terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

\o/ Dias mágicos: a austeridade do SÁBADO \o/

Sábado, um dia de etimologia muito interessante, originada do sabbatum, palavra latina que adveio do shabat hebraico, ao mesmo tempo em que também é indicativo do sabbat pagão, encontro lunar praticado principalmente na Europa. 

Quer seja em espanhol e galego (sábado), italiano (sabato) ou saturday (inglês), designa a reverência do dia de Saturno (dies saturni), sendo esse dia consagrado para a egrégora saturniana. 

Momento propício para trabalhar austeridade, cautela, sabedoria (no sentido de responsabilidade), bem como banimento, meditação, expurgo e recolhimento. Destruição, aniquilamento e transmutação também são atributos do dia.

Como Saturno é regente de capricórnio, nunca é demais também fazer referência ao esforço pessoal, ao trabalho, bem como ao amadurecimento e à seriedade, podendo ser também trabalhado o aspecto mais desafiador no mapa astrológico do indivíduo. 

Na cosmogonia celta, as deidades que se relacionam com tais referências são Morrighan, Cerridwen, Cailleach, Andraste em seus aspectos lunares de sombra meditativa. 

Cailleach é a anciã-mestre do Inverno, mulher de pele azul e de um olho só que protege os animais durante o inverno. Reza a lenda que seu olho tinha uma acuidade a alcançar 20 km à frente, em uma velocidade de percepção incomum aos mortais.

Fonte da imagem: http://www.thehedgewitchcooks.co.uk/wp-content/uploads/2013/09/Cailleach_crone-goddess-pic.jpg
Cailleach Bheur (Escócia) ou Cailleach Bhéirre (Irlanda) representam a soberania, senhora do frio, da terra, das rochas, dos rios, pântanos, mar e dos lagos, sendo a mais representativa e emblemática figura de respeito, reverência e ancestralidade dos povos. 

Toda a mudança climática envolve o sopro da presença da deusa anciã a deixar sua marca por onde quer que passe...

Isso tudo graças ao seu cajado mágico - slachdan - com o qual moldava a terram controlava o tempo e congelava o chão a cada toque (onde a deusa lançava sua lança nada crescia). De outra sorte, Cailleach transformava-se em pedra, tendo, assim, intrínseca relação com o submundo, já que seu nome traz à tona a menção de "mais sábia das mulheres". 

Ora representada totemicamente por uma coruja - oidhche Cailleach - ou pelo veado magro (inerente ao rigoroso inverno a consumir as forças), a deusa-anciã remonta à regeneração da Terra, já que desponta como a deusa da última colheita da roda do ano - Samhain.

A Morrighan, deusa reverenciada no dia 06 de janeiro,  é uma deidade densa, complexa e fascinante, regente da guerra, senhora da Morte e da expressão livre de uma sexualidade sem amarras pudicas. A força de seu arquétipo lembra a realeza e a grandiosidade da Terra, o poder inigualável que advém das entranhas da Natureza em sua forma mais rústica e sacral.

Fonte da imagem: http://3.bp.blogspot.com/-1hORrwE1OzA/TnoYyxuTddI/AAAAAAAAAHo/VtH-4nKb3LU/s1600/Morrigan4.jpg
Agrega, ainda, a força uterina que imerge tanto nos segredos da vida (já que o útero é o caldeirão criativo que acolhe toda a atividade poética de gestação) como da morte (bastando lembrar que o mesmo útero verte o sangue sagrado quando o óvulo não é fecundado: uma pequena morte mensal a que todas nós, mulheres, damos impulso naturalmente), tendo como animal-totem o corvo, ave que se refestelava nos campos dos dejetos dos guerreiros e das guerreiras mortos nas batalhas, ao mesmo tempo em que era "os olhos" da Grande Guerreira (quando não a própria incorporada na ave).

Ao lado de Badb (corvo) e Macha (senhora dos cavalos), Morríghan compõe a trindade deídica das filhas de Ernmas, ancestral matrística de BánbaFótla e Ériu (um dos nomes da Irlanda-esmeralda), trindade, por sua vez, originária do nobre povo de Errin. 

Cerridwen é a grande anciã que desejou presentear seu filho Morfran, também chamado Afagddhu com a poção do conhecimento e da magia, tendo em vista que a criança era horrenda. Chamou, para mexer o caldeirão, Gwion, aprendiz de feiticeiro que, posteriomente, transforma-se em Taliesin.

A poção era tão especial que apenas resultaria em 3 parcas gotas, que seriam sorvidas pela criança horripilante se Gwion, descuidado, não tivesse se queimado e, para conter o ardor, não tivesse colocado o dedo na poção e bebido todas as gotas. 
Fonte da imagem: http://2.bp.blogspot.com/-qQ6e2vB-v1I/T_NM335myKI/AAAAAAAACZw/zMZMMDRaUgY/s1600/celta.jpg
O bastante par desencadear a ira da mãe-Deusa-nutridora que, em nome da prole - e de si - lança-se, irascível, perseguindo Gwion até engoli-lo, como semente...eis o medo do desconhecido: ser "dragado" para o ventre da Grande Mãe e, com isso, perder-se em si, na dimensão da egrégora do outro. Todas essas deidades representam atributos de austeridade, sabedoria, morte e transformação, trabalhados neste dia de sábado. 

Bom proveito então!!!

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