sexta-feira, 30 de março de 2018

O simbólico, o incontido e a mágica: os sinais com que a vida nos brinda e a força que o Sagrado Feminino nos dá

A vida mágica ora opera no plano do simbólico, ora se concretiza no literal. Em um momento, podemos ter uma epifania olhando uma nuvem a se formar nos céus, em outro estamos a observar uma situação acontecer, de imediato. Ali, na lata...

Não importa, pois bastam conexão e harmonia para que a compreensão do divino possa se materializar em nossas vidas, deixando fluir a imanência da própria vida.

Prestar atenção aos sinais é uma forma de fortalecer essa importante conexão mágica, observando o silêncio e, sobretudo, como a existência se desdobra em nossa frente. É a sabedoria em olhar para a lição que está sendo trazida para nossas vidas, a partir das mais corriqueiras situações, que se interligam em uma teia causal de eventos que passam a ter sentido lá na frente...

Eis o meu sinal e minha história a partir dele...

Dias atrás estava simplesmente caminhando, voltando do mercado após uma aula de yoga na qual havia imantado o sankalpa AUTONOMIA (pois estava a experienciar uma situação em que me sentia frágil nesse sentido).

Simplesmente "do nada" (que não foi "do nada"), caí, assim, como uma jaca. 

Sim, estatelei-me. Foi engraçado. Olhei para o lado e um senhor, muito gentil, ainda tentou justificar o injustificável - "foi o degrauzinho que engana mesmo" - para me animar.

Olhei para ele e falei: "não, não, não, fui eu mesma". 

Consciência na queda. Algo a apreender naquele momento. 

Depois percebi que, átimos antes da queda, estava eu a pensar em um relacionamento que estava ruim. Em uma pessoa que estava em minha vida, solícita, alegre, saltitante, uma pessoa que se apresentou como a mais pura encarnação do altruísmo e da luz, namasté!

E caí!!!

Não, o degrauzinho me acordou, veio de encontro aos meus passos para me chamar à consciência para uma situação inóspita e desconfortável que instalei em minha vida a partir da permissão para que minha alma abrisse mão de sua autonomia. 

Poucos dias depois tudo fez sentido em relação à queda. 

Minha sábia mãe, bruxa mãe, comentou, no auge de sua intuição aguçada: "vai ver, ali, na queda, algo estava sendo mostrado a você". Prestei atenção nesse movimento para concatenar todo o desenrolar dos eventos e, mais uma vez, a sabedoria ancestral mostrou-me o acerto das coisas da vida.

Sankalpa, autonomia, relacionamento com a alteridade. 

O sincrônico foi a queda ter sido no mesmo local onde, dias antes, estive ali com a figura, aborrecendo-me deveras com sua insistência em pegar as compras do supermercado. 

Posso ser taxada de radical, feminazi, insensível. Não importa. Não se trata disso. Trata-se do sinal de alerta máximo que minha alma me deu. 

Cheguei até a verbalizar para a figura: "isso já é manipulação", não sem antes olhar sua cara de espanto quando puxei as sacolas, tal qual uma criança sabedora de sua arte se vê quando é descoberta... Quando é descoberta...

Na sutileza de seu ato falho que, nalgum dia, vem à tona, pois, afinal, gasta-se muita energia para a mentira. Cedo ou tarde tudo se revela diante da luz...

Sim, mas voltando ao assunto, não é por conta de alguém carregar uma sacola de compra que ocorre manipulação: ela se dá porque, ali, na recorrência de um padrão de altruísmo extremo, minha alma passou a se sentir sufocada com um zelo que começou a mostrar reais intenções.

Tanto que agora, depois de um tempo, outra sincronicidade: materializou-se para mim um vídeo muito interessante do Flávio Gikovate sobre como perceber uma pessoa dissimulada e cínica. Nunca tive a curiosidade de ver vídeos assim, pois, confesso exaustão em face dos tempos de terapia. Hoje agradeço aos deuses e às deusas por ela, pois isso e minha conexão com o sagrado que me permitiram sair de uma situação desfavorável. 

Quando vi o vídeo enxerguei o evento e me vi ali. Daí, como um flash, esses que nos lembram o túnel com a luz branca e o filme de nossas vidas, vi passar todo o enredo de uma situação de manipulação e engano. Um engano que começa em mim, claro, na auto ilusão que elaborei diante da alteridade, contando com a empatia da projeção no espelho de meus déficits e minhas limitações. 

Senti um ar de certeza e calmaria tão grande que decidi escrever às 03 da manhã (sim, hora mágica e auspiciosa, que só reforça a ideia e a sensação de estar no caminho certo da minha intuição) sobre essa experiência, pois, afinal, ela diz respeito ao Sagrado Feminino e em como, cada vez mais, as elaborações manipulativas vão se aprimorando e se tornando sofisticadas. 

Tive a oportunidade de escrever sobre isso no texto Misógino rehab: a mutação na contemporaneidade, onde abordo como as práticas de desrespeito ao Sagrado Feminino estão mais sutis, disfarçando-se em altruísmo, não raro com o discurso em voga de "gratidão", "namasté", "somos todos um" e outros tantos, que se destinam apenas a encobrir intenções mais espúrias. 

No caso narrado, o altruísmo em excesso encobriu o interesse em usufruir da boa-fé, hospitalidade e prosperidade. Esse último elemento, inclusive, expressamente declinado pela figura numa imprecação mágica feita em um ritual de gratidão, onde paradoxalmente agradeceu com uma mão, mas solicitou com a outra a prosperidade.

Aliás, uma observação: prosperidade sem pregar um prego numa barra de sabão, pois o ente não desejava mais "servir à Matrix" (outro peguinha da Nova Era, sem que se compreenda exatamente o que é isso): já tinha vivido de luz, feito cursos e tal, abandonando a vida "normal" e viajando pelo mundo afora na carona da cauda do cometa.

Agora desejava era viver da luz dos outros, a começar de uma espécie de pirâmide esotérica na qual seres de sociedades etéreas iriam dividir dinheiro com um grupo de desesperados (pausa para pegar fôlego: como assim, seres da mais alta celestialidade e do mais puro desapego, vão abrir cofres de vil metal e distribuir?)

Isso e mais, muito mais, fez com que, aos poucos, fosse me fechando, blindando minha alma já calejada por outras andanças. Quando dei por mim estava caída ao solo, tendo sido acometida por esse insight.

O mais mágico, porém, estava reservado para o dia do meu aniversário...

Todos os dias, ao sair de casa, tenho por hábito fazer minha conexão com o Sagrado Feminino durante o trajeto entre o condomínio e a pista, pois é um caminho lindo e inspirador.

No dia do giro de roda, saí de casa e mentalizei fortemente: conectei-me à Terra, à Água, ao Fogo e ao Ar, bem como à Deusa dos dez mil nomes, à ancestralidade sagrada. 

Liguei-me às entranhas da Grande Mãe, ao Feminino arraigado em mim. Enfim, foi visceral e uterino.

Falei com Ela que, no dia do meu aniversário, gostaria de ganhar um presente. Gostaria que a situação inóspita e desagradável fosse desvelada e se findasse por si só, que eu não me desgastasse ou sequer movimentasse. 

Pedi que, pela primeira vez em minha vida, não fosse eu a finalizar. Que, se fosse real, tudo permanecesse. Mas que, se fosse ilusório, que tudo se esfacelasse naquele dia e viesse à luz, à tona.

Estava feito...pois, mais tarde, recebi uma benigna mensagem da figura dizendo ter ido embora. 

Isso é realmente mágico. É o simbólico e o literal em uma mesma escala. É a vida no indizível a se mostrar. A me mostrar que tudo é um processo de causa e efeito desenrolado como um novelo de lã.

Estou, desde esse dia, em êxtase com a vida. Meu sankalpa - AUTONOMIA - reergueu-se com o renovado propósito de me ensinar mais uma lição. 

Uma que, nos últimos relacionamentos, havia eu esquecido, tendo sido lembrada pelos espelhos: compartilhar não é carregar outra pessoa nas costas. Não é sustentar alguém. 

Compartilhar é COM (ao lado de, ou seja, com igualdade, equanimidade, isonomia nos esforços) PARTILHAR (ou seja, partir, dividir), ou seja, agir e viver ao lado de alguém em paridade de esforços, olhando para o mesmo horizonte e dividindo o mesmo núcleo ético de metas. 

Quando isso acontece na polaridade masculino-feminino temos a união, a comunhão, a confluência de propósitos de vida legítimos e autênticos. Onde isso falta temos apenas processos de drenagem e vampirização. 

Saber discernir entre compartilhar e vampirizar, em meio à tanta sutileza manipulativa, é uma arte a se renovar constantemente. Apenas vivendo, caindo "do nada" e levantando para se saber. 

E agradecendo ao Sagrado Feminino por toda benignidade em nos proteger.

Céad mille fáilte!





2 comentários:

  1. Bastante interessante a vigilância vivenciada o conhecimento é para ser transmitido..Talvez mais informações de leitura e até mesmo conhecimentos mais basicos venha a oferecer uma concomitância a fim de espargir a renovação em almas ainda endurecidas.

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  2. Bastante interessante a vigilância vivenciada o conhecimento é para ser transmitido..Talvez mais informações de leitura e até mesmo conhecimentos mais basicos venha a oferecer uma concomitância a fim de espargir a renovação em almas ainda endurecidas.

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