sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Protagonismo e cura na terapia floral

Fonte da imagem: http://www.mulheresdicas.com/wp-content/uploads/2013/11/emagrecer-com-florais-de-bach-332x231.jpg
Quando se aborda o tema “terapia”, logo vem à mente uma interação onde terapeuta e indivíduo estabelecem um diálogo buscando a delimitação dos sintomas de desconforto anímico sentido pela pessoa. 

Um conhecimento firmado, sobretudo, na alteridade e confiança, onde a compreensão necessária à diagnose pode, contudo, alojar o terapeuta à ortodoxa e ilusória posição de monopolizar o processo, ao deslocar para si a responsabilidade pela descoberta do desconforto experimentado pelo outro. 

Como resultado, cria-se uma relação equivocada de temerária dependência em detrimento do protagonismo individual que deve nos encaminhar para a senda do autoconhecimento e da cura. 

Diante disso, todo e qualquer percurso terapêutico que realoje o protagonismo do conhecimento para a própria pessoa constitui um legítimo modo de aprimorar a consciência e, nesse contexto, a terapia com Florais de Bach constitui bom exemplo, a começar da célebre frase de Edward Bach - “Cura-te a ti mesmo”. 

Por intermédio da reflexão conjugada em torno da sensibilidade e intuição, terapeuta e indivíduo compartilham um momento ímpar de desvendamento dos processos internos e aparentemente inacessíveis, que vêm à tona quando a anamnese é realizada. 

Seja pela prospecção nas respostas dadas às perguntas sobre o estado de alma em que a pessoa se encontra, ou, ainda, por outros mecanismos de revelação de estados de desequilíbrio, terapeuta e indivíduo, em conjunto, elaboram uma atmosfera propícia a estimular o Eu Superior a vibrar em consonância com padrões energéticos positivos. 

Cada pergunta na anamnese encaminha o indivíduo a parar, respirar, olhar bem fundo no espelho de sua alma e se descobrir, já que é estimulado a refletir sobre suas dores, seus desalentos, bem como sobre o que mais lhe aflige seu estado anímico. 

Assim, diante de uma resposta afirmativa ao se indagar de uma pessoa, por exemplo, se tem “sentido impaciência ultimamente”, logo vem à tona a virtude de impatiens em restabelecer o equilíbrio necessário para o cultivo da paciência. 

Ou, ainda, no caso da revelação de um medo relacionado a alguma situação específica, o que faz despontar o potencial de mimulus para diluir essa sensação desconfortável. Tais perguntas somam-se a outras que, na anamnese, compõem uma sólida tessitura de informações relevantes para que o terapeuta floral possa articular as essências específicas para as necessidades do individuo. 

Um bom trabalho de terapia floral não converte o outro a um estado de dependência do terapeuta, mas, antes, finca raízes na ideia de estimular a pessoa a se equilibrar a partir da compreensão do seu próprio estado. Sem mestres, guias, salvadores. Apenas facilitadores para um estado maior de contemplação e realização. 

Simples assim...



quinta-feira, 29 de outubro de 2015

A importância do conhecimento sobre egrégoras

Fonte da imagem: http://2.bp.blogspot.com
Muitos textos sobre esoterismo trazem a palavra "egrégora", quase sempre repetida sem a percepção sobre dimensão do seu real significado.A partir disso, decidi dedicar essa postagem à tentativa de compreender melhor o conteúdo dessa palavrinha tão sofisticada e poderosa, aproveitando a inspiração da chuva fina que nos foi auspiciosamente presenteada pela Natureza.

Não existe consenso entre linguistas sobre o nascedouro etimológico da palavra, termo cunhado e disseminado no meio esotérico a partir dos estudos de Éliphas Lévi, ocultista que viveu no século XIX, momento bastante fecundo nos estudos herméticos. [Apenas registro aqui não ser - ou, ao menos, não me enxergar - ocultista, termo cunhado para designar estudos e práticas mágicas bem distintas da witchcraft (tradicional). Não que eu não respeite o sistema ocultista. Nada disso. Apenas não caminho por essa senda].

O autor cunhou, a partir da palavra ἐγρήγορος (vigilante, desperto) o conceito de egrégora, a partir de sua identificação como "espíritos motores e criadores de formas", recebendo, com isso, muitas críticas, sobretudo dos autores de lojas maçônicas, estudiosos fortemente interessados em desmistificar o ocultismo e os estudos nessa área. 

Pois bem. 

Não me sinto à vontade (preparada) em fazer um tratado sobre ocultismo - pois não é meu ethos de vida - como, também, não creio haver aqui espaço para desenvolver alguma crítica aos argumentos maçônicos. Isso porque respeito ambos, como respeito qualquer preferência mística, esotérica, religiosa e/ou espiritual, a despeito de percorrer a senda do sagrado caminho das artes (sacred craft), muitas vezes colidente com boa parte dos preceitos desses sistemas.

Na verdade, minha pretensão é bastante específica, já que não tenho parâmetro para fazer comparações, uma vez que as percepções acima estão calcadas, de uma forma ou de outra, na compreensão judaico-cristã de elaboração do mundo e dos universos, paradigma não contemplado pelo paganismo, na dimensão de vivência a que esse se vincula e com a qual se compromete.

Porém, o uso disseminado e sem rigor do termo egrégora como "qualquer energia concentrada" me fez escrever algo e cá estou, desde domingo, quebrando a cabeça na tentativa de simplificar e, ao mesmo tempo, esmiuçar um pouco a referência ao termo.

Segundo o dicionário Aulete, advém da palavra grega egrêgorein (velar ou vigiar), sendo a resultante energética elaborada a partir da conjugação de energias de duas ou mais pessoas. Trata-se de uma confluência de forças, sendo, para tanto, necessário o empenho coletivo em sua consecução. 

Acredito ser uma boa percepção para o tema a simplicidade com que semanticamente o termo é cunhado. Com isso, todo o resto seria uma apropriação feita da palavra pelas distintas tradições herméticas, cada qual lhe imprimindo uma peculiaridade a reforçar o próprio campo (o que é normal em termos de poder organizado institucionalmente).

Ou seja, somente existirá uma egrégora quando confluem e se harmonizam as energias de várias pessoas, elaborando-se, assim, uma força coletiva a perpassar todos os membros do grupo, pulsando vividamente e realizando atos alimentada pela energia que a criou. 

Como força psíquica, torna-se necessário o empenho - bem como o direcionamento - de uma forte emoção experimentada por cada um dos membros do grupo - concomitantemente - numa espécie de atmosfera a reproduzir no plano extra-físico os objetivos almejados pelo grupo. Aqui vale a regra da sagrada tríade dos trabalhos na arte, manifestada na emoção, necessidade, bem como no conhecimento.

Afinidade e harmonia entre os participantes, nesse contexto, são elementos imprescindíveis para criar e manter uma egrégora com êxito. Dentro disso, quero chamar a atenção para a mítica de ingenuidade com a qual os neófitos saem por aí, brincando de Harry Potter e sua varinha de fênix, acreditando que a deflagração de um vórtice coletivo de energia densificada não traz maiores implicações para a segurança do grupo. 

Isso porque, quando formulada em torno, por exemplo, de um propósito destrutivo, dada sua submissão à lei de ação e reação (não me refiro à concepção wiccana de lei tríplice, mas pura e simplesmente ao retorno da energia por meio de um contraponto, seu espelho em termos de intensidade, direção e sentido), a energia direcionada tende a retornar para a fonte emissora. No caso, para os participantes que elaboraram a egrégora, que recebem o impacto da energia conclamada.

Muito/as podem acreditar que se encontram imunes a tal sequela energética, mas, de fato, poucos têm condição de minimizar o "coice" do vórtice de energia gerado a partir de uma conjuração como essa. Afinal, receber o impacto de uma conjuração que imante boas energias é bem mais agradável do que a congregação de energias que formulam aspectos meramente destrutivos.

Ingenuidades à parte, indiscutivelmente existe força densificada em uma egrégora e, quando não trabalhada adequadamente, pode trazer danos irremediáveis para quem se arrisca sem a devida preparação e o necessário conhecimento. 

"O que vai, volta", um preceito que, longe de ser um dogma (pressuposto que não precisa ser demonstrado), é uma consequência fática, bastando se observar, no plano empírico, a movimentação energética advinda da elaboração de uma egrégora.

Costuma-se - em cima da fala de Lévi - associar uma egrégora a deidades, como se tal elaboração fosse efetivamente a antropomorfização, e não a resultante energética, senciente ou não. Isso dependerá, sobretudo, do propósito para o qual a egrégora foi conclamada. 

Particularmente não compartilho da percepção de serem as egrégoras microcosmos de deuses, ou até mesmo deuses, pelo simples fato de ser inviável energeticamente se formular tamanha concentração de energia senciente e simplesmente "criar" uma entidade de tão magnitude que seja identificada com o poderio de um deus ou uma deusa. 

Ou, ainda, formular-se uma conclamação de egrégora para a "manifestação" presencial de uma deidade de primeira grandeza, assim, num piscar de olhos. Se fosse tão simples assim, Morrighans, Machas, Dagdas e Lughs sairiam por aí, serelepes, como gêmeos, perambulando pelos círculos dos confins do mundo, sendo apenas fruto da egolatria de participantes de covens, e não deidades de alta honorabilidade e respeito. 

Trocando em miúdos, não se banalizam deidades ao bel-prazer dos membros de um grupo conjurando uma egrégora, pois além de falta de respeito, a falta de conhecimento adequado traz malefícios, sobretudo mentais, em transtornos usualmente confundidos com patologias bioneurológicas que, de fato, são resultado de trabalhos não compreendidos muito bem.

No ocultismo básico, há quem chame de forma-pensamento o produto da atividade de biopsíquica voltada para a elaboração do vórtice de energia que molda uma entidade dotada dos aspectos de quem a criou. Mesmo não sendo minha praia, gosto da percepção de confluência energética que tal definição traz.

Ao infundir força - por meio da projeção mental de forma, acrescida da emoção (vetor de vivacidade), plasma-se a forma-pensamento que, mesmo desplugada do criador (autonomia), liga-se a ele/a por conta do aspecto energético transmitido. 

Sua existência assemelha-se, segundo Dion Fortune, a uma bateria que, aos poucos, vai perdendo sua carga, sendo necessário alimentá-la energeticamente, caso se deseje sobrevida. Para absorvê-la - e, claro, absorvendo-a, tendo cuidado em se saber que as características da forma igualmente assim serão - necessário extrair-lhe a "vida" pelo liame entre a egrégora e o grupo, que dividirá, segundo a potencialidade de cada qual, os resíduos da tessitura formulada e dissipada. 

Com isso, tem-se na egrégora, ao final, um nodo concentrado, ligado a quem o produz pela consciência da imantação, elaborada em nível coletivo e, portanto, coligada a todos que participaram da criação. Saber, ousar, querer e calar. No momento certo. Ingredientes vitais para o crescimento na senda do conhecimento universal do invisível. 

Mas, de toda sorte, se nada disso adiantar, então voltemos para Harry Potter e o feitiço da abóbada de proteção a Hogwarts: "protego maxima, fianto duri, repello inimigotum". Quem sabe, né?

Céad mille fáilte!


Fonte da imagem: http://api.ning.com/files/rdGwDgrRKNjPm7toYIC9j1ekAkMfyF-qsLGGOOdgy9DbXOBkGV3VKtfmRHAqtGgzKGlN5qVo3GsI-2m7Tz--NRBExWLWnoyO/Aegishjalmur.jpg




terça-feira, 20 de outubro de 2015

O que ler, o que ver, o que sentir: a escolha da felicidade

Fonte da imagem para créditos: https://s-media-cache-ak0.pinimg.com/736x/67/b1/19/67b119e70ccaa286db95b386f915e259.jpg
O início do dia sempre é um momento ímpar: café quentinho no bule, pãozinho com a manteiga derretendo, frutas, delícias e aromas. Também é o momento em que usualmente as assoberbadas pessoas ocupadas durante o restante do dia destinam alguns minutos à leitura do jornal, quer seja virtual, ou físico.

Hoje experimentei essa sensação, passando meu café e arrumando a mesa na varanda de casa, local aprazível de onde fico a observar o nascer do sol, ao mesmo tempo em que desfruto da companhia agradável dos seres que me dão a honra de compartilhar sua presença.

Ao acessar o site de um jornal local, deparei-me com as manchetes marcantes do dia: todas, sem exceção, trazendo os acontecimentos do que se chama de "vida real", assaltos, prisões, homicídios. 

Não me lembro de ter lido uma só notícia trágica, pensando se, realmente, a tal "vida real" é uma tragédia em seus contornos, ou, ainda, se se trata de uma providencial escolha midiática de reportagens para que o jornal em questão obtenha vendagem, patrocínio e lucro.

Querem saber? 

Não me importa! 

Sim, não importa a motivação dos jornais e noticiários (afinal, são livres para veicularem o que desejam), mas, antes, a MINHA opção em não desejar agregar a egrégora de tragédias. 

Cada vez que opto por acessar uma página dessas, ou, ainda, compro um jornal, acredito contribuir para a perpetuação de uma manta energética e comunicacional que, longe de ser democrática (como muito se fala da tal imprensa livre), no caso do Brasil, encobre interesses altamente comprometidos com a elite (quer seja de direta, esquerda, centro, cima, baixo, sei lá). 

Fonte da imagem:http://cdn.atl.clicrbs.com.br

Nossa, seria tão bom encontrar uma notícia lúdica e feliz, não é mesmo? 

Mas enquanto isso não ocorre, ao menos me preservo de alimentar minha alma com enredos catastróficos, que transformam a vida em um abismo de energia densa. 

Não me arrependi, ao menos até hoje, de boicotar os canais da nominada "TV aberta", como também as "caras" e bocas de algumas revistas não seduzem meu paladar. Como resultado direto: paz de espírito e foco em assuntos relevantes.

Alienação? 

Nem um pouco. 

Afinal, não deixo de saber do que está ocorrendo. Apenas opto por não dar vazão ao enfoque energético que se acopla à notícia, sobretudo em face do sensacionalismo. 

Bem por aí...

domingo, 18 de outubro de 2015

Horário de verão: as (dis)sintonias e desmandos no ritmo da Natureza Sagrada e suas relações com a prática da antiga arte

Fonte da imagem para créditos: https://sites.google.com/site/oscordadostestes/arquivos/jabuti-cuidados-temperatura-.jpg
Ontem estava na feirinha - ritual de final de semana - quando recebi a notícia sobre o horário de verão, tão desconectada que estou dessas decisões políticas e burocráticas. Não se trata de alienação política, mas, antes, compreensão de existência de uma dinâmica maior do que minhas perspectivas de mudanças em larga escala. 

Afinal, não vejo sentido em achar que se muda estruturalmente um sistema ou sociedade inteira (ainda mais planetária) sem que a dinâmica passe pela conscientização individual e interna. Foi exatamente nesse ponto que abandonei a ideia de abraçar cegamente projetos coletivizados que se baseiam em uma negação da potencialidade individual, a famosa social democracia brasileira...

Pois bem. 

Que notícia! 

Opiniões divergem sobre o impacto na economia: 1, 3,5 ou 5%, trazendo a sensação de sustentabilidade e conexão com a Natureza, não é mesmo? O Brasil economizará milhões de reais em luz. Viva!

Enfim, para quem deseja acreditar nisso, troféu joinha joinha, mas, daqui do meu ostracismo crítico, não tenho como não fazer algumas observações sobre o horário de verão e sua (des)conexão com as questões de celebração do sagrado.

Primeira delas: com todo o respeito à medida, feita de boa-fé até (nem posso pretender duvidar, mesmo que seja taxada de ingênua por quem sempre está desejando culpar o bode estatal pelas mazelas dos carmas coletivos milenares), o horário de verão é mais uma demonstração antropocêntrica de dominação dos ritmos da Natureza, perpetrado em face da mais completa incompetência humana em gerir sua vida em simbiose com o holos.

Num pirlimpimpim de fechada de olhos à meia-noite, tudo se torna "uma hora a menos": nossos relógios de celulares e computadores automaticamente se atualizam em uma "nova ordem", deixando para trás o fluxo contínuo da Natureza, que se encontra, por agora, em plena primavera, preparando a vinda da incidência de raios solares em um veraneio que trás luminosidade.

Fonte da imagem: http://4.bp.blogspot.com

Com isso, vamos nos alienando, pouco a pouco, tal qual nos distanciamos, por exemplo, do calendário lunar com 13 meses de 28 dias, tradição, por excelência, de culto ao feminino e sagrado, substituído pela artificialidade do paradigma gregoriano, que nos afasta da vivência natural de nossos fluxos. 

Aqui no Cerradão do Planalto Central, por exemplo, o dia estava naturalmente clareando por volta de 05h30. Estava acostumada a acordar com o nascer do sol, alimentar a galera e preparar os labs para o passeio diário. Tudo isso tomando café na varanda da frente da minha casa.

Meu dia rendia mais, independentemente de um relógio, utensílio que sequer ostento em meu pulso, pois sempre funcionei bem olhando o Sol e o céu. Agora, enfim, acordarei com a sensação artificial de escuridão, não mais observando da janela da minha cozinha o espetáculo do raiar do dia.

Tudo bem que a medida reverte para o bem da coletividade e não estou levantando uma bandeira aqui contra o horário de verão, mas creio serem importantes alguns esclarecimentos. 

Para o restante do Universo, além do paradigma de tempo linear não fazer a menor diferença, sua cronometragem não segue, para fins astronômicos e, claro, astrológicos, o horário de verão.

Dito de outra maneira: os calendários lunares seguem seu fluxo. Por exemplo: hoje, dia 18 de outubro, a Lua Nova entrou em Capricórnio às 15h53. Como estamos no horário de verão, temos que ajustar o relógio para saber que "a lua não espera o horário de verão" (copiei o Gabriel). 

Ou seja, se quisermos fazer algum trabalho mágico aproveitando a energia da lua em Capricórnio, teríamos que fazê-lo às 16h53min. Para o cálculo do mapa astral, existem programas que já trabalham com o horário de verão no algoritmo. Mas, para quem não tem acesso a sites assim, basta adiantar uma hora para fazer o cálculo.

No dia 27 de outubro termos uma Lua Rosa que entrará às 09h06 no horário usual, 10h06 no horário de verão. Importante saber o horário de ingresso na energia da lua específica, pois as primeiras horas de lunação agregam mais força no potencial de trabalho.

Difícil? Nem tanto. 

Acredito que esse seja o ajuste necessário para o bom fluxo dos trabalhos, pois, afinal, nada sobresta o curso da Natureza, nem o ser humano, desejando compor em cifras o descaso de séculos para com a preservação dos recursos naturais. 

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Beatriz Ajè: CAUSA & EFEITO

Compartilhando no dia de hoje um texto muito legal da querida Beatriz Ajè, blogueira estudiosa. Já gostava do que ela falava para mim, quer seja por e-mail ou quando a visitava. Agora por blog, então, ela começa a fazer um magnífico trabalho de conscientização. Recomendo muito!!!



Beatriz Ajè: CAUSA & EFEITO: O tempo assume dimensões completamente diferentes fora do domínio da mente. Reencarnamos muitas vezes num período de milhares de anos par...

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Entre sedas, flocos e algodões: o eterno retorno ao sentido

Fonte da imagem: https://sementeperegrina.files.wordpress.com/2008/06/femeassaggradas.jpg
Sabe aqueles dias em que olhamos à nossa volta e percebemos ser necessário retomar antigos caminhos que remontam à felicidade de outrora, aquela que findamos por afastar? 

Simplificando essa pergunta extremamente "filosófica" para alguns e a contextualizando mais abertamente: quando olhamos no espelho e observamos ser necessário recompor a alma? 

Escrevendo o "O" com um copo para clarificar ainda mais: sabe quando olhamos o guarda-roupas (no caso, a arara de roupas) e percebemos uma tonelada de roupas que são lindas, pinturas de Monet, mas A-B-S-O-L-U-T-A-M-E-N-T-E nada a ver com nossa autoimagem?

E, pior, olhamos para a outra arara (contendo as roupas vistas pelas pessoas como demasiadamente simples, hippies, desleixadas e outros adjetivos) e vemos ali uma verdadeira era da inocência, momento de contínua felicidade lúdica? 

E quando, depois dessa síncope, olhamos ambas araras ao mesmo tempo e temos a leve sensação de marejamento dos olhos e aperto (ainda que leve, por mero orgulho) no coração?

Pois bem...

Acredito piamente que, nessas epifanias, acabamos por descobrir, talvez, que nossa alma sai de férias e, no lugar dela, entra alguma entidade fashion week, ávida por se apropriar de um corpo e se deleitar às custas de nosso esboço de aceitação social e satisfação da alteridade.

Quando isso acontece, perdemo-nos em meio a justificativas do injustificável, repetindo para nós mesmas, bem para os outros, que se trata de um "novo eu", ou, numa pegada antropológica, de uma imersão no horizonte nativo a desencadear ricas experiências de vida.

Até escrevemos postagens a respeito!!! [ainda bem que o post em questão, chamado Entre algodões, sedas e brilhos: O Sagrado e o Feminino na flutuação etérea de nossas vestes, sintetiza uma perspectiva que não está necessariamente atrelada a UM estereótipo de indumentária, ainda que a motivação, à época, tenha sido alimentada por isso].

Sem olvidar disso - pois as experiências são realmente ricas - fugir rapidamente do prumo da alma tem sempre o condão de reafirmar alguns valores e paradigmas, bem como, claro, modificar sempre algo dentro de nós. Isso é inquestionável. Mas, o que me pergunto aqui é: até que ponto as extreme makeover soluções incorporam estados legítimos de honestas transformações de alma?

A resposta sempre é difícil a priori e, não-raro, apenas chegamos a alguma conclusão DEPOIS do processo ter desencadeado alguma perda que, mais adiante, finda por arranhar a alma. Sem problemas, pois, afinal, nunca descobrir e viver o autoengano é bem pior do que chegar à conscientização em alguma parte da trajetória. 

Mas, voltando ao ponto: como saber? 

Simplificando bastante a problemática, não é difícil perceber pequenos sinais que se avolumam e, posteriormente, transformam-se em bombas-relógio cuja implosão se condiciona à agressão contínua e recorrente à alma.

Tentando ser pragmática, alguns sinais simples...

Quando o mundo inteiro - I mean, the whole f...g world - de pessoas fora do seu convívio íntimo, viram para você e dizem que agora, somente agora, ao colocar uma roupa mais cara e decotada, você está linda, desconfie. Desconfie e desconfie mesmo, pois, ali, sua alma está se preparando para zarpar e dar lugar à entidade fashion week mencionada.

Isso porque, quem o/a conhece em seus valores de vida, bem como em termos de paradigmas, sabe que, ao final, você está bem ao incorporar, em sua rotina cotidiana, a forma de pensar e viver a vida. 

Roupas, acessórios, caras, bocas e cabelos são a resultante plasmada no mundo físico de ideologias que trazemos em nosso imaginário simbólico, linguístico e hermenêutico. Aqui vale a boa máxima de Hermes, adaptada para "o que está dentro está fora". E não o contrário. Não é a roupa que - de fora para dentro - determina quem somos. Nós é que a definimos de acordo com o que sibila dentro de nossa alma. 

Como resultado, outro alerta: quando a forma de vestir publicamente destoa da maneira com a qual, em seu cotidiano, você se arruma, sinal de polaridade e dissitonia por aí. Eu não vou falar bipolaridade (desisti de estereotipar) porque decidi não patologizar esse estado, mas creio que seja algo bem por aí.

Vestir-se é se expressar identitariamente... 

Com isso, destoar em termos de usufruir de um Versace num pólo, para pular, noutro ponto, para a sandalita da Feira da Torre de TV, sustentando ambos em um sincretismo alla brasileira (aqui tudo é eclético, misto e relativo, numa forma de não se ter posição ou opinião definida por pressuposto ético, é a constante cívica) é outro forte sinal de fim dos tempos. Pegue o banquinho, faça seu chá e, tal qual os monges no filme 2012, espere a tsunami porque, por certo, o cerrado virará mar. Impraticável!

Não estou aqui criticando as nuances de quem oscila circunstancialmente de um ponto a outro, mas alerto para a incongruência discursiva, quando a base da experiência de vida consiste em refutar estilos de vida incompatíveis com a ideologia que se abraça como fora de explicar e viver o mundo.

Quando comecei a descobrir que o tempo na frente do espelho estava sendo maior do que os momentos de deleite com minha família, comecei a questionar esse estado de latência em que insisto em me colocar de tempos em tempos. Acordar com o rosto e os olhos inchados pela maquiagem que traz reações alérgicas foi outra forma de resgatar minha alma para o realmente importante. 

E me lembrar de que a roupa é um estado de alma, consequência dela, e não o inverso, foi uma boa forma de enfrentar o problema. Sem deixar de mencionar a conta bancária que, por óbvio, não resiste a tanto saque inoportuno. 

Ah, sim! 

Roupas lindas, mas NUNCA usadas, pendendo nas araras e atravancando a vida são um sinal óbvio de inconformismo com o estilo. A ideia é simples: quanto mais se gosta de uma peça de roupa, mais se usa, não é mesmo?

Saltos? Detesto. Odeio. Trazem dor. Simples assim e ponto final. Sem comentários, ainda mais aqueles do tipo "para ficar bonita precisa sentir dor e se sacrificar", uma ode à beatificação de quem dociliza o corpo.

Tive um problema sério na planta do pé usando uma sandália de salto que, depois, em face do trauma, nunca mais ousei colocar no pé. Vou levar para o brechó onde negocio a preços justos (o Peça Rara) e compartilhar com quem deseja usar salto...ainda. No meu pé, não. Game over!

Minhas sandalitas baixas e estilosas da Torre de TV podem ser taxadas de desleixadas, pouco sofisticadas, enfim. Sei lá. Mas o que realmente me importa é que não chego em casa ao final do dia desejando pegar uma serra elétrica e amputar meu pé dolorido. Isso faz toda diferença na vida de uma pessoa que deseja qualidade no viver e que, ao final, não se importa com as opiniões alheias.

Aliás, quando descobri essa derradeira dica tudo se clarificou à frente! Foi então que reconduzi minha alma de férias em Cancún para seu lugar de origem: em mim. 

A primeira providência foi dar vazão ao volume de roupas acumuladas e não usadas, colocando tudo em uma sacola de viagem e levando para o brechó. Não vou ficar rica, muito menos recuperar dinheiro integralmente. Nem esse é o propósito. Dispender racionalmente meu dinheiro, sim. Bem como fazer melhores escolhas em relação à imagem. 

Farei o mesmo com umas bijuterias lindas, mas que nada têm a ver comigo!!!!

Sobretudo, uma grande lição: não me deixar abalar pelas convicções alheias, ainda que embaladas pela boa-fé. Afinal, são convicções das próprias pessoas e, por isso, podemos presumir que as estão dando de bom grado e com as melhores intenções. 

Agradecemos e seguimos o curso de nossas vidas, apaziguando nossos espíritos e nos voltando para a grande trajetória da elaboração de nossas marcas nessa vida. Isso, sim, faz toda a diferença!!!

E viva a diferença!!!!!


Fonte da imagem: http://files.dancandocomosdragoes.com.pt/200000336-1603016fcf/7907_1438686503023409_286055753_n.jpg









Um dia, mil felicidades...

Fonte da imagem: https://img1.etsystatic.com/010/0/5255184/il_fullxfull.439792291_h9xo.jpg
Com tantas opções para aproveitar uma semana de bom descanso, poderia até mesmo pensar que a alegria estaria em uma praia ou, talvez, em uma cachoeira a quilômetros de distância daqui. 

Ou seja, a boa e velha ideia de que felicidade é uma "meta" longínqua a ser alcançada fora de nós, e nunca um estado existencial autorreferente, gravitando em torno da experiência vívida de plenitude, pouco importando onde se está...

Estou descansando um pouco durante essa semana de acúmulo de datas importantes: um feriado no dia 12 de outubro, bem como o dia do professor, 15. Algumas faculdades fizeram uma conjugação entre as datas e pararam suas atividades, retornando apenas na próxima semana: uma boa pedida para recuperar a alma e prepará-la para a reta final de fechamento do semestre.

Não atendo telefone, muito menos acesso e-mail profissional nesses dias, para não atrapalhar o fluxo da energia em processo de reciclagem (rs, para arrepiar o/as cientistas de plantão).

Estou dando um tempo em tudo que diz respeito ao que não é lúdico, pois decidi dedicar essa semana à frugalidade e ao ócio produtivo, uma forma de higienizar a mente e o espírito: runas, tarot, celebrações lunares, gastronomia e boas conversas têm sido a agenda onírica a me embalar durante esses dias. Até fizemos uma imersão noturna no córrego daqui do condomínio, para limpar, recarregar e programar alguns cristais, não sem, mais uma vez, eu me deparar com meus TOCs-sombra (escuro, lodo e solidão).

Pois bem...

Como o calor não dava trégua e a programação de atividades aquáticas não vingava (Parque Nacional de Brasília super lotado de seres em desespero), não hesitei em aceitar a sugestão do Gabriel para simplesmente tomar um banho no Lago Paranoá. Simples assim. 

Lago Paranoá. 


Torcidas de nariz? 

Talvez, mas acredito que boa parte delas seja pelo desconhecimento da potencialidade desse manancial de água. Muito já se comentou sobre a limpeza do lago, mas, ao final, o que fica é a certeza de que existem pontos onde a água é bem propícia para o banho (basta acessar o hiperlink acima para saber).

Atravessamos a ponte, vimos um local em que a pista dá azo para uma estradinha de chão e rumamos para um local da orla em que é possível acessar a água.

Uma verdadeira moldura natural, ladeando a água e nos permitindo regojizar ante a vista, como na foto acima. Uma maravilha, gratuita, acessível e bela. E parece que a ideia não foi privilégio apenas nosso, pois lá chegando vimos um rapaz de moto, descansando embaixo de uma árvore, bem como pescadores lançando suas iscas.

Nada como a sabedoria popular: onde existe muita gente pescando, existe muito peixe. E onde há peixe, há água boa. Bom, como não vimos nada geneticamente modificado (como nos filmes Anaconda 20 ou Alligator 12), descemos para a água e lá ficamos por umas boas duas horas. Papeando, nadando e, no meu caso, lidando com meus TOC-sombras, como ter a sensação de pisar em lodo, o que foi feito com sucesso!!!

Aliás, antes mesmo de entrar, de sola, na água, fechei os olhos e senti o vento, abrindo os braços e me conectando com todos os elementos que estavam ali conosco: ar, água, fogo e terra. Outra maravilha, pois não precisamos de parafernália esô (de esotérica, uma referência ao exagero de se utilizar uma tonelada de instrumentos para acionar o gatilho subconsciencial) para o sentimento de conexão ao Todo se elaborar em uma egrégora de pura força vital.

Enquanto observava o movimento de carros indo e vindo na Ponte JK, lembrei-me de todos os dias em que faço o mesmo, saindo de casa para o trabalho, muitas vezes sem me permitir vivenciar sequer olhar mais atentamente para o lago e perceber o quanto posso ali me perder e me encontrar. 

O tempo parou naquele momento de júbilo em que percebi, mais e mais uma vez, não ser necessário muito mais do que uma boa ideia para se viver bem os dias nesse planeta, pois a criatividade e a imaginação são o combustível mais potente para a elaboração dos mais inusitados roteiros de lazer.

Nadamos até eu virar um camarão (pois só lembrei de passar o filtro solar quando já estávamos indo embora), peguei carona nas costas do Gabriel (nunca havia sido carregada por alguém na vida) e rumamos para arrematar um resquício de carreteiro que eu havia feito no dia anterior: o melhor de todos que já fiz, pois acrescentei ao charque um pouco de linguiça de calabresa reduzida no vinho tinto.

Aliás, outra boa lembrança: decididamente me alimento melhor em casa do que tentando me arriscar nas incertezas da rua (má qualidade, aliada a alto custo e péssimo atendimento). Até ceviche fizemos por aqui, sem dever para restaurante algum. Arrisco-me a compartilhar a receita... Anotem os ingredientes:
4 postas de robalo  - 1/2 pimentão vermelho -1/2 pimentão amarelo -1 cebola roxa grande -2 pimentas dedo-de-moça - 5 pimentas de cheiro - limão a gosto - azeite a gosto - sal a gosto.
Corte o robalo em cubos pequenos e o misture com os pimentões, a cebola e as pimentas, todos cortados bem picadinhos (à julienne), à exceção da cebola, que é cortada em tiras longitudinais. Misture tudo, acrescente o sal, o azeite, um pouco de pimenta do reino picada e regue com o sumo dos limões (eu coloco a quantidade de limão para mergulhar 3/4 do volume do peixe). Daí basta colocar na geladeira e deixar marinar. Fica uma delícia!!!
Tudo isso só foi possível porque estou nos mais plenos dias de encontro com minha alma simples, que se contenta com a vida que se elabora por gratidão. Falo isso agora, nesse post, porque depois vou postar um outro texto com as peripécias de mais um momento em que minha alma saiu de férias por aí...

O dia feliz rendeu até uma fotografia de lindos flamboyants em plena floração, outro espetáculo para os olhos sensíveis de quem se permite enxergar a obviedade no invisível imanente.


Pode parecer até uma chácara, mas se trata de um condomínio aqui perto do Jardim Botânico. Um bom lugar para visitar e tirar fotos. 

Essa aqui ao lado foi tirada pelo Gabriel, em grande estilo. Custo da aventura? ZERO. Um colírio para olhos cansados de urbanidade e concreto, fazendo com que possamos refletir, a cada dia, sobre a maneira como dispendemos nosso tempo nesse planeta legal.

Esse foi o dia da volta do tchibum no lago, quando passamos no mercado para comprar alguns ingredientes para fazer uma salada (um hábito que nunca abandono, ainda que ingira, por hipótese, uma caldeirada de feijoada, rs).



Bom, esse foi o relato de um dia feliz, vivido na plenitude do que é mais simples e, ao mesmo tempo, mais completo: a gratidão por estar no aqui e no agora. Sem apego ao passado, muito menos ansiedade no futuro. Aqui. Agora. Ponto...




sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Entre a ciência e a arte: da física à bruxaria, o desvendar da tirania no monopólio da ignorância

Fonte da imagem: http://www.sopraconstar.com.br/wp-content/uploads/2015/06/sagrado-feminino-2.jpg
Estou cansada de alguns tipinhos de físicos e cientistas de plantão que, embalados pela ladainha de uma conjuntura androcêntrica, acreditam piamente que as formulações matemáticas que tentam forjar com suas peninhas e papiros são mais habilidosas do que a própria emanação da Natureza em sua grandiosidade...

Isso é irritante e, como conta-gotas, acaba com qualquer tentativa empática de respeito à alteridade. A longo prazo, trazem o escárnio e a indiferença, pressupostos para a invisibilização do respeito. 

Não é segredo a apropriação do masculino sobre a ciência oficial, desde a segregação dos pré-socráticos para um mundo apartado dos renomados filósofos "famosos": Platão, misógino...Aristóteles, misógino. O mais interessante dessa tipologia de asneiras é ainda escutar mais pérolas, estilo "homens são de Marte" e "mulheres são de Vênus", uma dicotomização na qual somos ainda insistentemente alojadas para posições de bestialização e fragilização quando, a bem da verdade, somos fortes - o bastante para dar à luz e expelir um ser de nossas entranhas...

Um festival androcêntrico da mais pura secundarização da mulher e de nossos segredos, paradoxalmente invejados por esses seres que, por mais que sejam desejosos, não conseguem criar, mas apenas reproduzir. Afinal, somente mulheres têm útero, bem como somente nós, mulheres, sangramos.

Sangramos mensalmente e não morremos. Somos deusas que trazem a vida nas entranhas, dedicados atos de CREAção que são pouco compreendidos por essas hordas de ignorantes iconoclastas da ciência, violadores da alquimia, da astrologia, enfim, opressores da sensibilização e da alma. 

Enquanto isso, os que não sangram e nos invejam tramam tessituras de justificativas para minar a capacidade criativa do sangramento: inventam que menstruar é perda de tempo, tentam nos convencer a tomar toneladas e toneladas de hormônios para evitar o fluxo.

Inventam os partos-com-parafernálias, bem como inventam o termo "histérica" para deixar claro que somente uma mulher pode surtar, por ter hysteros. Aliás, inventam até mesmo uma pseudo inveja do falo. Tudo para encobrir o verdadeiro epicentro da inveja: o conhecimento contido nos mistérios e segredos femininos que, por excelência, são restritos a quem, de fato, mais se conectou à Natureza ao longo de milênios: a mulher. 

Inventam artifícios para evitarmos ser mulheres que sangram. Que originam. Que criam!

Não há como respeitar esses falsos profetas das ciências, que tanto se apregoam alheios da superstição, mas que, por trás, vociferam vodus contra a sacralidade feminina. 

Essa pseudociência é desprovida de sensibilidade, de vida, de docilidade. Um retrocesso na trajetória espiritual da humanidade, pois pretende substituir a deidade pelo endeusamento de seres tão dotados de baixa autoestima, que precisam desqualificar o conhecimento oculto - do qual nada sabem - para que a iluminada ciência possa vingar. 

Mas, que paradoxal!

Não conseguem explicar a própria pequenez! Não conseguem olhar para dentro do próprio poço de ignorância e extrair algum filete de água morna para limpar as remelas que estão a colar os olhos. 

Só explicam processos externos, vendo-se apartados das experiências que, por pressuposto, a posição como observadores faz com que se modifiquem. Que mórbida sensação de imbecilização do conhecimento. 

Enquanto isso, as estrelas continuam a cantar no céu, ainda que estes fétidos seres insistam em apregoar sua morte!!!


O futuro diáfano das tradições sagradas no paganismo na bruxaria brasileira...parte 1

Quando decidi criar esse blog para compartilhamento de experiências pessoais e familiares na trilha do Sagrado e do Feminino, deparei-me com um interessante movimento de visibilização do paganismo no Brasil, por volta dos anos 90 e início dos anos 2000. Naquela época, o must do momento era a transposição conceitual do que vinha sendo desenvolvido, sobretudo, no trabalho wiccano europeu e estadunidense e, mais especificamente, nas tradições wiccanianas de cunho feminista, a exemplo de Starhank na Dança Cósmica das Feiticeiras.

Fonte da imagem: http://www.desocultando.com.br
Prato cheio para o que entendi ser um momento auspicioso de revelação ao mundo do que a latinidade androcêntrica e cristã sufocou durante séculos sob o manto das perseguições e deslegitimações. 

Estava fortemente embalada pela literatura ecofeminista, de cunho ético-religioso, bem como pela vivência como mulher e protagonista de uma trajetória bem diferenciada, destacada de um paradigma que se estabeleceu como politicamente docilizado, no qual a figura da mulher é submetida a um papel secundário de produção de conhecimento. 

Pois bem.

Passados alguns anos de consolidação dessas vertentes, bem como da eternização dos debates em torno das sempre lembradas distinções entre wicca e bruxaria, penso ser um momento muito propício para outras reflexões, sobretudo em relação aos rumos para os quais essas e outras tradições têm se direcionado. 

Acompanhei, com minha natural curiosidade antropológica, formação e dissolução de covens, efervescência de escândalos, fortalecimento de novos pensamentos. Tudo bem observado à luz de uma contemplação que, a despeito de não pretender ser nada descomprometida, ao menos não renega o lugar de fala, para que as impressões possam, ao final, servir de base para futuras gerações de bruxas e bruxos. 

Impressionismos à parte, tentarei ser sucinta e pragmática nesse arremedo de reflexão e, com isso, creio ser muito importante enfrentar as razões pelas quais opto em seguir meu caminho solitário há 30 anos...

Afastei-me de pessoas queridas, é bem verdade e, talvez, dentro disso, seja natural que tenha que arcar com um ônus existencial de não mais interagir com pessoas que, em outros tempos, representaram empatia no caminho da bruxaria brasileira. 

Arrependimentos? 

Nunca, pois a cada dia os sinais que a Natureza revela trazem a certeza de ser o caminho correto a seguir. Caminho correto pela languidez no fluxo de uma constância de paz. 

Creio se tratar de inerente resultado da busca do caminho que, para mim, é solitário, por mais que estejamos em uma senda coletiva. O coven ou o clã marcam afinidades mágicas no compartilhamento de dados e fontes, mas não se colocam em supremacia no que diz respeito a deslegitimar a experiência pessoal de vivenciar a bruxaria em cada ponto longínquo de nossos corpos. 

Por mais que possam ser compartilhadas receitas "de pé de caldeirão", poções, bruxedos e praguejos, a construção de uma egrégora constitui um movimento energético que é próprio e específico de cada mônada ou agregação energética. Por isso nunca destinei esses escritos a repartir conhecimentos familiares que, além de serem herança do que está em minhas entranhas, constituem atitudes que somente fazem sentido para mim...

Tenho, ainda, como boa ariana em signo solar, ascendente e vênus, uma repulsa natural a todo e qualquer foco ou tentativa de dogmatização em regras e liturgias, ainda mais em se tratando de ovações a sacerdotes e sacerdotisas tidos como salvadores do paganismo no Brasil. 

Sinceramente? 

Vejo nisso uma série crise de identidade, baixa autoestima e, sobretudo, ausência de conhecimento. Quando se projeta na figura idolatrada de um chefe espiritual uma pecha de protagonismo áureo, corre-se o risco de se legitimar a falta de senso crítico a respeito da Arte. A aceitação cega é, para mim, o primeiro passo para o emburrecimento espiritual, nada tendo de libertador, mas, antes, de opressor e sufocante.

A bem da verdade, ao observar algumas cerimônias e imersões pagãs - tanto em alguns grupos de wiccanos, como, também, em supostos clãs de bruxas que, ao final, praticavam wicca jurando ser bruxaria (o que é bem comum e nada de espantoso, a não ser a ignorância conceitual) - ou trocar ideias com pessoas ligadas ao tema, passei a desnudar um campo simbólico extremamente rico a me oferecer subsídios para encontrar, em certo sentido de minha experiência, muitas semelhanças entre rituais cristãos e o que vi sendo praticado por aí.

Se, por um lado, é bem verdade que o cristianismo se apropriou de muitos ritos pagãos para se estabelecer como paradigma dominante, por outro, o afã em se consolidarem rituais com forte pegada dogmática mostra-se um contra senso à ideia do que é bruxaria. Bruxaria, não wicca. 

Distinções? Poderia tecer infinitas, mas creio que a lucidez antropológica me permite o silêncio em não discernir o que não existe sob a perspectiva de um debruçamento mais científico e acadêmico. Enfim.

Muitas regras, muitos dogmas. Torres de observação para lá, espadas para cá. Uma miscelânea de magia cerimonial (afinal, muitas vezes cristã mesmo) com elementos pretensamente sincréticos, mas que, ao final, constituem a mais perfeita síntese da zona na qual um dito ecumenismo brasileiro verteu a bruxaria. 

Nada pessoal, apenas a percepção de estar em uma zona de guerrilha, dentro da qual cada sacerdotisa ou sacerdote desejam, ávidos, se fazer senhor ou senhora das almas alheias. Da minha, não. Ela é minha e da Natureza. Quando muito, da minha família, a quem presto reverência em face da linhagem que se sucede, por eras, em torno do cerne do nome de La Vega. 

Não se criam bruxas por atacado, muito menos se elabora uma bruxa com o uso de capas, pentagramas e vassouras. Muito menos com a pretensa arrogância em se posicionar como oráculo de representações e mandatos religiosos. Longe vai na História a origem divina do poder temporal, a despeito de certos líderes realmente acreditarem ser representantes da Deusa na Terra. Será esse um processo consciente? Quero acreditar que não, pois, se pensar que sim, daí a coisa verte para a má-fé e para o charlatanismo...

Dentro de tal aspecto, tenho acompanhado nas redes sociais e nos vídeos disseminados por aí rituais, receitas, cerimônias e toda sorte de reunião de bruxos e bruxas, não sem me espantar, por várias razões. A primeira, como dito antes, em face da proliferação de receitas apresentadas como infalíveis e democraticamente acessíveis a todos e todas, mas que são fruto de esforços pessoais e energéticos de quem as elaborou, agregando, assim, por óbvio, representações que são pessoais. 

Muito menos que isso, contudo, tenho me assustado com o contingente de asneira por metro cúbico proferido de palavras. Absurdos como "bruxas do bem", do "mal", de Marte, de Júpiter. Elfos com ciganas, capas com tigres-de-dente-de-sabre. Como disse meu companheiro, um verdadeiro cosplay a céu aberto, um ziriguidum deídico que atenta apenas contra a seriedade de quem está verdadeiramente a fazer algo com sentido. 

Constranjo-me a cada dia que passa com essa horda avassaladora de seres mágicos encarnados em protagonistas de RPG (a crítica não é dirigida a eles), reproduzindo falas e replicando ideias que nada têm de significativas para o enaltecimento da bruxaria no Brasil. 

A crença antropológica da identidade plural brasileira verte emanações para a forma como se estabeleceu uma honraria, no Brasil, a egrégoras que nada têm a ver umas com as outras. 

Como reverenciar panteões distintos???? Como chamar para uma egrégora deidades romanas, conquistadoras, ao lado de hordas celtas ou vikings? 

Alguém já se atentou para a total ausência de empatia energética desse tipo de configuração? Isso é uma falta de enfrentamento adequado de forças tão díspares, ainda mais quando se trata de forças que representam inimizades culturais seculares. 

Não consigo compreender, por mais que tente. Deusas africanas com a bodisatva Kuan Yin de um lado, Minerva com Pomba Gira de outro. O desfile das deidades femininas é, no plano simbólico e até mesmo astral, o mesmo farfalhar egoico de uma passarela de übermodels. Mas, para alguns setores pagãos, parece não ser bem esse o panorama. 

Crepúsculo das deusas...e de uma era de seriedade? 

Talvez...