sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Os rituais e as verdadeiras intenções por trás das intenções que se apresentam na Arte...

Fonte da imagem: http://www.magiazen.com.br/
Quando iniciamos o percurso na Arte somos sempre tentada/os a realizar toda sorte de rituais, quer seja para podermos atestar "na prática" se a "coisa funciona mesmo" (nossa eterna mente que desconfia de tudo ao redor que não é racionalizável), ou, ainda, para conseguirmos alguma dádiva "celestial" cujo acesso, por esforço no mundo material, não obtemos (dádiva que insistimos ser "celestial" e transcendente, como se não pudéssemos transformar o mundo à nossa volta). 

Lembro-me que, quando pequena, ao ganhar um kit de química da minha mãe, tentei reproduzir uma experiência dela e, sinceramente, afoita que estava, o máximo que obtive foi uma substância com cheiro de ovo podre, pois havia misturado ácido sulfídrico equivocadamente no caldeirão. Enfim...

Isso acontece muito quando se trata de modificar a realidade (lembrando que bruxaria é a arte ou prática de mudar, contornar, modificar a realidade em torno da/o praticante) de uma situação relacionada ao amor, esse estranho tão desconhecido e perquirido pelos seres humanos, nós, seres humanos (não sou diferente de ninguém).

Sim, sortilégios de amor constituem, sem dúvida, o tipo de magia que possui o conteúdo mais acionado pela/os praticantes de bruxaria em seus rituais. Basta uma pesquisa no meio virtual para encontrarmos uma série de promessas e rituais - muitas vezes complexos e truncados - que garantem, ao final, o êxito na empreitada. Quando não conseguimos os rituais descritos, deparamo-nos com pessoas, profissionais do coração, garantindo o "retorno da pessoa amada em três dias mediante amarração" ou o dinheiro de volta (parece até coisa de Código de Defesa do Consumidor).

Qualquer que seja a forma pela qual a busca é feita, uma situação é bem real e concreta na bruxaria: ela (busca) pode resultar em um total malogro ante a maneira idealizada ou ilusória com a qual a/o praticante de bruxaria vê sua intenção e a direcionada em um ritual, feitiço ou na contratação de alguém para fazer o bruxedo

Tal qual um Dom Quixote que enxerga moinhos onde eles não existem, /a/o desavisada/o bruxa/o pode acreditar piamente estar perseguindo o objetivo colimado - no caso, o amor - sem, contudo, atentar para detalhes importantes, cuja inobservância podem acarretar um completo naufrágio: ou, no caso de Dom Quixote, o desmoronar dos moinhos que nunca existiram. 
Fonte da imagem: http://abracaocapeta.files.wordpress.com

Se o feitiço dá errado sem maiores sequelas ainda vá lá, mas, minha experiência empírica (comigo, sim, por que não dizer?) me mostrou que existem resultados mais danosos do que a ineficácia do feitiço. 

Dependendo da egrégora acionada sai tudo errado. Imaginem só um dia em que Morrighan não estiver para brincadeira, ou, ainda, com uma aspectação lunar desfavorável de acordo com o mapa natal? 

Ou, ainda, um dia de lua fora de curso?, além de não se obter o resultado desejado, a/o praticante pode se ver imersa/o em um vórtice de energia que não saberá administrar. 

Ou, então, poderá abrir um portal a permitir o ingresso e livre trânsito nessa tridimensionalidade para energias não amistosas (não vou usar as palavras espíritos, miasmas etc. porque podem dar a entender que estou acionando uma cosmogonia espírita ou teosófica) e destrutivas, que podem não ser dissipadas ou controladas pela/os neófita/os na Arte. 

Energias dissipativas (ou seja, de destruição e morte) - não são "malévolas" sentido crístico da palavra - trazem o que sua natureza conclama: destruição. Se não sabemos direcionar isso, o foco dessa destruição pode ser nossa própria pessoa, quer seja no campo energético, áurico, bem como na saúde ou em aspectos de nossas vidas que passam a sofrer com processos degenerativos. Por isso não aconselho ninguém que esteja começando na Arte a fazer, de plano e pronto, um encantamento de amor de almanaque, com todo o perdão aos almanaques (eu mesma tenho um com calendário, pois comprei para isso).

Outro ponto derivado disso consiste no grande dilema ético de se realizar um bruxedo de amor manipulativo, ou seja, com o propósito de modificar - aqui é na base do "tacape etéreo", não é mesmo? - a vontade de outra pessoa para que ela se aproxime de quem está fazendo o feitiço. Não aconselho isso em face da lei de retorno. 

Simples assim. Não, na verdade não é simples assim. O que realmente penso a respeito disso? Vou tentar sintetizar...

Sinceramente acredito que feitiços e bruxedos para o Amor e que tenham como foco a mudança de vontade de outra pessoa são uma perda de tempo, bem como uma falta de domínio e autoconhecimento da/o praticante, além de designativos de uma baixa autoestima. Daí o título dessa postagem chamar a atenção: cuidado para as intenções por trás das intenções, pois como uma cebola com cascas somos nós em nossas máscaras e compartimentos (subconscientes e inconscientes) tão escondidos que podemos nos prejudicar, bem como prejudicar outras pessoas em não saber usar a bruxaria.

Com isso, entendo que um "ritual de(para) o amor" haveria de ser precedido de muitos, mas muitos trabalhos de autoconhecimento, bem como de bruxedos e feitiços para o trabalho com as sombras, pois pode ser que o cerne de todo o problema da/o praticante esteja diretamente relacionado com um estado imanente não conscientizado e, portanto, reproduzido nos relacionamentos.

Bem importante lembrar que a prática de bruxaria não é transcendental: não pedimos "ajuda"a alguém lá fora como se faz em uma oração cristã para um ente além-mundo e cujo acesso nos é negado por sermos espúria/os. Entramos em conexão com nossos aspectos ancestrais, as deidades que iniciaram o clã e, junto à Natureza e com os beneplácitos dela em nos oferecer elementos (ervas, cristais etc.) realizamos a mágica de maneira imanente, ou seja, de dentro para fora, a fim de que tudo flua.

Com isso, em qualquer que seja o ritual - nisso incluo um bruxedo para o amor - não adianta formular nada se a/o praticante não tiver em mente algumas perspectivas básicas: ter necessidade, conhecimento e acionar o drama via emoção. Para esse quesito "necessidade" - acredito que seja o ponto-chave da conversa desse post - que estou chamando a atenção em minha análise. Não se trata de "ter necessidade de ter Fulana/o em minha vida", ou, ainda, "ter ou viver um grande amor". 

Ao meu ver essas são as cascas mais superficiais da nossa cebola e, infelizmente, as que mais a/os praticantes desavisado/as tentam alcançar, acreditando piamente que seus problemas amorosos irão se resolver assim. 

Necessitar é desejar, querer, pretender alcançar como estado de alma, o que é absolutamente incompatível com a frivolidade de ser "seduzir" uma pessoa para tapar um buraco dentro da alma da/o bruxa/o. O resultado de prolongados buracos tampados é o mesmo das estradas e rodovias no Brasil: paliativo. Eis o que é a bruxaria do amor, um verdadeiro paliativo para as almas desesperadas pela vivência de um amor que sequer compreendem.

Bem diferente é, contudo, um bruxedo de amor que se baseia na percepção da/o praticante sobre sua real necessidade e no trabalho contínuo de sua sombra. Para tanto, nada de besuntar mel, morango, maçã em dia de Lua Cheia, por favor! 

Olhar para a sombra é enfrentar a si mesma/o em Plena Luna Negra ou Minguante, imergindo em estados profundos de reflexão e hibernação para, adiante, trabalhar-se - se for o caso - com destruição, transmutação e banimento. Nunca em relação a terceiros, mas, antes, em relação ao próprio aspecto impeditivo de uma vida amorosa feliz (e que não raro traz o padrão que se reproduz até a conscientização).

O que desejo dizer com isso é que - em termos de necessidade - de nada valem bruxedos e rituais que almejam alcançar o outro - banir, destruir, fomentar, manipular - quando não se está íntegra/o em estado de alma. É o básico para separar crianças de adultos na bruxaria...

Cead mílle fáilte!

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Dicas de culinária simples e natural...

Não sabe como tirar a ardência da cebola? 

Muito simples: aloje os anéis em um recipiente e coloque água FERVENTE sobre elas, mantendo-as assim por 10 minutos. Daí basta escorrer, dar um banho de água gelada e um choque térmico no freezer. 

Ficam crocantes, consistes e sem o ardor. Ah, sim, e não deixam rastros no hálito! Mas se quiser um toque diferenciado, antes de levá-las ao freezer lave-as com água e açúcar, pois daí terão o toque levemente adocicado da cebola roxa.

Quer fazer o refogado ficar mais saudável? 

Muito simples, sobretudo para folhagens (que são mais hidratadas): ao invés de colocar o óleo ou o azeite na panela para DEPOIS colocar o ingrediente, INVERTA: coloque o ingrediente primeiro e o azeite por cima, mexendo circularmente. Além de demandar menos azeite, ele não queima, não libera oxidantes.

Para um intestino regulado: no último lanche da noite, coma uma porção de mamão, um punhado de uva passa, quinoa e linhaça, embebidos no iogurte caseiro. Não precisará adoçar por conta da uva passa, mas, se quiser um pouco mais doce, sugiro picar banana, pois não fará diferença em termos de prender o intestino. No dia seguinte o reloginho baterá certinho!
Está com vontade de comer algo doce? 

Não, não corra a uma confeitaria não! 

Misture em um liquidificador 3 ovos, 1 xícara de açúcar mascavo, 1 xícara de óleo (ou azeite, mais saudável) e as cascas de 2 maçãs médias. 

Depois coloque em um vasilhame e misture com 2 xícaras de farinha de trigo integral, 1 colher de sopa de fermento e 30 gramas de uvas passas e damasco cortados e previamente hidratados em rum ou conhaque. 

Aloje em uma forma de bolo inglês untada com azeite e farinha. Forno pré-aquecido.
Verdade seja dita (bem, ao menos se trata da minha verdade e não tenho a menor pretensão de ser dona dela): a marca da pós-modernidade é o desamor. As pessoas não se afagam, trucidam-se. Homens desqualificam mulheres. Mulheres tentam colocar cangalhas em homens. Parece que estamos num coliseu no qual cada qual berra mais alto, pretendendo, assim, convencer um ao outro, quando ambos estão surdos!
Quando ouço alguém se auto proclamando "bom", "honesto" e "gente boa" saio logo correndo porque não acredito nisso. Devemos ser o que somos, aprender com o que aprendemos e, sobretudo, amar. Amar muito. Mas amar não significa estar "para além" da existência humana, em uma nuvem de algodão-doce e passeando em unicórnios cor-de-rosa. Amar supõe, antes de mais nada, olhar para si no outro.

Santeria e investigação: True detective

Fonte da imagem: http://crackingspines.files.wordpress.com/2011/09/santeria.jpg

Ontem estava sem sono e assisti ao piloto da série "True Detective”, que traz McConaughey ao lado de Woody Harrelson. 

Uma palavra: GENIAL

Sugiro fortemente, pois além de abordar - tudo isso em uma personagem para lá de rica e complexa, papel de McConaughey - psicopatia, traz elementos místico-religiosos (pois os crimes trazem artefatos de santeria), bem como o niilismo e notas de budismo (a maravilhosa explicação dele sobre a humanidade ser um "acidente" na evolução porque se enxerga como um ego que habita um corpo dotado de individualidade). 

Harrelson, por sua vez, é o oposto: não gosta de prospectar assuntos filosóficos, faz o gênero do pai de família tradicional (com todas as palas inerentes), e sempre fica cerceando Cohlen, a despeito de, após tal camada superficial de oposição, empaticamente a ele se vincular. Muito rica, muito rica... Ambientada na Louisianna, no contexto da miséria após o furacão Katrina. Gente, sem fôlego!
Diante da contumácia da mediocridade não é possível comprar qualquer batalha. No atropelo de quem muito fala - sem conteúdo latente para suportar o ônus existencial de ouvir o que provoca e produz - o silêncio pelo silêncio (e não pela crística da pseudo tolerabilidade) ainda é um manjar dos deuses...

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Sobre casas, altares e almas: a mudança externa plasmada a partir de nós


Na simbologia junguiana a casa - ou a residência, de maneira geral - sempre esteve associada à ideia de estrutura, alicerce de sustentação da psiquê, chamando, assim, o foco de atenção  no campo de interpretação onírica  para o universo de elaboração do ideário inconsciente de um indivíduo. Nesse contexto, toda casa nada mais é do que a projeção energética e peculiar de quem nela reside, quer seja por um estilo na decoração, bem como até mesmo pela forma com que os móveis e objetos estão dispostos. 

Isso me faz lembrar que assim como todo lar reflete a personalidade e o estado de alma de quem mora nela, um altar devocional (ou reverencial) aglutina a maneira diferenciada como cada uma/um de nós deseja expandir-se energeticamente para o ambiente, produzindo, assim, um foco coeso e límpido de energia a ser destinada em futuros encantamentos, bruxedos ou feitiços. 

Nas tradições distintas - tanto de wicca como de bruxaria - a destinação dos altares reflete objetivos múltiplos, bem como as disposições dos instrumentos inspiram a maneira com a qual cada wiccano/a, bruxo/a, mago/a ou feiticeiro/a atribui significado especial ao que celebra. Na magia cerimonial os altares tendem a ser mais ornamentados e repletos com os instrumentos de poder (punhais, espadas, turíbulos, almofariz etc.) para que a criação da egrégora imante as ferramentas, em contraponto ao modelo wiccano de elaboração de um altar para reverência à Deusa e ao Deus e, a posteriori, realização dos trabalhos mágicos. 

Daí a colocação de imagens representativas dos arquétipos da Grande Mãe como forma de celebrá-la dia-a-dia, já que a wicca baseia seus fundamentos numa ideia de religiosidade. Na bruxaria - conjunto de práticas de transformação ambiental e pessoal - o altar congloba a egrégora em si mesma (sem a noção de religare, pois, ao contrário, a ligação com o todo já existe), sendo um local de energia para onde convergem a representação dos elementos e dos ancestrais.

Tanto poderiam ser os ancestrais da família ou os arquétipos de deidades, mas não necessariamente o arquétipo Deusa e Deus, em face de ser um componente forte da temática wiccana). Seja qual for a tradição ou o sistema mágico, o foco sempre é o mesmo: o que somos se debruça pelo que construímos ao nosso redor nas construções físicas e energéticas desenhadas por nossa vontade

Depois de um longo tempo celebrando sozinha ou com meu amigo Marco Tulio, refleti bastante e decidi compartilhar o conhecimento e o resultado do percurso com outras pessoas, por entender que tudo aquilo que almeja o crescimento espiritual não pode ficar retido em uma pessoa. 

Precisa circular, levar consigo a carga de renovação para que democraticamente outros seres tenham condição de fazer sua própria história. Não se trata de um coven a bem da verdade e nem poderia ser, pois minha família é meu coven de onde retiro minha herança como bruxa. Fui iniciada numa tradição aqui em Brasília e até poderia transmitir esse legado, mas também não me sinto impelida a fazer algo mais tradicional. Refiro-me a algo mais fluido, um grupo de pessoas que estão unidas energeticamente por vínculos de fraternidade e que têm no ir e vir a maior expressão de liberdade.

Daí as palavras-chave para 2014: frater, confraria, sobretudo CLÃ!

Clã, grupo de pessoas ligadas pelo parentesco e por uma linhagem, tanto física como simbólica e reunidos em torno de um totem deídico, que pode ser o ancestral originário do grupo. A resultante, enfim, dos elos ancestrais que se alinhavam e aperfeiçoam, lembrando-nos de nossas caminhas de outros tempos e, ao mesmo tempo, chamando nossa atenção para a renovação de nossa morada, de nosso altar. Para a renovação, ao final, de nós mesmo/as em nossos propósitos de vida. 

Um clã se sustenta energeticamente porque é movido, acima de tudo, pelo imenso amor entre seus membros, bem como a inerente afinidade no reencontro de almas que estavam apenas esperando o tempo certo de maturação da alma para que as missões fossem iniciadas. Um clã se firma pela coragem em se realizar o sacrifício necessário para a doação da centelha de energia que habita em cada um/a de nós que dele fazemos parte. Nem mais, nem menos: todo/as construímos em patamar de igualdade o momentum mágico com a projeção de nossa parcela de divindade. Um clã se faz, enfim, pela derrocada das tormentas e pela observação lânguida do que ficou para trás...

Casas, altares e almas... moradas de clãs, nada mais. Tudo mais!

Mílle cèad fàilte!