terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Padrões, superações e mágica: a arte secreta do crescimento espiritual


Tenho andado esses dias me ocupando de leituras oraculares (runas vikings e celtas), voltando-me para o silêncio e a introspecção como formas indispensáveis de renovação para 2015. Em uma das cartas diárias - essas que tiramos "ao acaso" de uma pilha de pensamentos e frases significativas - tirei uma sobre confiança e a necessidade de não desistir de confiar, ainda que adversas as situações em que me encontro.

Em outro momento do jogo deparei-me com dagaz, a sábia runa-borboleta, que lembra a transformação que vem de processos de rupturas, separações e afastamentos. Por fim, observando todo o movimento rúnico, ao final, o que percebi como lição para 2015 foi a necessidade de internalização dos processos não findados ao longo da minha existência, por meio da descoberta empírica dos padrões de escolha com os quais me deparei.

O interessante foi que, a partir daí, seguiram-se processos e situações em meu cotidiano que me encaminharam para a descoberta - por confrontação e observação - de padrões de comportamento que até então estava (estou) reproduzindo em minhas escolhas e atitudes. 

O mais significativo, contudo, de tudo isso, foi observar e efetivamente SENTIR a identidade em relação a tais padrões, e não apenas tê-los comigo no plano discursivo (ou seja, falando que eles existem, mas tendo dificuldade em apontar, em minha vida, onde despontam e são visíveis). 

Isso marcou e tem marcado minhas reflexões sobre mudança e evolução moral e espiritual, uma vez que o acesso ao padrão por racionalização cega (sem observar empiricamente e se identificar com ele) não denota superar o padrão. Muito menos crescer, evoluir. Em relação a isso, ah, sou PHD!

Lembro-me das várias e várias vezes em que fui a psicólogos e terapeutas a fim de buscar soluções para meus padrões sem, contudo, sair da mesmice em contar sempre a mesma historinha do papai, da mamãe e de Freud. Ou ainda, na senda mágica, fazia rituais de reconsagração do ventre, do falo, de desbloqueios, sem, contudo, obter sucesso em quebrar essas amarras que atrasam toda uma existência. 

Não me enxergava no padrão e, assim, não aprendia com ele. Não o deixava penetrar em meus poros. Não o respirava. Apenas repetia a historinha para tentar me convencer, mas me distanciava o bastante para não me envolver e aprender. 

Seguia em uma nau à deriva, sempre batendo a cabeça na mesma parede, mas com a aparente sensação de novidade nas experiências em que isso acontecia. Advinham os tombos e as dores, a resiliência me fazia voltar à superfície, mas a ignorância me impedia de aprender.

Descobri, ao longo do tempo, que saber abstratamente do padrão não significa superar o padrão. É preciso reconhecê-lo por vivência, experimentação e, a partir dela, por abandono, ao final. 

É preciso internalizá-lo, o que, muitas vezes, pode acontecer quando nos deparamos com situações e fatos do cotidiano. Ora de forma lenta e gradual, ora de maneira abrupta. Não importa o jeito. No meu caso, por exemplo, em uma simples conversa em um grupo de amigos na casa do meu pai que, claro, reúne arquetipicamente um dos focos de padrões reproduzidos em minhas andanças e escolhas. 

Eis a mágica! 

Ela existe e acontece, quando o racional e o empírico-intuitivo finalmente superam a dualidade corpo-alma para darem as mãos em busca do conhecimento.

Nesse contexto, eu me vi fora do círculo da conversa, como se pairasse por sobre todos os presentes. A partir daí fui me aproximando da fala de cada qual, identificando-me (por negação ou afirmação intensa) com o que se falava. 

Para além disso, meu espírito começou a captar e se acoplar energeticamente ao padrão. Isso me trouxe uma lucidez que nunca antes havia sentido, pois subitamente tudo desmoronou no ar e, o que ficou, até hoje tenho utilizado para avançar mais e mais.

Claro que o enfrentamento direto do padrão energético (comportamental) traz sequelas, pois estamos lidando com paradigmas incrustados de tão sorte que a mudança não raro é dolorosa em termos de processo. Raiva, mágoa e ressentimento, dosados com uma boa medida de culpa, usualmente vêm à tona nesses momentos. 

Isso é perfeitamente normal e não pode ser negligenciado, sob pena de o recalque acarretar lesões irreversíveis à alma. Posar de "evoluído/a" escondendo a raiva é um dos piores atos que podemos fazer contra nossa essência, na medida em que o envio dela para o "quartinho de despejo" não a elimina de nossas vidas. 

Olhar o padrão com essa honestidade - doa a quem doer - é a única via de crescer e mudar. Talvez aí resida a mágica que poucas pessoas realmente conhecem. Isso é bem claro para mim quando observo doutores e doutoras em bruxedos, magias, oráculos (excluo da lista muitas pessoas queridas e que saberão que a elas me refiro) com fórmulas prontas para esses "problemas", inculcando na mente de incrédulos e ingênuos que são "trabalhos", "amarrações", "bruxaria" feitos contra a pessoa, mas que, olhando de perto, nada mais são do que dores emocionais internalizadas e não superadas. Ou padrões de infância (abuso, assédio, abandono) tão naturalizados que a pessoa não se dá conta (ou não quer) que ele existe. 

Bruxaria alguma pode ser capaz de vencer o padrão que a própria pessoa elaborou para si, eis o básico! Trata-se do óbvio em termos energéticos, pois o padrão cria uma teia maciça que envolve a pessoa de tal forma que feitiço algum pode desfazer. Ainda mais quando é a pessoa que elabora e reproduz o padrão!!! 

Pior ainda quando ela solicita a outrem que desfaça o padrão "num passe de mágica", por meio de trabalhos, magias etc.. Novamente a velha historinha dos placebos: mil ramos de alecrim, posição da Lua, cristais, florais etc., usados automaticamente e sem a menor cons+ciência, requisito essencial para se mudar o destino.

Um trabalho mágico minimamente sério demanda uma anamnese, que pode ser oracular, pendular, não importante. O importante é saber o padrão a ser trabalhado, o que está em jogo. Eis a razão pela qual o autoconhecimento é o meio hábil para se iniciar uma trajetória de identificação com padrões, uma vez que o enfrentamento de nossas mazelas traz a clarificação do que precisamos desenvolver e aprimorar.

Assim, por exemplo, em uma leitura oracular, ao invés de se ficar na superficialidade das frívolas perguntinhas sobre "amor", o/a terapizado/a precisa saber o que traz carmicamente para essa existência em termos de padrão energético a ser administrado. A partir disso, creio, reside todo o resto, que pode advir com trabalhos mágicos, uso de cristais, radiestesia, florais e muitas outras opções. 

Inverter esse método acarreta perda de tempo, uma vez que o padrão persistirá intacto em nossa rede causal de escolhas, minando nosso arbítrio em seguir por caminhos outros que não o que automaticamente o padrão nos obriga a seguir.

De tudo que tenho aprendido até aqui vejo que se encarar é a única saída, sem atalhos, para fazer uma encarnação valer a pena em termos de crescimento e aprendizado. 

Desejo a