sábado, 12 de março de 2016

Automassagem, autoestima e leveza: dica para um bom e relaxante sono

Fonte da imagem: http://static.pratique.fr/images/unsized/au/auto-massage-masser-mains-visage.jpg
Quem não aprecia uma boa massagem? 

Rainha de todos os mimos, esse contato tão íntimo e pessoal desperta a imaginação das pessoas. Shiatsu, massagem ayurvédica, drenagem linfática ou, ainda, a massagem que os amantes chamam de tântrica (às vezes nem sabem o que isso significa, mas vamos que vamos): não importa muito o nome, mas a gostosa sensação de proximidade e amorosidade que advém do toque.

Hoje, contudo, gostaria de compartilhar a maravilhosa sensação que a automassagem nos proporciona. 

No texto publicado aqui - chamado Protagonismo e cura na terapia floral - abordei a importância de assumirmos um papel de protagonistas de nossas vidas para, com isso, empreendermos à cura de nossos estados desequilibrados de alma.

Pois bem, a partir do diálogo com essa proatividade, tenho voltado minha atenção para a automassagem, inspirada - mais uma vez - pelos sinais que a vida e as pessoas nos dão. Para mim, veio na forma de uma prática de yoga, na qual a professora compartilhou - em momentos ímpares - uma simples e poderosa receita para a conscientização sobre nosso corpo. 

Agradecimentos a ela!!!

A automassagem é um processo de conscientização corporal e cuidado com o próprio corpo, em uma atitude de amor-próprio e harmonização individual. 

Antes de realizar massagem em alguém, a automassagem permite o acesso a cada parte de nós, no intuito de compreender o funcionamento harmônico e equilibrado de nosso organismo.

O ambiente é extremamente importante. 

Costumo acender um bom incenso e uma vela aconchegante no banheiro, ao som de uma melodia calma e suave. Talvez um mantra cantado, ou, então, uma lúdica sinfonia celta. Não importa, pois o relevante é nos sentirmos bem.

Depois do banho, separe uma boa base de óleo vegetal, no qual será feita a diluição de um óleo essencial. Tenho alternado óleo de amêndoa, de uva e de maracujá (descobri agora o aroma maravilhoso, bem como o efeito relaxante). 

Fonte da imagem: http://bs.simplusmedia.com/i/f/o/beleza/conteudo/aromaterapia/oleo-amendoas.jpg
O óleo essencial - e não essência, que é tóxica para a pele - dependerá do efeito almejado. Gosto de trabalhar - e intercalar - aspectos como autoestima, foco, determinação, transcendência e amorosidade, utilizando lavanda, grapefruit, laranja doce, bergamota, lavanda e alecrim.

Fiz três frascos com maceração de folhas e ervas na mistura de óleo vegetal e óleo essencial. Daqui a pouco estarão maturados o bastante para que possa usá-los.

Comprado ou caseiro, não importa, pois a quantidade dependerá da extensão do corpo. 

Como sou alta, calculo uma base de 10 a 20 ml, na qual acrescento 2 a 5 gotas de óleo essencial. Com os mais cítricos costumo ter a cautela de usar 2 gotas e não me expor ao sol por 12 horas (como se eu ficasse mesmo torrando nele).

Fonte da imagem: http://jurovalendo.com.br/wp-content/uploads/2013/03/oleos-essenciais-caseiros2.jpg
Daí o momento mágico de descobertas: passo a mistura nas mãos e começo fazendo massagem circularizada nas articulações, primeiramente embaixo da água morna (para relaxar). Depois vou descendo para os ossos perpendiculares, alongando-os e os apertando generosamente. 

É impressionante a sensação de estar descobrindo meu corpo, como se fosse uma terceira observadora "de mim". Em certo momento, vem a sensação de ser outra pessoa a me massagear, tamanha a conscientização sobre o movimento das mãos a acalentar os braços, as pernas e as articulações. 

Uma sequência começa do ombro, perpassa o braço, cotovelos, antebraço, descendo para as coxas, o joelho, o fêmur, a panturrilha, os cotovelos e os pés. Massageio as mãos e, depois disso, faço o movimento oposto, de subida, lembrando a elevação da alma a partir da conexão dos chackras com o plano superior. 

Em cada momento mentalizo gratidão, desenvolvendo internamente uma atitude de aceitação do meu corpo, falando com a Grande Mãe sobre a integralização de cada cicatriz, machucado e lembrança da minha trajetória até aqui.

Isso eleva a autoestima de qualquer um!!! 

Sem falar na sensação de plenitude e harmonização que advém desse encontro auspicioso com meu EU. 

Depois desse percurso, retiro o excesso de óleo com água morna e, ao final, apenas toco a pele com a toalha, pressionando levemente, para que a mistura fique mais tempo no corpo. Um sono tranquilo e relaxante é o resultado dessa aventura maravilhosa de descobertas.

Experimentem!!!!!

Céad mille fáilte!!!!


A importância dos pequenos rituais na plenitude de uma vida mágica!!

Fonte da imagem: http://www.viscondedemaua.com.br/pousadafazendadomel_files/cafepousadamaua04.jpg
Sábado pode ser um dia como outro qualquer...

Algumas pessoas o dedicam para as atividades domésticas que não podem realizar durante a semana, em face da exiguidade do tempo (limpo meu banheiro nesse dia, com direito a vassourada e tudo). 

Outras seguem para o mercado, a feira, ou, então, aproveitam para descansar mais um pouquinho da jornada de trabalho da semana. Há quem vá para um parque praticar esporte, yoga, encontrar amigos ou namorar. 


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Não importam as motivações: no sábado as ruas ficam cheias, a energia transita para lá e para cá. 

Isso leva necessariamente à seguinte pergunta: como vivenciar a energia de sábado sem cair no ostracismo de uma vida "no automático"?

Passei a semana pensando sobre isso e, finalmente, quando estava no banho, em pleno movimento de automassagem (depois explico melhor), um insight preencheu minha mente com uma série de ideias a compartilhar. 

Bom, como seria esse estado de espírito?

CONSCIÊNCIA...

GRATIDÃO...

ENTREGA...

RITUALIZAÇÃO...

Acho que esses são os pontos-chave para uma vida feliz e plena, uma receita simples de bem-estar. 

O primeiro aspecto de uma vida mágica reside, em minha opinião, na tomada progressiva de CONSCIÊNCIA sobre o percurso. A consciência, ao contrário do que muito se pensa (hahaha, trocadilho), não consiste em um mero aspecto mental de repetição de uma ideia. 

Acredito ser uma composição entre a ideia (racional), o emocional (sensorial) e o espiritual, um equilíbrio que nos leva ao estado de languidez. Mais ou menos um preenchimento do coração, que se enche de uma alegria tão intensa que nos faz olhar para os lados e contemplar beleza onde, talvez, em outros momentos, sequer percebêssemos.

Esses dias vivenciei um estado assim, ao pegar o jipe e, ao me dirigir para o trabalho, passar pelo verde do Jardim Botânico. 

Nossa, quantas árvores! Ouvi o sussurrar delas em meu coração! Como? Sensorialidade (ouvir, ver, cheirar o aroma da chuva nas folhas), racionalidade (ideia do belo) e espiritualidade (conexão disso com a Natureza como força motriz). 

Quando respirei esse inovador ar adveio o segundo momento, de GRATIDÃO

Quantas vezes, aos invés de apenas ficar pedindo favor e beneplácito à espiritualidade, apenas agradecemos? 

Gratidão vem de gratia, graça, algo tanto sublime como gratuito, incondicional. 


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Agradecer à Natureza por tudo que recebemos é simplesmente reconhecer o fluxo da vida e se contentar com o percurso que, a cada dia, elaboramos em nossas existências. 

Quanto mais agradecemos, mais desencadeamos poderosos processos internos de regozijo, dando um comando secreto para cada uma de nossas células e de nossos átomos sibilarem um verdeiro mantra de positividade!!!!

Ao invés de pedir, pedir, pedir insistentemente - e nada fazer no sentido de se modificar padrões internos - vamos agradecer, agradecer, agradecer simplesmente pelo dia, com tudo que ele nos trouxe de ensinamentos. 

Quando fazemos isso, a carga emocional das experiências menos satisfatórias começa a se reduzir, de modo a não mais agregarem dor quando delas nos lembramos. 

ENTREGA devocional de toda nossa vida à sabedoria do Universo é outro ponto importante. Não se trata de "deixa a vida me levar, vida leva seu (sic)" - como dito na musiquinha inocente - mas de reconhecer um plano que, ao mesmo tempo é imanente e transcendente. É simplesmente confiar que tudo está em acordo com uma tessitura espiritual perfeita e harmônica. 

Isso é mágico!!!! E RITUALÍSTICO

Ou seja, na medida em que produzimos uma egrégora recorrente, na qual acrescentamos os componentes vitais acima descritos, as relações causais se transformam, desdobram-se bem à nossa frente. Esse é o epicentro de uma vida completamente mágica: alguém duvida?

Esses rituais dão a tônica de nossas trajetória, motivando-nos a seguir a espiral de nossas vidas, com beleza, alegria, esplendor e, sobretudo, muito amor no coração. Desejo, com isso, que todos e todas possam, em pequenos rituais diários, transmutar suas vidas e alcançar a máxima realização!

Céad mille fáilte!


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terça-feira, 8 de março de 2016

Bruxinhas, fadinhas, delicadinhas e outras -inhas: quando a celticidade do Feminino não precisa pedir licença para se empoderar!!

Fonte da imagem: https://patywitchmaeve.files.wordpress.com/2008/09/bamba.jpg
Dia 08 de março sempre marca uma data controvertida, sendo um dia prestigiado por uns, repudiado por outros. 

Algumas mulheres recebem (e odeiam) rosas vermelhas nas entradas de lojas, restaurantes - para onde se dirigem com seus parceiros que se descobrem, em UM dia, eternos românticos apaixonados -, enquanto outras se reúnem para discussão de uma pauta de enfrentamento da violência contra a mulher, já que 80% da violência praticada advém dos parceiros (esses aí do restaurante e da amorosidade sazonal). 

Impossível vivenciar o dia de hoje de uma forma indiferente, pois até os últimos raios do Sol a lembrança do significado do Dia da Mulher concita os corações e as mentes à reflexão sobre o Sagrado Feminino. 

Que Feminino? Que Sagrado? Afinal, em uma sociedade fluida e líquida, a vivência identitária cis e trans são a tônica do momento. As certezas cederam espaço para a volatilidade de papeis na pós-modernidade, acarretando, com isso, necessidade premente de também modificarmos nossas percepções sobre como experienciamos do Sagrado Feminino em nossas sendas. 

Mas nunca é demais voltar no tempo para relembrar os eventos que culminaram na consagração do Dia 08 de Março. Em 1857, 130 operárias foram trancadas em uma fábrica em New York, morrendo carbonizadas em virtude de um incêndio proposital, reação à ocupação e reivindicação por melhores salários e condições de trabalho. Já no ano de 1910, decidiu-se durante uma Conferência na Dinamarca homenagear as mulheres, consagrando-se em 1975 - pela Organização das Nações Unidas - esta data como representativa da luta.

Com isso, longe de se sagrar um dia para festejos, o Dia da Mulher traz a necessidade imperiosa de se retomar a uma agenda séria de debates, discussões e reflexões sobre o papel da mulher na sociedade, no intuito de superar o machismo, a misoginia, bem como a desqualificação e o preconceito.

É sobre esses dois temas - desqualificação e preconceito - que tratarei hoje na postagem "mágica" do dia, contextualizando a questão no âmbito do mundo da Arte e suas inerentes controvérsias. 

O Feminino e o Sagrado...

Assunto polêmico também no mundo mágico, tendo em vista a variedade cultural de tradições a cultuar a Grande Mãe em múltiplos aspectos: como genetriz autônoma, amante do filho, guerreiro celibatária, mãe, sacerdotisa, rainha. São tantas as personificações que não se torna tarefa das mais fáceis elaborar uma perspectiva do que se está comemorando no dia 08 de Março no mundo dos mistérios.

Pois bem, tentarei a outra via, qual seja, elencando o que não se comemora no mundo mágico no dia 08 de março. Algumas tradições, a pretexto de militarem um feminismo esotérico de fachada, enaltecem a grandiosidade da mulher, enaltecendo, contudo, sua parcela de fragilização, submissão e, sobretudo, subserviência a uma atribuição de papel de procriadora e nutriz, num paralelismo com o que nominam mundo natural (como se todas as fêmeas nesse mundo realmente se portassem de forma unívoca).

Na cosmogonia, política e nas relações jurídicas no âmbito da sociedade celta, as mulheres mantinham uma relação de igualdade e independência em relação aos homens, podendo adquirir bens, bem como usar, gozar e dispor deles, ao seu bel-prazer. Chegava até mesmo a manter - em uma verdadeira separação de bens -  seu patrimônio até mesmo em virtude da dissolução do casamento.

Aliás, mulheres podiam denunciar o casamento, dando impulso ao divórcio, sem que isso fosse tomado como um drama na vida pessoal e coletiva: ou seja, os celtas não necessitavam de atribuição de culpa para dissolver a sociedade matrimonial. Quem detinha a maior quantidade de bens era tido como chefe da família e mesmo diante da igualdade patrimonial, a sociedade familiar não era gerida sem que houvesse plenitude no acordo de vontades entre os cônjuges. 

História famosa que retrata essa situação é da Deusa-Rainha Maeve, poderosa e riquíssima soberana, que mantinha livremente um casamento aberto. Indo e vindo no gozo de sua sexualidade livre, a nobre mantinha um séquito de amantes diante do clã, sem que isso lhe fosse imputado como uma falta moral. 

Jean Markale aponta, ainda, outro aspecto importante para que possamos entender, nos dias atuais, as razões imediatas do hermetismo diante de uma casa mágica de raízes celtas ou celtíberas: quando a mulher se casava, ela não deixava de pertencer à SUA casa ancestral para ingressar na do marido, a menos que isso fosse patrimonialmente avençado (MARKALE, 1989, p. 58)

Até mesmo em termos de transmissão hereditária e consanguínea, a matrilinearidade era a marca a distinguir as sociedades celtas, permitindo, com isso, que as filhas entrassem na linha sucessória em patamar de igualdade com os filhos. 

Nesse panorama, a mulher desempenhava um papel predominantemente empoderado, não sendo vista como frágil, vulnerável, obtusamente estéril de direitos. Aliás, o relato de Suetônio sobre a ferocidade da Rainha Boudicca, monarca dos Icenis, mostra, a bem da verdade, que a mulher celta poderia ser o que bem desejasse: mãe, matriarca, sacerdotisa, guerreira. 

A hegemonia, contudo, do Império Romano, que dizimou a cultura celta, trouxe a personificação de outros atributos, ovacionados como marca representativa de um modelo de mulher atávico: submissa, passiva, encantadora e encantada. Uma donzela a ser salva. Dentro disso, as dicotomias inerentes: a fadinha, sendo a primazia da delicadeza, em oposição ao estereótipo da bruxa, corcunda, velha, feia, com uma ruga no nariz e responsável por impingir dor e caos ao mundo.

Até mesmo nas usuais referências que a língua portuguesa faz a respeito do tema, a bruxa "boa" converte-se na "bruxinha", uma entidade apelidada "carinhosamente" com um diminutivo que... diminui (afinal, não é esse o significado da palavra diminutivo??). 

Não somos bruxinhas. Não somos fadinhas, princesas ou princesinhas, muito menos sacerdotisinhas ou qualquer que seja a nomenclatura que aglutine a partícula - inha em sua formação. Motivo simples: somos plenas, firmes, fortes e, sobretudo, poderosas, qualidades incompatíveis com qualquer tentativa - ainda que feita de boa-fé e com as melhores das intenções - de acarinhamento pela diminuição. 

Radical? Ortodoxo? Talvez. 

Para quem não está acostumado a respeitar a diferença, reconhecer em si resquício do patriarcado não é tarefa fácil. Não estou vociferando que tais nomenclaturas são universalmente reconhecidas como atos de desqualificação ao Feminino Sagrado, mas contextualizando antropologicamente a perspectiva de serem alcunhas que podem desagradar e desrespeitar quem se sente plena em sua força e seu poder. 

Se existem bruxinhas, fadinhas, princesinhas e sacerdotisinhas que se sentem bem com tais nomes, ótimo. Apenas lembro que nem todas as mulheres são iguais, muito menos refletem uma mesma forma de vivenciar o Sagrado. 

Sobretudo as bruxas... Mulheres de extremo poder, cultuadoras de suas idiossincrasias, que vivenciam seus atributos, quaisquer que sejam eles, como condição inerente à senda ancestral. 

Bruxas - e não bruxinhas - não temem o colapsar das máscaras, o enfrentamento de espelhos, a vida. Para essas mulheres, a luta é a condição de existência mais visceral, que urge do estado de alma cônscio dos segredos da vida e da morte, da sombra e da luz. 

No paradigma da bruxinha, fadinha, princesinha e outras -inhas, os atributos lunares de sombra são repudiados, relegados ao lado eclipsado da psiquê, para que, com isso, desponte a miríade de qualidades que fariam a "bruxinha" do bem evoluir e crescer espiritualmente. 

Será? 

Eis o ponto crucial de reflexão no dia 08 de Março, dia da Mulher: o Sagrado Feminino constitui a vivência uterina dos estados mais profundos de conexão com o poder, incongruente e incompatível com toda e qualquer tentativa de reduzir a um espectro pálido o que, por nascimento, detém a potestade e a plenitude.

Feliz dias das Mulheres!!!!