sábado, 28 de abril de 2012

O fim do ano se aproxima...



Samhain está chegando e, com a celebração de fim de ciclo, chega também a sensação de que muito ficou para trás. O Deus chega, enfim, ao Outro Mundo, na perspectiva do inverno que, dali adiante, vem nos brindar com o silêncio e a calmaria. 


Por aqui, em tempos de Samhain, estamos deixando, com as últimas chuvas, o outono para abraçarmos em junho o inverno seco e frio do cerrado. É tempo de reflexão e introspecção, pois os véus entre os mundos encontra-se tênue e sutil. 


Enquanto o mundo inteiro comemora, no calendário gregoriano, o meio do ano, estou com uma sensação de fim, pelos fins e eternos começos que brindam a minha alma com a doce lembrança de estar em meio a um eterno ir e vir, de passagem por vários mundos que vêm e, logo mais, que vão embora. 


Ou seria bem eu que vou? Não importa, pois, ao final, estamos no ciclo de vida-morte-vida, que torna nossa existência um alvorecer constante, em meio a cada gota de chuva que cai, molha o solo e evapora, para compor, de novo, então, a imensidão do azul. 

terça-feira, 24 de abril de 2012

Sentindo os ventos da mudança planetária


Um bom vento de mudança paira por aqui no cerrado... Não se trata de onda de violência, sequestro, muito menos as notícias que povoam nosso café-da-manhã de um prenúncio de indigestão. Não estou mais interessada em ligar a televisão para agredir minha alma com a deflagração  da obviedade, pois isso, claro, já virou um senso comum a se cristalizar como um cancro nos espíritos de quem possui um mínimo de sensibilidade.


Não!


Refiro-me à movimentação cósmica que está se esquadrinhando bem diante de nossos olhos - ou, talvez, dos nossos terceiros olhos - transformando as pessoas e trazendo reflexões e comportamentos.


Ontem, ao sair do trabalho, deparei-me com um arco-íris completo, que preenchia a abóboda celeste, do início ao fim e, logo em cima dele, um outro arco-íris. Um fenômeno invulgar e que traz a necessária reflexão.Enxerguei-o como um providencial portal, aberto para a modificação que o mundo está experienciando. 


Daí, observando, todos os dias, meu trajeto do trabalho para o lar, tenho a silenciosa companhia de um solfejar de cores no céu do Gama... Matizes de lilás que iniciam o balé do início de inverno, além, claro, das paineiras, que já despontam também nessa mesma tez sua colaboração para tornar meu final de tarde a plenitude da realização de minha vida em um dia de existência!


Tudo está mudando para quem está de coração aberto para a transmutação em escala planetária!! 


Basta observar as alterações climáticas, bem como as crises econômicas e políticas em países até então tido como estáveis - agora a bola da vez é a Holanda, simplesmente o berço do capitalismo. O machismo está sendo, dia após dia, desmascarado no menor dos atos, fazendo ruir milênios de submissão do Feminino que, ao final, não deseja dominar ninguém, mas apenas ser reconhecido como sacral!


Uma rajada em rede vem nos mostrar que estamos mais conectados do que supomos, bastando, no outro lado do mundo, o mercado ruir para sentirmos o efeito do bater de asas de borboleta!


Enquanto boa parte do mundo, porém - refiro-me à opinião pública expectadora - encara isso como uma crise sem precedentes, sinto-me confortável, por trazer no coração a certeza de estar tudo em consonância com um plano muito interessante de variáveis complexas, que tece teias de conexões ocultas aos olhos de quem não enxerga um palmo de seu umbigo egoico.


Sim, é a tão anunciada mudança paradigmática que faz ruir, enfim, as máscaras com que a modernidade se erigiu. Uma espécie de "contracultura" ressurge, enfim, sob vários nomes e erguendo várias bandeiras. 


Desde novos hábitos em prol da ecologia e da Natureza até mesmo à expressão panteísta do religioso, tudo é mudança! Dogmas estão caindo como abacates que se pendem amorosamente da árvore para verter no solo a degradação paulatina...O ciclo de vida-morte-vida nos mostra diuturnamente que nosso Planeta Terra está migrando de uma frequência energética para outra, bem distinta.


O resultado? Claro...frequências distintas, comportamentos distintos e reações distintas. Um "multiculturalismo" energético que apenas reproduz a lógica universal de ação e reação, pois, afinal, somos energia em movimento e consciente, mas, em nível de experienciação, temos perspectivas diferenciadas em como extravasar a energia potencial que reunimos ao longo da vida. 


Normal... Isso é normal, claro, para quem está consciente.


CONSCIÊNCIA, portanto, é a palavra-chave para se entender o grande processo de mudança, dentro do qual se torna saudável a reformulação de hábitos, para se compreender na necessária transformação da maneira como nos relacionamos com a Natureza o vetor de como nos relacionamos conosco, no ponto mais profundo de nossas essências.


Um bom dia de CONSCIÊNCIA PLANETÁRIA!

domingo, 22 de abril de 2012

\o/ Salve, salve, energia da Grande Terra!! \o/

Dia 22 de abril é uma data comemorativa e, acima de tudo, reflexiva, pois nela celebramos o chamado de Gaia para nossa tomada de consciência em relação a tudo que já fizemos em desapreço ao nosso lar.


Dia taurino, por excelência, o Dia da Terra marca a conexão com o sagrado. o céu do cerrado não poderia ter ficado mais lindo para abraçar a Terra com um azul infinito, regado a nuvens de incontáveis formas e altitudes.


Desde cedo, por aqui, o movimento!


Fazer yoga, saudar a vida. Acordar cedo, dar uma caminhada no Parque, interagir. Olhar para o ir e vir das pessoas, sempre tão desconhecidas aos nossos olhos, mas que, neste dia, em especial, neste dia de intensa luz, ganham formas de proximidade.


Um café-da-manhã de padaria no afinco de mudança de hábitos, o eterno retorno ao que nos é saudável e recompensante. Pãozinho integral para saudar a fecundidade dos grãos gratuitamente cedidos pela Mãe Terra, acompanhando ovos, café e um bom suco de laranja. O bastante para me fartar em meio à necessidade de compor a "cota diária" de sustentabilidade do corpo.


Conheci a Feira do Produtor da Vicente e confesso que quase fiquei por lá, imersa em um festival de cores, aromas e visões multiculturais: do Japão ao Nordeste do país, uma perfeita miscelânea de comidas de dar água na boca! Escolhi o sushi e o sashimi e, com muita gratidão, comi um dos acepipes mais doces e benevolentes que alguém poderia ofertar ao outro. 


Que dia perfeito de contemplação da Natureza em seus mistérios devocionais, o que me faz lembrar de minha responsabilidade em manter essa casa aqui bem linda para que outras almas possam vir para cá, se de desejarem. Por isso, nesse Dia da Terra refleti muito e, a partir da reflexão, muitos valores serão substituídos por outros, pois, para o novo entrar, o velho precisa, de alguma forma, sair!


E via o Dia da Terra, com uma excelente semana para todos e todas nós!

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Escutando o chamando da Terra!


Quando o coração palpita é chegada a hora de reverenciar essa tão acolhedora morada, Terra sagrada de nossos ancestrais e descendentes, mãe eterna que, numa espiral de ternura e beneplácito, brinda-nos com o alimento diuturno tão necessário ao corpo e ao espírito!


O Dia da Terra foi criado pelo Senador Gaylord Nelson em 1970, chamando a atenção para a necessidade de compor a harmonia com esse planeta tão fecundo e amoroso, mobilizando, a partir de então, pessoas no mundo inteiro, para que se sensibilizassem com as demandas em torno de sustentabilidade, ecologia profunda e, claro, Natureza/Terra.


A data marca uma agenda educativa, em todos os países que voltam esforços para a conscientização do que é uma verdadeira "teia da vida", ou seja, a percepção que estamos todos e todas interconectados e interconectadas em algo que ultrapassa nossas próprias existências e que reverbera, em termos de consequências, no que acontece em nossa morada sagrada.


Sincronicamente falando - porque não acredito em aleatoriedade - tenho estado em um casulo, preparando-me para a virada do ano em Samhain, dia 30 de abril/1 de maio e, de maneira providencial, meu coração e minhas entranhas encaminham-me para o chamado da Terra em meu coração!


Hoje encontrei um cara muito legal! Seu nome é Ruppert e espero que ele se sinta à vontade aqui em casa! Trata-se de uma cabeça repleta de sementes de alpiste, hábeis a germinar daqui a 2 ou 3 dias. Ou seja, exatamente no Dia da Terra! 


Sigo com os sinais...Hoje recebi um e-mail de uma pessoa querida, com quem há tempos não falava. Um outro sinal vívido de gratidão pelo dia de engrandecimento a esse planeta. Meu relógio volta ao normal...Relógio? Mecânico? Claro que não. Refiro-me ao relógio do coração, o tic-tac que se revela nas batidas compassadas do membro e que lembram que já é hora de espairecer, relaxar e seguir adiante!


Escutando o chamado da Terra!!!!

Os Sagrados e os Femininos na expressão plúrima do ecofeminismo crítico



Depois de alguns meses num ostracismo forçado em face da recuperação da minha alma diante da qualificação da tese de doutorado recomponho, enfim, minha psique para me render ao Sagrado Feminino e suas intrínsecas relações com o feminismo e a expressão da sacralidade ancestral. É o retorno ao lar, claro, mas de forma repaginada, com novas perspectivas de diálogo com minha parcela deídica.


Não poderia falar na dimensão sagrada do feminino sem deixar de mencionar a larga contribuição dos trabalhos de ecofeministas de ponta como Ivone Gebara e Vandana Shiva que, a partir da crítica a uma concepção de patriarcado, deixam um espaço fecundo para reflexão.


Tenho muita familiaridade com a obra de Vandana Shiva, em face de uma conexão providencial que esta ativista faz entre o feminino e o sagrado, em boa parte embalada pela cosmogonia hindu e, claro, pela experiência de vida em prol da sustentabilidade que se pauta no localismo como opção para as monoculturas. 


O caminho que faço, contudo, parte por outro viés, na reflexão sobre um ecofeminismo que prestigia uma construção psico-social de identidades distintas em torno das múltiplas experiências do Feminino e do Feminismo que não estão dispostas na reprodução essencialista do usual binário de gênero. Na verdade, entendo ser necessário fazer sempre um lembrete em termos semânticos, para falarmos em Sagrados Femininos (e não em Sagrado Feminino), com a finalidade de não nos esquecer das variadas experiências das mulheres de várias culturas e nichos. 


Daí o modelo celtibero como foco de minha narrativa, na medida em que as experiências celtas reconstruídas anacronicamente na teia mítica de contos e lendas apontam para outras vivências do feminino, qual seja, uma dimensão paritária, onde os espaços público e privado não se posicionavam tão sectarizados entre gêneros. 


Entendo ser essencial partir desse questionamento para se refletir, no âmbito da cosmogonia celta, sobre uma ausência de naturalização de qualidades que seriam alojadas para o ethos feminino (docilidade, submissão e espírito cuidador), marca inerente dos sistemas patriarcais em relação aos quais à própria teoria ecofeminista presta críticas ferrenhas. 


Uma leve leitura de boa parte das odisseias heroicas celtas me induz a creditar nas figuras deídicas uma expressão de honra a um espaço de sacralidade que não necessariamente impele a figura da mulher para uma dimensão de conexão à Natureza por via da apropriação dos conceitos de maternidade e cuidado. 


Basta ver, para tanto, a figura emblemática de Morrighu, a Deusa-guerreira que nada agrega em sua estrutura arquetípica de candura e devoção maternal. Por exemplo bem claro reside em Maeve, a rainha emancipada que se permite o conúbio com vários esposos. Ou, ainda, na própria Cerridwen que, nada obstante seu apelo devocional ao seu filho Afagdhu (ou Morfran), não apresenta a exagerada candura de que se acometem as deusas maternais da cultura greco-romana, muito menos parte do que se tem na mitologia hindu, que se apropria do conceito de feminilidade como epicentro da criação, mas que encobre um universo de alojamento do feminino para um segundo plano, a partir da compactação da experiência do feminino dotada de atributos imutáveis por "ordenação cósmica".


O celta - como boa parte dos reputados "bárbaros" -  tinha no binário público-privado uma noção bem diferente do que o "irmão" latino (fraternidade esta extorquida à fórceps, por meio, claro, do movimento expansionista romano), já que seu sistema de organização política não contemplava uma estreita bifurcação entre o que é interesse comum e interesse privado. Aliás, é bem importante lembrar que a dicotomia público/privado é invenção grega apropriada por Roma quando conquistou também aquele povo.


Dentro disso, basta observar a estrutura clânica celta para se perceber no interesse do grupo a espiral a guiar e motivar as individualidades e, dentro delas, a perda de sentido do binário de espaço masculino versus feminino. As mulheres, afinal, iam para as guerras, lutavam e, com a mesma desenvoltura, relacionavam-se com seus esposos e dividiam papeis, sem que a submissão fosse a marca maior. 


Chamo a atenção, contudo, para a ausência de um ethos de definição das celtas, por sua vez, como detentoras de um inerente e fatal "predisposição" para guerras ou para a lareira, pois isso seria tão essencialista quanto o essencialismo que estou a refletir no ecofeminismo espiritualista do séc. XX/XXI. Ou seja, "ser ou não ser", guerreira ou dadivosa mãe, não era condição inexorável de vida para a experiência de UM feminino, em especial, mas deixa claro para nós, agora, que o feminino não se relaciona a um modus vivendi, mas a uma pluralidade de experiências que hoje, no séc. XXI, fazem com que anacronicamente reconstruamos - num ecofeminismo crítico - a reflexão sobre os papeis da mulher celta. 


Esse "desvio-padrão" de uma cultura totalmente distinta da compreensão que trazemos em torno da essencialização de características é que me faz retomar, a partir daí, às reflexões sobre o Sagrado e o Feminino, contextualizados numa dimensão empírica de vivência do que é sacro em face da insurgência em relação ao enfoque de um ecofeminismo que prestigie a diferença historicamente construída, dentro da qual a mulher é observada no espaço privado. 


Isso resgata a ideia de rediscussão dos espaços e papeis desenvolvidos por homens e mulheres nessas sociedades (celtas), aparentemente díspares do modelo binário que embalou o ecofeminismo espiritualista de cunho cosmogônico ainda patriarcal, pois penso que, a partir daí, poderemos responder à principal crítica ao ecofeminismo: ser essencialista e pressupor que a mulher possui, em seu DNA, uma helicoidal específica e imutável. 


Se fosse assim seria impossível, por determinismo darwiniano, chegarmos ao ponto de reflexão profunda a que chegamos hoje, com a tomada de consciência e de decisão, por parte de nós, MULHERES!



quarta-feira, 18 de abril de 2012

Dialogando com o Sagrado a partir do desvendamento da violação ao Feminino



Estou quase acabando a leitura da obra "A transformação da intimidade", de Anthony Giddens, maravilhada com a mensagem de reflexão que o escritor traz a respeito das relações entre homens e mulheres na atualidade (leia-se modernidade).


Uma frase, em especial chamou-me a atenção. Tentarei fazer uma leitura em cima disso. Diz respeito ao senso comum de se reputar aos homens a pecha de serem insensíveis ou ausentes emocionalmente, no estilo fatídico de "homens são de Marte e mulheres são de Vênus". Segundo o autor, os homens não são destituídos de emotividade, mas, claro, alguns - falamos de grupos e paradigmas - são incapazes de elaborar um "discurso coerente" a respeito de sua emotividade e, dada a incapacidade, ao se "atrelarem" às parceiras, fazem-no de maneira vampiresca... Em linhas gerais, são seres incapazes de se relacionar de maneira adulta e autônoma, pois sempre procuram nas parceiras o cordão umbilical da segurança materna...O colo uterino, afinal.


A rigor, não se trata de uma novidade tal percepção...O diferencial, contudo, ao que percebi no livro, diz respeito à falta de solução para um modelo débil de masculino que está meio perdido em meio à tomada de consciência do universo feminino em "desencanto", pois, de um lado, os homens estão na mesma vibe de outrora, ainda mais violentos...de outro, as mulheres, nós, mulheres, não estamos a fim de "bebezões" (isso me faz lembrar de uma fala que diz que "filho grande quem tem é elefante").


O modelo "Don Juan" também mencionado por Giddens, além de estar com os dias contados, não convence mais ninguém, porque, afinal, o que as mulheres desejam é o respeito como iguais num relacionamento adulto e maduro. Ainda menciona o culto ao falo com que essa raça em extinção - homo demens - ainda insiste em se apresentar às mulheres. Quando terminei a leitura de um dos capítulos, confesso que não sabia onde iria me enfiar, tamanho o constrangimento que senti pelos homens, em face do conteúdo do raio-X com que Giddens (ressalte-se que ele é homem) fez menção ao homem debilitado do séc. XXI.


Daí fico imaginando aqueles imaturos mancebos que ainda estão a insistir na "penicização" de suas vidas, mostrando o biláu para cima e para baixo, achando-se o máximo quando, a bem da verdade, é uma cena pitoresca e verdadeiramente ridícula. Não estou dando uma de puritana - respeito e aprecio sexo, claro - mas a maneira como um modelo imbecil de homem ainda acha que convence e "amacia" a mulher é realmente piegas, para não dizer imatura, sem criatividade ou perspectiva. Acho até que desrespeitosamente. Eu não tenho pênis e muito menos desejo freudianamente me apropriar do falo de quem quer que seja. Será muito difícil perceber isso? Acho que não. Mas parece que para o Neanderthal é muito difícil observar que uma mulher emancipada não se relaciona focando a genitália...


Uma mulher emancipada não pensa com a genitália, não se convence pelo "amanteigamento" do coração, ou, muito menos, cede à migalha de um membro ereto (que, diga-se de passagem, é muito feio)


Não!


Queremos muito mais conteúdo mental, ideias e menos violência sexual de quinta categoria. Sim, pois mostrar uma genitália ereta achando que está "abafando" é um ato de extrema desonra e de claro desrespeito a uma pessoa que tenha, ao menos, dois neurônios fazendo sinapses.


Desejamos o que Giddens expõe como "amor confluente", ou seja, um nicho de igualdade no qual ambos se comunicam e não fazem jogos de exercício de poder, e não uma pseudo odisseia erótica que não sustenta relacionamento algum. Para me relacionar com um troglodita cheio de hormônios em rota de colisão, prefiro ficar sozinha porque passo muito bem, obrigada!


Aliás, é bem sem graça mesmo esse culto ao falo, diminuindo até a libido de uma mulher, pois, ao contrário de sentirmos tesão, o único sentimento que vem à tona é a pena, algo que, sinceramente, acho tétrico sentir por alguém, pois pode detonar arrogância...


Os homens demens - e as mulheres machistas - que me perdoem, pois não estou, com isso, fomentar uma guerra dos gêneros. Não! Longe disso, acredito que em algum lugar depois da ponte arco-íris, exista um paraíso repleto de homens e mulheres emancipados e autônomos...Mas, como esse lugar ainda está longe do alcance de nós, mortais, tento, ao menos, com minhas palavras, construir um discurso, no aqui e no agora, que possa nos permitir chegar até lá e nos relacionar com homens que não desejam nos drenar...Simples assim.



sábado, 7 de abril de 2012


Alguns aspectos de auto-estima e concentração podem ser trabalhados com aromas e essências cítricas - como a flor de laranjeira (foto), a flor de maracujá e a bergamota. Gosto do sândalo e das especiarias, mas a concentração vem sempre relacionada com a auto-estima. 


Hoje fiz um manuseio energético usando uma combinação de aromas: incensos de flor de maracujá e laranjeira para o ar, já que esse elemento lança aos céus as invocações. No caldeirão sagrado coloquei canela, cravo e louro, este último porque estimula a leveza mental e os sonhos. 


O uso de rimas esteve presente, ao mesmo tempo em que usei aspectos rúnicos no papel, para invocar a energia no sentido de deslocar para o destinatário a energia formulada. 


Isso!

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Percebendo as primeiras impressões da alma: a volição como ato inicial da escolha





Hoje assisti a um filme bem interessante chamado "Casa comigo?", protagonizado pela atriz Amy Adams, personificando uma decoradora de ambientes que viaja para Dublin com a finalidade de pedir o namorado médico em casamento, por saber, por intermédio do pai, que o pedido feito num dia 29 de fevereiro deve ser obrigatoriamente aceito pelo homem, segundo reza a tradição irlandesa.

Antes de chegar a Dublin, porém, o avião enfrenta mau tempo, sendo obrigado a fazer um pouso de emergência em Gales e, com isso, ela conhece um ríspido dono de hospedaria chamado Declan  - Matthew Goode - com quem vive aventuras inesquecíveis enquanto viajam para a cidade em questão.

Pois bem, o que me chamou a atenção nesse filme...

A personagem, Anna, tem uma vida bem "certinha": bem-sucedida na carreira, namora um médico, Jeremy, aparentemente bem centrado na carreira, o bastante para, em 4 anos de namoro, sequer ter pedido a mão da moça em casamento. Por outro lado, Declan - dono da hospedaria - é a antítese do bom moço representado pelo médico.


A certa altura do filme, Declan faz um provocação, afirmando que a única coisa que ele pegaria em um incêndio, se tivesse 60 segundos para assim fazê-lo, seria a aliança de sua mãe, presente que deu para sua ex-mulher, que o traiu com o melhor amigo.


Daí, depois disso - quando Anna volta para Boston com seu namorado - que já a essa altura a pediu em casamento - ela começa a pensar muito na relação, a partir da observação do comportamento do noivo. Na festa de inauguração do apartamento novo que ambos compraram, ele afirmou para os amigos do casal que pedir Anna em casamento foi muito bom para que pudessem conseguir a aprovação, por parte dos condôminos - do cadastro e da compra do imóvel


Ou seja, soou para a decoradora que o pedido de casamento foi feito para facilitar a aquisição do apartamento, e não porque ele a amava. Isso foi o bastante para, depois, soar o alarme de incêndio e, no ápice dos 60 segundos em que as pessoas haveriam de sair do apartamento, Jeremy começar um frenesi de correr atrás do que era mais importante, quase tudo relacionado com bens materiais (o contraponto ao que Declan falou antes, pois a ele interessaria pegar, nos 60 segundos, a aliança de sua mãe).


Com essa realidade bem à sua frente, Anna não teve dúvidas: pegou o primeiro avião para Gales e foi se encontrar com Declan, com que, ao final, casou-se...


O que me impactou nesse filme o bastante para me colocar em reflexão até o momento de agora foi a questão do porquê de nossas escolhas. Meu argumento do dia é o seguinte: motivações equivocadas geram decisões equivocadas e escolhas equivocadas


Jeremy não queria se casar com Anna por ato incondicional, mas, antes, pelo oportunismo social de, por meio disso, conseguir ser aprovado pelos condôminos do prédio. Para ele, coitado, a atitude de Anna de fugir pode até soar como loucura, por conta da completa ignorância do jovem e arrogante médico em relação a si mesmo. Movido pelo desejo de status, ele só pediu Anna em casamento como aproveitamento para o aceite dos condôminos. 


Quando fazemos nossas escolhas precisamos sair do automático e refletir sobre a fagulha, o impulso, o ato criador, enfim, que motivou nossa escolha, pois, a partir daí um helicoidal processo começa a se desenrolar, totalmente motivado pelo ato que, para muitas pessoas, está ainda encoberto por couraças e mais couraças de alienação em relação a quem se é. 


Já ouvi, certa vez, de alguém algo bem parecido. Uma pessoa de meu convívio falou-me que iria morar com sua namorada, pois, ao que parecia, ele a amava "incondicionalmente". Mas bastaram cinco pífios minutos de conversa para que eu tivesse dele um vasto rol de motivações que sequer passavam pelo sentimento. 


E mais, ainda que por ele passassem, a enumeração exaustiva de  "vantagens" pareceu se colocar como mais proeminente em termos de legitimar o ato. "Pagar conta mais barata", "não estar só" e até mesmo "ter alguém para fazer uma comida" (sim, em pleno século XXI ainda tem imbecil falando isso) foram as respostas que legitimaram o ato do moço em ir ter com sua namorada. 


Resumo da ópera: um namoro de 5 anos terminou em 4 meses de moradia comum sem sequer manterem a amizade. Por que? 


Ora, por que perguntar o porquê? Não está óbvio? 


Para mim está claro com a luz do Sol todos os dias em minha janela: o ato que impulsionou o rapaz a morar com a namorada não era integralmente motivado pelo sentimento, mas permeado por outras justificativas que, por serem mascaradas, ao menor sinal de perigo vieram à tona e desencadearam o fim


Simples assim. O jovem fundamentou a mudança em tudo que diz respeito a vantagem auferida, exceto aquilo que deveria ser o fato gerador da sua decisão: amor, pura e simplesmente. Não há sentimento que resista ao egoísmo mascarado em pequenas "boas ações de escolhas" porque, um dia, a casa cai. 


Cai quando a pessoa passa, a cada dia, a se mostrar nos pequenos atos, dizendo com pequenos gestos quem é, tal qual Jeremy que, numa frase infeliz - mas providencial porque, afinal, era advinda da cabeça do rapaz - colocou absolutamente tudo a perder de vista, porque revelou sua real intenção em face de Anna. 


Podemos enganar uma pessoa por muito tempo, mas não podemos nos enganar por muito mais. É apenas uma questão de tempo até o exaurimento de tudo e a descoberta da verdade... simples e indolor, porque, ao final, a verdade é deliciosamente libertadora!

segunda-feira, 2 de abril de 2012

O ir e vir das doutrinas religiosas e a superação do dogma...

Não existe fórmula "mágica" para se viver a vida, a não compreendê-la, em si mesma, como mágica de antemão. Paradoxo? Nem tanto, basta lembrar que o dualismo separou corpo e mente e, com isso, gerou o efeito danoso em nos posicionarmos no binário de mérito e demérito de uma existência que desloca as coisas do espírito para "um outro mundo".


Com a cisão da alma e do corpo advém a concepção de culpabilidade, já que um dos pilares de sustentação do dualismo reside na concepção (errônea) de sermos polutos por conta da mundanidade, ou, melhor dizendo, da carne. Em contraponto a isso residiria a necessidade de nos voltarmos para um mundo espiritual, como via de saída de uma "ilusão" gerada, em escala radial e planetária, por nossos déficits de ego.


Esse escapismo, por sua vez, ao contrário - esse é meu argumento - de nos elevar no sentido de buscarmos evoluir por meio do caminho ou da senda espiritual, soterra-nos até as entranhas em nossa sensação de culpa, porquanto   nos cobramos, o tempo inteiro, em relação a sair da "matrix" de ilusão, convencendo-nos de que tudo nesse planeta - absolutamente tudo - é decorrência de Maya. Ledo engano, pois em algumas literaturas hindus e budistas, Maya é um estado mental que se irradia para o estado físico por ser condição irremediavelmente atrelada ao conjunto mente-corpo.


O que desejo argumentar, com isso, é que não existe ilusão alguma fora de nossa percepção e, quando muito, ela deriva de nossa errônea suposição de as coisas - seres, objetos, tudo - serem apartadas em energia e matéria. Essa "polêmica" suscitada incessantemente pelas religiões (daí o "religare", ou seja, a ligação mente-corpo) tradicionais já foi superado, há tempos, tanto pela Física Quântica, por ocasião da experiência de Heisemberg com o bombardeio de elétrons, quanto pela resultante de uma mudança de paradigma científico, trazida por físicos como Amit Goswami e Dana Zoahr. 


Já na década de 40 do século passado, Heisemberg prenunciou a natureza dual do elétron, que ora se comporta como partícula (ou seja, matéria), ora se comporta como onda (ou seja, energia). Não são dois entes habitando um corpo (aliás, essa noção de corpo é bem precária para explicar a complexidade oscilatória do elétron), mas, antes, uma mesma entidade que se "mostra" ou detém a potencialidade de, em dadas situações, comportar-se de uma ou de outra maneira.


Essa descoberta, enunciada a partir do princípio da incerteza (é impossível saber, com exatidão, a posição exata de um elétron), traz o conforto de se contemplar a superação, em definitivo, das antigas tradições que insistem em observar a vida e as coisas do mundo com uma lente monofocal, que despreza, ao final, a multiplicidade com que o Universo se apresenta para o ser humano. 


Algumas tradições mais antigas do hinduísmo e do budismo já enunciavam tais descobertas 'científicas' há tempos, com outras nomenclaturas. Mas a "ocidentalização" de ritos, por meio da leitura de peças traduzidas e desencontradas trouxe - como, de fato, traz - o desvio de perspectiva em relação ao que se pratica a partir de um ecletismo que tem apenas reproduzido a mesma ideia de binário (mente e corpo como entidades apartadas). 


Quando optei pela reclusão quase que monástica em relação às práticas espirituais, decidi encarar de frente a dualidade para, a partir dela, não procurar conceber a vida como milagre. Passei, por muitas vezes e para muitas pessoas, por "dura", "cética" ou "severa", mas, no fundo, o que estou querendo apontar diz respeito a não encarar vida alguma como milagre e sim como o resultado de um sistema perfeito em que a superação do dualismo dá origem a ações que não obedecem às leis causais e deterministas da Física Clássica. 


Eis a razão pela qual sempre fui da opinião de ser um físico quântico o maior dos espiritualistas: ele não vê o fenômeno, apenas o deduz de suas equações em cima de uma compreensão perfeita de funcionamento orgânico da vida lá e cá: eis o sentido do que chamo fé... Apenas isso.


O que não aceito é a reprodução automática e irrefletida de um modelo de espiritualidade que se baseia em dogma para se construir num fundamento de apartação da carne e do espírito, pois, dentro disso, estaríamos a reproduzir o modelo de culpabilidade do qual tentamos - com sofreguidão - escapar há pelo menos 2.012 anos... Com isso não se torna necessário religar nada a coisa alguma, porque mente e corpo constituem um sistema só, com propriedades que se manifestam de acordo com o estado de conscientização alcançado pela percepção de si e desse sistema. 


Não se torna necessário se elevar, como se o corpo fosse imprestável e eivado de chagas. Não se torna necessário desprezar o mundano, colocando num devenir incerto (incerto porque depende da consciência e para onde ela nos enviar) nossa perspectiva de evoluir. O amar precisa ser no aqui e no agora. O se relacionar precisa estar aqui também e, sobretudo, a responsabilidade em relação aos nossos atos assim também precisa ser. 


Por que? Simples. Porque não existe ruptura temporal entre o que se passa para o império da energia. Tempo é uma variável igualmente deduzida em face da concepção originária de dia e noite enquanto binários ou opostos. Mas sempre é importante lembrar que um não é a ausência do outro (Sol e Lua, no caso): é a opção de deslocamento momentâneo, num ciclo de eterno retorno, a síntese da existência contínua. Eis a razão pela qual nem em reencarnação acredito mais...Não com essa noção de reentrada em "nova carne", já que o carbono é o mesmo...estava aí desde tempos imemoriais, mantendo constante o grau de entropia do Universo...


E viva a física quântica!!!!



A paciência é uma virtude da Terra

Já perceberam como uma montanha é imponente e grandiosa em seu silêncio, contemplando, dia após dia, o ir e vir das gerações, bem como o ciclo de vida e morte que por ela passa, mantendo, outrossim, a paciência em relação ao devenir do tempo.


Aliás, tempo? Que tempo? A muralha de pedra é a constante em um tempo que insiste em "passar" aos nossos olhos. Ainda que haja desgaste e que - grão em grão - um dia, talvez, sucumba um monte, inegável o transcurso que o orgânico faz, degenerando-se diante da maestria com que a pedra se mantém em pé e intacta aos nossos olhos.


Em tempos de inconstância do fogo - chama da criação, do fazer, do destruir para construir - conectar-me à Terra ou, especificamente, aterrar-me tem sido a necessidade mais premente, pois o império ígneo não se contenta com a imobilidade. A Terra, por outro lado, pode apagar o fogo, como também pode contê-lo, moldá-lo à paciência. Não desnaturá-lo, pois o fogo, quando apagado, não mais existe. É no equilíbrio que é feita a sabedoria de nossos dias aqui.


Falta-me muita paciência... Tenho uma inerente vontade de resolver tudo o tempo inteiro e fico extremamente frustrada com o tempo dos outros. Eis o ensinamento para mim: exercício do meu lado capricorniano, para que minha Lua possa ensinar mais meu Sol (em áries) a direcionar a centelha para a concretização lânguida de metas e propostas. 

Uma nova semana começa, repleta de aventuras que se somam ao que já estamos a vivenciar em cada passo de nossas vidas. O dia começa bem animado, com a esperança de se renovar o que temos de mais completo dentro de nós: nós mesmos.

Sob as bençãos gloriosas da Grande Terra agradeço a abundância com que meus dias são providos com o necessário para minha mantença. Sob a égide da Água me banho na fluidez da purificação. Conectada ao Fogo sagrado da criação, deleito-me em meio à chama transmutadora de sua benevolência. Sob o espargimento do Ar ligou-me à inspiração criativa de minha alma andarilha.

O mundo, nessa roda viva de tantas andanças, passa a ser o maior dos espetáculos, repleta de languidez diante do inevitável, viver. Simplesmente viver, sem medo ou atropelo ou fuga. O que deve ser assim o é, assim como o que não mais existente fica constantemente para trás. 

O futuro revela, dentro disso, o compasso de muitos presentes, elongando-se em uma helicoidal expressão de renovação da existência. Os percalços - ah, sim, é mesmo, existem alguns - são-me vistos como alavancas a me permitirem apenas ser eu mesma, sem o manto "sagrado" da falsidade com que sufoquei, tantas outras vezes, meus próprios sentimentos em prol de algo que, no fundo, jazia inerte e natimorto. Ser e estar, o tempo inteiro, no "solavanco" de si mesmo é fazer as pazes com a pessoa mais importante no momento: eu mesma. 

A Deusa, assim, volta a ocupar arquetipicamente seu lar sagrado, compondo as mãos com seu oposto complementar - Deus - e, juntos, imantam-se glórias e honrarias, pois os ancestrais, dentro de nossa casa sagrada, posicionam-se a nos aguardar, algum dia! Não importa! Não importa qual dia seja, pois o relevante é vivenciar cada passo disso tudo, sem perder o foco.

A consciência, dentro disso, não se violenta. Aliás, quando estamos em paz com nossas convicções - ainda que elas sejam voláteis, não importa - caminhamos em meio ao mar de atribulações que os outros veem. Para nós, enfim, o mar se convola em um caminho de flores, tal qual esse da foto, pois a dissonância passa a ser apenas uma opção...

A alma livre vivencia, por fim, a serenidade... serenidade e paz que não significam ausência de guerra ou de batalhas, mas discernimento em relação à agitação que se forma como consequência de nossos átomos dançantes, pois em carne, vibramos a faísca. Em espírito, cintilamos em estrelas e habitamos os confins mais distantes de nosso próprio Universo!

Boa semana e que nos preparemos para o grande feriado que está por vir!

domingo, 1 de abril de 2012


Hoje é domingo, dia dedicado ao Sol e, com o findar do dia, o império da Lua se estabelece. Isso me faz sempre pensar no quanto tudo é muito fluido, efêmero até. Os dias passam e, num instante, o que era a certeza de perpetuidade, cede espaço à vastidão que uma nau atravessa em um ínfimo segundo...

Estou em núpcias sagradas comigo e com meus peculiares ritmos lunares. Tudo é Lua dentro de mim, produzindo infinita e secreta - pueril até - alegria, que apenas meu espírito pode angariar. Afinal, toda alegria assim o é apenas para quem a vive, ninguém mais. No atropelo do não saber de si nos lançamos a tentar sentir o que, de fato, não se sente: a alegria infinitesimal pertencente ao júbilo de fazer parte do Universo.

Em dias lúdicos como esse, adoro coloca no blog as janelas de alma que John Waterhouse abre em meu coração, permitindo-me vagar, sem atropelo, por aqui e por lá, percorrendo galáxias vastas e largas, coloridas e etéreas, onde inexiste espaço para as usuais limitações que insistimos em imantar como invocações de nossas vidas.

A Lua, ao céu, firma meu propósito, como Rainha digníssima em seu esplendor e glória, retrato fidedigno de um astro que se faz cônscio de si mesmo. No ir e vir de uma vaga avassaladora que amolda meu espírito, transpareço incessante em meu caminho de descobertas, para me lançar ao voo de vastidões implacáveis que nunca terminam. 

Sobre bruxas, magas e feiticeiros

Dentre tantas confusões que usualmente vejo por aí, a que me tomou mais tempo, no sentido de desvendamento, diz respeito à distinção entre bruxas, magas e feiticeiras. Não vou aprofundar muito o tema em relação à legitimidade da bruxaria, muito menos comparar os diversos panteãos e as tradições, porque não vejo utilidade algum em fazer isso.

Já tive inúmeros desentendimentos com pessoas que, no auge da arrogância - que encobre a mais profunda ignorância mascarada por pseudo-títulos de cientistas sociais que sequer leram o básico - fizeram apartações excludentes, de modo que não irei, aqui, fazer o mesmo. Antes e, para além disso, apenas vou comentar alguma coisa em cima do que antropologicamente se vincula à ideia de bruxaria.

A magia está usualmente relacionada a cultos e liturgias, por meio da relação contratual entre o mago ou a maga e as entidades que são subjugadas ao mago. Assim, há uma relação direta de dominação, na qual o mago se coloca no epicentro do jugo do ente do qual irá receber o favoritismo espiritual. Nunca é demais fazer menção ao tom ritualístico e formal usualmente disposto em um roteiro ou script de invocação, abertura de círculo, por meio da sacralização de objetos previamente destinados a tal.

A "magia" (ou bruxaria) gardneriana, ou até mesmo a alexandrina, nesse sentido, têm uma grande herança litúrgica da antiga prática formal, coexistindo, por exemplo, com o que foi anteriormente descrito e desenvolvido por Aleister Crowley em seus estudos. A formalização - longe de eu estar criticando - trouxe e traz, ainda hoje, uma reconstrução do que, no passado, pode, algum dia, ter se firmado numa tradição europeia.

A feitiçaria, por sua vez, agrega a ideia de "algo feito", do latim fatum = feito, operando no universo do desejo e da paixão, bem como do amor. A feiticeira atuaria como intermediária nos casos amorosos, ou, ainda, como envenenadora e perfumista. Essa era a concepção grega em torno de Circe e Medeia, grandes operadoras de aromas e sabores que, por meio de poções, atuavam nos assuntos secretos da arte nobre da sedução.

Além disso, a feiticeira europeia, principalmente a medieval, destaca-se pela conexão ao arquétipo da mulher subjugada pelo masculino, extirpada do meio social em virtude da alocação como bode expiatório de tudo aquilo que era estranho ao novo e emergente modelo de ciência estaria por anunciar.

Para Evans-Pritchard, a bruxaria seria uma condição psíquica inerente, que não demandaria atuação litúrgica ou ritualística. A simples presença da bruxa já seria condição necessária e suficiente para o desencadeamento dos eventos, pois ela encerra em si a potencialidade de, já conectada aos mistérios sagrados da Natureza, atuar na modificação do mundo ao seu redor.

Essa ideia é bem festejada quando falamos em "bruxaria natural" que, para mim, seria uma redundância conceitual, uma vez que, por princípio, bruxaria é prática, não religião. Por isso que, por muitas vezes, vi-me na situação de não me conclamar wiccana, por não me filiar à ideia de praticar uma religião, já que, por pressuposto, onde há a conexão, inexiste necessidade de religare.

Nunca é demais lembrar que, numa tradição familiar, a noção de deuses e as deusas, bem como o binário Deusa/Deus é despiciendo, porque a egrégora formada diz respeito aos ancestrais. O culto aos ancestrais, até mesmo na dinâmica celta vista principalmente na Irlanda, pauta-se na ancestralidade, ou seja, nos primeiros e grandes guerreiros que povoavam a Ilha Esmeralda, numa apologia clara à ideia de linhagem ancestral que se perpetua, alocando a geração atual para o olhar para o passado.

Buscar, assim, sua própria identidade, é pressuposto para o autoconhecimento e, dentro dele, a lembrança do que se vivenciou na Arte e que foi trazido para o ciclo de existência de agora.

E viva o dia 1o. de abril!

Ao invés de usar esse espaço para falar sobre o "dia da mentira" (dia consagrado à válvula de escape da necessidade humana de se firmar num caminho de retidão encoberta por idiossincrasias), prefiro gastar as linhas com as referências ao dia de hoje como corolário de intensa manifestação da Lua Crescente em Leão as 05h37, fazendo menção às Venerálias, as festividades romanas de culto à Deusa Vênus, ou, para alguns, reminiscência da ideia de Afrodite.

Aprilis - como os romanos falavam - era a época consagrada à abertura das flores, prenúncio, no hemisfério norte, de Primavera. Os celtas identificavam na deusa Eostre (Easter, na codificação feita posteriormente) a fecundidade, a abundância e a prosperidade. Não costumo celebrar o giro da roda do norte e, portanto, por aqui, celebro e me conecto aos mistérios de Samhaim em maio, mas devo admitir ser muito interessante observar no fluxo do hemisfério norte a marca com que o conquistador semeou, por essas bandas além-mar, seus simbolismos.

Semana que vem celebramos, por conta disso, dentro do panteão cristão, a renovação do ciclo de vida e morte de Jesus, ícone maior da cristandade. Essa comemoração - importante frisar - traz em seu nascedouro a prevalência, a partir da conversão de Roma ao cristianismo, de um paradigma específico de cosmogonia, qual seja, os mistérios de morte e ressurreição, fazendo-nos lembrar da necessidade de cultivar a reflexão em cima do silêncio.

No lado de cá, a partir da compreensão de reverência e devotamento ao culto do sagrado feminino, minha reflexão de hoje vai o cultivar da constância de pensamento focado na prática diuturna de si. De observar na menor chuva que cai, bem como no sibilar das árvores o anúncio que os elementos fazem sobre o significado da vida.

O que importa, então, nesse dia 1o. de abril? Nada além de saber de si a partir da prática diária de um viver permeado pelo autoconhecimento de máscaras, bem como dos trocadilhos que a mente incessante prega em nossas atordoadas almas. É tudo tão calmo e renovador quando sabemos a que porto nos dirigimos!

Minha virtude a ser melhor auferida é, dentro disso, o silêncio ante o desagrado, pois a fagulha de fogo que habita em mim ainda sedimenta o fluxo de meus propósitos e de minhas palavras. Fico imaginando, pois, como é gostoso calar mais, ouvir mais e, dentro disso, deixar as coisas tomarem seus rumos respectivos.

Deixemos o fluxo da vida traçar o caminho... Afinal, a água sempre sabe por onde vai seguir para, ao final, encontrar o mar!