quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

\o/ Dias mágicos: lá vem o SOL!!!! \o/

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E o Sol anuncia sua chegada, iluminando tudo ao seu redor...

O domingo (sunday) é o dia do Sol, astro provedor do calor e da prosperidade. Em alemão (sonntag), holandês (zondag), sueco (söndag), dinamarquês (sondag), ressignificando o dia do Sol, enquanto o catalão (diumenge), espanhol  e galego (domingo), bem como o  francês (dimanche) o nominam Dia do Senhor.

Dedicado ao Sol, atributo da individualidade, da essência pessoal (estima, identidade), sendo ótimo para trabalhar sucesso, prosperidade, fama, abundância, vitalidade, energia, depressão, autoafirmação. Excelente momento para promoção de cura e força pessoal. 

Na cosmogonia celta e, mais especificamente no panteão pan-céltico, o dia é dedicado a Lughfilho de Eithne, personifica os atributos dessa estrela máxima, a começar pela rivalidade com seu avô Balor, trazendo a derrocada formoire e consolidando a era dos Tuatha Dé Dannan na ilha esmeralda. 

Outras deidades que expressam essa amplitude de sucesso: Tailtu, Anu, Danu, Epona ou Macha, Cernunnos, Dagda. Importante ressaltar que tais deidades aqui são percebidas em seu atributos correlatos à características acima. 

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terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

\o/ Dias mágicos: a austeridade do SÁBADO \o/

Sábado, um dia de etimologia muito interessante, originada do sabbatum, palavra latina que adveio do shabat hebraico, ao mesmo tempo em que também é indicativo do sabbat pagão, encontro lunar praticado principalmente na Europa. 

Quer seja em espanhol e galego (sábado), italiano (sabato) ou saturday (inglês), designa a reverência do dia de Saturno (dies saturni), sendo esse dia consagrado para a egrégora saturniana. 

Momento propício para trabalhar austeridade, cautela, sabedoria (no sentido de responsabilidade), bem como banimento, meditação, expurgo e recolhimento. Destruição, aniquilamento e transmutação também são atributos do dia.

Como Saturno é regente de capricórnio, nunca é demais também fazer referência ao esforço pessoal, ao trabalho, bem como ao amadurecimento e à seriedade, podendo ser também trabalhado o aspecto mais desafiador no mapa astrológico do indivíduo. 

Na cosmogonia celta, as deidades que se relacionam com tais referências são Morrighan, Cerridwen, Cailleach, Andraste em seus aspectos lunares de sombra meditativa. 

Cailleach é a anciã-mestre do Inverno, mulher de pele azul e de um olho só que protege os animais durante o inverno. Reza a lenda que seu olho tinha uma acuidade a alcançar 20 km à frente, em uma velocidade de percepção incomum aos mortais.

Fonte da imagem: http://www.thehedgewitchcooks.co.uk/wp-content/uploads/2013/09/Cailleach_crone-goddess-pic.jpg
Cailleach Bheur (Escócia) ou Cailleach Bhéirre (Irlanda) representam a soberania, senhora do frio, da terra, das rochas, dos rios, pântanos, mar e dos lagos, sendo a mais representativa e emblemática figura de respeito, reverência e ancestralidade dos povos. 

Toda a mudança climática envolve o sopro da presença da deusa anciã a deixar sua marca por onde quer que passe...

Isso tudo graças ao seu cajado mágico - slachdan - com o qual moldava a terram controlava o tempo e congelava o chão a cada toque (onde a deusa lançava sua lança nada crescia). De outra sorte, Cailleach transformava-se em pedra, tendo, assim, intrínseca relação com o submundo, já que seu nome traz à tona a menção de "mais sábia das mulheres". 

Ora representada totemicamente por uma coruja - oidhche Cailleach - ou pelo veado magro (inerente ao rigoroso inverno a consumir as forças), a deusa-anciã remonta à regeneração da Terra, já que desponta como a deusa da última colheita da roda do ano - Samhain.

A Morrighan, deusa reverenciada no dia 06 de janeiro,  é uma deidade densa, complexa e fascinante, regente da guerra, senhora da Morte e da expressão livre de uma sexualidade sem amarras pudicas. A força de seu arquétipo lembra a realeza e a grandiosidade da Terra, o poder inigualável que advém das entranhas da Natureza em sua forma mais rústica e sacral.

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Agrega, ainda, a força uterina que imerge tanto nos segredos da vida (já que o útero é o caldeirão criativo que acolhe toda a atividade poética de gestação) como da morte (bastando lembrar que o mesmo útero verte o sangue sagrado quando o óvulo não é fecundado: uma pequena morte mensal a que todas nós, mulheres, damos impulso naturalmente), tendo como animal-totem o corvo, ave que se refestelava nos campos dos dejetos dos guerreiros e das guerreiras mortos nas batalhas, ao mesmo tempo em que era "os olhos" da Grande Guerreira (quando não a própria incorporada na ave).

Ao lado de Badb (corvo) e Macha (senhora dos cavalos), Morríghan compõe a trindade deídica das filhas de Ernmas, ancestral matrística de BánbaFótla e Ériu (um dos nomes da Irlanda-esmeralda), trindade, por sua vez, originária do nobre povo de Errin. 

Cerridwen é a grande anciã que desejou presentear seu filho Morfran, também chamado Afagddhu com a poção do conhecimento e da magia, tendo em vista que a criança era horrenda. Chamou, para mexer o caldeirão, Gwion, aprendiz de feiticeiro que, posteriomente, transforma-se em Taliesin.

A poção era tão especial que apenas resultaria em 3 parcas gotas, que seriam sorvidas pela criança horripilante se Gwion, descuidado, não tivesse se queimado e, para conter o ardor, não tivesse colocado o dedo na poção e bebido todas as gotas. 
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O bastante par desencadear a ira da mãe-Deusa-nutridora que, em nome da prole - e de si - lança-se, irascível, perseguindo Gwion até engoli-lo, como semente...eis o medo do desconhecido: ser "dragado" para o ventre da Grande Mãe e, com isso, perder-se em si, na dimensão da egrégora do outro. Todas essas deidades representam atributos de austeridade, sabedoria, morte e transformação, trabalhados neste dia de sábado. 

Bom proveito então!!!

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

\o/ Dias de LUZ: Imbolc, Oimelc, Oímealg \o/

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Fáilte, Oimelc! 

Depois da finalização dos festejos de Brighid, estou postando algumas questões reminiscentes, 


"(...) chama na forja, que molda e tempera;
chama no caldeirão, que alimenta e cura;
chama na mente, que incita e inspira (...)"
(QUINTINO, 2002, p. 67)

O Festival de Brighid traz muitas curiosidades sobre a grande banfíle, filha de Dagda e grande ícone dos Tuatha Dé Danann, filhos de outro da Irlanda.

Separei algumas delas para começar o dia celebrando essa adorável deusa, regente das artes metalúrgicas (os celtas eram excelentes ourives), animais (sobretudo do gado), da música e poesia, medicina, cura, profecia e fartura (grãos). 

Conhecida como banfíle, ou seja, poetisa que imanta nos versos a profecia e adivinhação, Brighid nos remete à inspiração divina, linguagem mágica que embala a alma celta, povo conhecido por sua relação intrínseca com as artes e a erudição. 

Muito se propala nas propagandas ideológicas romanizadas sobre o caráter "bárbaro" e inculto dos celtas, mas, a bem da verdade, tal povo é nitidamente conhecido por sua altivez nobre, na austeridade do caráter que ovaciona o belo e o lírico. 

Cláudio Crow Quintino no Livro da Mitologia Celta (2002) traz uma série sincrônica de eventos e reminiscências históricas relacionando a vasta influência de Brighid na cultura europeia, a começar pela cristianização da deusa na figura de Santa Brígida.

A manutenção do fogo sagrado, reaceso em 1996 na cidade de Kildare (p. 74), é exemplo mais vívido da forte persistência do mito ao longo dos séculos, aliada à existência de quinze santas nominadas Brígidas atualmente reverenciadas na Irlanda. 

O autor chama a atenção para um ponto de extrema importância na mitologia que cerca a deusa: assim como todos os arquétipos celtas, Brighid também transita pela sombra. Segundo Quintino - estudioso de cultura celta - a palavra Brig, em irlandês arcaico, significa força e poder (p. 66), originando o radical que, posteriormente, desemboca na palavra briga (brig-a), ou seja, na desavença, luta ou combate. 

Como protetora do parto e das grávidas, Brighid era chamada pelas parteiras, por ocasião do momento em que a mulher estava para dar à luz (dar à luz, nada mais solar e devotado à deusa, aliás), que abriam as portas da casa e convidavam a banfíle a entrar e ajudar no momento. 

Curadora!

O festival de Imbolc por aqui no cerrado teve um significado especial esse ano, pois nos reunimos em um almoço no último dia de comemoração, em uma egrégora de muita diversidade e compartilhamento. 

Queimei a cruz do ano passado, bem como produzi as cruzes do ano, para contemplar pessoas queridas. Minha cesta ficou cheia e fiquei muito feliz. Tinha cruz de Brighid para todos os lados: com flor do cerrado, sem flor, grande, pequena. Todas para as pessoas poderem pendurar em locais de proteção. 

Mais à noitinha, reverenciando a nobreza da retidão de caráter de Brighid, acendi as velas, conectando-me aos segredos e mistérios e senti. Apenas senti o crepitar da chama sagrada da deusa. 

É o sentir. O viver a cada dia. O bastante. Sem teorizar. O viver é o fazer, o sentir, o pensar e o agir. 

Heya!

Canto da Guerreira


"(...) Que o dia de hoje me traga batalhas heroicas
e que eu tenha força para travá-las na luz com honra, justiça e retidão.
Se for meu dia de vitória, que eu saiba respeitar aqueles quedados pelo fio da minha espada.
E se for meu dia de queda, que eu tenha resignação para aceitar meu destino, de bom grado, na certeza de ter lutado o bom combate
Para ser aceita, com honras e glórias, na casa de meus ancestrais (...)"

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Dias de GRATIDÃO! Imbolc, Oimelc, Oímealg e a força de Brighit!!!

Fonte da imagem: http://www.owlsdaughter.com/wp-content/uploads/2012/02/Brighde-%C2%A9%C2%A0Stuart-Littlejohn.jpg
(...) 
Saúdo os céus e me conecto aos mistérios do que está acima de mim
Celebro a Terra e me entranho em seus segredos mais profundos
Saúdo os deuses e as deusas
que prepararam a terra para que aqui eu estivesse
Reverencio os ancestrais desta terra Hy-Brasil
que tão abertamente receberam e acolheram os ancestrais da minha terra
numa coexistência harmônica de egrégoras
Entro em conexão, saúdo, celebro e reverencio meus ancestrais 
Na força do clã me me trouxe até aqui
Heya!
(...)

O número três sempre foi significativo tanto para a o mundo mágico, quanto para a cosmogonia celta, representando a eternização do ciclo de vida e morte que, a rigor, é a base de compreensão dessa cultura tão vivificada. 

Os festivais de roda de colheita duravam três dias nos quais as celebrações renovavam votos de alegria, esperança e, sobretudo, gratidão, por isso aglutinavam toda sorte de atividades compartilhadas pelo clã. Por essa razão, costuma-se comemorar as datas festivais em tríade, a exemplo da celebração do dia 02 de fevereiro


Fonte: https://s-media-cache-ak0.pinimg.com
Esse dia marca o início das festividades de Imbolc na roda do norte, também conhecido como Oímealg ou, ainda, Oimelc, referências gaélicas para "leite de ovelhas" ou "sacola ou bolsa de manteiga", numa referência direta à lactação, fonte primária de vida.

Lembra a abundância das sagradas tetas da nutriz forte que sobreviveu ao intenso inverno para garantir aos filhotes a poderosa alimentação que os sustentará. 

Na cultura celta, Oimelc significa "lactação", evidenciando a importância que a alimentação traz para o desenvolvimento da cria, na promessa de, um dia, tornar-se um adulto poderoso e saudável. 

Eis a razão pela qual essa data nos remete à ESPERANÇA, sendo uma data alegre de renovação das expectativas!

A data de celebração honra a grande e popular deusa Brighid, Brigit, Bríd, Bríde, Bridget, Brighit ou Briid, coincidindo com o chamado "pico do inverno", ocasião em que a incidência do Sol começa a afastar, pouco a pouco, a sombra do inverno. 

Nessa época do ano a luminosidade é linda, pois as cores ficam mais intensas, preparando-nos para o espetáculo primaveril que está por vir.

O Sol ainda não desponta com a plenitude de sua força, mas, de contraponto, já começa a afastar a escuridão. Data do despertar das sementes no solo, bem como do aumento da atividade lactante para o provimento das reses e demais filhotes. 



Nesse dia cultuamos Brid, deusa tradicionalmente cultuada em honra à fertilidade, cura, fogo e inspiração (poesia). Brighid é a padroeira dos ferreiros, artesãos quase míticos, cuja atividade era vista como a própria personificação da criação - já que o fogo conjuga o sopro da vida.

Tempo de cardápio auspicioso, bem rústico e forte, pois o final do inverno, a despeito de despertar o calor, ainda traz consigo a brisa fria que demanda chama ao coração e estômago. Bebidas e comidas regadas a leite e manteiga são a tônica desse dia tão alegre e especial.


O microclima de Brasília - ainda que em pico de verão - permite a proximidade com a egrégora do norte, já que estamos em estação de chuva, umidade em alta e quedas de temperatura. 

Tempo de abertura do círculo, com a convocação da egrégora ancestral e o toque do tambor marcando o pulsar dos corações batendo em sintonia. 



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Brighid cura e inspira, elevando a frequência da casa e de nossos corações. 

Na Irlanda - reza a lenda - um fogo era alimentado em Kildare por 19 freiras e, em 02 de fevereiro de 1962 (QUINTINO, 2002, p. 74), a freira brigediana Mary Minehan acendeu o fogo perpétuo. Eis o motivo pelo qual anualmente é feita a procissão de Brighit, na qual acendemos as velas que guiarão e celebrarão a esperança e o acalento. É tempo de plantar sementes dos projetos, daquilo que desejamos desenvolver para o futuro.

Confeccionamos cruzes de Brighit em silêncio e em profunda concentração de propósitos, agregando nossas intenções para todo o ano. Imantamos na cruz nossos desideratos, elevando as estimas para a elaboração de uma egrégora saudável de criação de propósitos.  


Selecionei um tutorial hispânico para que possam observar a riqueza de detalhes nesse artefato que, ao mesmo tempo, é singelo, complexo e fácil de elaborar. A fonte do vídeo acima: https://www.youtube.com/watch?v=WCyoJEV8jr4. 




Queimamos, por outro lado, a cruz do ano que passou, percebendo e sentindo no crepitar das chamas  a lembrança do desapego,na antiga cruz desaparecendo em meio ao fogo de nossas lareiras. 

Estar ao lado de amigos e amigas, bem como de nossos familiares, é a melhor maneira de celebrar Brighid e a dignificação da arte, da cura, da poesia e do amor. 

Por mais que não seja, a rigor, uma deusa que personifica o amor romântico, ela, por certo, agrega a amorosidade, sendo sempre lembrada por isso, já que também é guardiã das grávidas.

Com isso, desejo a todos e a todas que possam haurir da Terra os futuros ganhos. 


Que as sementes plantadas nasçam e renasçam, com a renovação das esperanças de um novo ciclo que está a despontar em nossos horizontes e corações. 

Que ano seja marcado por júbilo em nossas vidas!
"Que a estrada se abra a sua frenteQue o vento sopre levemente suas costasQue o sol brilhe morno e suave em sua face,Que a chuva caia de mansinho em seus campos...e, até que nos encontremos de novo, Que os deuses lhe guardem na palma de suas mãos..."
Fáilte, Imbolc!

Fáilte, Oimelc!

Fáilte, Oímealg!