contudo, vincular-se ao calendário gregoriano, bastando pura e simplesmente prosseguir na vivência da senda.

Não comemoro o Natal. 

Comemoro Yule. 

Sinto a energia inerente a esta data, mas, claro, respeitando com o maior carinho a comemoração cristã, por reciprocidade. A sensação é bem interessante, como se eu estivesse imersa em uma realidade, sentindo fluxos e influxos dela, sem, contudo, imergir em sua egrégora.

Uma egrégora em meio a outra egrégora. Ao lado, por sobre, sei lá. Não importa bem o sentido, mas, antes, apenas a percepção de existência de pluralismos na vivência do Sagrado. 

Isso é muito interessante como forma legítima de autoconhecimento, uma vez que, por óbvio, essa preferência traz sempre a curiosidade de quem reverbera a energia do padrão de final de ano. 

Algumas pessoas acreditam piamente que sou uma infeliz, trancada em casa com gatos, cachorros, solitária, sozinha e depressiva, por não estar com a célula-nutriz da sociedade: a sacrossanta família. 

Outras pessoas tentam me converter, em uma árdua batalha - já perdida - de proselitismo arcaico, que procura sempre deslegitimar as bases da fé que professo. O que é engraçado, já que subverte a máxima de amor ao próximo (o que denota, claro, respeito). 

A família - eclética, desde espíritas e adventistas - tenta se reunir, embalada pelo espírito da compaixão e do perdão, ainda que tenha ficado às turras durante os outro nove meses do ano. O peruzão vem para sedimentar a volta do filho pródigo ao lar. Da filha, no caso.

Nada disso me apraz. 

Não estou depressiva, não sofro de solidão, não ficarei sozinha com gatos e cães. Simplesmente a famosa noite de natal é uma noite como outra qualquer para mim. Ponto. 

Meu dia de força aloja-se em 21 de dezembro, no solstício de inverno para o hemisfério norte, ocasião em que o Deus-menino nasce do ventre de sua mãe-amante (bom, não vou comentar a compilação feita disso pela I.C.A.R, com a finalidade de facilitar a conversão dos pagãos). Promessa de vida, de júbilo.

Esse, enfim, é o pulsar em meu coração. 

A despeito do hemisfério sul comemorar Litha no giro da roda de chegada do verão, aqui no cerrado a estação é bem chamativa: chuva, chuva, chuva, com o frescor de um friozinho úmido, que não lembra tanto o verão, mas um inverninho. 

O cerrado tem dessas coisas mesmo. Tudo muito específico e diferente, o bastante para que as tradições do norte possam ser mantidas. 

Então é Yule...

Fáilte!

Fonte da imagem: https://creerparacrear.files.wordpress.com/2011/08/arbol-de-la-vida-celta2.jpg