domingo, 24 de março de 2013

E salve, salve, o vento da segunda colheita!

Chegou o outono e, com ele, os ventos auspiciosos de Mabon, o festival da segunda colheita que marca o declínio do Sol e a jornada do Deus para a hibernação invernal em junho, ápice da estagnação e do recolhimento. 

Em Mabon celebramos a vida, é bem certo, mas começamos uma viagem rumo ao despojamento que se avizinha no período de tempo em que o Deus dorme. Cultuamos nossos grãos colhidos na primeira safra, bem como fazemos os estoques para nutrição do corpo no gelar dos dias.

Nasci próximo a Mabon, dia 27 de março, trazendo para essa existência a energia outonal da preparação para o momento de estagnação. Gosto do frio que se aproxima e que, em termos de cerrado, encerra a secura única, que nos envolve, por essas bandas, em uma singular aura de adaptabilidade. 

Tal qual o inverno alimenta as árvores tortas de raízes profundas, vejo-me alentada na profundidade com que celebro meus pequenos ritos, trazendo sempre a lume porções infinitas de mim, espargidas em flocos de inverno seco e rasgante.

Ciclos de luz e calor findam-se em Mabon, lembrando-nos de uma alimentação mais farta em grãos e alimentos quentes, bem como na necessidade vital de nutrição plena, para que o organismo não sucumba a uma baixa energética que sempre paira quando o inverno aponta no horizonte.

As luzes das velas nas janelas escasseiam-se, cada vez mais, nessa data, culminando, posteriormente, no apagar de Samhaim, com a morte simbólica do Gamo-Rei. 

Nesse tempo de Mabon, desejo a todas e todos um ciclo de andança pela vida, cultuando a ancestralidade, bem como os desígnios da Grande Mãe, na sabedoria diáfana que está a desnudar toda sorte de ilusões que ainda cercam o ingresso nas trevas.