sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

\o/ Dias de LUZ: Imbolc, Oimelc, Oímealg \o/

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Fáilte, Oimelc! 

Depois da finalização dos festejos de Brighid, estou postando algumas questões reminiscentes, 


"(...) chama na forja, que molda e tempera;
chama no caldeirão, que alimenta e cura;
chama na mente, que incita e inspira (...)"
(QUINTINO, 2002, p. 67)

O Festival de Brighid traz muitas curiosidades sobre a grande banfíle, filha de Dagda e grande ícone dos Tuatha Dé Danann, filhos de outro da Irlanda.

Separei algumas delas para começar o dia celebrando essa adorável deusa, regente das artes metalúrgicas (os celtas eram excelentes ourives), animais (sobretudo do gado), da música e poesia, medicina, cura, profecia e fartura (grãos). 

Conhecida como banfíle, ou seja, poetisa que imanta nos versos a profecia e adivinhação, Brighid nos remete à inspiração divina, linguagem mágica que embala a alma celta, povo conhecido por sua relação intrínseca com as artes e a erudição. 

Muito se propala nas propagandas ideológicas romanizadas sobre o caráter "bárbaro" e inculto dos celtas, mas, a bem da verdade, tal povo é nitidamente conhecido por sua altivez nobre, na austeridade do caráter que ovaciona o belo e o lírico. 

Cláudio Crow Quintino no Livro da Mitologia Celta (2002) traz uma série sincrônica de eventos e reminiscências históricas relacionando a vasta influência de Brighid na cultura europeia, a começar pela cristianização da deusa na figura de Santa Brígida.

A manutenção do fogo sagrado, reaceso em 1996 na cidade de Kildare (p. 74), é exemplo mais vívido da forte persistência do mito ao longo dos séculos, aliada à existência de quinze santas nominadas Brígidas atualmente reverenciadas na Irlanda. 

O autor chama a atenção para um ponto de extrema importância na mitologia que cerca a deusa: assim como todos os arquétipos celtas, Brighid também transita pela sombra. Segundo Quintino - estudioso de cultura celta - a palavra Brig, em irlandês arcaico, significa força e poder (p. 66), originando o radical que, posteriormente, desemboca na palavra briga (brig-a), ou seja, na desavença, luta ou combate. 

Como protetora do parto e das grávidas, Brighid era chamada pelas parteiras, por ocasião do momento em que a mulher estava para dar à luz (dar à luz, nada mais solar e devotado à deusa, aliás), que abriam as portas da casa e convidavam a banfíle a entrar e ajudar no momento. 

Curadora!

O festival de Imbolc por aqui no cerrado teve um significado especial esse ano, pois nos reunimos em um almoço no último dia de comemoração, em uma egrégora de muita diversidade e compartilhamento. 

Queimei a cruz do ano passado, bem como produzi as cruzes do ano, para contemplar pessoas queridas. Minha cesta ficou cheia e fiquei muito feliz. Tinha cruz de Brighid para todos os lados: com flor do cerrado, sem flor, grande, pequena. Todas para as pessoas poderem pendurar em locais de proteção. 

Mais à noitinha, reverenciando a nobreza da retidão de caráter de Brighid, acendi as velas, conectando-me aos segredos e mistérios e senti. Apenas senti o crepitar da chama sagrada da deusa. 

É o sentir. O viver a cada dia. O bastante. Sem teorizar. O viver é o fazer, o sentir, o pensar e o agir. 

Heya!

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