terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Fàilte, Marte!!!!

Terça-feira, dia de Guerra! Ou melhor, Martes em espanhol, Martedi em italiano ou, ainda, Mardi em francês. Para onde quer que nos voltemos, o radical mar- está presente, lembrando-nos que o dia de hoje reverencia o belicoso e temperamental Deus da Guerra.

Como não poderia deixar de ser, o dia promete!

Dedicado à força, coragem, vitória, às batalhas e conquistas, além da potencialização do dinamismo e crescimento pessoais.

No contraponto, a terça-feira oferece oportunidade - no mundo mágico - de movimentar a egrégora de vingança (trabalhando internamente essa "vibe" para transmutá-la), além de ser um dia excelente para se expurgar toda sorte de encantamentos e bruxedos.

Assim, se o dia de ontem foi lânguido, a terça-feira, hoje, marca MOVIMENTAÇÃO e ritmo...pulsação universal do chamado para que possamos vencer nossas batalhas pessoais, nas lutas que travamos em nossas vidas. Momento de alocar as energias para alavancar os projetos e as metas, por meio das estratégias usuais que todos os grandes guerreiros sabem articular...

No panteão celta, grandes herois e heroínas são lembrados, como CuChulain e Morrighan. O primeiro, guerreiro mortal, a segunda, a honorável Deusa da Guerra, a poderosa face da Morte, representada pela imponência da grande mulher e seu corvo, animal do Outro-mundo... Dia de luta! Hey ho!





segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Entre caldeirões e miscelâneas...

Dias de intenso estudo... Livros? Sim, vários. Nada, talvez, relacionado com o que usualmente se "espera" ou se "deposita" de expectativa de uma pessoa "das leis". Nada de teorias sociológicas, muito menos de pesquisa empírica. Legislação? Nem pensar... O tempo, por agora (o meu tempo) é de profundos estudos herméticos, de imersão no mundo peculiar de minha psique devotada ao que me é sagrado: a senda, o caminho, enfim, o viver.

Eis-me, então, de "férias" de uma academia que insistentemente não se remodela, não se renova e, com a falta do próprio ar para respirar, tenta sufocar e compartimentar quem está planando em um universo holisticamente livre... As leis, então, cedem espaço - tal qual na figura de Waterhouse - para o debruçamento sobre as ervas, as macerações, os ciclos lunares, os oráculos. Tudo passa a ser - na deliciosa acepção harry potteriana - "estudo oficial da cosmologia trouxa" deveras limitador e, portanto, incompleto para se passar por este plano com um mínimo de magia e encanto.

As vivências diuturnas remodelam, em cada instante, um mundo repleto de colorido, uma espécie de arco-íris infindo, onde a noção bipolarizada de realidade e fantasia cede espaço para a compreensão de um viver mais leve e fluido, onde cavalos e unicórnios transitam, lado a lado, numa quimera de transcendência do que se coloca como o véu gélido de um viver sem emoção. Como, então, voltar para o mundo de quem acredita que está vivo, mas que já queda inerte em suas perdas de ludicidade?

A opção de quem vive entre-mundos é assim mesmo, uma aventura em cada transposição de realidades. Em meio a caldeirões, runas e miscelâneas encontro o ardor e a motivação necessários para que possa construir minha peculiar saga quixotesca.

Nem lá nem cá, por que, afinal, é necessário estar entre esses dois pólos? Penso que não, pois depois que Heisemberg desenvolveu a percepção dual da luz (opúsculo e energia), nada mais permanece intacto. A vida passa a ser um "caldo delicioso" de possibilidades de interpretação. Basta que peguemos aquela que mais representa nosso estado verdadeiro de espírito.

O que escolher, então? Ou melhor: será necessário mesmo fazer escolhas tão bipolarizadas? Ou, ainda, seria limitador fazer uma escolha diante da multiplicidade de eventos? Não sei, ao certo, a resposta ao enigma, mas hoje penso que não mais serei devorada pela Esfinge diante de minha aparente indecisão...

Todos os meses pelo menos cinco mulheres são assassinadas em Brasília

Estou postando o link da reportagem sobre o retrato da violência contra a mulher no Distrito Federal. O que mais me chama a atenção, em relação a isso, diz respeito ao paradoxo gerado pelos vários comentários em torno da temática violência, tendo quem vista que muito tem sido falado sobre os "exageros" dos movimentos de mulheres e feministas no que diz respeito à busca de punição.

As estatísticas, contudo, são mais do que reveladoras. Como "ativista solitária" e, sobretudo, curiosa sobre as questões que envolvem o Sagrado e o Feminino, não poderia deixar de compartilhar essa valiosa informação...

Fàilte!

Fàilte, Moon Day!


Moonday, ou, melhor, já se adaptando à modernidade, Monday ou dia da Lua, o dia de hoje marca, no calendário gregoriano, a transposição dos dias da semana que celebravam os deuses e as deusas romanas e setentrionais.

Esta tradição aproveita o ecumenismo da humanidade convertida ao cristianismo, comemorando a diversidade de arquétipos e egrégoras, bem como direcionando, em cada dia da semana, um atributo especial ligado a uma divindade.

Hoje é dia de falar sobre a Lua, a Senhora de Todos os Mistérios...

Império dos atributos femininos (mesmo diante de uma pós-modernidade que pulveriza o binário macho-fêmea, volto para meu lar sagrado e me prostro diante da compreensão de status e papeis exercidos em face de um conhecimento hermético, sagrado e superior, que aponta a polarização dos princípios masculino e feminino), segunda-feira é um dia de introspecção, intuição, psiquê em acalanto e reflexão, bem como de atividades divinatórias, sempre que relacionadas à intuição e percepção sensorial. Um dia auspicioso para a auto-reflexão e autoconhecimento.

Dia interessante para leitura de runas, tarot e demais oráculos, ainda que o dia, por excelência seja a quarta-feira, dia de Hermes, o mensageiro. O que torna a segunda-feira predileta por mim para colocar runas conecta-se à alta capacidade de ligação com o universo sagrado do mundo psíquico que o dia representa, pois a Lua exerce um fascínio, bem como o fundamento de cronologias... Basta perceber a relação direta entre lunações e menstruação, bem como entre lunações e gestação, já que a contagem se vincula ao número de luas que se passaram...

Quando desejo muito encontrar ou ver alguém, entoo a rima lunar: "Eu vejo a Lua, a Lua me vê. a Lua vê ( ) quem eu quero ver", uma espécie de scrying, ou seja, de divinação, porque estamos a procurar por uma pessoa, em especial, para a conexão.

Não se trata de energia de manipulação, mas, apenas, de visão omnisciente e sem qualquer modificação na linha cármica, já que não estamos nos imiscuindo no livre arbítrio. O que a rima invoca é o poder de visualização de determinada pessoa, para que possamos saber sua localização, nada mais... Se quiser potencializar - ainda mais - a visualização, podemos usar um cristal pendular e um mapa do local (no caso, aqui pelas bandas do cerrado, do DF).

Livro recomendado "A descoberta das bruxas"

Estou no meio da leitura, mas já recomendo para quem achar interessante um "romance" sobrenatural e profundamente didático sobre o mundo das bruxas, dos vampiros e dos demônios.


Trata-se do livro da americana Deborah Harkness, chamado "A descoberta das bruxas" (Rocco) (Shadows of Witches no original), obra que já alcançou a lista dos mais vendidos nos Estados Unidos, bem como na Feira de Frankfurt em 2009.


O diferencial já começa do background da escritora, especializada em história da ciência, magia e medicina. Diana Bishop é uma cientista (doutora) em conflitos, pois é última descendente de uma linhagem de poderosas bruxas, ao mesmo tempo em que vive o "gostinho" da pós-modernidade, tentando harmonizar o lado racional de sua vida ao seu legado como bruxa.


Apaixona-se, nesse meio tempo, por Matthew, um vampiro de mil e quinhentos anos, vivenciando a magnitude do conflito em se posicionar como uma mulher de vanguarda, independente, em meio ao tradicionalismo que veda, por pressuposto, a relação entre esses dois seres.


Adorei!

O significado das pequenas celebrações


Celebrar é uma arte antiga de mostrar gratitude pelos beneplácitos que a Vida nos concede, extrapolando a aparente sensação de efêmero festejo sem sentido, para se transformar em um rito de dádivas prestadas ao Universo pela prosperidade em todos os aspectos de nossas vidas. Essa "pequena" providência traz um resultado fantástico, movimentando a roda da vida, para que, alimentados pelo lastro de positividade, mais e mais consigamos cumprir nossas metas espirituais nessa vivência abençoada!

Diante desse "derrame" de positividade impossível que as nuvens carregadas fiquem em nossas vidas por muito tempo. Nada fica estático diante do rito da celebração, pelo simples fato de, a partir de nós mesmos, nada permanecer da mesma maneira...

Daí, penso, ser extremamente importante comemorar cada pequena conquista em nosso dia-a-dia, pois, em cada singelo sinal de agradecimento pelo que haurimos da Vida, mais e mais energia positiva agregamos para nossas metas e nossos ideais.

Vale tudo: agradecimento por acordar, a cada manhã, para se viver mais um dia (até mesmo porque, a bem da verdade, sequer sabemos o que está guardado para nós pela Roda da Fortuna), agradecimento pela recuperação em face de uma doença. Obrigada pelo emprego novo, pela comida à mesa, pelos amigos... Agradecimento, enfim, pela própria Vida em si!

E não apenas os agradecimentos pelas benesses nos tornam mais prósperos... Não! É igualmente importante, a cada dia de vida, agradecer pelos eventos que aparentemente se colocaram como dificuldades ou obstáculos em nossos caminhos, porquanto, nesse pequeno rito, a egrégora se transforma e, com isso, até a energia transmuta.

O "inimigo" passa a ser melhor compreendido a partir da nossa percepção mais acurada sobre nós mesmos, assim bem como o que no feriu adquire o doce sabor da resignação ante a roda cármica de haveres e deveres. E, melhor, SEM DRAMA! Sem aquela dosagem "novela mexicana" que nos impele, de tempos em tempos, para uma síndrome de vitimização que apenas empaca nossos caminhos e turva nossa visão.

Minha vida ficou mais "leve" a partir do momento em que, ao invés de pedir aos meus ancestrais e a deuses e deusas que "escudassem" meus caminhos, passei a apenas agradecer. Daí, todos os dias, abro meu círculo mágico, invoco os deuses que guarnecem minha morada, meus ancestrais, os 4 elementos e, depois de conectada a tudo isso, faço um retrospecto do que vivenciei no dia anterior.

A vida passa como um filme e, ao ser delineada na forma de agradecimento, o subconsciente trabalha a reflexão do que foi experienciado no dia que passou. O resultado? Claro, não poderia ser outro: PARCIMÔNIA...apenas isso. Tudo isso!!!!

Por isso, o melhor "conselho" que alguém poderia me dar numa linda noite de domingo como essa, prenúncio de um dia de sol amanhã, e que repasso para quem me é caro é: CELEBREM CADA MOMENTO DA VIDA, POIS AS LEMBRANÇAS DE TAIS MOMENTOS DE FELICIDADE ECOARAM POR TODA A ETERNIDADE!!!

Fàilte!!!



sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

De volta ao lar sagrado e a preparação de mais um giro de roda


As voltas ao lar sagrado de nossa quietude espiritual - depois de momentos lúdicos de viagens de final de ano - são importantes sinais, marca da transposição de obstáculos, bem como da superação de si para, no retorno, nada ser como antes.

Quando saímos de casa, no sentido físico da palavra, quer seja de férias, ou, ainda, num simples trânsito a trabalho - sujeitamo-nos à mesma lei de impermanência que move a Terra, o Céu, o Espaço e, enfim, o Universo e, com isso, não somos os mesmos a nos banhar nos rios impermanentes de nossas próprias existências...

O rio não é o mesmo, tanto segundo segundo a tradição pré-socrática da Escola de Heráclito de Éfeso, como na compreensão fluídica do triskle que projeta a espiral cósmica da teogonia celta. Diante da infindável gama de tradições, a percepção consensuada e unívoca baseia-se na dimensão de mutabilidade: também não somos imutáveis, lembrando a regra hermética de bruxaria que insculpe a assertiva de transmutação - "sólido se dissipa no ar".

A mala volta repleta de novidades, denunciando que nossa viagem resultou em transformações, ainda que imperceptíveis. Camisas e vestidos brancos cedem espaço para o colorido das vestes que, numa praia ou num luar, concretizam o arco-íris de mutação em pontos específicos de nosso viver. Presentes, dádivas ou "lembranças" despertarão sorrisos, transmutando, ainda, semblantes taciturnos em ternura infindável de amorosidade. Na arca de memórias, as maiores mudanças, pois a alma registrará toda a movimentação do que foi visto e apreendido com a acuidade de uma lente perfeita, forjada nos céus de nossos horizontes renovados.

Uma mudança de curso (ou de itinerário) sedimenta mudanças também em nossas vidas, pois a escolha, dentre vários caminhos, traz sempre o convite à reflexão sobre a seguinte questão: "o que teria acontecido se eu tivesse escolhido esta caminho?". O caminho que ficou para trás excluiu, é bem verdade, outro, trazendo a indelével e incômoda certeza de "perda" a encobrir o que, de fato, está por trás, a harmonização entre destino e arbítrio, inexorabilidade e probabilidade, a dualidade a que sempre estamos nos sujeitando, pelo simples fato de sermos seres humanos no encalço de contrapontos.

Voltamos ao abrigo de nossas vestes para o realinhamento de nossos ciclos. Após dias e dias de aventuras, o espírito retorna ao casulo e, compondo uma linda crisálida, aguarda, com parcimônia, a renovação da vida e da morte, da morte e da vida em cada pequeno átimo de segundo em que soltamos nossos pulmões para agradecer ao Universo!

Sim, eis que surge o novo tempo de agradecimento pelo que deixamos para trás, tal qual o banho no rio eterno de nossas peculiares espirais, que aconchegam, dia após dia, nossos corpos que estão interagindo nessa existência de pura benesse.

Nossos ancestrais aguardam por nós em nossas moradas, sìdhes para os quais nossas essências se voltam, contemplando a fonte eterna de nossos ciclos. Nosso passado se entrelaça com a retumbância de um futuro que apenas depende da sofreguidão do presente, nada mais. Saudamos, assim, no sagrado retorno, a nós próprios, bem como o princípio corporificado nas deidades que representam nossa identidade nesse Planeta de vivências tão maravilhosas!

Tempo de agradecer pela farta colheita de 2011 no primeiro festival, enfim, que marca o sentido de gratitude: Lughnasadh, o festival dedicado ao Deus Solar Lugh, princípio unívoco da identidade universal e arquetípica, enunciado do que colhemos ao semearmos nossas terras com o furor da força que reside em nossos corpos.

Aproxima-se a hora do giro e, com ela, derramamo-nos em quimeras honrosas, apreciando o néctar profundo que sai do suor com que laboramos nossa estrada... Volto para o alento de minha morada, trazendo para a vida dos que me são caros tudo aquilo que poderia compartilhar nesse lindo ciclo de 2012.

Fàilte, Lughnasadh!