terça-feira, 27 de agosto de 2013

Cabelos, mudanças e fluxos: o início da jornada!

Cabelos longos sempre estiveram relacionados à força, fartura e abundância, remetendo-nos para aquelas lúdicas imagens de poderosas deusas celtas envoltas em seus cabelos rumo à batalha.

Mantive por muito tempo meu cabelo longo, sempre cuidando de sua saúde. Em algum momento da minha trajetória senti a necessidade de cortá-lo. E não tive piedade, pois a tesoura foi utilizada à exaustão. 

Esse "corte" teve um significado especial para mim à época, pois estava em um ciclo de vida no qual a figura do "cabelão" relacionava-se - dentro do meu universo de experiências dolorosas com o masculino - a sofrimento, desrespeito, submissão à vontade de outrem. 

Sob esse signo de revolta permaneci um bom tempo no qual os conflitos com os fragmentos insistentes de minha alma começaram a buscar um lampejo de calmaria. Hoje, enfim, mesmo não tendo muitas respostas, sei que desejo meu cabelo comprido novamente e, por conta disso, muitas mudanças vieram colorir nossa conversa.

No dia 19 de agosto, numa segunda-feira, comecei um périplo aventureiro, super animada com um mundo que estou criando a partir de mim mesma. O meu maravilhoso mundo de cabelos saudáveis que demandam o retorno à minha vida calma e pastoril.

Desintoxicando aos poucos de uma alimentação pouco familiar ao meu estômago - voltei a comer sanduíches "naturais" suspeitos, industrializados - estou numa fase de sucos e chás, fazendo minha comida e dando preferência a folhagens (amo alface), castanhas e frutas. 

Estou lavando meu cabelo com uma mistura, bem como mandei manipular um suplemento alimentar para fortalecer unhas e cabelos. Confiante demais! Já sinto meu cabelo enchendo novamente e isso me traz muita alegria!

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Sob os auspícios da Lua Negra

A Lua sempre despertou ao longo da História grande fascínio por parte da mais vasta gama de setores e grupos sociais. 

Poetas embalam seus versos sob o manto da luz prateada que verte do frondoso oceano lunar, músicos inspiram-se para entoar cânticos ora enamorados, ora sofridos. Algumas outras tantas pessoas permutam a luz do Sol pela companhia agradável da Lua para a realização de estudos, pesquisas ou trabalhos.

Não importa a motivação, o certo é que a Lua impacta, pois encerra um mistério em torno de sua natureza, bem como no que diz respeito às influências que exerce nos seres humanos e no próprio Planeta Terra. 

Basta observar o ciclo das marés, bem como o suceder das lunações que motivam distintas finalidades: quem não observa o corte de cabelo (ou a depilação) em um dia auspicioso? Entre os povos antigos o calendário base sempre foi o lunar com seus 28 dias, artificialmente substituído pelo calendário juliano e, depois, gregoriano. Para onde quer que nos voltemos lá está a dadivosa Lua e seu bálsamo consolador.

Dias atrás conectei-me ao fascínio da Lua Negra, tema escolhido para compartilhar hoje algumas reflexões. Alguns círculos ocultos afirmam que ela se dá um dia antes da Lua Nova, outros afirmam que a Lua Negra remanesce três dias antes da Lua Nova. Não existe um critério unívoco e, a bem da verdade, trata-se de um período oscilante entre 1-3 dias, a depender da posição em que Lua e Sol alinham o bastante para que ela fique invisibilizada, razão pela qual é chamada de negra, ou escura, ou, ainda, Lua Morta.

Nos trabalhos mágicos ela representa a sombra, materializando o sentido de internalização, regeneração de processos, cura, bem como de finalização, banimento, destruição

Não gosto de atribuir uma conotação pejorativa ao falar em destruição, pois pode dar a entender que a Lua Negra se presta para bruxedos "maléficos": é bem importante lembrar que o maniqueísmo está presente na maneira como a bruxa encara e manuseia as forças naturais. 

O universo, afinal, é uma constante entre criação-destruição, pois a manutenção da ordem (da Physys para os gregos, ou, ainda, da Natureza de uma maneira irrestrita e menos filosófica) depende intrinsecamente do equilíbrio entre vida e morte, sombra e luz, já que ainda estamos sob a égide da dualidade. 

Longe de ser a Lua Negra uma lua na qual nos reunimos em torno de uma fogueira para a "eclosão do mal", ela possibilita um momento ímpar de autoconhecimento, pois a energia a ela vinculada relaciona-se ao recolhimento e à reflexão, ideal para lidarmos com aspectos internos negados pelo consciente e, a partir daí, podermos trabalhar tais aspectos dentro de nossos caminhos pessoais. 

Trata-se daquela sensação de "lamber as feridas dentro da caverna", por intermédio da parada nas atividades usuais para ponderarmos a respeito de tudo aquilo que desejamos clarificar dentro dos nossos processos ocultos (ainda não revelados em face de nossa necessidade de encobrimento de determinados aspectos ou padrões trazidos para essa existência).

Esse mês trabalhei a transmutação de laços herdados, plasmados, elaborados ou colocados em termos afetivos, pois precisava compreender melhor meus processos internos que me levavam à exasperação total em relação ao meu chackra cardíaco. 

Não se trata de bruxaria manipulativa, uma vez que, pessoalmente, não aconselho trabalhar com o arbítrio alheio. O que trabalhei foi minha relação com meu coração, nada mais. Quando se tem isso de maneira clara na mente, no emocional e no plano invisível (astral, espiritual ou o que quer que o chamemos), todo e qualquer bruxedo se torna, ao final, uma reprogramação mental, bem como a tomada de uma postura diferenciada, quando bem sucedido o propósito trabalhado durante a formação do vórtex. 

Tenho trabalhado muito com velas e, ultimamente, por uma indicação, dirigi-me até - pasmem - uma loja de artigos católicos para adquirir uma vela de altar (de 40 cm). Em relação a esse aspecto de ir até um local fora de minha zona de crenças para adquirir um artefato não tenho mais aquelas quimeras proibitivas, pois basta, depois, desprogramar a energia que eventualmente foi aglutinada à vela. 

Com isso, independentemente onde foi produzida - por católicos, espíritas, umbandistas, budistas etc. - a vela, como todo objeto que pode ser usado em magia, passa a ser apenas uma vela, quando sabemos exatamente as implicações em relação ao seu uso, bem como em relação à maneira de lidar com as energias nela plasmadas. 

Afinal, velas sempre foram usadas para iluminação antes do desenvolvimento da energia elétrica, de modo que seu uso simbólico está fortemente relacionado à clarificação de processos. Isso é o bastante para não ficar neurótica em relação à origem da vela. Aliás, considerando a mercadologia em que o neopaganismo, a bruxaria e outras vertentes têm experimentado, acho até mesmo saudável ir a um outro local, passar despercebida e adquirir um produto bom. 

Pois bem, usei nesse dia de Lua Negra uma vela lilás para trabalhar o aspecto de transmutação em meu cardíaco, já que experimentava sensações conflituosas, derivadas de alguns problemas enfrentados no campo profissional e acadêmico que estavam irradiando focos para a maneira como me dispunha emocionalmente para outra pessoa. 

Untei a vela lilás de baixo para cima com a boa mirra (mas aconselho também benjoim, cânfora ou arruda) para que a vela fosse desprogramada de seus propósitos originais. Ato contínuo passei de cima para baixo essência de calêndula (pode ser qualquer essência dedicada a Vênus-Afrodite, para quem segue o panteão grego-romano ou, ainda, para Brighit, minha deusa madrinha do amor na cultura celta).

Depois de aberto o círculo e invocado o panteão ancestral que me arrima, escrevi meu nome de cima para baixo ao longo do corpo da vela, tomando o cuidado de focar exatamente em mim e no propósito de transformação da maneira como emocionalmente elaboro meus sentimentos. 

Escrevi uma rima para a noite, pois trabalho invocações rimadas, que são gatilhos para o subconsciente, parte ancestral que se desenvolveu primeiro em nossa psique. Sempre focando meu coração: o outro é coadjuvante nesse processo, pois o trabalho todo é direcionado para mim, ou seja, para quem está executando o ritual. 

A partir de então basta aguardar o queimar da vela, pois o ilusório passa a ceder espaço, pouco a pouco, para o real em todas as suas dimensões. Muito honesto isso, na medida em que o sofrimento advenha do que elaboramos mentalmente dentro de nós em desalinho com o que as pessoas - nós - verdadeiramente são (somos): humanos!