terça-feira, 29 de maio de 2012

A sabedoria ancestral de nosso corpo...



Fonte da imagem: www.wholesfoodmarket.com

Um dos maiores equívocos conceituais trazidos pelo Iluminismo e a consequencial "evolução científica e tecnológica" dos últimos 200 anos de História reside, em minha opinião, na derrocada da concepção unicista de mundo, pois, a partir das "descobertas" científicas, bem como do desenvolvimento - em sede de filosofia, medicina etc. - de doutrinas dualistas, o(a) ser humano(a) moderna parece haver se apartado, cada vez mais, de uma percepção holística de si e do mundo. 


Ao meu ver, emburrecemos, paradoxalmente ao mesmo tempo em que alcançamos ápices de descobertas. Isolamos vírus, sim, viva! Mas, por outro lado, somos incapazes de dar vazão aos sentimentos macabros que nutrimos e depositamos nos eternos quartos de despejo, escondendo tudo sob um amarelo sorriso "joinha, joinha" que não mais convence ninguém.


Esse grande abismo traz reflexos bem nítidos, a começar do cisma entre uma dita "medicina oficial" e o que - bem, é claro, para a oficial a outra é chamada assim - se definiu como uma "medicina alternativa", cujo enunciado, não raro, é tomado pelas pessoas como indigno de confiança ou seriedade, "produto New Age" olhado por quem tripudia como um personagem do Beco Diagonal harry potteriano, ao mesmo tempo em que, num momento de conveniência, é acionado pelo cético para uma consultoria "espiritual", quase sempre focada na busca de alento onde a Medicina, a Psicologia e as demais "alguma-coisologias" não conseguem responder.


Nesse sentido, quantas vezes já ouvi gente me aconselhando a ingerir antibióticos, anti-inflamatórios e outros anti-alguma-coisa, remédios sintéticos (mortos) que - a partir do paradigma unicista no qual acredito - além de destruírem boa parte do meu organismo e, a bem da verdade, serem drogas (mas hipocritamente marcadas pela "chancela" de legalidade, apenas porque trazem rios de dinheiro para as indústrias que fazem testes nas populações africanas - ex vi o filme O Jardineiro Fiel), não chegam ao pano de fundo de boa parte das doenças, qual seja, os déficits elaborados por nossas almas e que é invisibilizado pela mediocridade com que o humano(a), em idos de pós-modernidade, chegou ao fundo do poço do desconhecimento sobre si mesmo ou mesma. 


Dez ou doze anos atrás - quando foi a última vez em que tomei um antibiótico na vida - quase tive uma úlcera, porque meu organismo não suportou a agressão. Minha língua feriu-se, ficando em carne viva, bem como meu estômago rendeu-se em prantos, soltando uma fedentina digna de um cadáver. 


Esse enfrentamento brutal com a morte (não minha morte, mas o fato do antibiótico ser o que é, anti + biótico e, com isso, matar tudo, até minhas células) trouxe, de vez, a necessidade de me recolher e refletir sobre os rumos da minha vida, pois, o que vi, naquele momento, foi a deterioração chegando e se instalando em minha vida. Lembro hoje que, naquela época, pesava por volta de 90 quilos e, ainda que eu fosse alta - 1,75 - essa aglutinação toda de gordura, massa e bolor iria me levar mais cedo para o outro mundo. Dei um basta e, com isso, retornei ao lugar seguro das memórias familiares que tanto me incentivaram a me alimentar direito. 


Ou, ainda, por outras tantas vezes observei outros conselhos, desta vez alimentares, sobre o que eu "deveria ingerir", dentro, claro, de um lugar de fala que não contempla o paradigma no qual acredito, mas, antes, toma-o como, no mínimo, "interessante", palavra politicamente correta para indicar, em nível semântico, que não reputamos seriedade ou validade em algo ou alguém.


"Coma uma carne", dizem uns. "Beba leite, é bom para a mulher", dizem outros ou outras. Conselhos bem "interessantes" (aproveitando minha fala acima) em relação aos quais observo uma ingenuidade atroz, para não falar uma ignorância estrutural em relação a tudo que está esquadrinhado na contemporaneidade a respeito de hormônio, pesticida, agrotóxicos e demais hecatombes que já foram detectadas há tempos, mas cuja existência parece, ainda, que boa parte do mundo ocidental e "muderno" negam-se a olhar de frente. 


"Uma rosca para forrar o estômago", dizem outras pessoas, atos singelos que revelam uma ignorância atroz em relação à minha matiz, além de se revestirem do mais profundo etnocentrismo no que diz respeito a se achar que os valores e posicionamentos de vida são os mesmos para todas as pessoas. Ir ao médico? Nossa, esse é o conselho que mais recebi durante toda a minha vida nesse orbe, como se meu médico - homeopata - fosse formado em gastronomia, e não em Medicina... 


Como se a fitoterapia fosse um "bando de chá e erva de maluco" com efeito placebo apenas porque OBVIAMENTE para o paradigma científico ainda dominante é contraproducente reputar validade nas ervas. O que é igualmente paradoxal se observarmos o quanto biomas como nossa Amazônia despertam a atenção de laboratórios no mundo inteiro, sem deixar de mencionar os pedidos de patentes de remédios que usam nossa flora como base...mas, enfim, queremos acreditar no que nossos olhos míopes nos mostram...


Quando ingerimos algo em que, por pressuposto de vida, ética e crença, não reputamos saudável ou sério, além de praticar violência contra nossa alma, corremos o sério risco de piorar nosso estado de saúde, uma vez que o corpo rejeita - em consonância com o que a alma reverbera - o elemento repudiado. É o mesmo que ingerir veneno colocar na boca uma substância que, a priori, temos como prejudicial, pois a consciência já internalizou e processou os efeitos danosos que o alimento oferece (se é que se pode chamar de alimento um veneno).


Daí a necessidade de mudança, a começar pela ética do respeito à opção de vida e de saúde das pessoas. Assim como não desejo que minha premissa seja universal porque ela diz respeito aos meus valores e minhas experiências até chegar aos valores (que são, por sua vez, provisórios até o momento em que novos valores ocupem o lugar dos antigos), de igual maneira acho importe respeitar a opção alheia em quedar no dualismo. 


Aliás, ante tudo que já se produziu em termos de conhecimento e abandono à ideia pré-socrática de holos, tomo o mundo, bem como seus habitantes - incluindo a mim mesma - como imerso num grande mar de dualismo, ainda que tentemos sair dele em um bote salva-vidas. Remamos, remamos e remamos, mas, de tempos em tempos, a maré dualista vem e se instala, eclodindo, assim, em doenças, neuroses e demais apatias anímicas que se plasmam no corpo físico.


Tudo que lemos, reproduzimos e pretendemos internalizar a respeito da unidade entre alma e corpo cai por terra quando nossa "zona de conforto" recebe algum impacto mais proeminente. De senhores e senhoras de si, quedamos em processos obscuros dentro de nossas almas (obscuros apenas porque não queremos nos encarar, pois, a partir do momento em que o fazemos, passamos a nos conhecer mais e mais e, com isso, o que estava escondido passa a ser focado a partir da luz) e mergulhamos nos processos patológicos que nutrimos com a vazão alimentar que também insistimos em desenvolver. Ao invés de escolhas conscientes, preferimos a sabotagem e a autodestruição, pois, quem sabe, um dia, conseguimos, a longo prazo, nosso "desiderato" (qual seria mesmo?).


Fincar raízes no dualismo é escolha, bem como conscientizar-se também. O primeiro passo, ao que vejo, reside em buscar fazer as pazes com o próprio corpo, observando-se sempre mais e atentando para os sinais que ele dá. A doença do corpo é o estágio final da eclosão de um déficit de alma, uma doença na alma. Os chineses já pensavam assim há 6.000 anos, bem como os indianos também. 


Até o puritanismo estadunidense está se rendendo à necessidade de autoconhecimento. Em um livro bem legal - Você pode curar sua vida - a psicóloga Louise Hay faz uma síntese de correlações entre doenças e estados de alma. 


A hepatite, por exemplo, estaria relacionada ao ódio intenso, assim como a hemorroida estaria relacionada à raiva do passado. A dor de cabeça, ligada ao sentimento de desvalorização própria, bem como o resfriado, à desordem mental ou à mágoa. Aliás, mágoa é o que não falta na lista, pois, segundo a autora, a sinusite - patologia que atinge muitas pessoas, de maneira até mesmo silenciosa - estaria relacionada à irritação com pessoa próxima, assim como o câncer - ah, esse vilão!!!! - nada mais é do que a mágoa crônica e perpétua, consolidada ao longo da vida da pessoa.


Diante de tudo isso, então, o que fazer? Não sei, ao certo, pois o que faço só vale para mim. Sei apenas que sou feliz com a opção eremita que escolhi, recolhendo-me em casa para cuidar da minha saúde e da saúde de quem me é caro e amado com o que minha família me ensinou. 


Minha tia, com a base macrobiótica na qual fui introduzida aos 9 anos de idade. Minha avó, nas saudáveis vitaminas de levedo de cerveja e sementes, bem como nas folhas verdes. Minha mãe, nas lições da loja de produtos orgânicos e naturais que manteve durante 10 anos. 


O restante tem sido fruto das tentativas e erros - mais acertos do que erros - na medida em que parei para me observar e escutar a minha alma. 


Por isso, com todo o respeito às pessoas que pensam diferente, mas meu caminho lactovegetariano, fitoterápico, homeopático e unicista vale para mim, de modo que o proselitismo me é lido como uma violência contra a minha alma...Não quero salvar o mundo, mas igualmente não permito que ninguém "tente me salvar", pois a cada qual é dado o tempo certo para crescer, nada mais. 


Dentro disso, cada um ou uma deve mesmo saber de si...simples assim!



segunda-feira, 28 de maio de 2012

Os perigos escondidos em uma caixinha de tempero...

Quando era criança e morava com minha mãe, sempre a ouvia dizer que o tempero de caixinha era um veneno. Nada em nosso lar era fruto de tempero artificial, mas, antes, produto de uma gastronomia sempre focada nos parâmetros de frescor, sustentabilidade e, sobretudo, saúde. Minha mãe usava os ingredientes a partir de uma alquímica combinação de sabor e saúde, preferindo sempre tudo feito na hora, ao invés de utilizar produtos congelados, industrializados e, claro, artificiais.


Houve uma época - por volta dos 9 anos de idade - em que minha tia me introduziu na culinária macrobiótica, fato este que reverteu no meu afã em comer cereais integrais na atualidade. Da mesma forma, a preocupação com a saúde, compondo, assim, uma dinâmica holística de agregação a um sentido muito maior de sustentabilidade da carcaça.


Com isso, ontem me vi em um dilema. Na verdade, trata-se de um falso dilema, pois, a bem da verdade, não houve conflito em relação à minha opção. Por outro lado, tive que falar não para quem me é amado, correndo o risco de ser tomada como "chata" - como, de fato, fui chamada - apenas porque não como nada que seja temperado com caixinha rica em 44% de sódio. O arroz estava muito lindo, era próprio para a ocasião, composto por 7 grãos. Mas, como se tratava de um produto industrializado, já desconfio que não é legal. Nada contra o fabricante, mas tudo contra em relação à minha opção em prol da minha saúde!


Que mal existe em não se gostar de um tempero de caixinha? É questão de gosto...Cada uma ou um têm a opção de gostar e escolher o que gosta, nada mais do que isso. Não se trata de chatice, mas de gosto. Assim como existem pessoas que não gostam de pepino, outras que não gostam de pimentão, outras tantas de maçã, de bolo, de geleia. Nem por isso são chatas aos meus olhos, porque, a bem da verdade, cada um sabe do que gosta. Simples assim.


A "chatice" está na frustração de quem deseja agradar e, por questões óbvias de não ter o cuidado de observar a vida alheia, julga o outro como errado em sua opção. Uma realidade é valorar o gosto do outro, hábito impertinente, pelas razões óbvias acima descritas. 


Outra, bem diferente, é fazer uma científica avaliação, pautada em métodos eficazes, sobre a precariedade nutricional de determinados pseudo alimentos. É inegável que 44% ou 54% de sódio contidos em um tablete de caldo, ou em uma colher de chá de tempero podem trazer uma hecatombe nuclear para nossa saúde. Diante disso não se sustenta a chatice...simples assim. Se chatice é sinônimo de preocupação com a saúde, eis-me a pessoa mais pedante do Universo, pois não barganho com uma alimentação digna.


Sem deixar de mencionar o gosto de cabo de guarda-chuva que esse tempero deixa na comida. Parafraseando minha mãe, mas indo "para além dela", tempero de caixinha, para mim, é uma técnica de quem não tem aporte gastronômico e tenta, aos trancos e barrancos, fingir ser o que não é na cozinha.

O eterno retorno dos caminhos do presente

Todos os dias, ao sair de casa para o trabalho, costumo fazer minhas preces para a Grande Mãe enquanto estou no volante do automóvel. Faço isso sempre que não consigo me recolher em frente ao altar sagrado de minha casa para as celebrações de gratidão, pois, em final de semestre e de doutorado, cada vez estou dormindo um pouquinho mais e, quando dou por mim, já é hora de sair correndo!


Não tem problema, pois, enquanto dirijo, prostro-me a me deliciar com a beleza das paisagens que Brasília oferece pela alameda de ipês-roxos que florescem nessa época de inverno proeminente. A sequência aqui de floração é marcada pela chegada das paineiras - em seus tons mais rosáceos - dos ipês-roxos em várias matizes e, em véspera de primavera, enfim, pelos ipês-amarelos. 


Hoje me peguei contemplando um ipê-roxo, descobrindo, enfim, sua chegada aqui pelo cerrado. Enquanto convocava a egrégora ancestral e me conectava aos elementos, senti a brisa leve e fria passando por mim, marcando a mudança de um ciclo - aquele ciclo que ontem mencionei - da saída do outono para o inverno. Quando nos conectamos ao som da Natureza, bem como ao ritmo da pulsação das estações, nossos próprios corpos e relógios nos movem para uma harmonização ímpar que, ao final, dá a tônica do equilíbrio.


"Tudo caminha para o equilíbrio" - ouvi isso ontem do Daniel e, em cima desta assertiva coloquei-me a ponderar sobre a harmonia existente entre os componentes deste Universo infindo, pois, ao final, por mais que achemos, em muitos momentos, estar algo ou alguma coisa "fora do lugar", penso que tudo está como deveria ser, sendo o "ser" o "estar" fluídico e inconstante, a construção e a desconstrução diuturna de caminhos. Afinal, estamos imersos em um rincão chamado Universo e, portanto, dentro dele, enfim, tudo está existindo numa dimensão...


Construir um caminho em cada átimo de segundo não é, por outro lado, instabilidade no sentido de não se ter foco, mas, antes, é se coligar à ideia de não nos prendermos a uma sensação ilusória de segurança, pois até mesmo a Terra, o maior e mais denso elemento, é suscetível a desmoronar quando abalada pela intempérie. 


Assim como essa grandiosidade toda pode se transformar - a exemplo da Pangeia, que mudou a faceta do globo e separou os continentes - estamos todas e todos em uma incessante transformação dentro da qual o afã de alcançar o destino apenas pode se converter em ansiedade e sofrimento, elucubrando e delirando em cima de um futuro tão incerto quanto a permanência de nossos corpos nesse planeta. Simples assim!


Comecei a perceber isso aos poucos, quando me vi fazendo planos num futuro tão absurdamente incompatível com esse estado de natureza harmônica que, ao me dar conta disso, comecei a rir, por observar o quanto desarticulada de meus propósitos eu estava. O viver é o próprio caminho, nada além disso... Metas, projetos e objetivos são bem-vindos se não sofremos com eles em face de ansiedade, pois, quando se revelam focos de aglutinação de dor, nada têm de bom, por partirem de um pressuposto que não necessariamente se confirma: a existência inexorável de futuro. 


Não existem projetos mirabolantes de aquisição de carro, construção de casa, de viagens ou de passeios que sejam mais fortes do que nossa própria existência no aqui e no agora, apenas em estado constante de inconstância no simples caminhar. Para onde? Enfim, ao sabermos que o importante é o caminho, os pequenos milagres - para quem acredita neles, enfim (pois acho que são mágica) começam a se materializar bem à nossa frente. Os obstáculos são amorosamente transpostos com gratidão e benevolência e, com isso, tornamo-nos seres melhores do que somos no dia-a-dia. É o caminho que importa, e não o "ponto de chegada", pois, a rigor, nem dele nos é permitido saber, em carne, com dom de determinismo. 


Mas para isso se revelar é preciso, por outro lado, saber ouvir mais a voz interior e silenciar mais em relação à alteridade. Saber fazer uma leitura dos sinais que a vida está, o tempo inteiro, a nos mostrar, já que, grosso modo, nada existe ao acaso dentro dessa teia de conexões causais que nos coloca em interdependência. 


É viver uma vida de percepção do básico, desde da atenção com a alimentação - o mais básico modus vivendi de se preservar - até mesmo com a alimentação espiritual, fornecendo à alma condições de se capacitar de maneira lânguida ante as pancadarias do materialismo. É descobrir harmonia ingerindo um copo d´água, é transcender o mero ato para aglutinar nele a intenção. 


Em nossa sociedade automática e robótica alimentamo-nos mal, não somos gratos com o que a Natureza se nos coloca e, ainda por cima, somos predadores, à escusa de nos posicionarmos - com o ar de uma arrogância que somente existe, em nosso planeta, nos seres humanos - como ápice de uma "cadeia alimentar" - aprisionamo-nos dentro dela e colocamos a chave tão distante que, ao tentarmos sair, não-raro fenecemos, tamanho o condicionamento com o qual dilapidamos nosso espírito até não mais existir ar para respirar.


Quando nossa voz interior nos encaminhar mais para o retorno à nossa trilha, saberemos ver os sinais...até lá, então, CA MI NHE MOS!

sábado, 26 de maio de 2012

Dia 26 de maio de 2012: a inesquecível Marcha das Vadias

Autor da foto: Marco Tulio Chaves de Oliveira - Marcha das Vadias/2012

Hoje tirei o dia para me emocionar ao participar da Marcha das Vadias aqui em Brasilia, juntamente com 3.000 pessoas que se reuniram, em um coro uníssono, para conclamar o Brasil à reflexão sobre o machismo ainda muito presente nesse país. 


Durante cada minuto em que lá estive, minha vida passou por mim como se estivesse naquele "derradeiro" instante em que se passa um filme...Muitas cenas do passado, muitas marcas de situações em que, como toda e qualquer pessoa, passei por percalços que me fizeram chegar até aqui com a maior dignidade do mundo, não sem promoverem ensinamentos em relação aos quais sou extremamente grata.


Hoje aprendi - como tenho aprendido a cada dia - que sempre posso fazer escolhas, e não simplesmente me deixar ficar em uma situação desconfortável, sob a escusa de suportar, de maneira "resignada" e mariana, uma vida de progressivas tentativas veladas de agressão, de quem quer que seja. 


Oferecer a outra face deixou de ser opção para minha vida, porque aprendi - de tudo que vivi até aqui - que a primeira pessoa no mundo a quem devo amar sou eu mesma e, dentro dessa máxima, erigindo-me como o epicentro do meu amor, derivam todas as escolhas ao meu redor. Amar ao próximo como a mim mesma pressupõe amar a mim. Não se trata de egoísmo, mas de saber efetivamente quem sou e, dentro disso, valorizar-me a tal pouco que nada - nem ninguém - consiga sequer arranhar a admiração que nutro por mim mesma.


Já internalizei a ideia de que damos e ofertamos apenas o que nossa alma pode doar, nem mais, nem menos. Isso vem sempre à mente quando o assunto é relacionamento - em qualquer nível que seja - pois, via de regra, a maior lamúria que temos a colocar - de maneira vitimizada - reside na expectativa da outra pessoa empreender a milagres e realizar o nosso "sonho de consumo", quando, a bem da verdade, quem deve se auto-realizar somos nós, ninguém mais.


Mas, se de um lado, não é justo nutrir expectativas em relação aos outros, de outro, por certo, não é justo com nossa alma que nos limitemos em relação ao que se delineia, pouco a pouco, como um natural curso para as finalizações de ciclo. 


Muito menos que desaceleremos nossos processos para aguardar que outras pessoas se impulsionem - em suas trajetórias - para um ritmo compassado que apenas faz sentido para nós e ninguém mais. Tem um ditado que diz que "quando doamos nossa luz para outra pessoa, o mundo fica mais escuro", lembrando sempre que a cada qual compete seguir o curso de sua sina, tendo em vista que a cada uma ou um de nós é dado um plano de metas que somente faz sentido para... cada um ou uma de nós!


Tudo bem, não devemos esperar nada de ninguém, mas, em idos de pós-modernidade, negociações são básicas entre as pessoas, em todos os níveis, pois marcam a maturidade com a qual saímos de relações de manipulação para a liberdade de contratação. 


A tônica para o terceiro milênio passa pelo desnudar das máscaras idiossincráticas que trazemos de outras eras, para que a luz possa revelar nossos propósitos e, com isso, elevar nossos espíritos, cada dia mais, na base da parceria, da verdade e do compartilhamento, e não mais à guisa de mascaramento de nossos fantasmas não revelados ao próximo.


Mas, relacionamentos "contratados"? Poderiam me perguntar...


Toma-lá-dá-cá? Diriam outras. Ou, ainda, "o amor não seria incondicional? Então por que cobrar?" - outras mais perguntariam. Muitos equívocos são reproduzidos em torno de máximas medíocres, que se transformaram em iconoclastia pura. 


O amor é incondicional, sim, mas, em termos de relacionamento, acho importante e saudável sempre ter em mente que somos também seres políticas e políticos e, como tais, pactuamos e deliberamos, construímos consensos para que possamos interagir. 


Dentro disso, penso que a igualdade passaria exata e pontualmente pela elaboração de uma nova agenda de relacionamentos pessoais: a negociação igualitária e sem manipulação, ethos incompatível com as vitimizações que diuturnamente levaram à deterioração das relações cívicas entre homens e mulheres.


Hoje na Marcha, por segundos, peguei-me refletindo a respeito disso. Regozijei-me por estar ali, num ato de civismo puro, na maior emoção em exercitar - mais uma vez - minha postura de simplesmente ser quem eu sou. 


Mas se estava, por um lado, feliz, por outro coloquei-me a pensar - com certa pontada de tristeza - que ainda precisamos marchar - e muito! - para conscientizar as pessoas sobre a realidade que é o machismo. 


Que precisamos marchar até mesmo dentro de nossas casas, nas pequenas lutas diárias até mesmo com nossos parceiros, amigos, namorados e maridos, para que possamos viver na igualdade, e não meramente como autômatos que reproduzem a logística masculinista. Muitos são os homens - e as mulheres também - machistas, ainda que não se reconheçam como tais e, na mais pura acepção de ignorância, reproduzem o ciclo de violência nos menores gestos, achando que estão transcendendo mundos!


Ou, ainda, que precisamos lembrar, sempre, que não devemos nos submeter a ninguém, bem como não subjugar ninguém, exatamente por sabermos, ao longo da História, o preço existencial de ser algoz e vítima, em tantos e tantos desencadeamentos helicoidais de várias existências.


Que precisamos, enfim, avançar bastante para que não nos submetamos - sob a desculpa de "relevar" - ao subjugo, pois ainda que, em nível moral ou espiritual - sei lá - existam justificativas para as pessoas serem do jeito que são, sempre existe, em cada uma ou um, a possibilidade de fazer escolhas e modificar a própria trajetória! 


O bacana, então, de se fugir do lugar comum do "a gente só dá o que tem" é saber que podemos ter e ser muito mais do que nossas frágeis máscaras tentam mostrar. Que temos potencialidades infinitas que podem ser acessadas em uma só vida, bastando, para isso, apenas a abertura para o novo, pois, para ele entrar, o velho realmente precisa sair!


E viva o dia de hoje! E viva a MARCHA DAS VADIAS!

terça-feira, 22 de maio de 2012

Um café-da-manhã nada convencional



Hoje de manhã fiquei incumbida de propiciar - ao estilo Jamie Oliver - um café-da-manhã vegetariano para meus alunos e minhas alunas do Núcleo de Prática Jurídica do UDF. Acordei cedo, como de costume, e me coloquei em uma liturgia devocional, em silêncio, preparando o alimento que, horas depois, iríamos compartilhar. 


Separei uma pasta de tofu temperada com cebola e alho, bem como uma pasta de berinjela e tahine, temperada na pimenta branca e na noz-moscada, ao lado de uma geleia de amora feita com adoçante. Levei meus chás mais gostosos, bem como uma água quente, pão integral e torrada integral também.


A surpresa maior, contudo, foi com os ingredientes lácteos, pois confiando que alguém poderia sentir saudades do queijo, levei pão-de-queijo, queijo em fatia e prensado...qual não foi minha surpresa quando eles ficaram quase intactos, pois a galerinha aderiu à ideia de uma terça sem carne ou laticínio, para se fartar com a opção vegetariana!


Que benção!!!

segunda-feira, 21 de maio de 2012

E salve o Inverno!!!

Estamos a um mês da chegada oficial do inverno mas a Natureza já começou a dar o ar da graça em mostrar seus dotes e atributos nessa gloriosa estação de sobrestamento.


O cerrado aqui tem revelado uma média de temperatura situada entre 11 e 16 graus nos dias de mais frio, o que é bem significativo em termos de conjuntura térmica, o que deixa bem marcado o inverno esse ano. 


Daqui a pouco o solstício chegará e, com ele, a guinada para o momento de hibernação. Nas antigas culturas celtas - que prestigiavam as duas estações marcantes, verão e inverno, sol e luz - o inverno era o momento de aglutinar forças e poupar energia para que, diante das baixas temperaturas, as tribos não quedassem ante o frio e a fome. Diante de tamanha sabedoria, a Natureza dá a dica: nessa estação o tempo é de sobrestamento, reflexão, bem como de parada momentânea para realocar as forças para um novo ciclo de lutas...


Até mesmo a alimentação é diferenciada em tempos de inverno, para que prestigiemos os pratos quentes e um pouco mais calóricos, a fim de manter a sensação de aconchego e "quentura" de nossos corpos. Um caldo de abóbora aqui, uma chá de gengibre acolá, tudo que possui um sabor apimentado é bem-vindo para recepcionar o inverno.


Um dia desses preparei uma sopa de lentilhas com batata baroa e curry, uma delícia. Bem simples de ser feita e muito saudável...Preparei um refogado feito no azeite e no vinagre de maçã, contendo cebola roxa, alho, pimenta de cheiro (todos esses ingredientes são muito bons para a imunidade) e sal e joguei lancei nele a lentilha pré-cozida. O caldo ficou mais espesso e escuro e, mais perto de cozinhar mesmo (uns 40 minutos), lancei a batata baroa, pois ela cozinha bem rápido. Daí separei uma concha e bati no liquidificador, devolvendo à sopa, para que o caldo ficasse mais grosso.



sábado, 19 de maio de 2012

O corredor de nossos projetos...

Nossas vidas são como esse frondoso corredor, incessantes marchas que, conjugadas, trazem a estrita dimensão da completude, fazendo-nos perceber o quão magnífica é a trajetória em si mesma, e não necessariamente o ponto derradeiro onde os passos irão findar.


Ultimamente tenho refletido bastante sobre metas, projetos e objetivos, permitindo-me, de fato, não ter muitos mais, porque, a cada dia, uma nova paisagem se amolda, bem diante dos meus olhos, aos marcos que, na tela branca da minha existência, somam-se infinitamente ao que já percorri. 


Essa linda alameda belga ao lado é a perfeição mais harmônica do que encontrei para representar o que, para mim, significa a palavra trajetória...um caminho sempre em perspectiva, cujas trilhas podem ser modificadas de acordo com o que o Universo conjuga em termos de análise combinatória. 


Projetos são interessantes? 


Sim, claro, mas quando eles se transmutam em meros devaneios, imersos no ar que se dissipa, nada mais são do que pequenos mecanismos de frustração, porque, de fato, se não agregamos um pouco de realização, causam ansiedade, decepção e dúvida. Melhor não sonhar? Não projetar? Ou não pensar? Não sei, ao certo, mas penso ser sempre necessário não dotar o coração de mais angústias. Pensar em questões que não resultarão em ponto algum de confluência (ou seja, praticidade do aqui e do agora) é agregar um sofrimento desmedido e desnecessário.


O mais interessante disso é pensar que tudo é gerado pela intensa atividade da mente que, sempre tentando se fazer presente, gera mais e mais perspectiva, encaminhando-nos para um passado ou um futuro que não fazem o menor sentido em face da necessidade de se estar no aqui e no agora.


Já pensei - e gastei muita energia com isso - e não desejo projetar...mas isso não quer dizer que não possa aglutinar esforços par alcançar o que se apresenta. Simples assim...deixar que minha trajetória se confirme a partir dos passos que deixo ao chão...

domingo, 6 de maio de 2012

A Marcha das Vadias 2012 e a honorabilidade céltica

Acordei hoje embalada por um ímpeto que sempre permeou minhas escolhas: sou guerreira, soldada pronta para a batalha, independentemente da existência física de uma guerra. Afinal, são as "pequenas" batalhas - muitas delas invisíveis ao olho físico e proeminentes ao espírito -  que, ao final dos meus dias, irão contar as glórias para que meu espírito atravesse vales com a certeza de ter sido proveitosa a passagem aqui.


Diante de tudo que vivi intensamente até aqui já pude perceber que, quanto mais tentei fugir de mim e de minha natureza ígnea - ouvindo os "sábios" conselhos das pessoas ao redor (que, ao final, valeram apenas para quem optou por não lutar e ficou sentado em coma) - mais sofri em termos de escolhas que, quase sempre (sempre), sufocaram meu espírito com baladas e entonações de "domesticação" da alma. Não se agrilhoa a alma de quem já trouxe para uma vida a chama pictórica da guerra. O fogo, com um sopro maior, ou com uma tromba d'água, esvai-s e perece abruptamente, sem deixar sequer a marca de sua existência nesse plano!


Não se pode negar a essência, sob pena de, assim fazendo, perder-se tempo, depois, correndo atrás do fatídico prejuízo: tristeza, doença, desalento, recalque e morte em vida. O discurso confortável do beneplácito de "deixar para lá e relevar", quando não acompanhado pela internalização consciente, em termos de atos, nada mais faz a não ser nos matar com toda sorte de infortúnios. 


Quantas e quantas vezes vemos por aí pessoas apregoando a virtude da compaixão e da amorosidade, falando, dentro disso, que "nós, mulheres, temos que ser amorosas" e, quando instadas por uma simples crítica racional e dirigida ao ato/fato, e não ao autor (crítica é saudável para se evoluir em ideias, o que é bem diferente de julgamento leviano em termos de destruição do outro), as veias saltam, o sangue sobe, a mão sua: eis do sinal do depósito no quarto de despejo do que seria o enfrentamento da ira. Negamos a ira assim e, dentro desse processo, enviamo-na para os mais abscônditos recantos de nosso espírito, ao invés de nos encararmos de frente e, de maneira positiva, transmutarmos a ira em ação...


Muitas pessoas, ainda, preferem - não as responsabilizo, apenas estou falando da minha opção de não fazer assim, até para compartilhar com outras pessoas que pensam dessa forma a alegria de não se estar errado ou errada - recolher-se em sua "aparente" superioridade espiritual, arvorando-se de uma sabedoria que não têm para darem conselhos que nada valem, pois, por trás, não sabem nada mesmo de si mesmas, o bastante para julgarem e ainda acharem que não estão julgando e sufocando uma alma. 


Eis o que aprendo, a cada dia, com esse blog, bem como com os alunos e as alunas, com as mulheres em situação de violência, com os machistas e as machistas (que são o público de meu munus): sou senhora de minhas palavras, de meus atosEles valem para mim, apenas e, portanto, por valerem apenas para mim, dou-me licença poética para permanecer intacta em minhas reflexões, posto que a pessoa que está a trilhar o meu caminho sou eu...


Assim sendo, respeito, de igual forma, quem pensa diferente, mas, claro, dou-me todo o direito do mundo a pensar diferentemente, sem que, com isso, esteja violando a natureza do outro. Até mesmo porque, parando para pensar - mesmo - o que escrevo só atinge a quem, quer seja em nível perfunctório ou inconsciente, identifica-se com a fala. Muito simples: a isso chamamos identidade e projeção...Daí o cuidado de generalizar meu discurso, pois, grosso modo, ele não é direcionado a ninguém a não ser a mim, já que eu o criei...


As críticas revelam o óbvio: identidade. 


Isso é ótimo, pois é saudável conhecer mais a si mesmo, por meio do diálogo com o outro. Eis a razão pela qual sempre estou a escrever, desde os 9 anos de idade: uma forma de me compreender melhor, por meio da interação com o discurso do outro. Vejo-me sempre no outro, quando, de tempos em tempos, recebo uma mensagem ou um e-mail falando sobre meus escritos. Alguns e-mails são mais vorazes, agudos. Outros mais lânguidos. Não importa, pois todos são bem-vindos, já que consegui, com eles, despertar o abrir de portas dos quartos de despejo alheios e, com eles, limpar o meu quartinho também!


Saber de si é importante, mas, acima de tudo, assumir-se em si é imperativo para poder se lidar consigo e com o mundo.


Vejo isso de maneira nítida quando me volto para os estudos em torno do tema violência doméstica e machismo, assuntos que incomodam muito exata e pontualmente porque as pessoas se identificam com ele! Simples assim! São 5 mil anos de acobertamento de uma política de sufocamento do Feminino, o que se espera agora de nós, mulheres? Que "toquemos" o próximo com uma flor? Por favor, isso é, no mínimo, ingênuo e, o que é pior, reprodutor da mesma lógica de alocação de papeis - feminino e masculino - dentro do mesmo binário que sempre nos alojou para o espaço secundário. 


Grosso modo, mulheres e homens, em sociedades pré-patriarcais, dividiam funções políticas e religiosas de maneira igualitária, sem que se entendesse pelo demérito de uma ou de outra. A derrocada matriarcal acarretou a elaboração de um manto de ignorância sobre nossos processos internos, nossa conexão com a Natureza e com nosso próprio ciclo. À mulher ficou o domínio do desconhecido, das poções, das ervas. Ao homem, a diretriz política, a "tomada de decisões", em nível de relações internacionais. A Medicina (campo masculino) tomou o lugar do curanderismo (domínio do feminino) e enviou para a fogueira quem se antagonizou ao que era o "conhecimento oficial".


A prova de nossa "dívida histórica" reside na eclosão dos movimentos de resgate do feminino, nas celebrações de Lua, na reelaboração dos cultos ancestrais de conexão com a Natureza. Paira no ar o manto de mudança, silenciosa até, dizendo-nos que um novo ciclo está em pleno vigor. Prestamos mais atenção em nosso corpo, em nosso sangue, bem como assim prestamos mais atenção no meio ambiente, por sabermos que essa superação de dualidade (mente/corpo, masculino/feminino, natureza/tecnologia) é o caminho para transcendermos a dicotomia alma e corpo e, com isso, evoluirmos. Mas, até que seja operada a trajetória, ainda existe muito a ser feito em termos de conscientização em torno do tema. 


Eis a razão pela qual marcho, sim, no dia 26 de maio de 2012, na Marcha das Vadias. Porque sou, sim - sem medo, sem vergonha - uma soldada solitária de meu caminho escrito até aqui com muita honra e glória! Marcho porque sou um ser humano, ou uma ser humana, que está se descobrindo, dia após dia, evento após evento, cada vez mais desnudada e despojada de grilhões exata e pontualmente porque se permite falar e ser, nada mais!


Marcho porque cheguei até aqui desvendando a hipocrisia de um mundo a partir da descoberta das próprias hipocrisias, o que torna tudo mais alegre e lânguido: nada pode superar a alegria de se ver do jeito que se é, sem mais ou menos. Nem um ser etéreo, muito menos um ser pérfido, mas um ser! Marcho porque existe ainda um mundo simbólico, linguístico, para além do visível, que ainda nos aponta a destruição do feminino. Um mundo de patriarcado em derrocada, mas que encampa seguidores e seguidoras "fieis" à causa, que tentam, lutam e até mesmo matam, em nome da manutenção do status quo.


Marcho porque ainda existem mulheres e homens que riem e tripudiam do movimento feministas em suas matizes, julgando e rotulando as pessoas com a mais pura leviandade, escusando-se sob o manto da cristandade ou da budicidade para empunhar silenciosas adagas de hipocrisia, tentando, assim, ferir "sem desejar ferir", atacando "sem desejar atacar", matando, enfim, "sem desejar matar", a semente de um mundo novo, em que as pessoas podem respeitar umas às outras sem a destruição das respectivas almas. 


Marcho, enfim, porque ainda existe luta e, na luta, existe a marcha, concitando os guerreiros e as guerreiras a ocuparem seus espaços em prol de um mundo melhor. Isso, para mim, significa: um mundo sem a mácula da hipocrisia de que se acometeu a sociedade patriarcal míope, que hoje está pagando o preço existencial de sua ignorância em relação a si mesma


Marcho porque guerreio, luto e batalho por acreditar em um mundo onde masculino e feminino se coliguem o bastante para não se saber da apartação binária que tanto produziu discriminação. Marcho porque é necessário, por agora, empunhar adagas simbólicas (por meio da educação, da conscientização, do esclarecimento e do debate) para que o manto reminiscente de ignorância escura rompa, enfim, para ceder espaço à luz! 


Marcho para me conectar à linhagem ancestral das grandes guerreiras de Luz que preparam a Terra para que eu estivesse aqui e agora, honrando a casa de minhas mães e, com isso, alcançando um mundo melhor! 


E viva Lígia Maria, Lígia, Olga, bem como viva Ana, Dana, Anu e Eriú - Tara! - Macha, Brighit, Morrighu, Maeve, Flidias, Cerridwen, Morgana, Morgause, Vivien, Nimue. Viva Arianhood, Brawen, Deirdre e Audrey. Viva Boudicca, a única!