domingo, 31 de janeiro de 2016

\o/ Dias mágicos: SEXTA-FEIRA na paz e no AMOR \o/

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Sexta-feira!!!

Vem chegando o final de semana: para uns, dois dias de descanso da jornada diária. Para outros, dia de desaceleração para os trabalhos de sábado. 

Enfim, independentemente da rotina, sexta-feira traz especial adoração, sobretudo, por parte dos amantes apaixonados. Basta reparar a quantidade de casais que escolhem esse dia para os encontros românticos. 

Frigga, Vênus e Urtzi são as deidades referenciadas nesse dia da semana. 

Para as sociedades setentrionais, o dia é destinado à deusa Frigg, entidade nórdica regente do amor, da fertilidade, das parcerias e do casamento (esposa de Odin). Deusa protetora das mulheres e conhecedora dos mistérios de sangue (conhecimento do poder feminino da criação).

Freitag (alemão), fredag (sueco e dinamarquês), friday (inglês) são nomes derivados de Frigga, enquanto viernes (espanhol), vendredi (francês), venerdi (italiano) e venres (galego) designam o dia de Vênus a deidade romana (correspondente a Afrodite no panteão grego). 

Na cosmogonia celta inexiste uma linha demarcatória de áreas específicas para cada deidade, resultando, com isso, uma complexidade ímpar de zonas de influência para os deuses e as deusas. Muito se fala sobre A Morrighan como deusa do amor, mas ela está longe do arquétipo romântico. 

O amor de Morrighan é visceral, passional, sexualizado e comumente relacionado à morte (basta observar sua relação conturbada com Dagda à beira do rio, ou, então, com CuChulain). Para esses temas entrelaçados, chame por Morrighan, lembrando sempre que se trata de uma deusa de sombra, não menos adorada por isso. 

Deusa do Amor? Nesses termos, sim, claro! Mas lembro que é o conceito de amor que aqui merece nova perspectiva. 

A deidade do amor - uma das, lembrando que o panteão celta é rico e complexo, em face da ausência da unidade política dos clãs - venerada pelos celtas é Branwen - a filha de Llyr e de Penarddun- que rege também a beleza, sendo, por isso, associada à Afrodite e Vênus. 

Aine - filha de Eogabail - é uma deusa irlandesa do amor e da fertilidade, quase sempre relacionada ao mundo das fadas (venerada bastante em Limerick, Irlanda). Sempre que se remonta à Aine, a ideia que vem à mente é de uma rainha-fada, etérea, lúdica e transcendental. 
Fonte da imagem: http://www.teiadethea.org


Blodeuwedd é a deusa galesa do amor e da beleza. Também chamada de A deusa das noves flores, uma vez que foi criada a partir delas, para ser esposa de Llew Llaw Gyffes (Lugh), amaldiçoado pela mãe Arianrhod a nunca se relacionar com uma humana. 

Importante frisar que ela guarda um aspecto sombra, pois diante de sua infidelidade, os magos que a fizeram transformaram Blodeuwedd em coruja, símbolo da noite, sabedoria, da reflexão e do mistério. 

A deusa enganou o marido, tramando com o amante Goronwy sua morte, que somente poderia acontecer se Llew tomasse banho em um telhado embaixo de um caldeirão, à margem de um rio, em pé, com uma perna tocando um cervo. Com isso, a deusa restitui sua soberania, uma vez que se fez livre para seguir seu caminho. Complexidade, mais uma vez. 

Pois bem...

O que temos para sexta-feira, diante disso tudo?

Dia consagrado ao amor, ao casamento, à amizade, beleza, às artes, ao entretenimento, à família (relacionada ao amor) e à poesia, que nos lembra Brighit. Aliás, dia 02 de fevereiro começam as celebrações em honra à deusa. Vale a pena uma postagem para ela. 

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quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

\o/ Dias mágicos: a expansibilidade da QUINTA-FEIRA \o/

Deus Thor
Fonte da imagem: http://moly.hu
Salve, salve, quinta-feira, fecundo dia de expansão! 

Dividido entre Júpiter (Roma), Zeus (Grécia) e Thor (países nórdicos e escandinavos), o dia de quinta-feira marca, de uma forma, ou de outra, força, prosperidade e expansão. 

Quer seja Jueves (espanhol), giovedi (italiano), jeudi (francês), xoves (galego), a reverência é Júpiter. Já em thursday (inglês), torsdag (dinamarquês e sueco),  e donderdag (holandês), a homenagem é a Thor.

Comecemos por Júpiter/Zeus, deidade conectada à fortuna, expansão, sucesso, prosperidade, sorte, riqueza, felicidade, aperfeiçoamento, posses, justiça, honra e generosidade. 

Ao contrário de quarta-feira, que marca negociação no trato financeiro, a quinta-feira reserva, pura e simplesmente, o sucesso incondicional, a vitória e a conquista (sem requisitos ou pactos).

A partir do panteão nórdico e escandinavo, a figura mítica de Thor nos leva à força primeva e ancestral de criação e destruição, sem deixar de mencionar a relação desse deus com os raios e o trovões, além da cura e da fertilidade. 
Deus Dagda
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Na ancestralidade celta, dia consagrado a Brighit (cura, proteção, poesia e ourivesaria e ao fogo), bem como a Danu, a personificação da Terra (prosperidade, aterramento, foco, criação), Tailtu (vida, abundância e prosperidade), Dagda (o bom e supremo deus celta da prosperidade, fertilidade e sabedoria), Taranos (deus gaulês dos raios) e Cernunnos (fertilidade, sexualidade e espargimento).

Cernunnos
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quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

\o/ Dias mágicos: comunicação, negócios e negociações na eloquente QUARTA-FEIRA \o/

Dentro da nossa tabela de correspondências, quarta-feira tem um significado bem especial, a começar pela singularidade de significações que os idiomas trazem. Em espanhol, Miércoles significa dia de Mercúrio, deus Romano da comunicação, dos ladrões e das negociatas, bem como em galego Mércores.

Mercredi (francês) também prestigia o deus romano. E no italiano (Mercoledi) idem. Fica bem interessante quando transpomos as águas gélidas, pois em inglês, Wednesday significa dia de Woden, deus rei da Guerra e da Morte no panteão anglo-saxão, representado por um imponente guerreiro de um olho só.
Hermes
Fonte da imagem:http://1.bp.blogspot.com
Na Holanda, Woden também é reverenciado, pois quarta-feira em holandês é Woensdag, dia de Woden. Em dinarmaquês e sueco, Odin é a deidade homenageada na referência a Onsdag. Como se percebe, a influência pagã é nítida nos troncos indo-europeus, o que mostra seu relevo diante do transcurso do tempo. 

Comecemos com a influência mais conhecida: Mercúrio, deus romano da comunicação, da troca, barganha, negociação e negociata, elementos definidores da egrégora desse deus, tido como rei dos falsários e ladrões. 

A figura grega (Hermes), contudo, traz um elemento bem significativamente peculiar, que é o acesso ao conhecimento, ao oculto, aos mistérios (ele traz um cajado, associado ao instinto e ao hermético não visível a olho nu) e aos estudos.

Também se associa à energia de Mercúrio a eloquência, ao comércio, ao intelecto e à astúcia, sendo um momento auspicioso para desenvolvimento de aspectos relacionados a questões financeiras e negociais. 

Esse é um aspecto. Vejamos, agora, outras singelezas. Transpondo para os panteões setentrionais, temos Odin e Woden, figuras interessantes e complexas. 

Odin é o guardião das runas sagradas, que advieram a partir de seu sacrifício em ficar de cabeça para baixo, atrelado à árvore, recebendo, depois, as runas sagradas e as revelando aos mortais. 

Guardião oracular, marcando um dia muito interessante para leitura de runas. Gosto muito de tirar as quartas-feiras para isso, pois as confluências energéticas estão todas favoráveis para a comunicação entre os mundos. 

No panteão celta, dia consagrado a Oghma, deus-poeta criador do alfabeto ogham, mestre da vidência, eloquência e erudição. Também se reverencia Taliesin (o Merlin, em seu aspecto mágico-druídico), bem como Druantia, deusa da fertilidade e paixão.
Fonte da imagem: www.mitografias.com.br
Alfabeto ogham

Como não poderia deixar se ser, a correspondência - no aspecto de comunicação - é do ar, elemento da fluidez, movimento, comunicação, como também da expansibilidade, volatilidade, impenetrabilidade e incompressibilidade. 

Gosto de manter cautela com o ar, porque seus atributos marcam a inconstância - tal qual o vento que vem e vai, vira e, de súbito, sopra em outra direção. 

Bom, acho que, para início, nossa incursão está de bom tamanho. 

Não é preciso decorar nada disso, mas acessar as correspondências ancestrais que estão aí, bem explícitas. 

Não se trata de invenção alguma, mas de práticas antigas, que remontam aos tempos em que o politeísmo direcionava as reverências aos deuses e às deusas de acordo com uma liturgia específica dentro dos dias da semana. Basta apenas observar os sinais que estão aí, para todos e todas nós podermos sentir.

Fáilte!

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

\o/ Dias mágicos: a energia belicosa e batalhadora da TERÇA-FEIRA \o/

Deusa Iceni Andraste
Fonte da imagem: http://1.bp.blogspot.com
Terça-feira, dia de Guerra! 

Dentro do panteão romano - mais comum em termos de estudos esotéricos - esse dia mágico é dedicado à energia de Marte, deus da Guerra (Ares na mitologia grega). 

Martes em espanhol, Martedi em italiano ou, ainda, Mardi em francês. Para onde quer que nos voltemos, o radical mar- está presente, lembrando-nos que o dia de hoje reverencia o belicoso e temperamental Deus da Guerra.

No panteão celta, dia auspicioso dedicado aos heróis e às heroínas belicosas, que nada temem. Lançam-se à guerra para a vida e a morte, sem hesitação. 

Reverências a CuChulainà Rainha Maeve, sem deixar de mencionar a deusa da guerra e protetora dos Iceni, Andraste, além de Bran, Badb, Lugh e Morrighan, a honorável Deusa da Guerra, a poderosa face da Morte, representada pela imponência da grande mulher e seu corvo, animal do Outro-mundo.

O ponto comum entre todas essas deidades celtas? 
Cuchulainn
Fonte: http://media.irishcentral.com/images/cu_chulainn.jpg

Coragem, firmeza, determinação e força, atributos que nos levam à vitória e à conquista nas diversas batalhas firmadas no cotidiano de nossa senda. 

A competitividade é regida por esse dia, de modo que toda e qualquer disputa - bem egocêntrica - marca maior da potencialização da energia altiva da terça-feira - pode ser aqui bem trabalhada. 

Energia de movimentação, de impulso a projetos e novidades voltadas para o crescimento pessoal e realização. Por conta disso, relacionada ao domínio do elemento fogo (desejo, impulso, ira, poder, entusiasmo, concretização, criação) e à energia do espírito.

Importante diferenciar, contudo, essa energia (terça-feira) da regência dominical (dia do Sol, de Lugh), uma energia focada na individualidade mais firmada na identidade. 

Na terça, o EU que se encontrou na energia exuberante de domingo, expande-se na terça-feira para lutar e vencer as batalhas, em uma espécie de canalização energética após a descoberta de si. 


O dia marca MOVIMENTAÇÃO e ritmo...
Deusa Morrighan
Fonte: https://theforestwitch.files.wordpress.com/2014/06/song_of_a_stone_heart_by_bubug-d5g8z3p.jpg?w=676&h=974
A pulsação universal do chamado para que possamos vencer nossas batalhas pessoais, nas lutas que travamos em nossas vidas, sendo propício o momento para alocar as energias em alavancar os projetos e as metas, por meio das estratégias usuais que todos os grandes guerreiros sabem articular...

No contraponto, a terça-feira oferece oportunidade - no mundo mágico - de movimentar a egrégora de vingança (trabalhando internamente essa "vibe" para transmutá-la), além de ser um dia excelente para se expurgar toda sorte de encantamentos e bruxedos.

Fáilte, terça-feira!!!


Rainha Maeve
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Relacionamentos ecléticos: de A a Z no caminho espiritual da parceria

Fonte da imagem: https://blogmanamani.files.wordpress.com/2011/05/quintas-da-lua.jpg
Esse post já é ancestral em minhas reflexões, mas, até agora, confesso que estava amadurecendo um pouco mais a ideia e ponderando sobre esse tema, considerado tabu dentro de algumas comunidades mágicas: relacionamentos afetivos entre pessoas de tradições religiosas ou de predileções espirituais distintas são bem sucedidos?

Pode até parecer um tema batido e sem importância, sobretudo, em uma Nova Era de universalismo inominado e amor fraternal disseminado nas redes sociais, impelindo-nos para respostas positivas e lúdicas a respeito do assunto.

Será?

Afinal, nunca se falou tanto em respeito, ecletismo, liberdade religiosa e democracia. Até reality show está mostrando relacionamentos ecléticos, em uma esperançosa visão animadora (não sei, ao certo, se a animação diz respeito a continuar assistindo ao reality ou se diz respeito a uma legítima pretensão de pacífico convívio).

Não creio ser um assunto batido, muito menos tranquilo de se discorrer a respeito. Aliás, tenho por arenoso o terreno, fato que me fez aguardar o momento mais adequado para meu coração, enfim, poder elaborar algo com o mínimo de nexo.

Acredito ter se tornado um clichê ingênuo falar que "o amor pode enfrentar tudo", pois essa afirmação, grosso modo, já encerra em si o problema estrutural (bom, se pode tudo é porque, no usual, carece de fundamento para não temer, sequer, o tal "tudo" de maneira árdua e sofrida) - de base - que, se não encarado de maneira séria e transparente, pode acarretar infelicidade e separação intransponíveis.

Bom, de qualquer forma, não é um tema simples. 

Vou me explicar melhor. 

Primeiro, inexiste uma resposta simplista e binária - sim ou não - porque se trata de uma situação que depende fatalmente de um ingrediente empírico. Ou seja, de nada adianta fazer inferências genéricas em cima de comportamento humano, seara na qual a imprevisibilidade e e a singularidade são sempre variáveis que desafiam os programas de computador.

Ou seja, não existe uma resposta infalível, mas especulações firmadas a partir de reflexões que tanto beiram a discussão meramente hipotética, ora se fincam nas experiências já vividas por cada um. 

Na hipótese - sempre a hipótese "científica" - prevalece a ideia de respeito ao credo, a partir de uma racionalização dos problemas, para, para além deles, ver o relacionamento eclético como a resultante de uma superação das limitações humanas em lidar com o que não é afim.

O apelo à liberdade de crença, bem como ao respeito que deriva da dignidade da pessoa humana ditada constitucionalmente nos orientam em direção a um estado mais depurado de espiritualização. 

Dentro disso, somos levados - quer seja pelo plano moral e filosófico, ou ainda, pela perspectiva religiosa de respeito ao próximo (tônica de algumas tradições espirituais e religiosas) - a crer na possibilidade de pacífico convívio e, quem sabe, dentro do sincretismo brasileiro, elaborar uma "terceira via" religiosa/espiritual. 

Esse é o panorama... 

Suficiente para a compreensão? 

Não creio. 

Elucubrar sobre o tema não traz a integral percepção de vivenciar as áreas de conflito em termos de relacionamento eclético. Aliás, até mesmo em relação ao plano meramente hipotético já teríamos muitos problemas, proporcionais ao arraigamento dogmático. 

Poderia tranquilamente propor: a dificuldade na articulação de tradições espirituais e religiosas distintas é diretamente proporcional ao caráter dogmático da senda. 

Quanto mais entranhadas em verdades excludentes de outras perspectivas, mais se estabelece um distanciamento valorativo entre os parceiros. 

Ou seja, somente é possível se falar -e viver - um relacionamento eclético quando existe uma relativização na apreensão dos dogmas que sustentam as visões unilaterais que seriam excludentes uma da outra. 

Radical? 

Pode ser, mas, ao menos não encontramos surpresas do gênero:"não sabia que seria assim". A isso chamo lucidez de propósitos, tanto em relação ao percurso de autoconhecimento, quanto em relação a lidar com o outro. 



Na minha singela experiência, os relacionamentos ecléticos podem ser um fracasso se os parceiros não desenvolvem um legítimo respeito pelo credo um do outro. 

Com isso, proselitismo, nem pensar! Creio ser esse o ponto principal: não se faz proselitismo, pretendo empurrar goela abaixo tradição ou credo estranhos à vivência do outro. 

O proselitismo, em todas suas facetas - diretamente ou, mais tortuoso, por meio de metáforas e manipulações - constitui tanto um desrespeito à liberdade religiosa - direito fundamental individual consagrado na Constituição Federal - como temerária imiscuição no carma alheio.

É muito comum que a profissão de fé dê azo para uma liturgia de dogmas voltados para o convencimento a respeito de uma suposta supremacia da religião ou da tradição espiritual da pessoa. 

Aliás, creio, muitas vezes, que isso pode estar relacionado ao sentimento de pertencimento que nos traz a identificação com determinada vivência religiosa ou espiritual. 

Animados - cada qual com sua crença e senda - os parceiros podem cair em um abismo infinito de opressão que, a médio e longo prazo, podem implodir o relacionamento. A desqualificação, bem como as tentativas de argumentação podem transformar o ambiente em algo paranoico e chato, cansativo e destruidor da estrutura relacional.

Isso, sem deixar de mencionar os problemas relacionados à confluência de egrégoras, que podem entrar em rota de colisão no caso, por exemplo, de um ritual comum. Cada pessoa aglutina em torno de si uma horda espiritual e energética que lhe é peculiar, ao mesmo tempo em que o outro também se encontra no mesmo patamar.

Um exemplo.

Em outro post (chamado O futuro diáfano das tradições sagradas no paganismo na bruxaria brasileira...parte 1cheguei a comentar a confusão de egrégoras quando se invocam deidades de panteões distintos. Lembro-me que, na época, falei sobre deidades romanas e celtas, panteões distintos que, a bem da verdade, rivalizam, no tempo e no espaço, não-raro mantendo dissintonias e turbulências no convívio. 

Como, então, conciliar isso? 

Simples, não se concilia, a pretexto de simplesmente fazer de conta que não existem rivalidades até mesmo no plano etéreo entre tradições, clãs e estruturas distintas.

No máximo, quando a estrutura emocional e afetiva é muito forte entre os parceiros, pode ser viável a realização de rituais neutros, ou seja, não se convocando deidades díspares. Ou seja, palavra-chave: uma tentativa de imprimir maior neutralidade em um ritual. Façam suas apostas...

Mas, sinceramente? Quem vai fazer isso? Ou, ainda, como efetivar isso?

Ou, pior, no caso de se abrir mão da invocação das deidades familiares para abraçar a ancestralidade do/a parceiro/a: uma negação da própria ancestralidade? Ruptura com elos e liames feitos há séculos de História? 

Não sei...

Já tive a oportunidade de experienciar uma situação na qual a pessoa não perfilhava credo ou tradição alguma - de fato, não acreditava em nada - realizando, contudo, rituais e, no calor da egrégora, fazendo até purificações sem, contudo, acreditar no que estava fazendo (?!!!?!). 

Segundo relato, o que era feito se dava em virtude da teatralidade do evento, ou, como dito (?), próximo a um RPG. Não, não, não estou inferindo, mas reproduzindo o que ouvi dele de explicação a respeito do assunto.

Ou seja, diante desse mar de incredulidade fica impraticável qualquer tentativa de direcionamento consciente de energia, trazendo, com isso, uma sobrecarga para os demais membros do círculo sagrado. 

Isso porque, a falta de consciência dos processos psíquicos e espirituais milita contra o neófito. E não se pode argumentar que a ignorância é a saída para evitar sequelas psíquicas (Dion Fortune comenta bastante o assunto no livro Autodefesa Psíquica), pois, no caso, a partir do momento que o neófito incrédulo se abre minimamente para a ritualística, passa a se sujeitar às influências energéticas inerentes. Ou seja, uma vez aberta a comporta, os processos psíquicos passam a escoar como água em torrente no pleno fluxo de uma represa.

Para uma harmonização plena, importante, dentro do círculo, o compartilhamento energético por parte dos integrantes. Assim, se um, ao menos, não crê no que está fazendo, não se tem os elementos vitais para a deflagração do ato mágico: emoção e necessidade.

É mais ou menos como se existisse um gap ou lacuna no círculo, acarretando um déficit na circulação da energia em torno de todos. De outra sorte, fazer o ritual, nessas circunstâncias, apenas em "nome do amor" não constitui ato pleno, tendo em vista que não se trata de algo espontâneo, mas sim engendrado para satisfação do/a parceiro/a. 

Outro exemplo sempre lembrado: as distintas formas de execução de trabalhos, que envolvem perspectivas diferentes de utilização de instrumentos, utensílios e ervas. 

Há quem entenda que banhos de ervas devam ser feitos do pescoço para baixo (alegando-se proteção do anjo protetor, numa mítica cristã). Outras tradições propalam o banho integral, da cabeça aos pés. Como harmonizar, dentro disso, posicionamentos distintos em relação ao que é o indicado para o caso?

E no caso de prole, o que fazer em termos de escolha do caminho do/as filho/as? Educação sincrética? Ecumênica? Não orientar? 

Não estou querendo, com isso, afirmar que relacionamentos ecléticos são fadados ao fracasso, assim como também não posso ver um mar de rosas. O propósito desse texto é provocar a reflexão a partir de pontos importantes, que fazem parte do cotidiano de nossas vidas. 

Encarar, com isso, tais obstáculos, enxergando a situação como ela é - e não em cima de uma ilusória perspectiva do que deveria ser - constitui o primeiro passo para se consolidar um relacionamento eclético onde realmente exista o respeito mútuo em relação à fé e aos valores professados. 

Fáilte!!!


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quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Mitos, velas e magia: a completude dos 4 elementos

Fonte da imagem: http://www.ecopedia.com
Uma das primeiras lições que se aprende na Arte relaciona-se à compreensão dos elementos (água, fogo, ar e terra), bem como a canalização de seus atributos em instrumentos potencializadores dos desideratos a serem concretizados no plano causal.

Falamos bastante sobre incensos, velas, sal, cristais e cálices, coligando sempre cada qual desses artefatos ao respectivo elemento que lhe dá direcionamento simbólico. 

O sal representaria a terra, o cálice, a água, a vela, o fogo e o incenso, o ar. Por aí vai uma extensa lista de instrumentos e artefatos dedicados ao elementos. Esse é supostamente o básico protocolo reproduzido no que se tem como uma "sabedoria popular" a respeito da Arte, presente em boa parte das discussões sobre bruxaria, magia e outros sistemas de transformação. 

Lendo meu livro de anotações, contudo, passei - cada vez mais - a refletir sobre uma percepção unidirecional que se costuma fazer a respeito da vela - quase sempre relacionada aos elementos fogo e ar - o que apontaria para trabalhos mágicos mais propícios à interação com tais elementos.

A abordagem que vou propor aqui hoje passa por outra percepção, de natureza integrativa, uma vez que os elementos, uma vez plasmados em artefatos tridimensionais, não se encontram, via de regra, em estado de pureza. 

Por que estou propondo essa perspectiva? 

Para simplificar...

Ao invés de se desesperar ante a falta de um ingrediente ou instrumento, quero propor uma forma mais fácil e criativa de redirecionar instrumentos, aproveitando, ao máximo, suas propriedades mágicas. 

A conexão com o Sagrado precisa ser simplificada, e não tornada complexa e difícil, até por uma questão de democratização do conhecimento. Longe vão os tempos em que se andava por aí com uma mala cheia de cálices, athames, punhais, bússolas, espadas e outros instrumentos bem marcantes da magia cerimonial.

A palavra-chave: simplicidade.

Creio que todo esse rol de instrumentos não é imprescindível para a bruxaria (tradicional), executada com os elementos e, quando muito, com artefatos que fazem parte do cotidiano (no meu caso, da cozinha da minha casa).

Remeto o/as interessado/as ao texto De magos, bruxas e feiticeiros: relíquias semânticas na obra de Jeffrey Russell, onde exploro melhor a questão do uso dos instrumentos em face das distintas tradições mágicas.

Mas, enfim, voltemos à vela. 

A base sólida da vela é composta por parafina, do latim "pouco afim", um derivado do petróleo que nada mais é do que uma cadeia orgânica (ou seja, composta por carbono). Só de observar a origem de uma vela - por mais que seja elaborada ou manuseada - é possível correlacioná-la ao elemento Terra, por vários indicativos.

Petróleo, ou óleo de pedra, nada mais é do que o sangue da própria Terra, uma demonstração cabal que esse elemento não necessariamente se materializa em um aspecto solidificado. 

O petróleo transita entre o estado sólido e o líquido, mas não é isso que define sua origem a partir do elemento Terra, e sim sua conexão direta com ele, na medida em que seja o resultado de um processo lento de decomposição de dejetos que se alojam nas camadas da biosfera.

Fonte: http://www.drm.rj.gov.br
Entranhamento: eis o verdadeiro sentido, ao meu ver, que define uma substância - e, por resultado, um instrumento - como sendo imanação do elemento Terra. 

Assim, não seria exagero afirmar que o petróleo a originar a parafina da qual se elabora uma vela promana do elemento Terra

Aliás, ela, como um casulo, é a responsável pela superposição de camadas e mais camadas de dejetos orgânicos, que se somam para consolidar a substância.

A chama da vela - talvez o que é mais óbvio para os curiosos na Arte - é a imanação do elemento Fogo. Isso é o básico. Mas, observando bem, esse fogo é alimentado pela Terra (parafina), bem como pelo Ar

Trata-se da mais perfeita harmonização entre elementos, trazendo para um mesmo instrumento a possibilidade de ser um artefato completo para se realizar algum encantamento. 

Basta a clarificação - ou seja, a percepção consciente por parte do/a estudioso/a na Arte - do significado de cada um desses elementos para a composição da vela (necessidade + emoção + conhecimento).

Ao final - e não menos importante - temos a integralização de todos os elementos pela intromissão da Água presente na liquefação da parafina, formando uma área ao redor da chama, que escorre, aos poucos, na medida em que derrete.

Uma simples vela reúne-se a miríade de todos os elementos, podendo ser utilizada, assim, para bruxedos que envolvam qualquer um deles. O mais proeminente, contudo, ainda é o fogo, que já caiu nas graças populares, pelo fato de estar mais explícito no artefato. 

Mas, ante a falta de outros instrumentos, ou, como proposto, para simplificar o processo, pode-se redirecionar o foco de uma vela, relacionando-a a todos os elementos. Tudo começa e termina nos elementos.

Outra simplificação? 

Pois bem. 

A limpeza energética da vela, bem como sua programação para o foco a ser trabalhado. Costuma-se besuntá-la de baixo para cima (para retirar ou limpar) com algum óleo ou essência de espargimento, como benjoim, arruda, mirra, cânfora, mas, já que a água remete à limpeza, na ausência de ingredientes, podemos fazer uso de uma boa água espalhada ao longo da vela. Basta, depois, deixar a vela secando. 

Depois da limpeza, o direcionamento do foco do ritual ou bruxedo. Mais óleo, formulado a partir da erva correspondente ao propósito almejado, besuntando-se a vela de cima para baixo, para atrair o propósito e imantá-lo na vela. 

Uma outra forma de fazer isso consiste em escrever no corpo da vela o propósito, o que pode ser feito por meio de uma palavra, frase ou, ainda, pela inscrição de símbolos rúnicos, glifos ou sigilos. Costumo fazer a inscrição com uma ponta de faca quente, que derrete a parafina, gravando no corpo da vela o desiderato.

Tudo isso são possibilidades, e não liturgias dogmáticas, de caráter obrigatório. 

Quero dizer, com isso, que não tenho a pretensão de lançar verdades absolutas, mas apenas propondo formas alternativas para trabalhar magicamente com instrumentos. Sobretudo, quando se percebe em um mesmo instrumento a integralização de todos os elementos.

Afinal, somos todo/as UM...

Céad mille fáilte!

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quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

\o/ Simplesmente GRATIDÃO!!! \o/

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Hoje saí de casa para "tomar um ar" (e pagar duas contas de luz), depois de passar um tempo isolada, curtindo minhas férias envolta em meus pensamentos e reclusa na plenitude do silêncio. 

Comecei o caminho de volta para o convívio com o mundo - pois daqui a pouco findam-se as férias e retomo a rotina diária de afazeres formais - e, para fazer isso harmonizando a alma sem traumas, pouco a pouco começo um périplo.

Primeiro, arriscando-me a sair mais de casa para observar a vida e o cotidiano das pessoas. Faço passeios, encontro com amigos, organizo reuniões e confraternizações clânicas em casa. Revejo e reponho meu estoque de ervas e produtos. Vou fazendo isso até o momento em que se estabelece um significativo (re)encontro com as práticas diárias. 

Ontem mesmo fiz isso, recebendo uma querida amiga que reside fora de Brasília (a Dani, que tem um blog muito bom, chamado danielaemprego.blogspot.com.br), em um momento muito especial de renovação de lembranças sobre momentos felizes em nossas vidas.


Eu e Dani
Embalada por esse espírito renovador de jornada, hoje, enfim, desci para as referidas contas...

Poderia ter pago aqui mesmo no Jardim Botânico, mas estava saudosa de tomar ar fresco no rosto e percorrer as largas ruas de uma Brasília maravilhosamente vazia e amena nessa época auspiciosa do ano (agora é estação de chuvas no cerrado, sincronizando, assim, os hemisférios sul e norte em uma egrégora, digamos, invernal). 

Desci para o Plano Piloto e, a cada quilômetro percorrido com o elemento ar acariciando minha pele, fui caminhar até o banco, não sem antes perceber na sutileza dos movimentos da Natureza significativos e intensos sinais para a celebração de novos ciclos, por intermédio da palavra GRATIDÃO

Isso somente é possível ante o silêncio...

Foi o que senti, sendo extremamente difícil traduzir ou conceituar aqui em palavras a intensidade do arrebatamento de gratidão de que me acometi durante o percurso. 

Passei embaixo de uma árvore de onde caíam flores amarelas em uma chuva dourada a formar um tapete aveludado em meio à umidade a adornar, como uma moldura, esse lindo quadro. Vi flores e folhas caindo, sentindo uma leve brisa de finalização e gratidão por tudo que experienciando estou a cada dia. 

Quando nos afastamos do ruído e nos permitimos apenas sentir esse "aqui e agora", a mente se aquieta o bastante para o mergulho no autoconhecimento, permitindo, com isso, a imersão em questões que usualmente acreditamos se encontrar fora de nós: esse é o desafio pessoal que nos envolve e abraça a cada átimo de segundo de nossas vidas. 

Afinal, quantas e quantas vezes acreditamos que a responsabilidade reside nas condutas dos outros, repetindo padrões e incidindo nos mesmos dilemas, numa sensação de "efeito carrossel"? 

Reclamamos de expectativas frustradas, imputamos a outrem falhas e frustrações, apontamos diuturnamente o dedo para um espelho que insistimos em não enxergar.

Ante a quietude, contudo, é possível voltar a atenção para nossas atitudes e reproduções, chamando, assim, de volta, a responsabilidade por nossas escolhas. Tal caminho oportuniza a contemplação do padrão, bem como sua modificação, para que possamos passar adiante, em novas lições que exsurgem em nossos horizontes. 

Essa é uma senda pessoal, intransferível e, sobretudo, solitária. Não em um sentido sacrificial de vazio pejorativo, mas da autossuficiência espiritual necessária para as curas e os desafios nessa existência. 

Quando isso acontece, uma descarga de beneplácito parece nos conectar com a imensidão do Universo, acarretando, assim, os lampejos de consciência e os colapsos quânticos que nos permitem avançar na jornada moral e espiritual.

Ao invés de enxergar no outro o "déficit" ou a "falha" (palavras inadequadas, mas que expressam, em algum momento, o espasmo emocional dos egos feridos), passamos a observar dentro de nós os desafios a enfrentar.

Isso é mágico: quem poderá negar? 

Afinal, magia é transformação da realidade que aparentemente não estabelece pelas vias causais ordinariamente visíveis nas relações de causa e consequência. De fato, quando olhamos apenas para o outro, a relação causal a se repetir petrifica-se em rotinas em relação as quais perdemos, pouco a pouco, poder de transformação.

Mas quando o véu dessas ilusões de imutabilidade se desfaz, o aparente inimaginável acontece, para espanto do/as incrédulo/as: olhamos para os eventos e, com toques sutis, transmutamos e transformamos tudo ao redor.

Quem poderá negar a magia disso? 

Por isso me espanto, ainda, ao me deparar com fórmulas complexas de ritos, rituais, procedimentos de conexão com o sagrado, pois tudo é muito mais simples e paradoxalmente mais complexo do que queimar incenso e invocar deidades. 

A verdadeira arte mágica encontra-se na VIVÊNCIA desta senda. Acima de tudo, na entronização do que é realmente relevante nesta vida, plasmando em nossas práticas o que está em consonância com nossa alma. 

No dia-a-dia da celebração do nascer do sol, do agradecimento por cada dádiva recebida ao longo do dia. Pela convivência com quem nos é caro, bem como pela devoção ao estado sagrado de Natureza. 

A magia, para mim, não é um "gatilho" a ser acionado para a resolução de um problema imediatista (quase sempre relacionado com amores, relacionamentos, vida profissional e financeira, como vemos nas promessas feitas por gurus de plantão). Trata-se de um estado de alma, e não de um instrumento efêmero de auto realização. Mas, claro, essa é minha opinião, baseada na percepção em face do que vivencio aqui. 

De tempos para cá tenho vivido intensamente isso, por intermédio de providenciais reencontros com pessoas do passado, que me mostraram o quão arraigada posso ainda estar em meus padrões, o bastante para me permitir realizar escolhas que me trouxeram exatamente para o mesmo ponto não finalizado com esses entes queridos. 

Grata, grata e grata!!! Céad mille fáilte!!! É o que posso dizer em retribuição ao bem enorme que produziram para a (re)elaboração da jornada.

Interessante que, à medida em que recobrava a memória emocional do que foi vivido, inicialmente me percebi nessa lógica de atributividade, imputando ao outro as mazelas do que, no fundo, é resultado direto de minhas escolhas determinadas por padrões. 

Cheguei a me desentender, claro, pois, afinal, olhar para o espelho choca o ego acostumado a ver tudo na autorreferência. 

Por outro lado, ao descobrir isso paulatinamente, deparei-me com a simplicidade de me voltar para meu eixo, observando, com isso, o paradigma então dominante em mim. Um universo inteiro se revelou. Revela-se, já que o fluxo de transformações não se acaba.

Passei a ver o outro e a experiência repetida com o outro como a projeção do que empurrei para debaixo do tapete. Uau! Que descoberta! Não se trata de racionalização - pois sempre temos um tratado sobre isso - mas se sensorialmente internalizar isso em nível emocional (epicentro do repeteco), ascendendo-se para o plano espiritual. 

Se não posso mudar mais o passado dentro de nossa física newtoniana, ao menos posso transformar o fluxo causal do presente e do futuro com essas pessoas, apenas não ME PERMITINDO mais repetir histórias que têm os mesmos protagonistas e enredos. 

Alguém pode argumentar que as experiências e as pessoas são distintas. Ou, ainda, que "pessoas podem mudar". Aliás, creio que isso já se tornou um clichê sedutor o bastante para nos encaminhar para o conformismo em repetir a escolinha da vida. 

Sim, claro, mas quando se trata da REPETIÇÃO de mesmas experiências com as mesmas pessoas, não se trata mais de imprevisibilidade ou possibilidade de mudança, mas de determinismo resultante da falta de clareza consciencial. Ou seja, operando no automatismo e na reprodução do padrão que nos leva a sempre incidir nas mesmas escolhas.

Diante disso inexiste inovação: padrão é padrão. Manter-se-á num continuum temporal, que pode levar anos, séculos, milênios ou eras, se é que pode mudar. Não sabemos. Simples assim. Para seguir adiante é vital romper esse liame, ainda que seja tormentoso para nosso ego (que sempre deseja, deseja e deseja).

Três experiências interessantes marcaram, em uma providencial sequência, a clarificação do meu foco, por intermédio da explicitação do padrão. 

Pessoas que me mostraram - em espelho - o que preciso ainda desenvolver, quais os medos a superar. Rupturas aconteceram a tal ponto que, invariavelmente, creio ter havido uma separação de trajetórias em rasgos colossais o bastante para não se firmarem mais os vínculos de outrora. 

Manter-se-ão, ao menos, vínculos? 

Não sei, pois as experiências trazem também para os interlocutores a possibilidade de reavaliação de suas idiossincrasias, já que o processo dual de interação supõe o compartilhamento. 

De qualquer sorte, não cabe a mim a decisão. 

O que posso e desejo realizar, cada vez mais, é essa constante e lânguida observação de meus padrões, tarefa essa que, a cada dia, traz mais e mais sentimento de GRATIDÃO. Eis o sentido mais singelo da impressão em nossas vidas de experiências que podem ter trazido dimensão de dor, mas que, ao final, superadas as lacerações do ego, mostram o quanto a alma se lapida.

Que venham, então, mais e mais experiências de gratidão!!!!

Fáilte!


Fonte da imagem: http://orig13.deviantart.net/a76e/f/2007/116/4/4/colored_triple_goddess_tattoo_by_roguewyndwalker.jpg