terça-feira, 1 de maio de 2018

Fáilte, Samhain! Mais um tempo de mudanças!

Acredito que a palavra mais escrita neste blog seja "mudança". 

Ou, ainda, seus sinônimos: alteração, transformação, transmutação, movimento...

Ou o que o valha. Não importa. 

A impermanência é o que continuamente se apresenta como a marca paradoxalmente permanente em minha vida e, como resultado, em minha forma de expressar o que penso e sinto. O que "pensinto"...

Hoje celebramos Samhain pela roda do sul, que segue tanto a sazonalidade deste hemisfério, como, no caso de acentuadas estações do ano, o prenúncio do inverno no cerrado.

O ano termina hoje. Um ciclo de vida termina hoje. Um ethos finda seus dias no dia de hoje. Não poderia ser Samhaim se assim não fosse. O sol cede espaço para o frio, a semente remanesce latente ao solo, o que foi produzido e colhido agora será o fruto do qual iremos nos alimentar.

Samhain é uma época mágica de desnudamento dimensional. Honram-se os que se foram durante 3 dias e, sobretudo, 3 noites, ocasião em que acendemos velas para orientação dos que se perderam na trajetória ao cruzarem os mundos. 

Girando pelos oito sabás, Samhain marca a morte sacrificial do Cornífero - símbolo fálico de fertilidade - que, adiante, em Yule renascerá no ventre fecundado da Grande Mãe provedora. O Cornífero atingiu seu ápice de espargimento seminal, cumprindo a tarefa de povoar e disseminar. 

Como adulto e macho, Ele ruma para o direcionamento consciente do seu fim. 

Tragédia, fatalidade ou evitabilidade? 

Não importa, pois a narrativa celta marca - ao contrário da pegada grego-romana -  a adoração pelo abraço da morte, já que o destino nos encaminha para as moradas de nossos antepassados. O Deus morrerá no invólucro de uma roda para despontar revigorado em outra existência, razão pela qual Samhain e Yule se dão tanto as mãos!

A tessitura das fronteiras encontra-se tênue, ao mesmo tempo em que as vibrações findam por formar egrégora forte de conexão com o Outro Mundo na noite do dia 1o. da Maio, possibilitando toda sorte de comunicação com os antepassados. 

Sim, claro, já que a senda vivificada nesse dia invoca o perecimento do Deus Cornífero, o ato reverencial consiste na devoção aos que já foram. Por isso Samhain remonta ao silêncio, à austeridade e, sobretudo, ao respeito a quem não está mais em carne. 

O acionamento dessa egrégora é essencial para compor, noutro giro, a polaridade da realização do devir em Yule. 

Afinal, só podemos seguir e cumprir nossas metas fortalecidos e confiantes, tarefa assumida pela coligação ao passado e catalisada pela colocação de velas acesas (na cor laranja, roxa ou preta) nas janelas das residências [guiando os caminhos e abençoando os liames consolidados na noite sagrada].

A tradição recomenda, ainda, a colocação de comidas (à base de abóbora, cereais e carnes), acepipes e bebidas (vinhos quentes) a serem partilhados durante a noite para os ancestrais se nutrirem do alimento abençoado. 

Pode soar ingenuidade acreditar que não, mas os espíritos se nutrem dos campos eletromagnéticos elaborados em torno dos alimentos consagrados. 

Noite de queima, por excelência, dos agradecimentos pelas colheita, em ervas auspiciosas para tanto, como manjerona, manjericão, louro. 

Se a Lua estiver bem aspectada, faço, ainda, outra queima, de tudo de desejo alcançar e construir no ciclo seguinte, queimando com cravo, canela, gengibre, mirra ou alecrim. 

Escrevo tudo em uma lista, imanto a vontade em uma rima entoada ao som de tambores e sopro três vezes antes de jogar no caldeirão. 

De resto, reúna quem você mais ama e glorifique suas ancestralidade nessa noite auspiciosa! Seja feliz, forte e plena!



Um comentário: