domingo, 18 de novembro de 2012

\o/ A tríplice e sagrada jornada celta de composição tríade da alma \o/

Logo que adentramos os estudos herméticos sobre o Sagrado Feminino travamos contato com a face tríplice da Grande Deusa, o atributo tricotômico (porém não cingido) de se apresentar como Donzela, Mãe e Anciã, lembrando-nos das etapas de nossas próprias vidas: nascimento, plenitude e fenecimento, no eterno ciclo espiralizado de aprendizado e conhecimento. 

Temos na figura da Donzela o frescor da vida, bem como a suavidade da pele jovem e sedosa, ainda não tangida pela intensidade dos raios do Sol em um dia intenso de lutas e trabalhos. A Jovem é potencial a se desenvolver e, como tal, agrega a ideia de força em latência, tábula rasa onde será escrita toda a trajetória espiritual defluente de sua condição feminina. 

Com a menarca, a menina cede espaço para a mulher apta a gerar e crear, efetivando-se, assim, a habilitação para a compreensão do potencial iniciático presente em cada uma de nós. Mais do que uma cronologia - pois não é possível precisar, em dias, meses ou anos quando a menarca advirá - a primeira menstruação marca um verdadeiro "rito de passagem", usualmente visível para a sociedade - no caso, para os antigos celtas, seu clã - a partir de processos os quais o corpo, a mente e, sobretudo, o espírito da jovem experiencia.

Outro rito de passagem contido na vivência da face mulher da Grande Deusa reside na maternidade, processo causal de elaboração da ideia de alteridade, dentro da qual a mulher se convola em Deusa ante a ideia de creação. 

Por isso tanto se afirma deter a mulher o potencial essencialista de gestar, em contraponto ao que se elaborou em termos de apropriação feita pelas concepções judaico-cristãs do atributo creacional, alojando-o num ente masculino a romper com o conceito de gestação como resultado da tomada do poder, subvertendo-se, assim, a ordo cósmica de encontro de dualidades complementares (porém completas) para a laboração da vida. 

O Casamento Sagrado - ou seja, o encontro da Deusa com seu consorte [pois somente assim é possível gerar] foi substituído pelo conceito onipresente e autônomo de gestação, no qual é atribuído a um Deus o poder integral de criar [nem tão integral e pleno assim, já que atribuiu, ao final, em carne, a parturiência de um filho pela mulher]. Pois bem...

Na faceta Anciã eclode o repositório de tudo que, até então, o Feminino atravessou. Cada marca, laceração ou ranhura, bem como cada lágrima ou sorriso, tudo se converte para o antigo caldeirão de conhecimento de Cerridwen, grande detentora dos segredos acumulados durante a existência nesse e em outros mundos. 

A Anciã cruzou a vida, passou por ela e se deixou por ela abraçar, absorvendo e apreendendo tudo ao seu redor: eis a lição da reverência aos antigos, pessoas que aglutinam o conhecimento e que, com sua vivência transformada em mitos, histórias e tradições, mantem para as gerações futuras a fagulha da espiralização que contém o Todo.

Nossa percepção "racional", contudo, tende a compartimentar tais faces - e, consequentemente, os ciclos a elas inerentes - em uma estrita cronologia, como se existisse, enfim, uma linha divisória clara e específica a delimitar cada passo de nossa trajetória no caminho do amadurecimento espiritual. 

Com isso - trata-se de minha opinião, claro - impingimos uma carga emocional enorme às rupturas de processos, pois temos à frente - balizadas nesse conceito de "início" e "fim" - a ideia de extinção, quase sempre relacionada à morte e dor, reforçada pela manutenção de práticas reverenciais que têm no fenecimento o pior evento na trajetória de um ser. Toda a História ocidental judaico-cristã se fez assim, por meio da reverência à morte como via de libertação de um invólucro prisional impuro que, ao final, eleva-se para alcançar uma deidade.

Para o/as antigo/as celtas, entretanto, o tempo não seguia a linearidade com a qual nos debruçamos ao olhar ansioso para os ponteiros do relógio, mas, antes, deitava-se em um suceder sazonal de períodos de anoitecer e amanhecer, permeados das experiências que, durante o sol a pino, poderia um ser humano experienciar. 

Vida e morte adquiriam a vivência da plenitude no aqui e no agora exata e pontualmente porque a reverência ao sagrado compunha um binário onde a tônica se relacionava à concomitância entre o imanente e o transcendente. A "elevação" nada mais era do que o retorno ao Outro Mundo, para o reencontro com a casa ancestral, e não a depuração da alma para que encontre algum criador. 

Com essa certeza insculpida no coração, o/a celta celebrava a vida intensamente, não opondo para um "além-túmulo" o depósito de esperanças de um mundo melhor, pois, grosso mundo, o melhor mundo era, para aquele povo, o mundo no "aqui e no agora", intrinsecamente conectado aos mistérios do sagrado e da Natureza acolhedora que ensinava muito sobre a eternidade da vida, da morte e da vida.

Para tal povo sobejamente culto e espiritualizado, o início de um "dia" confundia-se com o descansar do Sol, pois a Lua era o marco de esquadrinhamento dos ciclos. Isso não é novo, pois ainda agregamos a percepção lunar sagrada, ao contarmos a gravidez pelas lunações, ou, ainda, utilizarmos a Sagrada Mãe de Prata para marcar em nossos calendários períodos para cortes de cabelo, manipulações energéticas e alquímicas etc. 

Não importa, pois, ao final, o relevante, dentro desse modus vivendi, é absorver de cada dia em carne o maior número de experiências possível para a lapidação moral e espiritual de nossas almas. 

Incompreendido/as, o/as celtas eram chamados de povos incultos e bárbaros, acusados de leviandade, promiscuidade e agressividade, ao mesmo tempo em que seus sacerdotes e sacerdotisas - detentores e detentoras do conhecimento ancestral milenar - eram assassinados por um Império Romano ora pagão, ora cristão, que se utilizou de boa parte da cosmogonia dos povos conquistados para fazer valer o "projeto civilizatório" de sua matriz governamental. 

Poetas, ourives, exímios e exímias artistas, cantadores e cantadoras e, sobretudo, guerreiros e guerreiras, os celtas atribuíam e vivenciavam as faces da jornada da alma em carne, não sem a experienciação - também no aqui e no agora - de um rigoroso código ético, no qual a honorabilidade era a tônica que alimentava o respeito pela liberdade e alteridade. 

Por isso, longe de empreender a uma trajetória de leviandade carnal, o/a celta agia balizado no ethos de responsabilidade moral por seus atos, pois sabia que, ate o fenecimento, era necessário ter sabedoria para se gastar bem cada momento passado no planeta.

Fonte da imagem: Caldeirão Gundestrup, relíquia encontrada em escavações arqueológicas (ver http://www.historiadomundo.com.br/celta/arte-aquitetura-celta.htm). 







segunda-feira, 5 de novembro de 2012

O bom descanso da boa guerreira


Após um dia de intensa batalha campal, o guerreiro celta recolhia-se ao calor de uma boa fogueira, a fim de confraternizar com seus pares a vitória ante o inimigo, prantear - com gratidão - a ida dos amigos para o Outro Mundo, além de comer e beber para fartar o espírito com a completude de se sentir vivo!

Mais do que uma confraria, o momento pós-batalha revestia-se de um significado mítico para o celta, na medida em que o recolhimento marcava, para aquele nobre povo guerreiro, a morada do espírito em descanso revigorador, já que o celta, como é notório, quando não estava em guerra com outros povos, guerreava entre seus próprios flancos, até mesmo para extravasar seu ímpeto incontido e o desejo por se entranhar na guerra.

Toda luta demanda momentos de avanço, bem como de recolhimento, ocasião em que nos voltamos para nós mesmas no sentido de recompor a alma, lamber as feridas e descansar para a batalha final, realinhando a energia dispendida ou desordenada, bem como reelaborando as estratégias para o devenir desconhecido do campo.

Quando o tempo de recolhimento envolve, por sua vez, a dedicação invisível aos trabalhos do sagrado, eis que surge, em especial, o tempo de sobrestamento do que se está a conjugar, para que o trabalho druídico se volte para a imersão no abscôndito cenário dos mistérios das ervas sagradas, dos instrumentos e cânticos devocionais ao Sagrado Feminino. 

Esse é meu hino e minha força, a despeito do desconhecimento em relação ao que está distante do que se denomina "racionalidade" e que provoca, ainda, assombro por parte de quem não professa a diversidade de credos. Por muito menos, fomos julgadas e queimadas em largas fogueiras de carvalho.

Quem milita no espírito pre
cisa se abster, um pouco, da carne, ou, quando não se faz possível fazê-lo, ao menos da transcendência da obviedade do materialismo, para se coligar à espiritualidade nosso fragmento que aqui se encarna enquanto luz densificada. 





Quando as lutas demandam escolhas, precisamos ir adiante com determinadas opções, ainda que aparentemente desagrademos alguém: não podemos trair nossa essência, sob pena de nos perdermos no processo! 

Panta rei!

Transpondo mundo e entoando cânticos, nada mais exsurge em tamanho êxtase, pois a chama encontra, aturdida, o vento que lhe embala a fonte! Quantas composições podem uma só alma elaborar? Alma una, cingida em meio à ilusão do fragmento, que se eleva em meio ao caos e desponta, macia, no plano incansável de um novo horizonte! Não sei, ao certo, pois de tantas e incontáveis vezes, esta, agora, faz-me parar!

Ah, coletânea de céus! 

Sempre se move, no âmago de um Infinito que se realinha, passo a passo com um Destino em que se navega como uma nau a deslizar sobre um doce mar de lânguida cercania. Movem-se mundos e aproximam-se universos, outrora apartados pelo encoberto véu de idiossincrasias que, uma a uma, decaem em sua fragilidade, dando vazão ao possível e provável, mesmo diante da inquietude de que nada, enfim, permanece o mesmo: panta rei!

É o doce e o afável, o impensado e o inefável, compondo a lira eloquente, tamanha serpente, que se invoca por detrás dos corpos, com o alargar de uma visão infinda, enevoada por um turbilhão de pensamentos a ecoar: sorte, alegre companhia, que traz a mão para a Fortuna embalar.

Que sorte?

Que forte?

Mais contundente, enfim, que a própria morte! Que morte, então, se celebramos a vida? Vida-morte-vida, na espiral eterna de apaziguamento do eu...

Insofismável chama que se renova, após brados de macios passos, eleva-se, enfim, ao elencar de estrelas, que se amoldam ao fino porte de uma moldura inominável: céu, glorioso céu, que se entrelaça em signos. Compõe a sina de incontáveis incertezas, todas reunidas para a celebração de um novo firmar.

Eis, enfim, como acordou meu espírito nesse dia, após tantos enlaces em um só momento. Tudo, o todo, o vazio explícito, reverberando em cada ponto longínquo de uma alma andarilha, o passo que cerra o caminho: eis o caminho em que se constrói a própria saga!

Panta rei!

Fonte da imagem: Flora - J. Watwerhouse - 1890 (http://www.jwwaterhouse.com)

sábado, 6 de outubro de 2012

Vida, louca vida...Mundo, louco mundo...Eu, louca eu


Usualmente se instalou um mantra no universo simbólico de afirmações que, no mínimo, traz  uma grande reflexão. Para onde quer que eu me volte – inclusive para dentro de mim – escuto algo parecido com “o mundo está louco” ou, ainda, “as pessoas estão perdidas”, um eco uníssono que apregoa, o tempo inteiro, um final...

Mas, afinal, final do que, de que ou de quem?

Será que o “ mundo” está louco? Nós estamos louco/as? Está tudo uma loucura? Está tudo na conformidade do ser? Quais as assertivas estariam corretas? Existiria mesmo algum critério específico para se afirmar que alguma delas está certa ou errada? Não sei, mas, ao que estou percebendo diante de tantas relativizações, a resposta parece não se encaixar, bem como a verdade, essa sim, parece sequer ter existido, algum dia, em coletividade.

Diante de tais inquietudes resta olhar para dentro de mim, pois no olhar comprometido com  meus dilemas pessoais , quem sabe, posso encontrar alguma resposta, ou, quando muito também, calmaria para silenciar meu espírito diante de um chacoalhar generalizado.

Ultimamente ando às voltas com uma intempérie ímpar em minha vida, trabalhando, estudando, participando ativamente da vida na polis, engajando-me nas eleições da minha entidade profissional. Um chacoalhar ímpar que, a bem da verdade, retira-me da minha zona de conforto, faz com que eu mostre minha cara a tapa e me impele a me assumir no rol de demandas para as quais me preparei durante a vida.

Ao mesmo tempo, acidente com meu pai, tio querido nos deixando e minha querida tia...enfim... Um vendaval consequencial que me lembra quão humana sou, a despeito de desejar intrinsecamente me colocar "para além" de toda mundanidade a consumir a languidez do espírito.

Pessoas novas entrando em minha vida, antigas amizades retornando para o lugar de onde nunca saíram, emoção. Uma atrás da outra, lançando-me para os desafios de me enxergar em meus atropelos de não compreender meu tempo e, com isso, eventualmente abrir mão de companhias agradáveis, enquanto despontam em meu caminho outras tantas pessoas que, a despeito de pretenderem alcançar sucesso e realização, colocam a amizade desinteressada em último plano numa escala de relevo em suas vidas. 

Loucura e mais loucura e, de novo, voltamos ao mantra..."O mundo está louco".

Com isso, eventualmente sucumbo à tentação de me lançar no fluxo da insanidade que está pairando por sobre nossas cabeças. O mundo, então,  é que “está louco”?

Não entendo assim... 

Acredito que estamos todo/as a elaborar, dentro de nós e ante o universo, representações e ideias, plasmando no mundo o que está no conteúdo latente de nossas mentes inquietas e apartadas do sentido sutil do que é a interação com a Physys, ou seja, com a Natureza.

Dentro de nossas mentes ideias se avolumam em caudalosidades que incessantemente se acumulam e, a longo prazo, como em um cano entupido, causam estragos em nosso sistema biofisiológico. Onde está, então, a loucura? No mundo? Claro que não, pois somos o mundo, estamos no mundo e o mundo somos nós. Elaboramos uma teia mágica de vida, dentro da qual a atividade simbiôntica é a máxima que nos une, uns aos outros, bem como à Natureza.

Se estamos louco/as poderia arriscar dizer estar assim também o mundo,  por entender que o juízo de valor com o qual valoramos o que está à nossa volta nada mais é do que a resultante de nossos próprios juízos sobre nossas mazelas e intempéries. Sobre nós mesmo/as, afinal.  O outro está o que de mim projeto nele. Do que de mim imanto nele. É uma forma de olhar para a vida sem vitimizações, muito menos sem imputar, o tempo inteiro, a responsabilidade de nossos atos pessoais a outras pessoas. Bem simples para quem se coloca como elaborador/a de seu viver.

Ao contrário, a assertiva “mundo está louco” pode nos induzir ao posicionamento fragilizado de nos enxergarmos como vítimas de uma conspiração cósmica quando, no fundo – ou, no raso – estamos na frequência de loucura com a qual apreendemos as noções do mundo exterior, quando, de fato, somos nós a reverberar internamente o estado caótico em que nossas almas se encontram.

Por isso o silêncio é importante de vez em quando. No meu caso, o silêncio começa a me chamar, cada vez mais, para um forte abraço, por meio da contemplação do que me é mais importante: minha paz interna. 

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

O AMOR sempre é a melhor escolha...

Em dias de intensa luminosidade sempre existe espaço para apreciar a mudança climática que anuncia o adeus progressivo do frio de inverno seco, preparando nossas almas para a alegria incontida da Primavera, estação de cor, luz e, sobretudo, AMOR

É muito bom se permitir desfrutar da vida as benesses da renovação de sentimentos, transmutando o que ficou, um dia, calejado por atropelos, para dar guarida à intensidade de novos horizontes.

É muito bom começar a nova ciranda da vida e abrir a alma para o povoamento de novas emoções. 

Inéditas? 

Sim, claro, pois nada, a rigor, repete-se em uma trajetória de intensas vívidas experiências. Tudo é sempre novo, regado ao frescor de uma manhã cálida, remetendo-nos ao firmamento que tanto desejamos alcançar!

Em cada momento de renovação percebo que, mesmo diante do que se apresenta como obstáculo ou ferida, a retomada da capacidade de amar é um grande sinal do pulsar de nossos corações... 

Quando nos permitimos a abertura da alma, até mesmo o que, outrora, poderia ser internalizado como dor ou sofrimento, apaga-se, pouco a pouco, deixando apenas - e que apenas! - um grande e largo sorriso no rosto, bem como a gratidão pelos passos firmados no solo de nossas pessoais trajetórias.

Amar sempre é a opção, a única para crescermos diante da vida que se delineia bem diante dos olhos, ainda que eventualmente seja um sentimento unilateral. 

Que importa? 

O vital é apenas sentir a benignidade desse nobre sentimento e se lançar à incondicionalidade de sua percepção. O mundo fica mais colorido quando amamos o anônimo e nos descobrimos em cada rosto e em cada olhar...

Como é bom amar por amar...

Como é edificante apaixonar-se por se apaixonar, descobrir, pouco a pouco, a beleza de olhar para o outro com a curiosidade pueril de se perder em meio a uma imensidão de perguntas e incertezas, impulso primordial para que a vida se perpetue nos pequenos gestos que nos ligam a grandes emoções e conquistas!



domingo, 26 de agosto de 2012

"O fraco jamais perdoa: o perdão é característica do forte"
M. Gandhi

Com essa frase em minha mente, o coração parou de se questionar a respeito de situações que fogem do que poderia ser um "final feliz" digno de contos de fadas. Não existe retorno quando, de fato, nada residiu em um coração que se fecha para o mundo, marca de uma intensa dor, talvez, ladeada pelo esvaziamento progressivo de tudo que, sabe-se lá, foi, algum dia, nominado como sentimento.

Acho que o que é realmente real não se finda. Não vai embora, não perece. Os obstáculos surgem, alguns abismos abrem-se diante dos olhos, mas, ao final, é o amor a amálgama que dá fim ao atropelo do desconhecido que se revela nos obstáculos que insistimos em colocar em nossas frontes.

Perdoar é a arte da nobreza, bem como pedir perdão também o é. Mas, perdoar não é esquecer o fato, e sim retirar a carga de sofrimento, arrependimento, culpa e tristeza. Quando nos abrimos para o perdão de nós mesmas/os, nosso pequeno mundo volta a sorrir.

Não importa o que o outro irá dizer, fazer, realizar. Na verdade, o outro pode até mesmo não fazer nada, mas, na superação, o que é relevante é o que podemos fazer pelo nosso coração. Gosto de fazer isso pelo meu. Erro muito, vou e volto. Sou assim, espontânea...


sábado, 25 de agosto de 2012

"(...)
He was my North, my South, my East and West,
My working week and my Sunday rest,
My noon, my midnight, my talk, my song;
I thought that love would last for ever: I was wrong.

The stars are not wanted now: put out every one;
Pack up the moon and dismantle the sun;
Pour away the ocean and sweep up the wood.
For nothing now can ever come to any good." AUDEN

Aprendendo com Shakespeare a ser forte e aceitar...

"Depois de algum tempo, você aprende a diferença, a sutil diferença, entre dar a mão e acorrentar uma alma. E você aprende que amar não significa apoiar-se, e que companhia nem sempre significa segurança. E começa a aprender que beijos não são contratos e presentes não são promessas. E começa a aceitar suas derrotas com a cabeça erguida e olhos adiante, com a graça de um adulto e não com a tristeza
 de uma criança.



E aprende a construir todas as suas estradas no hoje, porque o terreno do amanhã é incerto demais para os planos, e o futuro tem o costume de cair em meio ao vão. Depois de um tempo você aprende que o sol queima se ficar exposto por muito tempo. E aprende que não importa o quanto você se importe, algumas pessoas simplesmente não se importam... E aceita que não importa quão boa seja uma pessoa, ela vai feri-lo de vez em quando e você precisa perdoá-la, por isso. Aprende que falar pode aliviar dores emocionais.

Descobre que se levam anos para se construir confiança e apenas segundos para destruí-la, e que você pode fazer coisas em um instante das quais se arrependerá pelo resto da vida. Aprende que verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longas distâncias. E o que importa não é o que você tem na vida, mas quem você tem na vida. E que bons amigos são a família que nos permitiram escolher. Aprende que não temos que mudar de amigos se compreendemos que os amigos mudam, percebe que seu melhor amigo e você podem fazer qualquer coisa, ou nada, e terem bons momentos juntos.

Descobre que as pessoas com quem você mais se importa na vida são tomadas de você muito depressa, por isso sempre devemos deixar as pessoas que amamos com palavras amorosas, pode ser a última vez que as vejamos. Aprende que as circunstâncias e os ambientes tem influência sobre nós, mas nós somos responsáveis por nós mesmos. Começa a aprender que não se deve comparar com os outros, mas com o melhor que pode ser. Descobre que se leva muito tempo para se tornar a pessoa que quer ser, e que o tempo é curto. Aprende que não importa onde já chegou, mas onde está indo, mas se você não sabe para onde está indo, qualquer lugar serve. Aprende que, ou você controla seus atos ou eles o controlarão, e que ser flexível não significa ser fraco ou não ter personalidade, pois não importa quão delicada e frágil seja uma situação, sempre existem dois lados.

Aprende que heróis são pessoas que fizeram o que era necessário fazer, enfrentando as conseqüências. Aprende que paciência requer muita prática. Descobre que algumas vezes a pessoa que você espera que o chute quando você cai é uma das poucas que o ajudam a levantar-se.

Aprende que maturidade tem mais a ver com os tipos de experiência que se teve e o que você aprendeu com elas do que com quantos aniversários você celebrou. Aprende que há mais dos seus pais em você do que você supunha. Aprende que nunca se deve dizer a uma criança que sonhos são bobagens, poucas coisas são tão humilhantes e seria uma tragédia se ela acreditasse nisso.

Aprende que quando está com raiva tem o direito de estar com raiva, mas isso não te dá o direito de ser cruel. Descobre que só porque alguém não o ama do jeito que você quer que ame, não significa que esse alguém não o ama, contudo o que pode, pois existem pessoas que nos amam, mas simplesmente não sabem como demonstrar ou viver isso.
Aprende que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém, algumas vezes você tem que aprender a perdoar-se a si mesmo. Aprende que com a mesma severidade com que julga, você será em algum momento condenado. Aprende que não importa em quantos pedaços seu coração foi partido, o mundo não pára para que você o conserte. Aprende que o tempo não é algo que possa voltar para trás.

Portanto... plante seu jardim e decore sua alma, ao invés de esperar que alguém lhe traga flores. E você aprende que realmente pode suportar... que realmente é forte, e que pode ir muito mais longe depois de pensar que não se pode mais. E que realmente a vida tem valor e que você tem valor diante da vida!"
William Shakespeare

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

"O que é real entre duas pessoas que dizem que se amam sempre permanece, mesmo diante das maiores intempéries. O ilusório contudo, dissipa-se rapidamente, tal qual bolhas de sabão que, de tão belas e efêmeras, povoam o mundo, por instantes, fenecendo...ao final, como se nunca tivessem existido"

Quando o AMOR prevalece...

Posso não saber muito mesmo a respeito do amor - por errar muito em termos de seu vivência - mas sei que a amizade é, ainda, minha experiência mais pura, gentil e sincera do que esse nobre sentimento  representa em uma vida, no caso, em minha vida.

No sábado nos encontramos novamente, a mesma turma - ou a maior parte dela, pois existe um dissidente ainda. Estávamos lá: Marco Tulio, Daniela e Juliana, o famoso quarteto fantástico que já passou por muita coisa junto. 

A Dani (essa linda aí em cima), nem preciso dizer...

Aliás, talvez o silêncio seja a maneira mais honrosa de brindar o orgulho que sinto por ela em seu crescimento. Um ser que, diante de todos os percalços, sempre chamou para si a responsabilidade em relação à vida. Cosmopolita (claro, aquariana que é), Saiu de um sonho de vida - ser enfermeira - para, regada a outro sonho (morar perto de quem ama, seus familiares), dedicou-se, foi à luta e, sobretudo, mesmo podendo - pois a família sempre estava ao lado, ali, pertinho, nunca se acomodou e nunca achou que os outros tinham obrigações para com ela. 

Lembro-me de quando estudávamos Matemática e Física (foi até num dia em que o Airton Senna faleceu), pois ela via dificuldade mas nunca desistência. Depois, tempos depois, contrariando tudo o que as pessoas falavam para ela - inclusive eu - a Dani foi morar sozinha, saindo da zona de conforto da asa dos pais para enfrentar a labuta de se manter com 700 e poucos pilas (nunca me esqueço o valor porque eu falava para ela que "não dava"). 

Surpreendente!!!

Depois, progressivamente, cursos e mais cursos, etapas e mais etapas, em cada dia, a Dani tem firmado seus pés no largo e irregular chão da vida, tornando-se a pessoa íntegra com a qual me relaciono fraternalmente nessa vida, ao ponto de, mesmo morando na Paraíba, nossos corações estarem em constante contato e harmonia, tal qual o primeiro dia em que nos conhecemos, num banquinho do Objetivo.

Essa foto aí em cima foi tirada no Club Nature, em pleno sábado de sol, intenso, depois de uma aula inexistente de street dance (normal, tudo é festa). 

Encontramos a Ju, outra ilustre pessoa que, desde 1987/88, tenho o prazer de compartilhar muita experiência. Conhecemo-nos no segundo grau do Colégio Sigma, uma não indo lá com a cara da outra, mas, depois, no reencontro na UnB (ela cursando Matemática e eu, Física), intensificamos nosso contato e solidificamos nossos vínculos, que duram desde então.

Tivemos momentos de distanciamento, sim, claro, boa parte deles, talvez, provocados por muita atitude e ignorância minha. Mas - esse é o argumento que sempre levanto - quando amamos de verdade, superamos as dores, os percalços, superamos, enfim, a nós mesmas, apenas e simplesmente por se tratar DAQUELA pessoa em especial

Lembro-me ter ficado 3 anos sem falar com a Ju, depois mais um ano...

Esse último, embalada por uma percepção bem unilateral minha, de achar que as coisas deveriam ser da maneira como eu achava e as pessoas - no caso, minha amiga - deveria, ou não, ter agido de um jeito - ou de outro. Com isso isolei-me, calei-me e me afastei, sem, contudo, deixar de pensar um só dia nela. Entrei em devaneios e embalada pelo envenenamento do meu coração, agi no contra-fluxo de quem sou, apartando-me de quem amo, não sem reclamar, xingar, enfim, atacar, mandar e-mails e desaforos, coisas que só eu mesmo sei fazer.

Mas para todas as pessoas que me conhecem a fundo, dentro da minha alma - meus amigos e minhas amigas, que bastam, ao final - o fato de eu incessantemente agredir, atacar, falar é apenas a clareza e a transparência de eu dizer que amo, que estou sentindo falta. É ignorância? Que seja, afinal, sou tão humana quanto tantos humanos que transitam todos os dias por aí...E daí?

E daí que, ao final, quando a saudade aperta e o sentimento de bem-querer fala mais alto, sempre existe possibilidade para se começar algo novo. Assim foi com a Dani, assim foi com a Ju...Assim é com a vida quando estamos dispostos/as a romper as barreiras de nossas idiossincrasias. 



Sábado foi mágico realmente, pela a-temporalidade que cercou o ambiente, como se os anos não tivessem passados para todas/os nós. E não passou, porque a cada riso, a cada gargalhada, o bem-estar e a completude falaram mais alto em nosso encontro, trazendo uma felicidade que há tempos eu não sentia: pertencimento...


Marco Tulio fala muito nisso, pertencer a um clã. Ser de uma matilha, como disse a Juliana. Ser de um grupo que sempre esteve presente nos momentos mais inimaginavelmente difíceis em minha vida. Cada qual em uma etapa. O Tulio, quando fui sequestrada...e quando enfrentei um psicopata há 2, 3 anos atrás. A Juliana e a Dani, sempre oferecendo apoio quando eu estava mais desolada pelo desamor que ainda existe nesse mundo... Todos e todas, contudo, sem saber, apenas por estarem presentes em minha vida, permitiram a abertura do meu coração...Abrir o coração é muito fácil quando a pessoa que está ao nosso lado também assim o faz. Quando quem está conosco conversa, abre-se e, sobretudo, compreende, de verdade, como somos...É isso, nada mais...

Com isso revalidei o que sempre pensei a respeito da vida: errar e voltar atrás no erro, passando por cima do meu orgulho - que, afinal, é apenas uma barreira para não me machucar (ingênuo isso, pois também não vivemos), falar o que o coração sente e, mesmo tomando muita porrada de quem se ama, compreender nisso uma consequência natural da vida e de nossos atos. 

O importante, ao final, é que existem pessoas nesse mundo que realmente me amam - meus amigos e minhas amigas - e que, no auge das minhas intempéries, aceitam-me como sou e, mais importante, ficam ao meu lado porque exata e pontualmente sou assim, um contra-fluxo de emoções que se lançam, muitas vezes, antagônicas e paradoxais, porque sou paradoxal.

De tudo isso, a certeza de que, ao final de meus dias, terei vivido, no âmago, o sumo de tudo que se apresentou para mim nessa existência. Afinal, o único arrependimento que não pode existir é aquele elaborado pela omissão, pois ela - a omissão - mina nossos sonhos, alimentando o pensamento com a dor de um devenir que nunca existiu, mas que, embalado por nosso desejo mais profundo, inquietou nossa alma o bastante para nos lançar no devaneio de uma quimera desejada, mas nunca realizada.


quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Saudades...Clarice Lispector



Sinto saudades de tudo que marcou a minha vida.
Quando vejo retratos, quando sinto cheiros,
quando escuto uma voz, quando me lembro do passado,
eu sinto saudades...

Sinto saudades de amigos que nunca mais vi,
de pessoas com quem não mais falei ou cruzei...

Sinto saudades da minha infância,
do meu primeiro amor, do meu segundo, do terceiro,
do penúltimo e daqueles que ainda vou ter, se Deus quiser...

Sinto saudades do presente,
que não aproveitei de todo,
lembrando do passado
e apostando no futuro...

Sinto saudades do futuro,
que se idealizado,
provavelmente não será do jeito que eu penso que vai ser...

Sinto saudades de quem me deixou e de quem eu deixei!
De quem disse que viria
e nem apareceu;
de quem apareceu correndo,
sem me conhecer direito,
de quem nunca vou ter a oportunidade de conhecer.

Sinto saudades dos que se foram e de quem não me despedi direito!

Daqueles que não tiveram
como me dizer adeus;
de gente que passou na calçada contrária da minha vida
e que só enxerguei de vislumbre!

Sinto saudades de coisas que tive
e de outras que não tive
mas quis muito ter!

Sinto saudades de coisas
que nem sei se existiram.

Sinto saudades de coisas sérias,
de coisas hilariantes,
de casos, de experiências...

Sinto saudades do cachorrinho que eu tive um dia
e que me amava fielmente, como só os cães são capazes de fazer!

Sinto saudades dos livros que li e que me fizeram viajar!

Sinto saudades dos discos que ouvi e que me fizeram sonhar,

Sinto saudades das coisas que vivi
e das que deixei passar,
sem curtir na totalidade.

Quantas vezes tenho vontade de encontrar não sei o que...
não sei onde...
para resgatar alguma coisa que nem sei o que é e nem onde perdi...

Vejo o mundo girando e penso que poderia estar sentindo saudades
Em japonês, em russo,
em italiano, em inglês...
mas que minha saudade,
por eu ter nascido no Brasil,
só fala português, embora, lá no fundo, possa ser poliglota.

Aliás, dizem que costuma-se usar sempre a língua pátria,
espontaneamente quando
estamos desesperados...
para contar dinheiro... fazer amor...
declarar sentimentos fortes...
seja lá em que lugar do mundo estejamos.

Eu acredito que um simples
"I miss you"
ou seja lá
como possamos traduzir saudade em outra língua,
nunca terá a mesma força e significado da nossa palavrinha.

Talvez não exprima corretamente
a imensa falta
que sentimos de coisas
ou pessoas queridas.

E é por isso que eu tenho mais saudades...
Porque encontrei uma palavra
para usar todas as vezes
em que sinto este aperto no peito,
meio nostálgico, meio gostoso,
mas que funciona melhor
do que um sinal vital
quando se quer falar de vida
e de sentimentos.

Ela é a prova inequívoca
de que somos sensíveis!
De que amamos muito
o que tivemos
e lamentamos as coisas boas
que perdemos ao longo da nossa existência...

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Essa tal FELICIDADE!!!


Ah, essa liberdade de ser muito além do que o estar sempre impele a mim! Muito ardor em muito amor
muito afã de simplesmente me exaurir e me imiscuir em uma multifacetada melodia de infinitude! 
Já não caibo mais em mim, tangida pela plenitude de ser assim, completa...enfim! 
Amo-te, vida!!! 
Contento-me contigo! 
Devasso luzes e desvendo sombras, pouco a pouco, levando céu e Sol, num primado de cânticos desvencilhados de tanta obviedade!
O mundo! Eis que me surge ao fundo
Tangido em pensamentos que se descobrem e se esvaem...
sussurrando aos meus ouvidos a marca do sagrado incontido
Devaneios que se lançam trôpegos
sob a luz de um magnífico luar!
Eis-me aqui!  Colecionadora de pedaços de muitas vidas
Esferas de alegria que se compartilha
Passo a passo de um mundo delicado
imerso numa pequena palma de mão!
Abraça-me, vida! Vinde sempre em meu encontro
Imanta-me com seus beijos destemidos
Revela-me as histórias que desconheço.
Valha-me, sina minha! 
Vinde, então, alegria imensa!
Preenchei o que já, de findo, esvai
Sufocando-me em meus largos passos de sorrisos.
Alegria...completude...isso só não basta?
Tenho o ser e sendo o que está
Caminho na longa estrada de meu próprio mergulho
em infinito mar...
Eis, então, grande mar...segredo impoluto da magia visceral
Percepção de fonte irremediável
Felicidade que se contenta com a finitude de si
Irradiada, enfim...
aos quatro cantos...

domingo, 12 de agosto de 2012

Cerimônia do adeus...


Muitas experiências maravilhosas aconteceram essa semana, trazendo ao coração a sensação de plenitude e calma, numa incomum certeza de trilhar o caminho certo na saga de cumprimento de meu destino...

Numa incomum cronologia inversa, ontem entreguei meu Samurai ao seu novo proprietário, despojando-me desse automóvel que me trouxe tanta alegria ao longo de três maravilhosos anos em que estivemos juntos. Tudo nele foi especial, a começar da compra, pois, sozinha, fui atrás do que desejava: um jipe para minhas aventuras na Chapada!!! 

Lembro-me como se fosse hoje olhando no jornal, indo até a loja e levando o Samuca para o Makoto dar seu aval em relação ao estado do bichinho...

Tudo isso no embalo do que sempre julguei ser a autonomia: tomar minhas decisões e seguir no controle dos meus atos, não deixando minha felicidade ser decidida por ninguém mais além de mim...

Ontem,contudo, pensei que ficaria triste em entregar o Samuca...

A chave desapareceu, faltou luz e o portão não abriu, acordei tarde. Mas, ainda que essas pequenas sabotagens revelassem algo abscôndito em meu espírito - não querer entregar o carro - a entrega foi feita, com o desejo latente que o Samucão faça seus donos felizes, tanto ou mais do que fez a mim. 

No dia anterior tinha ido à Festa do Advogado e da Advogada, no Clube do Exército, uma ocasião muito especial em que me senti nas nuvens comigo. Fui atrás de um lindo vestido esvoaçante, bons brincos, pulseiras, anel. Uma sandália linda. Maquiagem bela, com meus cabelos presos, personifiquei a deidade, permitindo que a Deusa se apoderasse de meu corpo e me encaminhasse para esse evento, onde dancei muito, ri muito e, acima de tudo, estive comigo o tempo inteiro.

É muito bom não validar a própria vida a partir do que as outras pessoas esperam de mim. É muito bom não ter indecisão a embalar meu caminho e, nela, não machucar quem me ama... 

É muito bom consolidar o foco de minha vida na constante redescoberta de quem sou, pois, preenchendo-me de mim, posso acolher, de maneira honesta, o outro. Fui para o baile com um amigo muito querido e, juntos, dançamos muito, divertindo-nos com intensas gargalhadas, em meio ao salão repleto de pessoas conhecidas.

O mais interessante foi ver nesse rol intenso de felicidade a resultante de uma semana que se iniciou - pasme - com o encontro providencial com um ex-namorado, no qual ele olhou para mim e desviou o olhar, como se nada tivesse acontecido entre nós. Veio à mente a percepção sobre como uma pessoa pode ser tão pouco generosa com a Vida, o bastante para pretender - sem sucesso - fazer com que a outra pessoa fique triste. 

Ele deve estar com raiva de mim, ou, pior, deve estar com muita raiva dele mesmo, por conta das imaturidades que resultaram em nosso fim. Acho que o olhar dele refletia o imenso vazio de sua alma, bem como a escuridão em que costuma militar em sua inerente forma de viver a vida de maneira pouco generosa e irresponsável.  

Oro aos deuses e às deusas, todos os dias, para que ele se encontre e, nesse encontro, assuma a si mesmo e, com isso, seja menos infeliz do que é...A julgar pelo olhar frio, penso realmente numa máxima que sempre ouvi de minha mãe: as pessoas dão o que têm. Ele, ao que parece, somente é capaz de dar aquilo mesmo: miséria.

Ainda que eu achasse estranho isso - afinal, ele sempre se dizia de outro planeta e de outro mundo, um mundo aquariano de pessoas evoluídas - o suceder de maravilhas que, a partir dali aconteceu, trouxe-me, ainda mais, o alento e a certeza que estou mesmo no caminho certo e que estar ao lado dele não seria o caminho mais correto. A prova é tanta que, após o rompimento, tudo que estava estático em minha vida começou a fluir novamente...

Por isso, agradeço imensamente ao providencial encontro com essa alma, já que sua presença em minha vida serviu para me mostrar que minha sina, enfim, sou eu quem faço, e que não devo esperar um milagre de outra pessoa, pois não tenho sequer direito ou legitimidade de mudar ninguém. Por outro lado, posso e devo mudar a mim, já que tal mudança mudará, também, o mundo ao meu redor... Muito obrigada a você, meu amado (sim, sim, amor não morre e não deixamos de amar ninguém, apenas não convivemos mais) por me preparar, com seu olhar de ódio e pretensa indiferença (burro, pois indiferença não se demonstra assim), para toda a alegria que vivenciei depois...Grata!!!

\o/\o/\o/

domingo, 5 de agosto de 2012

Sob o manto sagrado da devoção solitária ao Amor incontido!


Envolta por folhas, aromas e brumas cálidas, prostro-me à reverência do Sagrado, conectando-me à força telúrica que trouxe, de bom grado, o grande início de minha jornada. 
Passo a passo, pouco a pouco, um dia após o outro, perfilho o filete do Infinito que perpassa a imensidão entre o espaço vazio dos átomos de meu corpo e me jogo aos braços e abraços da solitude de mim para me encontrar! 
Ah, essa tal felicidade que me eleva até onde meus pés não mais se firmam e me fazem planar por entre espaços desconhecidos de mim mesma! Fazem irromper dentro do meu peito a chama do devenir não temerário, e, com ele, permitir-me amar a anonímia!!!
Ó, linda jornada infinda rumo ao apogeu da eternidade do Cosmos, bailando, enfim, junto ao meu querido coração!!! Eis o sentido pleno de amar, amar, amar!!!
Ó, coração vertido em júbilo, seara de uma infinitude que se plasma, pouco a pouco, em cada ponto longínquo de meu corpo, grandeza que se aloja no abscôndito recanto da minha alma e me assola a alcançar o que me é proibido!! 
Mas, enfim, o que é o amor senão latente e profundo estado de espírito que nos lança rumo às aventuras da entrega, na medida em que nos renovamos e renovamos nosso espírito, abrindo-nos para novas fronteiras.
Cada relacionamento - que se inicia e que se finda - coroa essa trajetória que, por sua vez, em cerra em si o processo contínuo da vida. A vida é, em si mesma, o amor, pleno. 
Por isso, sorrisos! Já amamos por nos permitir amar...a todo tempo!
Ainda que estejamos em tempos distintos, momentos distintos ou até mesmo em caminhos distintos, podemos ser - todas e todos nós - corações afins, sibilando em torno da mesma ideia de nos afeiçoarmos uns aos outros. 
Com isso, mesmo diante de mundos que se tangenciam, atravessam, amam-se e se vão, a coexistência profunda amalgama as almas, ainda que aparentemente imponha um fino véu de apartação. 
Ali, aqui, acolá, apartando-se e se unindo, vamos juntos, duas almas em estradas paralelas, orando para os deuses subverterem a geometria, e, com isso, as paralelas se encontrarem no INFINITO!

domingo, 29 de julho de 2012

Com a invisível dança do ar, eis que surgem os ventos da mudança...



O Ar é o mais volátil e misterioso de todos os elementos fundamentais, pois, quando nos debruçamos a pensar nele, assim, bem rapidamente...foi-se! Leva consigo o que quer que se deseja pensar em reter: com o Ar nada fica intacto, incólume e estático. Tudo queda e tudo se ergue diante dessa potestade em pleno devenir que não se esgota em suas potencialidades.


Secretos desígnios traz o Ar em sua essência, pois não sabemos, ao certo, os rumos que ele, doravante, tomará em seu curso. Não sabemos sequer se existe realmente um "curso" para o Ar, pois sua nobre indolência sempre nos remete à ideia de não ser se prostrar a serviço de nada, ou de ninguém, mas antes, apenas ao fluir etereamente. 


Ousado provocador de mudanças, eis que o Ar ultimamente apoderou-se de mim, lembrando-me, nesses últimos dias, do sentido frugal de fechar os olhos e me deixar acalentar pelo sopro de vida que mantém tudo em movimento. 


Dele estava apartada há um tempo, mas, agora, no giro da roda em minha vida de eternidades e efemeridades infinitas, eis-me aqui, novamente, a olhar para a varanda de minha casa e ver o quanto os mensageiros de vento e os sinos alegram-se com a passagem da brisa, trazendo ritmos e sons que pulsam diatonicamente com as palavras cantadas de meu coração renovado. 


Compondo a melodia, a amoreira dança, suavemente, acenando em cada um de seus braços a singeleza de um porvir suave, que, mais tarde, ofertará, com Ostara, de bom grado, as pequenas gotas de doçura...Sim, ela dança e, dançando ao som do passeio do Ar, traz boas novas de novos ritmos em minha própria vida, tão cheia de ritmos...


Poesia, música, comunicação, palavra: dons do ar em seus desígnios pouco conhecidos, já que seu destino, a ele pertence (será?). 


Precisamos do ar para manter nosso corpo na constância de sua pulsação. Sorvendo o elemento invisível, impulsionamos nossos órgãos, sangue e, sobretudo, nosso espírito em direção ao ânimo para alcançar nossos projetos. 


Basta lembrar que uma nau alimenta-se do vento para chegar ao porto que lhe é seguro para reafirmarmos a importância desse vital elemento em nossas vidas. Ou, então, lembrar que o Ar arrefecido carrega em seu manto invisível a semente do futuro, depositando nos lugares mais longínquos e inimagináveis as gotas de esperança necessárias para a continuidade da vida. 


Uma secreta rima - agora nem tão secreta assim - sempre fez parte de meus ritos... Quando desejo ardorosamente uma transformação em minha vida, fecho os olhos, abro os braços e me encaminho para o alto de um rochedo - ou, aqui no Planalto Central, para o alto do Vale do Paranã, e exclamo: 


"Sopra vento, sopra forte
Muda logo minha sorte"


Daí, com toda a força que promana de cada célula compassada de meu corpo, mentalizo e elaboro mental, emocional e espiritualmente o que desejo, canalizando cada pedaço do meu corpo a vibrar nessa toada. Afinal, magia é a arte da reelaboração de nossos percurso por meio de processos de modificação interna, a partir da instrumentalização da emoção e impostação de necessidade.


Está feita a mudança invisível em minha vida - afinal, invisibilidade também é a marca maior desse sutil provocador de eventos. Rumo aos deuses e aos céus, a rima, perfeita, sobe, indo coroar a teia mágica da vida, esquadrinhada a partir da intrínseca conexão com o que está dentro e fora de mim. Dito dessa forma, apenas exalo o ar que, no fundo, está em meus pulmões e que, em face das trocas, entra e sai, levando consigo meus desejos mais ardorosos...

terça-feira, 24 de julho de 2012

Crônicas de uma reflexão nada refletida...



Somos tentadas, algumas vezes - muitas vezes, sendo bem sincera a partir de minha própria vivência -a buscar uma concepção de felicidade ilusória, como se a alegria estivesse em outro lugar que não em nossos corações e fosse, com isso, um objetivo de vida a ser buscado com toda a sofreguidão do mundo e não a resultante do processo inteiro de se fazer e perceber feliz na calmaria de nossas almas, ou seja, a VIDA EM SI MESMA

Com isso, caímos, sem perceber, em uma rotina de êxtase profundo mas que desemboca em vazios, frustrações e arrependimentos, quando nos dedicamos a jornadas quixotescas, buscando "complementos", "partes de nossas almas", "metades de laranjas", "co-pilotos", ou, ainda, para quem acredita, "alma gêmea". 


Toda essa saga de busca de um complemento - que no caso, confunde-se com o afã de encontrar alguém para comungar ideias, sensações e momentos - nada mais é do que a afirmação, em certo sentido, de nossa própria identidade ainda não reconhecida, a despeito de, por tantas oportunidades, afirmarmos e reafirmarmos que somos conhecedoras de nossas essências. 


Se isso realmente fosse a máxima a nos guiar, não nos permitiríamos a sensação de dor quando outra pessoa - sim, aquele ser tão "igual" como coloquei lá em cima, tão "metade-da-laranja" - de repente saísse de um armário e se "revelasse" um ser tão absurdamente diferente de todo aquele idílio que imaginamos. 


Ninguém muda ou se transforma tão rapidamente assim, mas, antes, apresenta-se como é, na medida em que o véu que lançamos nela se dissipa. Tendemos a ver o outro - bem como suas reações - como se o outro fosse nós mesmas e, com isso, somos nós quem colocamos véus nas pessoas com as quais escolhemos nos relacionar.


Porém, basta consultar nossa natureza e observar, a partir da reação do outro, que essa percepção é equivocada, por vários motivos. Achei interessante listar, para reflexão, apenas alguns, numa espécie de lista de "aferição". 


Ela não denota, de forma alguma, superioridade ou inferioridade, mas, antes, apenas fatos, o que já é um bom início. Conviver com a simplicidade da verdade que fatos podem representar já seria o bastante, em minha percepção, para nos conhecermos e, com isso, podermos desnudar mais facilmente as armadilhas que produzimos em nossos corações. 


O outro não perdoa? Perdoar é esquecer e retomar. O restante é rancor. O discurso de "perdoar, mas querer distância" é a hipocrisia mais demente que se estabeleceu como politicamente correta. É, de fato, o anestésico para quem não está a fim de se assumir rancoroso e vingativo. Simples. 


O outro não buscar me compreender? Compreender é, antes de tudo, observar o outro com os olhos...do outro, e não os nossos. É mergulhar no mundo alheio, sentindo ou procurando sentir o que é verdadeiramente importante para o outro. É se inteirar, perguntar, falar, e não meramente presumir, porque as presunções, como o nome já diz, acenam para juízos que podem estar equivocados. 


O outro está disposto a SE avaliar e assumir seus erros? Errar é condição humana, sim, claro! Aprendemos com os erros muito mais do que aprendemos com o que se toma por acerto. 


Mas, quando erramos na visão de outra pessoa (essa é a primeira desculpa que o ego dá, justamente para se blindar e não refletir sobre seu próprio comportamento), o mínimo que se tem como humanitário e humilde é que, dentro da premissa anterior de compreensão, saibamos que nossa atitude traz dor ao próximo e, com isso, saibamos nos assumir e, sobretudo, pedir perdão. 


A dor é relevante não do ponto de vista de quem acha que não errou, porque isso - o "achar" - é racional e, por essa razão, destituído do sentir. Mas, para quem sente a dor, ela é o que existe de mais relevante, e quando uma pessoa não reconhece a dor alheia, ou a ela se mostra insensível, é quase uma psicopatia, pela total falta de empatia e solidariedade em relação ao momento vivido pelo próximo. 


No que diz respeito a pedir desculpas, uma ressalva. Não, não se trata de "desculpa" no sentido mais automático que essa palavra adquiriu ultimamente - o sentido do "politicamente correto" de apenas abrir a boca e balbuciar, como se fosse a pronúncia o mais importante no processo de escusa, e não o sentimento sincero de assim pedi-la. 


Não estou me referindo à ex + culpa, ou seja, tirar nossa culpa, mas, ao contrário, reconhecer nossa RESPONSABILIDADE - que é bem diferente, pois é uma perspectiva madura e empática de observar o quão profundas foram as marcas deixadas e, com isso, num sentido minimamente ético, buscarmos a reversão do quadro, quando realmente nos é relevante fazer isso. Aí, penso, reside a "lógica" do amor - que nada tem de lógico: quem verdadeiramente ama - e não "acha" que ama, ou "engana-se que ama" supera tudo...Onde não existe isso inexiste amor...



sábado, 21 de julho de 2012

Demasiadamente nietzschiana...

Falo, falo, falo. Escrevo, escrevo, escrevo. Falo muito e escrevo muito. Ajo, ajo, ajo. Falo muito, ajo muito e escrevo muito. Escrevo, falo e ajo porque sinto. Sinto e penso. Penso muito. Penso, penso, penso. 


Daí escrevo...


O que escrevo, contudo, é ferino, cruento, muitas vezes, mas, sobretudo, sincero. Não tenho a menor pretensão de compor séquitos ou de convencer ninguém com o que falo, de fato, para minha interlocução. Ou haveria de ser auto locução?  


Não sei...


Apenas falo e me expresso em relação aos temas que julgo serem relevantes para meu crescimento. Ora desabafos, ora epifanias, muitas vezes reflexões ponderadas sobre as questões mais simples da vida. Outras vezes debruço-me sobre o pilar de uma ponte vasta de uma galáxia, perdida, quem sabe, em um cálido atropelo de uma supernova. Não importa, pois da mesma forma que me lanço às estrelas, atenho-me firme aos meus pés fincados em solo, pois meus sonhos habitam as estrelas, mas se constroem sob fortes laços de realidade.


Não encubro sentimentos, não escondo o que sinto. Não sou boa mentirosa, por certo. Enrubesço e, bem antes disso, levanto as mãos, como que em assalto e falo: "Chega! Rendo-me! Não nasci para mentir!"


Se estou alegre, assim se me apresento em risos largos. 


Se estou triste, mergulho com sofreguidão no âmago de meu réquiem, dando braçadas e mais braçadas de encontro à letalidade e, com isso, volto firme, purificada e segura.


Nos momentos de fúria o atropelo de um útero atacado, pois, afinal, não se pode pedir muito de quem se arranca as entranhas


O lado bom??? Por que, existe, ao final, um "lado ruim"?


Que seja, então, o bom: meu coração não se entope, e o veneno que tentam inocular em mim exala, ao final, dos meus poros para transmutar no Universo...Quem pode dizer que isso é errado??? 


Quem seria o humano tão arrogante ao ponto de me valorar em minha mazela como sendo equivocada em minhas reações? Afinal, somos tão grandes e, ao mesmo tempo, opúsculos... 

Oh, me!



SONNET 18


Shall I compare thee to a summer's day? 
Thou art more lovely and more temperate:
Rough winds do shake the darling buds of May,
And summer's lease hath all too short a date: 
Sometime too hot the eye of heaven shines,
And often is his gold complexion dimm'd; 
And every fair from fair sometime declines,
By chance or nature's changing course untrimm'd;
But thy eternal summer shall not fade
Nor lose possession of that fair thou owest;
Nor shall Death brag thou wander'st in his shade,
When in eternal lines to time thou growest: 
So long as men can breathe or eyes can see,
So long lives this and this gives life to thee.

W. Shakespeare

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Decifrando a vampirização emocional

Olhos profundos e penetrantes são sempre um arraso, pois, onde quer que os vejamos, despertam a languidez de um mar infindo de felicidade, trazendo sensações de assombro, alegria e, sobretudo, uma reconfortante promessa de AMOR, principalmente se, junto com o olhar lânguido vêm as palavras doces que, em instantes, são capazes de quebrar toda e qualquer resistência...Essa é a senha para que deixemos entrar em nossas vidas e em nossos lares as pessoas denominadas "vampiras" emocionais, seres sem luz própria, que se alimentam da luminosidade, da energia e da boa-fé de quem lhes dá acolhida. 


Mas quando o mar de languidez revela a abissal sombra de almas tão perdidas que, dentro de suas desgraças, locupletam-se - ou tentam, ao menos - da boa-fé de uma pessoa, nada tem de cativante, mas, antes, tem de maléfico e doloroso. Quando chegamos a essa conclusão, o melhor que temos a fazer é buscar os fatos, porque, como fala a sempre sábia sabedoria popular, "contra fatos não há argumentos". Por isso, o primeiro alerta para se evitar um contato de vampirização emocional é sempre prestar atenção nas atitudes, e não nas palavras gentis proferias por essas pessoas astutas na arte da manipulação. 

Sim, estelionatárias e estelionatários emocionais também se escondem atrás de máscaras e de estereótipos de pessoas equilibradas, ponderadas e maduras, que, de outra sorte, encobrem suas facetas, mentem sobre suas vidas e mostram que apenas reviraram - ou se viraram - em uma imagem que não correspondia à realidade, principalmente sob um teto comum. É o velho ditado: viva sob o mesmo teto com alguém para que todas as máscaras caiam.


"Viraram"? 


Não, não, não, ninguém "vira" nada. Sempre se é o que se é.


As pessoas que acreditam e acolhem as vampiras emocionais detêm a responsabilidade, pois tentam, de boa-fé mesmo, convencer-se de que sapos são realmente princesas (não falo mal das bruxas, por motivos óbvios: elas são injustamente culpadas de todas as dores do mundo) e príncipes e, apesar de todo o coaxar nos ouvidos ingênuos, sempre queremos acreditar que aquele som é da sinfonia angelical oriunda dos lindos lábios de mel... Nós simplesmente não queremos acreditar e, com isso, criamos uma redoma de proteção em torno da imagem que fazemos de uma pessoa que, ao final, reproduz um padrão...apenas isso. De maneira nua e crua.

São os "bons moços" e as "meninas de família", vistos pela família como pessoas maravilhosas - ganham o troféu "joinha, joinha" porque, ao final, sabe, como ninguém, trocam um gás, um pneu e fazem esses serviços todos para os quais podemos até mesmo pagar alguém, mas que, para justificar a existência desse ser em nossas vidas, fingimos também serem essas tarefas "básicas", quando, a bem da verdade, odeiam fazer isso, bem como fingem ser quem não são em outras tantas tarefas igualmente nobres, como lavar uma roupa ou varrer o chão do lar onde entra todos os dias. 


Mas, eis que, um segredo...


Ali, no silêncio da alcova, os bons moços e as meninas de família, dentro de si, amaldiçoam secretamente a todos dentro do vazio de seus olhos que não brilham e não mostram a alma, talvez, porque, se mostrassem, refletiriam apenas o vácuo dentro de corações absolutamente incapazes de amar alguém a não seja sua imagem refletida no espelho... 


É Narciso que habita a pobre carcaça do protótipo do bom menino e da menina de família (sim, são meninos e meninas, não obstante beirarem os 40 anos, terem famílias, filhos, cabelos brancos, enfim, atributos ótimos para servirem de instrumento para a fraude que articulam em torno de quem desejar coaptar) que adoram reverenciar a própria imagem.


Ou melhor, a imagem de seu pênis no caso dos homens - ou da vagina, no caso das ninfomaníacas de plantão - pois, a todo tempo em que esses doces meninos fazem apologia ao pênis e as meninas à vagina, findam por denunciar - de maneira sutil como uma pata de elefante - uma insegurança enorme quanto à masculinidade e a feminilidade e estima, principalmente ao tentarem usar a genitália para manipular o outro. 


Daí um segredo para as futuras mulheres e futuros homens libertários, que estão tentando sair dos tentáculos desses polvos desorientados na vida: no caso das mulheres, deslocar a vagina para o cérebro, já que, para os moços bonitos, realmente o único órgão que articula a ação é o pênis. Para os moços, idem. Sim, eu sei, uma lástima em tempos de pós-modernidade, mas um alerta necessária para que nos libertemos desse primado de opressão.


Quando descobrimos isso e findamos as relações de parasitismo, sempre achamos, em um primeiro momento, que estamos exagerando, mas é apenas uma ilusão, pois quando racionalmente refletimos e ponderamos, ao longo de considerável tempo, descobrimos que, na verdade, os mesmos olhos sedutores e a mesma fala mansa já transformaram outras pessoas em pedra - para isso, sempre é bom fazer uma pesquisa e diligenciar com outras pessoas, para que possamos concluir, que o padrão é o mesmo: mulheres autônomas, empoderadas, mas que escolhem mal, muito mal, os parceiros, pois acolhem em suas casas e suas vidas parasitas que se atrelam por necessidade de apropriação de energia e, claro, de vida... Ou, no caso, homens legais, autônomos, escolhendo mal...


Daí, depois da reflexão, ficamos com a consciência bem tranquila, pois descobrimos que, de fato, é sempre legal estar de boa-fé e acolher um ser com a intenção de compartilhar, mesmo que a(o) sangue-suga deseje, ao final, dar-se muito bem! Podemos descobri, assim, que não somos nós quem erra sendo sacana, pois a boa-fé sempre prevalece como justificativa ética, já que pessoas insensíveis não são capazes de amar, muito menos de compartilhar absolutamente nada.

Talvez não sejamos as primeira pessoa e, dependendo das fontes fidedignas onde procuramos informações, talvez também não seremos a(o) última(o), de modo que, do auge da imparcialidade das fontes, podemos ter a certeza de estarmos diante de pessoas sugadoras, que intencionam usar a pessoa como trampolim para seus propósitos, de maneira mais fácil, por achar que, na vida, o atalho é sempre o melhor meio de "se dar bem". 


Essas lições podemos aprender reunindo todos os episódios, as falas e, sobretudo, os comportamentos diluídos ao longo do tempo, sempre tomando o cuidado de checar a informação do emissor ou da emissora, principalmente se ela ou ele tiverem uma memória de alfinete, digna de ginkgo biloba todos os dias.


Podemos captar isso em  uma conversa bem humorada, por exemplo, quando a vampira ou o vampiro falam que vão tirar nota alta "jogando charme" para o(a) professor(a), esquecendo-se, contudo, que, na vida, ser bonito ou bonita não representa um passaporte da alegria, dada a efemeridade com que a beleza se esvai. O essencial, como diria Exupèry, é invisível aos olhos, de modo que o que se coloca à nossa fronte é apenas uma tela que irá esmorecer ao longo do tempo, pois, o que vale, realmente, é a lisura do caráter.

Dá até para transformar em ironia a experiência, pois acredito que nesses tempos de mudanças comportamentais, compartilhar as estratégias desses "malas-sem-alça" seja, ao final, uma bandeira para que todas as pessoas possam fazer escolhas de vida melhores que as que foram feitas. 


Primeiro de tudo - parafraseando o livro ELE SIMPLESMENTE NÃO ESTÁ A FIM DE VOCÊ - sangue-sugas nunca abrem a mão. São pessoas ótimas para gastarem o dinheiro alheio, a pretexto de estarem "compartilhando", mas, na hora em que é o dinheiro delas que está sendo empregado, vampiro(a)s levam os parceiros, no máximo, para comerem um prato feito na Feira. Ou, no caso das vampiras, elas sempre escolhem o prato mais caro, não porque realmente querem comer aquilo, mas porque representa muito em termos de energia consumir algo tão caro.

Não, não, PF de 10,00 é legal, gosto dele e da apologia à cultura popular. O que chamo a atenção é para a falta de generosidade acometida aos seres que desejam todos os beneplácitos do mundo - e de todas as pessoas - mas que, no fundo - ou no raso - não dão absolutamente nada para o Universo...

Sabem aquelas pessoas que se alimentam dos restos deixados para trás, ou ainda, que mantêm uma amizade porque os amigos ou as amigas pagam conta, mesmo que os vampiros, pelas costas, falem tão mal de quem o alimenta? 


É bem por aí a estratégia, em atitudes que reverberam para todos ao seu redor, pois os bons moços se acham merecedores de tudo sem o menor esforço, como se existisse a sorte e, no caso, ela fosse apropriação dos vampiros e das vampiras...

Quando nos damos conta, pegamo-nos gastando boa parte do nosso dinheiro pagando jantares, almoços e sendo feliz compartilhando com sujeitos que, ao final, levam-nos à Feira para comer um prato feito de R$10,00, à escusa de ganhar menos, desculpa mais do que esfarrapada.

Enquanto estão desempregados e desempregadas, gastando dinheiro alheio, tudo caminha às mil maravilhas no relacionamento com sanguessugas e vampiras, pois não é necessário a ele(a)s empreender a esforço algum para que as contas fossem devidamente pagas, sabe-se lá por quem. 


Mas basta que os bons moços e as meninas de família entrem no mercado de trabalho para que surjam do armário os monstros devoradores, pessoas ingratas com a vida, já que, mesmo diante do dinheiro proeminente, passam a ser mais mesquinha(o)s com o dinheiro, a ponto de sobrar até mesmo para os familiares que, não raro, ainda mantém a vida de banquete das meninas e dos lactantes, criados e criadas com muito Leite Ninho em canelas enfeitadas pelas vovós. 


Outro detalhe relevante que descobri no livro... 


Pessoas assim falam muito, mas pouco ou nada fazem em torno das vãs promessas que são capazes de articular em átimos de segundos. São pessoas tão famintas - devoradoras mesmo - que, à escusa de pretenderem ganhar "um pouco mais" para construir sonhos que nunca saíram do papel, podem chegar até mesmo à articulação de mirabolantes ideias de participar de um conluio criminal, burlando simplesmente os postulados de imparcialidade, legalidade e isonomia do serviço público, para fazer um rachid com outras pessoas para faturar um tostãozinho... 

No fundo, ou como dito ates, no raso, são amorosas criaturas que, de tão maturas, são capazes de gastar parte do salário apenas pagando almoços homéricos para os colegas e as colegas, mesmo que, em suas próprias casas, sejam incapazes de fazer o mesmo...é a história do PF mesmo. Ironia, não?


O mais interessante nos vampiros e nas vampiras emocionais reside no fato de não se entregarem, de não abrirem o coração, de não ouvirem a voz interior para a necessidade de mudança. Os vampiros - ou, claro, as vampiras, pois vampiro é sempre vampiro, independentemente do gênero, contrariando a perspectiva de ser uma qualidade inerente a um ou outro gênero. 


Vampiros - ou vampiras - não se desapegam das histórias do passado. Temem-nas e, com isso, mostram que não superaram suas mazelas existenciais. São pessoas que, por exemplo, mesmo estando na iminência de ingressar com um pedido de divórcio, colocar tudo a perder, por não serem capazes de assumir a nova vida que - supostamente - estão abraçando. 


Daí, mesmo morando com outra pessoa, as vampiras ou os vampiros negam, como Pedro negou Jesus, por três vezes, que estão em outra vida. Ou, ainda, sentem "raivinha" quando a pessoa que deixaram para trás - ou seria a pessoa que, cansada dessa lorota, deixou a(o) vampira(o) para trás? - Não sei. 


São pessoas covardes e que não assumem as responsabilidades de uma vida adulta, capazes de gastar um telefonema apenas para tentar produzir um sentimento de culpa, porque, inábeis em se encarar no espelho e observarem que erram - e feio, e muio - aliviam esse sentimento tentando imputar ao outro aquilo que, de fato, fazem com todas as pessoas que já cruzaram seus caminhos. Aliás, fazem consigo mesmas, vivendo uma sobrevida de verdadeira miséria existencial, pretendendo comunicá-la ao restante da humanidade, por meio de mentiras e ardis típicos de crianças. 


Daí a estreita relação vinculação com o passado, um cordão umbilical ainda plugado bom tempo...o bastante para os vampiros ou as vampiras emocionais ainda se incomodem com seus ex. Com suas ex. Imaturidade em cima de imaturidade. 

Vampiras e vampiros emocionais são acomodada(o)s, não desejando encarar suas derrotas como ausência de empenho. São capazes de passar 5 anos fazendo concurso - e, claro, não passar - sem encarar a realidade que não estudam, pois a maior preocupação para essas pessoas é entrar na academia para ficarem saradas, comprar um Playstation, passear no shopping, ou, então, ficar horas e horas na frente das redes sociais, ao invés de estudar.


Dessa maneira, as vampiras e os vampiros de plantão ficam construindo sonhos de areia à beira de um mar revolto em plena ressaca, elucubrando objetos para os quais não estão dispostas e dispostos a se sacrificar porque, como disse, o sacrifício é sempre imputado à outra pessoa da qual a vampira ou o vampiro drenam, o quanto podem, o precioso fio da vida, até o momento em que se acorda do pesadelo e se desmascaram as sanguessugas (ou os sanguessugas) que, diante do inevitável, muito pouco têm a fazer, senão irem embora, não sem antes fazerem a saída honrosa que, claro, passa pela montagem de uma boa história para que a outra pessoa seja a(o) algoz. 


Mas a grande vantagem é que não podemos enganar por muito tempo muita gente, muito menos passar tanto tempo assim enganando a nós mesmos...Daí, ao acordarem, todos os dias, olham no espelho a feiúra de suas almas refletidas em espelhos truncados, cacos que cola alguma é capaz de remendar e, com isso, caminham na escuridão para um destino que nem mesmo sabem porque sequer sabem, ou procuram saber, de si...