quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Mudanças, enredos e magias na casa abençoada!!

Fim de ciclo gregoriano bem significativo! 

Mudança de ares, mudança de lares! No coração o sopro de novos ventos, numa saga nômade que já faz parte da minha vida, por ser, em si, um dos grandes temas da minha vida. 


MUDAR! MOVER! CRESCER!


Decidi partir, ainda mais, para o mato, pois adoro estar próxima à Natureza. No caso, agora, Ela adentra minha casa, brindando-me, todos os dias, com novos espetáculos, desde o dia em que saí da casa antiga... 


Minha amiga Rosi ajudou-me com a mudança, desde o primeiro momento em que o caminhão saía da rua numa noite de sábado, até o último minuto de domingo, quando, certa de eu me encontrar bem instalada e segura, voltou com sua família para seu lar. A ela e à sua família vai minha gratitude, porque estiveram presentes o tempo todo em que eu precisei.


Sozinha em uma casa de dois andares, um chalé. 


E agora? Agora é lidar com os novos desafios, dentre os quais as mordidas dos meus labradores no dia 25, quando entrei no meio deles para apartar uma briga e levei várias mordidas na mão e coxa direitas. 


E agora? Agora vamos lá! Sem problema! 


A vida é assim, o mundo é assim e os desafios são assim. Para serem vividos. Na primeira mordida (mão), meu irmão me levou ao hospital, juntamente com um casal de amigos que tinham ido para lá para Yule. Nada de Yule, mas, hahaha, comemos loucamente antes do entreveiro. Nesse dia, nessa noite, creio, algo começou a mudar em mim. Ou, ao menos, algo latente começou a vir à tona. 


Na segunda mordida - mais séria, quase na femoral, rendendo 09 suturas e uma rouxidão digna de um manto de Morrighan - estava sozinha em casa e, mais uma vez, fui apartar os cães. Só que fui mordida pelo que mais amo, o Meladinho. 


E agora???? Ó!!!!


Agora - o agora - foi eu simplesmente pegar a chave do jipe e ir até o hospital. Simples assim, sem drama, sem "e se", ou seja, sem julgamentos. Aproveitei até a receita de antibiótico, sô! Uma benção. Tudo calmo, fui bem atendida, vacinas tomadas. Tudo certo. E o retorno para meu lar, mais calmo ainda. 


Mas dentro de mim...MUDANÇAS!!!


Meu pai e a esposa estiveram comigo nos almoços, algo que curti muito. Sempre que via a maletinha térmica, ficava imaginando o que tinha de almoço. Que delícia ser cuidada e me deixar ser cuidada por meu pai! Incomum a sensação de integração e harmonia. reaprendi a usar a mão esquerda, a andar mais devagar e, com isso, estou até mastigando e comendo mais devagar. 


"Ando devagar porque já tive pressa e levo esse sorriso"... bem por aí.


No mais, já estava sem televisão por uns 3 meses e cá continuo. Agora, também, sem internet. E sem celular TIM, pois o local da casa não pega. Que legal! Ares de mudança, pois fiz as pazes com a VIVO e vivencio o melhor dos dois mundos: meu titim e meu vivo para falar com o mundo. 


Vivo na benignidade das músicas da playlist do lap top, quase todas celtas, lounge ou zen. Trilha sonora melhor é impossível. Elas me elevam, alojam para um lugar dentro do meu coração em que estou segura, plena e em paz. Sem atropelos. Sem julgamentos. Sem "mas", "e se" e "quando".


Acordo com a aurora, pois não coloquei nem vou colocar cortina. O vasto verde da mata é a melhor cortina, não para apartar, mas para harmonizar os ambientes dentro e fora da casa. Estou voltando a me reger por meu relógio biológico, bem como o romper da alvorada a trazer os cantos dos inúmeros pássaros, bem como a revoada de tucanos passando bem em cima da casa. 



Os gatinos estão felizes em sua enorme suíte, vivendo bem ao meu ladinho, no cantinho deles. Com segurança, torres para afiar unhas, catnips e tudo mais... Essa noite (04) tive um espetáculo sem precedentes em minha vida. Ali à direita é uma serra onde posso avistar os relâmpagos durante a noite. Uma particular e natural queima de fogos, com a vantagem de não incomodar os ouvidos sensíveis dos cachorros e dos gatos (eles sempre sofrem). Fiquei acordada parte da noite escutando o som da chuva, vendo a paisagem e me sentindo bem demais, em júbilo!

Estou revivendo dias de benignidade, em que me sintonizo tanto com a Natureza que já escuto o sibilar da cantiga das copas das árvores em sinfonia e harmonia, sempre ao som do vento que lhes acaricia a fronte. 


Que maravilhosa sensação de viver no meio disso tudo! 


Quando acordo, celebro a Deusa e o Deus, reverencio minha ancestralidade no altar e preparo meu desjejum, não sem antes olhar pela janela da cozinha, para ver se os amigos saguis e macacos-prego estão lá fazendo artes. Os labs estão felizes, os gatinos estão felizes. Minha família está feliz. Cada tribo em seu espaço e todos nós em torno da egrégora de força e felicidade. 




Estou relendo livros já esquecidos, revisitando algumas questões que estão adquirindo outra significação por agora. Uma percepção menos dura e severa da vida e em relação a mim. Aos outros. Apenas a leveza de seguir no fluxo e na confiança de estar num movimento que me eleva, marca e depura (não no significado crístico, mas na simplicidade da água, que tudo leva).


Focando mais minha alimentação também. A necessidade de me nutrir com os ingredientes certos, no momento em que minha alma e meu organismo desejam. Fazer a minha comida, meu iogurte!!! 


Que beleza comer uma granola com mamão e iogurte feito em casa! Leite fervido no meu fogãozinho de duas bocas (para que desejo um de 6 se apenas eu estou ali?). Maravilhoso beber água no filtro de barro novamente. Tempos felizes de outrora que estão de volta, ainda mais intensos!


Já sei os horários do lixo orgânico, do seco, bem como entrei no grupo do bairro. Tudo artesanal e orgânico. Uma vida de calmaria, oásis no meio da tribulação da urbanidade. Tudo isso é o que basta para que eu seja e esteja feliz a todo o tempo! 


Com isso, sei bem ao certo que meu retorno não será mais possível. O mundo não será mais o mesmo a partir de toda essa vasta experiência que tem me impelido à jornada de crescimento, bem como de gratidão. Hoje olho para os processos que ficaram para trás e agradeço. Tudo agradeço. Sou gratidão. 


A casa é o nosso local de descanso, conforto, segurança e de calmaria. O ventre da Grande Mãe, que diariamente se abre para que nos lancemos à trilha de nosso destino. ao final do dia, ela nos conforta, lambe nossas feridas e nos encaminha para o repouso necessário às novas batalhas. Céad mille fáilte!