terça-feira, 24 de novembro de 2009

O desaparecimento do Sol

Desapareceu o Céu e, com ele, o Sol não pode vir, escondendo-se por trás do morro dos sonhos que, um dia, embalaram a viagem do Astro-Rei rumo à imensidão da felicidade...Como o Céu pôde fazer isso com alguém que ama?

Não sei, ao certo, mas sei que a Lua também não quis irradiar seu brilho, ofuscada pela penumbra que insistiu em permanecer em seus contornos. Saudosa a Lua estava do Sol, pois mesmo que habitassem, por átimos de segundos, o mesmo firmamento, eram um só, diante de todas as estrelas, e alimentavem, assim, a esperança de quem procurava alento debaixo de suas luzes unificadas.

Por onde anda o Sol? A Lua está perdida em suas rotações, sem saber, ao certo, por onde gira. Não baila mais no suave tom da melodia do amor sem fim, perdida que está no encalço do Astro que se foi. Foram-se, Lua e Sol, por momentos, cada qual em um caminho sem fim, deixando as lembranças do que foi, um dia, a realização da plenitude.

Pobre humanidade, perdida sem a Lua e sem o Sol, por não compreenderem o que significa, realmente, amar!

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Um estrangeiro chamado Amor

Um dia, um estrangeiro chegou ao país, trazendo na bagagem uma novidade: um coração que pulsava. Naquela terra isso era algo de novo, porque, há tempos, artigos assim eram tidos como iguarias incomuns, pois o mundo era apenas um grande mar de desolação.

No peito dos habitantes, apenas um vazio a habitar a casa de um eco descompassado, dando a falsa sensação de residir algum sentimento nobre. Nada mais. O pior de tudo era que naquele país todos achavam que estavam amando e, de tanto "amar", destruíam-se uns aos outros, na ingenuidade de entender naquilo o mais nobre ato de desinteresse...

Quando chegou à alfândega, Amor - como era chamado o andarilho portador do pulsátil coração - foi barrado, porque ninguém entendia o que era aquele pequeno opúsculo que apenas fazia "bum-bum", "bum-bum", "bum-bum". Não tinham a menor idéia de onde surgira aquilo porque, de fato, no catálogo universal de contrabando, referência alguma havia sobre o que era, de fato, um coração pulsátil.

Pessoas se acotovelavam, querendo saber mais informações. A imprensa também chegou, dali a pouco, para a cobrir a informação que estaria a estampar o notíciário da noite: vende muito falar sobre coisas inusitadas! Amor, contudo, explicou aos agentes do que se tratava: coração, um órgão forte, o mais forte órgão do corpo humano, que resiste à dor, à indiferença, a todas as intempéries.

Os agentes pegaram o coração dentro de sua caixinha e, ao tocarem o corpo diminuto, foram invadidos por uma sensação de paz e plenitude, algo que nunca haviam sentido antes. Vendo o êxtase no semblante dos colegas, os demais funcionários logo foram formando uma fila para acariciar o coração e sentir suas badaladas, porque, naquele país, a esperança do sentimento fora, há tempos, convertida na petrificação da alma. Deixaram de amar e, não amando, sequer compreendiam o que seria o pulsar de um coração de verdade.

Por não amarem, não tinham mais coração e, na ausência dele, jazia no peito dos moradores locais apenas o vazio, alimentado pelo automatismo com que apenas sobreviviam, dia após dia, na tomada de fôlego para o devenir já tão constante e previsível.

Ninguém chorava, ninguém ria, porque, para isso, precisavam verdadeiramente de um coração.

Mas, ao tocarem o coração de Amor, com ele veio a certeza de preenchimento de tudo aquilo que, um dia, foi, em algum lugar, o espaço de plenitude procurada...

E de tanto pegarem no coração, Amor decidiu deixá-lo ali, sem saber que, com esse ato, deixaria para trás boa parte do que sentira pela humanidade...

domingo, 15 de novembro de 2009

A descoberta da Deusa no paradigma ecofeminista


Hoje acordei no ápice da reflexão sobre meu papel dentro de um modelo institucionalizado de academia cujos métodos me aborrecem a cada dia. Estava pensando na razão pela qual a rotina de reprodução - ainda que escondida no discurso de "crítica" - está sempre espreitando meus atos, beirando as aulas que dou e se inoculando nos filetes de hemácias que transitam, noite e dia, em meu sangue.
Falta-me fôlego e, sinceramente, acho que está começando a faltar o ar que respiro. "All I need is the air that I breath to love you" - penso em relação à ciência, porque, a cada livro que folheio, e em cada texto sobre o qual me debruço - não raro, em lágrimas - tenho a franca sensação que o conteúdo está tão fora da realidade, tão sacral e transcendentalmente disposto como uma fórmula mágica, que se torna impossível dizer que faz parte da minha vivência. E duvido que, ao final, possa fazer parte da vivência de alguém que persiga unidade e coerência.
As conversas com amigos, amigas e colegas não me animam, porque, ao final, por mais que se esteja querendo chegar a algum lugar de questionamento, o discurso esbarra num problema estrutural: nosso paradigma científico ainda se crava, finca - em desespero, é bem verdade - numa compreensão de mundo mecanicista e reducionista, que enxerga o mundo como um rato de laboratório e nós, maravilhosos seres, como cientistas que se colocam fora do "objeto de análise". Somente não saberia dizer qual o locus de onde iríamos fazer a observação, já que estamos imersos no ambiente que definimos como sendo o laboratório.
Acho que o locus seria nosso umbigo etnocêntrico e separatista, firmado na ignorância de uma concepção de apartheid com a Natureza (Physis), que precisa ser "conhecida para ser dominada", no sentido de, reificada, apenas render bons frutos ao consumo de massa, numa concepção puritana de acesso ao usufruto expropriatório que está destruindo tudo ao nosso redor. O consumismo industrial na lógica nefasta do capitalismo de drenagem da Natureza: a marca da pós-modernidade globalizante, que irradia ao mundo a concepção de um localismo central (países centrais, G8, G9 e tantos Gs por aí), que, a pretexto de libertar o mundo da ignorância, mergulha, ainda mais, na escuridão do completo desrespeito ao outro.
Sim, o outro é apenas "excêntrico", "primitivo" e, dentro disso, não compreendido em suas especificidades. O outro é o doce e suave objeto de debruçamento para, ao final, do alto de nossas torres de marfim polido - de uma pretensa cientificidade de esquina - apenas nos colocarmos como o mais sofisticado modelo (ocidental, romano-germânico, capitalista, pós-qualquer-coisa), a contramão de toda a compreensão sobre a dimensão de respeito ao que nos é diferente.
De tantas leituras feministas, nada, sinceramente, agradou minha necessidade de encontrar a Deusa na arquetipização da ciência. Nada favoreceu a busca pela superação da fragmentariedade desse modelo bipolar que, sinceramente, faz com que eu me veja, a cada dia, no espelho, como um protótipo de "O médico e o monstro", perdida em meio da contradição inerente à falta de harmonização entre mente e corpo, bem como à tentativa de confrontação de igualdades com diferenças que se marcam e lançam como simples...diversidade.
Um raio de luz surge, enfim, ligando a compreensão de vida, experiência, alteridade, mundo e autoconhecimento, na medida em que faça o caminho de volta à Física. Por muitas vezes fui pega - não de surpresa - sendo indagada em relação à aparente contradição e fatal abismo entre direito e física. "Nossa, que diferente!" - ouvi, por muitas vezes, sem saber que, hoje, ao final de tanto atropelo, consegui, por fim, a calmaria da alma, na paz interna que me move a afirmar que o abismo é apenas a falta de compreensão das dimensões de um novo paradigma científico, a partir do redimensionamento do que se entende por ciência e, dentro disso, da superação de outrora intransponíveis cisões entre mente e corpo, ciências humanas e naturais, bem e mal etc.
Um sopro de alento! Eis que surgiu, imerso no retorno para o lar de deidade. Como não pensei nisso, diante de tantos atropelos? Os atropelos da saída de um mundo dual, para o berço eterno de unidade. Voltar para o braço amoroso (e forte) da deusa dos antepassados. A Deusa ressurgiu, firme e forte, poderosa e plena, no resgate a um feminismo deídico, no qual movimentos da década de 70 começaram a indagar o modelo de produção, de economia e, dentro disso, de academia. Daí minha crítica veemente ao feminismo de reação extirpatória, que almeja a alocação para um espaço de poder (econômico, cultural, moral e religioso) que reproduz a lógica de submissão da Natureza, com a dominação, em vários níveis (principalmente na apropriação do discurso) do corpo sutil do sagrado e do feminino.
A cientificidade ocidental e o patriarcado andam de mãos dados e, sem saber (será?), boa parte da literatura feminista reproduz uma compreensão de manutenção de relações desiguais e hierárquicas em face da Natureza e, dentro dela, dimensionadas para as relações humanas, que se irradiam em um puro materialismo extirpador, já que, de fato, a nova alocação das mulheres se dá para um domínio público, que adveio também de uma dualidade (público e provado) de reflete o modelo ocidental da sociedade industrial que se teorizou para legitimar o extermínio da Natureza.
O sopro de vida da Deusa encarcerada e submissa volta, já em Starhawk (década de 70) e encontra em Vandana Shiva aporte teórico em relação a uma proposta de retomada de discussão do espaço que a Natureza (Physis) ocupa da agenda humana, não mais como simples objeto de dissecação e análise estrutural, mas, antes, como pano de fundo de superação da dialógica separatista - ainda que o ecofeminismo seja rotulado como separatista e naturalizador da diferença.
Dentro disso, ele não seria muito diferente, não, em relação à herança que o Iluminismo trouxe em relação a simplesmente TUDO que se discute em termos de enunciados e valores (liberdade, dignidade etc.) já que, dentro do paradigma de discussão de igualdade proposto por alguns marcos feministas, a força motriz ainda é o substrato de dualidade mente/corpo que, ao final, faz a discussão voltar para o mesmo ponto: hierarquização, ainda que encoberta pela sutileza do manto da igualdade, a mesma que mata, pouco a pouco, um mundo interligado.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

O poço sem fundo da academia que não se renova

De todas as artimanhas criadas pela prodigialidade humana, o debate acadêmica é, sem dúvida, para mim, a maior demonstração de insuperável dualidade. Um poço sem fundo nos separa de nossa vida pulsante, como se cada doutrina fosse uma bonita roupa de zíper, que vem e vai, no balanço de nossos corpos que não encontram o vestido certo para o baile de formatura.

Não nos encaixamos, e, por não nos encaixarmos, culpamos a liberdade... Mas, enfim, não nos encaixamos porque nunca procuramos a unidade que estabiliza mente e corpo.

Tal qual o Médico e o Monstro, passamos uma vida inteira de bipolaridade, debatendo-nos diante dos gritos de alerta e socorrro que o corpo dá como resposta à mente que o sodomiza.

Gritamos.

Expulsamos secreções.

Adoecemos.

Caímos, enfim, na mais pura escuridão de nossos piores pesadelos, que se alimentam do verbo soprado pela mente demente e enferma.

E a academia?

A concretudo de toda a mediocridade esquizóide: somos senhores e senhoras fecundos e fecundas de idéias, teses e teorias. Estéreis, contudo, em sensibilidade para a vivência harmônica entre a alma e o corpo.

Aliás, que alma?

Que espírito?

Não temos Deus porque Ele, sendo reduzido a uma pantomima, foi excomungado por nosso desespero em nos fazer autônomos. Excluímos do Universo, criando um outro, em cujo centro egóico, perverso e indiferente, projetamos nossa insensibilidade, para que possamos assistir, de camarote, o fim de um tempo que outrora já anunciamos.

Estamos morrendo e, com nossa morte, celebramos a vida.

Vida e morte dão-se as mãos e se abençoam, no casamento sagrado entre mente e corpo.

Salve a vida!

Salve a morte!

No eterno ciclo de vida-morte-vida, salvam-se todos à margem do purgatório!

Amém!

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Sobre o urro ancestral da faculdade injuriada

Na quinta-feira passada a professora Débora Diniz comentou, no espaço do Estado de São Paulo, a reação da "comunidade acadêmica" em relação a um vestido cor-de-rosa usado por uma estudante, que foi explicitamente assediada por uma trupe de estudantes "indignados" com o ataque aos costumes e aos bons valores...

Argh, quanta mediocridade se revela na reação...

Não consigo compreender como em pleno século XXI alguém ainda fala em moral e bons costumes, numa compreensão burguesa de castração feminina, bem como de controle de sexualidade.

Sim, a reação em cadeia apenas mostra o retrato de uma sociedade hipócrita, misógina, androcêntrica, machista e, sobretudo, mesquinha, que deita seu posicionamento de vida em cima de tão frágeis preocupações. Nossas preocupações com a moral são tão efêmeras e contraditórias que expomos nossos corpos no Carnaval, mantramos músicas de triplo sentido (triplo sentido, mas, de fato, querem apenas expressar o óbvio, sexualidade), sacudimos nossas tetas, bundas e pintos, em gingas de expressão de sexo. Nada contra, afinal, cotidiano popular. Segundo alguns - Casa Grande e Senzala - parte de um DNA. Nada contra, nada contra mesmo...

Agora, tudo contra o acossamento da menina, porque, afinal, parte dos algozes se requebra nas micarês da vida, parte assedia mulheres, pilhando-nos nas noites urbanas, com o afã predatório de nos colocar como presas...Enfim, não consigo entender tamanha hipocrisia...

Aliás, minto, entendo, porque, dentro do estudo de gênero, isso é apenas uma manfistação simples do que Foucault e um bando de outros autores e teóricos mencionam há tempos: aa ira em relação ao corpo feminino. Ainda somos objeto de controle, pois não bastam as mutilações que fazemos em nome de um ideal, agora tempos que brincar de boneca, ganhar jogo de panelinha, andar de cor-de-rosa, bater palminha e nos submeter ao que os outros determinam como padrão...

Nada, nada mesmo justifica o acontecido. E mais odiosa ainda é a valoração que nós, MULHERES, fazemos em relação às nossas pares: nós somos as maiores algozes de nossas irmãs, porque, num mundo que nos odeia (o mundo misógino odeia o feminino), insistimos em chamar a outra de "puta", "vadia", "periguete" (essa última palavra é engraçada), adjetivos que apenas têm significado porque as AUTORES SÃO MULHERES.

Afinal, o homem ser galinha, puto, perigueto (hehehe, será que é assim?) é atestado de virilidade, porque o pênis fala mais alto na historicidade atroz que nos empurrou, até agora - salve melhor juízo - para a latrina... Guerras, chacinas, extermínio, eugenia, tudo feito em nome da testosterona... desafio alguém a mostra, com dados históricos e com o carbono 14 algo diferente disso. E, ainda que encontrem, a exceção apenas confirmará a regra.

A faculdade - nem sei que faculdade é essa - como IES não deveria fomentar o desrespeito aos postulados báscicos de dignidade, previstos constitucionalmente. Os alunos e as alunas, então, lamento... Mas isso, no auge dos 15 anos de docência, não constitui conduta cidadã, adulta e razoável. É uma chacina moral, um retorno às galés inquisitoriais, um Estado de exceção. Incompatível com uma demanda por espaço de democracia...

Isso não revela uma comunidade acadêmica, mas sim uma horda sanguinária, que, à escusa de sacrificar seus bodes pessoais, suas frustrações com os fortes ids, apenas extravazam um superego perverso... Isso é perversidade... Nada mais.

Enquanto legitimamos a pauta de reificação dos corpos e da alma da mulher, alimentando cifras de IBOPE nas bundas, nos peitos e nos rostos plastificados, não existe legitimidade para a perseguição. Ainda que não fôssemos assim, NADA JUSTIFICA A AGRESSÃO MORAL...Nada...não em um Estado que se nomine democrático de direito...

O comportamento da "comunidade" revela a ancestralidade mais macabra: a de extermínio...

domingo, 8 de novembro de 2009

Em breve, novidades no blog!


Isso mesmo, novidades com artesanato, leitura, café e pão!!!

Aguardem!

Do alto de Alto para a imensidão do Moinho...


Estivemos fora, é bem verdade, numa jornada de reconhecimento, na qual a busca incessante pela recomposição da paz interna cedeu espaço ao olhar...Sim, apenas um olhar basta para que identifiquemos, com a alma, nosso companheiro ou nossa companheira, sem a preocupação com dias, meses e anos para se "conhecer verdadeiramente alguém" ...

Quem inventou essa poderia amar mais, porque, de fato, nenhuma teoria psicanalista, psicoterapeuta e outras tantas dentro da racionalidade conseguem suprimir o coração em seus desígnios. Não se ama com a mente e com o tempo, mas, antes, sente-se o amor no mero pulsar da alma, que sibila ao menor som de empatia com o ser amado...

Do alto de Alto fomos para a imensidão de um mar, lá embaixo, no Moinho, que exalava, a todo tempo, o imã que nos conduz à reflexão em relação a toda uma vida...Saí de lá, contudo, com a certeza de breve retorno...Mais, ainda, porque aí com a sensação de nunca ter deixado aquela terra, olhando para o Daniel, como se ele igualmente nunca tivesse arredado o pé de lá...

Daí, enfim, como sempre, tudo aqui, nessa Babilônia, adquire um significado de muita ilusão...Estava lendo Vandana Shiva no livro Ecofeminismo, redescobrimendo minhas missões e, dentro delas, a transmutação de uma "ordem" paradigmática e científica, porque, simplesmente, encontro-me rompendo casulos, o tempo inteiro, em relação a uma visão de mundo, do Direito e, sobretudo, da vida, alicerçada em cima de uma dualidade tão estúpida e anestésica que cega, maltrata, viola e denigre a mais senível das almas.

Cansei de discursos e a academia é o mais tórrido deles, com a pretensão de formulação de explicações e compreensões sem o menor significado para tornar a vida de cada um melhor, no sentido de agregar compaixão, amor e fraternidade. Como máquina de egolatria, teorias vêm e vão, tentando prencher o vazio que se estabelece na alma de quem não encontra explicação para suas mazelas...

O Ecofeminismo talvez esteja sendo muito mal interpretado por algumas percepções feministas de mundo, porque, afinal, ele rompe com a lógica de acesso ao beneplácito de um capitalismo androcêntrico, egoísta e destruidor, que - não tem jeito - não irá respeitar a solidariedade. O capitalismo não se coaduna à dimensao de agregação do ser humano à Natureza e, dentro disso, não vejo melhoria alguma em apregoar uma emancipação da mulher, para que...DESTRUA, VIOLENTE E ACABE COM A NATUREZA. Simples.

O feminismo de postulação de igualdade relaciona-se a que? À igualdade para destruir a Natureza e acessar poder para oprimir? Essa lógica apenas subverte, e não traz paz para a compreensão de um mundo em que nos posicionemos como seres que se ligam a uma grande teia chamada Terra.

Cansei, enfim, e acho que, de tanto cansação, sentido alguma existe em brincar de fazer doutorado usando marcos teóricos ue entendo serem medíocres...Sim, sinceramente? O paradigma dominante na ciência (hahahaha, como se o direito - com letra MINÚSCULA) do direito está ainda em Locke e no absurdo de usurparmos a Natureza por sermos seres de superior casta...hahaha, ou, ainda, na verborréia de Marx, Hegel e a maior parte dos pretensos filósofos ocidentais, que malham a mente e destróem os corpos.

Paradigmas novos... Ruptura, Capra, Boaventura, Goswami, Vandana... Trabalho pedreira, mas vale a pena, porque alguém precisa começar...

Alguém precisa desmistificar muita coisa... Tornar visível um processo "global" que apenas revela o localismo predador do colonialismo cibernético, que marca a irradiação de modelos do G7 (lembrando o saudoso Milton Santos). Um processo de imperialização baseado no controle de pessoas, de recursos e tecnologias, bem como no acúmulo de capital.... Um modelo que se antagonize à proposta androcêntrica (e seu contraponto, nos "ismos" que se espalham por aí), para que a unidade na divergência não corresponda à hierarquização.

Ciência, tecnologia, direito, academia não são neutras, nunca foram, porque estão ligadas à temática de exploração da Natureza pelo homem e, dentro disso, a colocação da mulher, dentro do "mundo natural", como objeto reificado e explorado. Explorado para que? Para, ainda mais, explorar, dentro do consumo desenfreado, a Natureza e sua capacidade regenerativa...

Sim, penso que a pós-modernidade (uma pós-modernidade que agrada Habermas, Arendt e demais autores BRANCOS, EUROPEUS e inseridos numa LÓGICA colonisal) marca um discurso de reprodução de exploração, que exclui a Natureza do centro da atenção, para colocá-la sob o jugo da transformação predatória, movida pelo acúmulo, pelo interesse pessoal, nada mais.

A emancipação do mundo natural marca a exploração e a submissão desse mesmo mundo, pelo simples fato das temáticas políticas e dos discursos ideológicos (principalmente de toda teologia que situe a Natureza como objeto à disposição do Homem) colocarem o mundo em que vivemos como pátio de nossa casa e, portanto, acumulando o lixo e a podridão de nossas escolhas.

E a emancipação "feminina" dentro disso? Estamos nos emancipando para que? Para darmos o chute final na Natureza? Penso que não, portanto, rompo com o feminismo de igualdade, que se baseia em uma cegueira em relação ao dimensionamento da luta feminista em relação ao cenário ambientalista...

Igualdade para o consumo??? Não, que seja a igualdade para a substituição de paradigma: do consumismo para a subsistência, afinal, nada mais precisamos, a não ser uma boa vista e um bom café!!!