quarta-feira, 29 de agosto de 2012

O AMOR sempre é a melhor escolha...

Em dias de intensa luminosidade sempre existe espaço para apreciar a mudança climática que anuncia o adeus progressivo do frio de inverno seco, preparando nossas almas para a alegria incontida da Primavera, estação de cor, luz e, sobretudo, AMOR

É muito bom se permitir desfrutar da vida as benesses da renovação de sentimentos, transmutando o que ficou, um dia, calejado por atropelos, para dar guarida à intensidade de novos horizontes.

É muito bom começar a nova ciranda da vida e abrir a alma para o povoamento de novas emoções. 

Inéditas? 

Sim, claro, pois nada, a rigor, repete-se em uma trajetória de intensas vívidas experiências. Tudo é sempre novo, regado ao frescor de uma manhã cálida, remetendo-nos ao firmamento que tanto desejamos alcançar!

Em cada momento de renovação percebo que, mesmo diante do que se apresenta como obstáculo ou ferida, a retomada da capacidade de amar é um grande sinal do pulsar de nossos corações... 

Quando nos permitimos a abertura da alma, até mesmo o que, outrora, poderia ser internalizado como dor ou sofrimento, apaga-se, pouco a pouco, deixando apenas - e que apenas! - um grande e largo sorriso no rosto, bem como a gratidão pelos passos firmados no solo de nossas pessoais trajetórias.

Amar sempre é a opção, a única para crescermos diante da vida que se delineia bem diante dos olhos, ainda que eventualmente seja um sentimento unilateral. 

Que importa? 

O vital é apenas sentir a benignidade desse nobre sentimento e se lançar à incondicionalidade de sua percepção. O mundo fica mais colorido quando amamos o anônimo e nos descobrimos em cada rosto e em cada olhar...

Como é bom amar por amar...

Como é edificante apaixonar-se por se apaixonar, descobrir, pouco a pouco, a beleza de olhar para o outro com a curiosidade pueril de se perder em meio a uma imensidão de perguntas e incertezas, impulso primordial para que a vida se perpetue nos pequenos gestos que nos ligam a grandes emoções e conquistas!



domingo, 26 de agosto de 2012

"O fraco jamais perdoa: o perdão é característica do forte"
M. Gandhi

Com essa frase em minha mente, o coração parou de se questionar a respeito de situações que fogem do que poderia ser um "final feliz" digno de contos de fadas. Não existe retorno quando, de fato, nada residiu em um coração que se fecha para o mundo, marca de uma intensa dor, talvez, ladeada pelo esvaziamento progressivo de tudo que, sabe-se lá, foi, algum dia, nominado como sentimento.

Acho que o que é realmente real não se finda. Não vai embora, não perece. Os obstáculos surgem, alguns abismos abrem-se diante dos olhos, mas, ao final, é o amor a amálgama que dá fim ao atropelo do desconhecido que se revela nos obstáculos que insistimos em colocar em nossas frontes.

Perdoar é a arte da nobreza, bem como pedir perdão também o é. Mas, perdoar não é esquecer o fato, e sim retirar a carga de sofrimento, arrependimento, culpa e tristeza. Quando nos abrimos para o perdão de nós mesmas/os, nosso pequeno mundo volta a sorrir.

Não importa o que o outro irá dizer, fazer, realizar. Na verdade, o outro pode até mesmo não fazer nada, mas, na superação, o que é relevante é o que podemos fazer pelo nosso coração. Gosto de fazer isso pelo meu. Erro muito, vou e volto. Sou assim, espontânea...


sábado, 25 de agosto de 2012

"(...)
He was my North, my South, my East and West,
My working week and my Sunday rest,
My noon, my midnight, my talk, my song;
I thought that love would last for ever: I was wrong.

The stars are not wanted now: put out every one;
Pack up the moon and dismantle the sun;
Pour away the ocean and sweep up the wood.
For nothing now can ever come to any good." AUDEN

Aprendendo com Shakespeare a ser forte e aceitar...

"Depois de algum tempo, você aprende a diferença, a sutil diferença, entre dar a mão e acorrentar uma alma. E você aprende que amar não significa apoiar-se, e que companhia nem sempre significa segurança. E começa a aprender que beijos não são contratos e presentes não são promessas. E começa a aceitar suas derrotas com a cabeça erguida e olhos adiante, com a graça de um adulto e não com a tristeza
 de uma criança.



E aprende a construir todas as suas estradas no hoje, porque o terreno do amanhã é incerto demais para os planos, e o futuro tem o costume de cair em meio ao vão. Depois de um tempo você aprende que o sol queima se ficar exposto por muito tempo. E aprende que não importa o quanto você se importe, algumas pessoas simplesmente não se importam... E aceita que não importa quão boa seja uma pessoa, ela vai feri-lo de vez em quando e você precisa perdoá-la, por isso. Aprende que falar pode aliviar dores emocionais.

Descobre que se levam anos para se construir confiança e apenas segundos para destruí-la, e que você pode fazer coisas em um instante das quais se arrependerá pelo resto da vida. Aprende que verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longas distâncias. E o que importa não é o que você tem na vida, mas quem você tem na vida. E que bons amigos são a família que nos permitiram escolher. Aprende que não temos que mudar de amigos se compreendemos que os amigos mudam, percebe que seu melhor amigo e você podem fazer qualquer coisa, ou nada, e terem bons momentos juntos.

Descobre que as pessoas com quem você mais se importa na vida são tomadas de você muito depressa, por isso sempre devemos deixar as pessoas que amamos com palavras amorosas, pode ser a última vez que as vejamos. Aprende que as circunstâncias e os ambientes tem influência sobre nós, mas nós somos responsáveis por nós mesmos. Começa a aprender que não se deve comparar com os outros, mas com o melhor que pode ser. Descobre que se leva muito tempo para se tornar a pessoa que quer ser, e que o tempo é curto. Aprende que não importa onde já chegou, mas onde está indo, mas se você não sabe para onde está indo, qualquer lugar serve. Aprende que, ou você controla seus atos ou eles o controlarão, e que ser flexível não significa ser fraco ou não ter personalidade, pois não importa quão delicada e frágil seja uma situação, sempre existem dois lados.

Aprende que heróis são pessoas que fizeram o que era necessário fazer, enfrentando as conseqüências. Aprende que paciência requer muita prática. Descobre que algumas vezes a pessoa que você espera que o chute quando você cai é uma das poucas que o ajudam a levantar-se.

Aprende que maturidade tem mais a ver com os tipos de experiência que se teve e o que você aprendeu com elas do que com quantos aniversários você celebrou. Aprende que há mais dos seus pais em você do que você supunha. Aprende que nunca se deve dizer a uma criança que sonhos são bobagens, poucas coisas são tão humilhantes e seria uma tragédia se ela acreditasse nisso.

Aprende que quando está com raiva tem o direito de estar com raiva, mas isso não te dá o direito de ser cruel. Descobre que só porque alguém não o ama do jeito que você quer que ame, não significa que esse alguém não o ama, contudo o que pode, pois existem pessoas que nos amam, mas simplesmente não sabem como demonstrar ou viver isso.
Aprende que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém, algumas vezes você tem que aprender a perdoar-se a si mesmo. Aprende que com a mesma severidade com que julga, você será em algum momento condenado. Aprende que não importa em quantos pedaços seu coração foi partido, o mundo não pára para que você o conserte. Aprende que o tempo não é algo que possa voltar para trás.

Portanto... plante seu jardim e decore sua alma, ao invés de esperar que alguém lhe traga flores. E você aprende que realmente pode suportar... que realmente é forte, e que pode ir muito mais longe depois de pensar que não se pode mais. E que realmente a vida tem valor e que você tem valor diante da vida!"
William Shakespeare

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

"O que é real entre duas pessoas que dizem que se amam sempre permanece, mesmo diante das maiores intempéries. O ilusório contudo, dissipa-se rapidamente, tal qual bolhas de sabão que, de tão belas e efêmeras, povoam o mundo, por instantes, fenecendo...ao final, como se nunca tivessem existido"

Quando o AMOR prevalece...

Posso não saber muito mesmo a respeito do amor - por errar muito em termos de seu vivência - mas sei que a amizade é, ainda, minha experiência mais pura, gentil e sincera do que esse nobre sentimento  representa em uma vida, no caso, em minha vida.

No sábado nos encontramos novamente, a mesma turma - ou a maior parte dela, pois existe um dissidente ainda. Estávamos lá: Marco Tulio, Daniela e Juliana, o famoso quarteto fantástico que já passou por muita coisa junto. 

A Dani (essa linda aí em cima), nem preciso dizer...

Aliás, talvez o silêncio seja a maneira mais honrosa de brindar o orgulho que sinto por ela em seu crescimento. Um ser que, diante de todos os percalços, sempre chamou para si a responsabilidade em relação à vida. Cosmopolita (claro, aquariana que é), Saiu de um sonho de vida - ser enfermeira - para, regada a outro sonho (morar perto de quem ama, seus familiares), dedicou-se, foi à luta e, sobretudo, mesmo podendo - pois a família sempre estava ao lado, ali, pertinho, nunca se acomodou e nunca achou que os outros tinham obrigações para com ela. 

Lembro-me de quando estudávamos Matemática e Física (foi até num dia em que o Airton Senna faleceu), pois ela via dificuldade mas nunca desistência. Depois, tempos depois, contrariando tudo o que as pessoas falavam para ela - inclusive eu - a Dani foi morar sozinha, saindo da zona de conforto da asa dos pais para enfrentar a labuta de se manter com 700 e poucos pilas (nunca me esqueço o valor porque eu falava para ela que "não dava"). 

Surpreendente!!!

Depois, progressivamente, cursos e mais cursos, etapas e mais etapas, em cada dia, a Dani tem firmado seus pés no largo e irregular chão da vida, tornando-se a pessoa íntegra com a qual me relaciono fraternalmente nessa vida, ao ponto de, mesmo morando na Paraíba, nossos corações estarem em constante contato e harmonia, tal qual o primeiro dia em que nos conhecemos, num banquinho do Objetivo.

Essa foto aí em cima foi tirada no Club Nature, em pleno sábado de sol, intenso, depois de uma aula inexistente de street dance (normal, tudo é festa). 

Encontramos a Ju, outra ilustre pessoa que, desde 1987/88, tenho o prazer de compartilhar muita experiência. Conhecemo-nos no segundo grau do Colégio Sigma, uma não indo lá com a cara da outra, mas, depois, no reencontro na UnB (ela cursando Matemática e eu, Física), intensificamos nosso contato e solidificamos nossos vínculos, que duram desde então.

Tivemos momentos de distanciamento, sim, claro, boa parte deles, talvez, provocados por muita atitude e ignorância minha. Mas - esse é o argumento que sempre levanto - quando amamos de verdade, superamos as dores, os percalços, superamos, enfim, a nós mesmas, apenas e simplesmente por se tratar DAQUELA pessoa em especial

Lembro-me ter ficado 3 anos sem falar com a Ju, depois mais um ano...

Esse último, embalada por uma percepção bem unilateral minha, de achar que as coisas deveriam ser da maneira como eu achava e as pessoas - no caso, minha amiga - deveria, ou não, ter agido de um jeito - ou de outro. Com isso isolei-me, calei-me e me afastei, sem, contudo, deixar de pensar um só dia nela. Entrei em devaneios e embalada pelo envenenamento do meu coração, agi no contra-fluxo de quem sou, apartando-me de quem amo, não sem reclamar, xingar, enfim, atacar, mandar e-mails e desaforos, coisas que só eu mesmo sei fazer.

Mas para todas as pessoas que me conhecem a fundo, dentro da minha alma - meus amigos e minhas amigas, que bastam, ao final - o fato de eu incessantemente agredir, atacar, falar é apenas a clareza e a transparência de eu dizer que amo, que estou sentindo falta. É ignorância? Que seja, afinal, sou tão humana quanto tantos humanos que transitam todos os dias por aí...E daí?

E daí que, ao final, quando a saudade aperta e o sentimento de bem-querer fala mais alto, sempre existe possibilidade para se começar algo novo. Assim foi com a Dani, assim foi com a Ju...Assim é com a vida quando estamos dispostos/as a romper as barreiras de nossas idiossincrasias. 



Sábado foi mágico realmente, pela a-temporalidade que cercou o ambiente, como se os anos não tivessem passados para todas/os nós. E não passou, porque a cada riso, a cada gargalhada, o bem-estar e a completude falaram mais alto em nosso encontro, trazendo uma felicidade que há tempos eu não sentia: pertencimento...


Marco Tulio fala muito nisso, pertencer a um clã. Ser de uma matilha, como disse a Juliana. Ser de um grupo que sempre esteve presente nos momentos mais inimaginavelmente difíceis em minha vida. Cada qual em uma etapa. O Tulio, quando fui sequestrada...e quando enfrentei um psicopata há 2, 3 anos atrás. A Juliana e a Dani, sempre oferecendo apoio quando eu estava mais desolada pelo desamor que ainda existe nesse mundo... Todos e todas, contudo, sem saber, apenas por estarem presentes em minha vida, permitiram a abertura do meu coração...Abrir o coração é muito fácil quando a pessoa que está ao nosso lado também assim o faz. Quando quem está conosco conversa, abre-se e, sobretudo, compreende, de verdade, como somos...É isso, nada mais...

Com isso revalidei o que sempre pensei a respeito da vida: errar e voltar atrás no erro, passando por cima do meu orgulho - que, afinal, é apenas uma barreira para não me machucar (ingênuo isso, pois também não vivemos), falar o que o coração sente e, mesmo tomando muita porrada de quem se ama, compreender nisso uma consequência natural da vida e de nossos atos. 

O importante, ao final, é que existem pessoas nesse mundo que realmente me amam - meus amigos e minhas amigas - e que, no auge das minhas intempéries, aceitam-me como sou e, mais importante, ficam ao meu lado porque exata e pontualmente sou assim, um contra-fluxo de emoções que se lançam, muitas vezes, antagônicas e paradoxais, porque sou paradoxal.

De tudo isso, a certeza de que, ao final de meus dias, terei vivido, no âmago, o sumo de tudo que se apresentou para mim nessa existência. Afinal, o único arrependimento que não pode existir é aquele elaborado pela omissão, pois ela - a omissão - mina nossos sonhos, alimentando o pensamento com a dor de um devenir que nunca existiu, mas que, embalado por nosso desejo mais profundo, inquietou nossa alma o bastante para nos lançar no devaneio de uma quimera desejada, mas nunca realizada.


quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Saudades...Clarice Lispector



Sinto saudades de tudo que marcou a minha vida.
Quando vejo retratos, quando sinto cheiros,
quando escuto uma voz, quando me lembro do passado,
eu sinto saudades...

Sinto saudades de amigos que nunca mais vi,
de pessoas com quem não mais falei ou cruzei...

Sinto saudades da minha infância,
do meu primeiro amor, do meu segundo, do terceiro,
do penúltimo e daqueles que ainda vou ter, se Deus quiser...

Sinto saudades do presente,
que não aproveitei de todo,
lembrando do passado
e apostando no futuro...

Sinto saudades do futuro,
que se idealizado,
provavelmente não será do jeito que eu penso que vai ser...

Sinto saudades de quem me deixou e de quem eu deixei!
De quem disse que viria
e nem apareceu;
de quem apareceu correndo,
sem me conhecer direito,
de quem nunca vou ter a oportunidade de conhecer.

Sinto saudades dos que se foram e de quem não me despedi direito!

Daqueles que não tiveram
como me dizer adeus;
de gente que passou na calçada contrária da minha vida
e que só enxerguei de vislumbre!

Sinto saudades de coisas que tive
e de outras que não tive
mas quis muito ter!

Sinto saudades de coisas
que nem sei se existiram.

Sinto saudades de coisas sérias,
de coisas hilariantes,
de casos, de experiências...

Sinto saudades do cachorrinho que eu tive um dia
e que me amava fielmente, como só os cães são capazes de fazer!

Sinto saudades dos livros que li e que me fizeram viajar!

Sinto saudades dos discos que ouvi e que me fizeram sonhar,

Sinto saudades das coisas que vivi
e das que deixei passar,
sem curtir na totalidade.

Quantas vezes tenho vontade de encontrar não sei o que...
não sei onde...
para resgatar alguma coisa que nem sei o que é e nem onde perdi...

Vejo o mundo girando e penso que poderia estar sentindo saudades
Em japonês, em russo,
em italiano, em inglês...
mas que minha saudade,
por eu ter nascido no Brasil,
só fala português, embora, lá no fundo, possa ser poliglota.

Aliás, dizem que costuma-se usar sempre a língua pátria,
espontaneamente quando
estamos desesperados...
para contar dinheiro... fazer amor...
declarar sentimentos fortes...
seja lá em que lugar do mundo estejamos.

Eu acredito que um simples
"I miss you"
ou seja lá
como possamos traduzir saudade em outra língua,
nunca terá a mesma força e significado da nossa palavrinha.

Talvez não exprima corretamente
a imensa falta
que sentimos de coisas
ou pessoas queridas.

E é por isso que eu tenho mais saudades...
Porque encontrei uma palavra
para usar todas as vezes
em que sinto este aperto no peito,
meio nostálgico, meio gostoso,
mas que funciona melhor
do que um sinal vital
quando se quer falar de vida
e de sentimentos.

Ela é a prova inequívoca
de que somos sensíveis!
De que amamos muito
o que tivemos
e lamentamos as coisas boas
que perdemos ao longo da nossa existência...

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Essa tal FELICIDADE!!!


Ah, essa liberdade de ser muito além do que o estar sempre impele a mim! Muito ardor em muito amor
muito afã de simplesmente me exaurir e me imiscuir em uma multifacetada melodia de infinitude! 
Já não caibo mais em mim, tangida pela plenitude de ser assim, completa...enfim! 
Amo-te, vida!!! 
Contento-me contigo! 
Devasso luzes e desvendo sombras, pouco a pouco, levando céu e Sol, num primado de cânticos desvencilhados de tanta obviedade!
O mundo! Eis que me surge ao fundo
Tangido em pensamentos que se descobrem e se esvaem...
sussurrando aos meus ouvidos a marca do sagrado incontido
Devaneios que se lançam trôpegos
sob a luz de um magnífico luar!
Eis-me aqui!  Colecionadora de pedaços de muitas vidas
Esferas de alegria que se compartilha
Passo a passo de um mundo delicado
imerso numa pequena palma de mão!
Abraça-me, vida! Vinde sempre em meu encontro
Imanta-me com seus beijos destemidos
Revela-me as histórias que desconheço.
Valha-me, sina minha! 
Vinde, então, alegria imensa!
Preenchei o que já, de findo, esvai
Sufocando-me em meus largos passos de sorrisos.
Alegria...completude...isso só não basta?
Tenho o ser e sendo o que está
Caminho na longa estrada de meu próprio mergulho
em infinito mar...
Eis, então, grande mar...segredo impoluto da magia visceral
Percepção de fonte irremediável
Felicidade que se contenta com a finitude de si
Irradiada, enfim...
aos quatro cantos...

domingo, 12 de agosto de 2012

Cerimônia do adeus...


Muitas experiências maravilhosas aconteceram essa semana, trazendo ao coração a sensação de plenitude e calma, numa incomum certeza de trilhar o caminho certo na saga de cumprimento de meu destino...

Numa incomum cronologia inversa, ontem entreguei meu Samurai ao seu novo proprietário, despojando-me desse automóvel que me trouxe tanta alegria ao longo de três maravilhosos anos em que estivemos juntos. Tudo nele foi especial, a começar da compra, pois, sozinha, fui atrás do que desejava: um jipe para minhas aventuras na Chapada!!! 

Lembro-me como se fosse hoje olhando no jornal, indo até a loja e levando o Samuca para o Makoto dar seu aval em relação ao estado do bichinho...

Tudo isso no embalo do que sempre julguei ser a autonomia: tomar minhas decisões e seguir no controle dos meus atos, não deixando minha felicidade ser decidida por ninguém mais além de mim...

Ontem,contudo, pensei que ficaria triste em entregar o Samuca...

A chave desapareceu, faltou luz e o portão não abriu, acordei tarde. Mas, ainda que essas pequenas sabotagens revelassem algo abscôndito em meu espírito - não querer entregar o carro - a entrega foi feita, com o desejo latente que o Samucão faça seus donos felizes, tanto ou mais do que fez a mim. 

No dia anterior tinha ido à Festa do Advogado e da Advogada, no Clube do Exército, uma ocasião muito especial em que me senti nas nuvens comigo. Fui atrás de um lindo vestido esvoaçante, bons brincos, pulseiras, anel. Uma sandália linda. Maquiagem bela, com meus cabelos presos, personifiquei a deidade, permitindo que a Deusa se apoderasse de meu corpo e me encaminhasse para esse evento, onde dancei muito, ri muito e, acima de tudo, estive comigo o tempo inteiro.

É muito bom não validar a própria vida a partir do que as outras pessoas esperam de mim. É muito bom não ter indecisão a embalar meu caminho e, nela, não machucar quem me ama... 

É muito bom consolidar o foco de minha vida na constante redescoberta de quem sou, pois, preenchendo-me de mim, posso acolher, de maneira honesta, o outro. Fui para o baile com um amigo muito querido e, juntos, dançamos muito, divertindo-nos com intensas gargalhadas, em meio ao salão repleto de pessoas conhecidas.

O mais interessante foi ver nesse rol intenso de felicidade a resultante de uma semana que se iniciou - pasme - com o encontro providencial com um ex-namorado, no qual ele olhou para mim e desviou o olhar, como se nada tivesse acontecido entre nós. Veio à mente a percepção sobre como uma pessoa pode ser tão pouco generosa com a Vida, o bastante para pretender - sem sucesso - fazer com que a outra pessoa fique triste. 

Ele deve estar com raiva de mim, ou, pior, deve estar com muita raiva dele mesmo, por conta das imaturidades que resultaram em nosso fim. Acho que o olhar dele refletia o imenso vazio de sua alma, bem como a escuridão em que costuma militar em sua inerente forma de viver a vida de maneira pouco generosa e irresponsável.  

Oro aos deuses e às deusas, todos os dias, para que ele se encontre e, nesse encontro, assuma a si mesmo e, com isso, seja menos infeliz do que é...A julgar pelo olhar frio, penso realmente numa máxima que sempre ouvi de minha mãe: as pessoas dão o que têm. Ele, ao que parece, somente é capaz de dar aquilo mesmo: miséria.

Ainda que eu achasse estranho isso - afinal, ele sempre se dizia de outro planeta e de outro mundo, um mundo aquariano de pessoas evoluídas - o suceder de maravilhas que, a partir dali aconteceu, trouxe-me, ainda mais, o alento e a certeza que estou mesmo no caminho certo e que estar ao lado dele não seria o caminho mais correto. A prova é tanta que, após o rompimento, tudo que estava estático em minha vida começou a fluir novamente...

Por isso, agradeço imensamente ao providencial encontro com essa alma, já que sua presença em minha vida serviu para me mostrar que minha sina, enfim, sou eu quem faço, e que não devo esperar um milagre de outra pessoa, pois não tenho sequer direito ou legitimidade de mudar ninguém. Por outro lado, posso e devo mudar a mim, já que tal mudança mudará, também, o mundo ao meu redor... Muito obrigada a você, meu amado (sim, sim, amor não morre e não deixamos de amar ninguém, apenas não convivemos mais) por me preparar, com seu olhar de ódio e pretensa indiferença (burro, pois indiferença não se demonstra assim), para toda a alegria que vivenciei depois...Grata!!!

\o/\o/\o/

domingo, 5 de agosto de 2012

Sob o manto sagrado da devoção solitária ao Amor incontido!


Envolta por folhas, aromas e brumas cálidas, prostro-me à reverência do Sagrado, conectando-me à força telúrica que trouxe, de bom grado, o grande início de minha jornada. 
Passo a passo, pouco a pouco, um dia após o outro, perfilho o filete do Infinito que perpassa a imensidão entre o espaço vazio dos átomos de meu corpo e me jogo aos braços e abraços da solitude de mim para me encontrar! 
Ah, essa tal felicidade que me eleva até onde meus pés não mais se firmam e me fazem planar por entre espaços desconhecidos de mim mesma! Fazem irromper dentro do meu peito a chama do devenir não temerário, e, com ele, permitir-me amar a anonímia!!!
Ó, linda jornada infinda rumo ao apogeu da eternidade do Cosmos, bailando, enfim, junto ao meu querido coração!!! Eis o sentido pleno de amar, amar, amar!!!
Ó, coração vertido em júbilo, seara de uma infinitude que se plasma, pouco a pouco, em cada ponto longínquo de meu corpo, grandeza que se aloja no abscôndito recanto da minha alma e me assola a alcançar o que me é proibido!! 
Mas, enfim, o que é o amor senão latente e profundo estado de espírito que nos lança rumo às aventuras da entrega, na medida em que nos renovamos e renovamos nosso espírito, abrindo-nos para novas fronteiras.
Cada relacionamento - que se inicia e que se finda - coroa essa trajetória que, por sua vez, em cerra em si o processo contínuo da vida. A vida é, em si mesma, o amor, pleno. 
Por isso, sorrisos! Já amamos por nos permitir amar...a todo tempo!
Ainda que estejamos em tempos distintos, momentos distintos ou até mesmo em caminhos distintos, podemos ser - todas e todos nós - corações afins, sibilando em torno da mesma ideia de nos afeiçoarmos uns aos outros. 
Com isso, mesmo diante de mundos que se tangenciam, atravessam, amam-se e se vão, a coexistência profunda amalgama as almas, ainda que aparentemente imponha um fino véu de apartação. 
Ali, aqui, acolá, apartando-se e se unindo, vamos juntos, duas almas em estradas paralelas, orando para os deuses subverterem a geometria, e, com isso, as paralelas se encontrarem no INFINITO!