quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

\o/ Simplesmente GRATIDÃO!!! \o/

Fonte da imagem: http://1.bp.blogspot.com/-nmquqEbuWlE/U9zBS-mJwMI/AAAAAAAABdA/HLiMyKzjlOQ/s1600/espiralar-te-compasso-e1350864131446.jpg
Hoje saí de casa para "tomar um ar" (e pagar duas contas de luz), depois de passar um tempo isolada, curtindo minhas férias envolta em meus pensamentos e reclusa na plenitude do silêncio. 

Comecei o caminho de volta para o convívio com o mundo - pois daqui a pouco findam-se as férias e retomo a rotina diária de afazeres formais - e, para fazer isso harmonizando a alma sem traumas, pouco a pouco começo um périplo.

Primeiro, arriscando-me a sair mais de casa para observar a vida e o cotidiano das pessoas. Faço passeios, encontro com amigos, organizo reuniões e confraternizações clânicas em casa. Revejo e reponho meu estoque de ervas e produtos. Vou fazendo isso até o momento em que se estabelece um significativo (re)encontro com as práticas diárias. 

Ontem mesmo fiz isso, recebendo uma querida amiga que reside fora de Brasília (a Dani, que tem um blog muito bom, chamado danielaemprego.blogspot.com.br), em um momento muito especial de renovação de lembranças sobre momentos felizes em nossas vidas.


Eu e Dani
Embalada por esse espírito renovador de jornada, hoje, enfim, desci para as referidas contas...

Poderia ter pago aqui mesmo no Jardim Botânico, mas estava saudosa de tomar ar fresco no rosto e percorrer as largas ruas de uma Brasília maravilhosamente vazia e amena nessa época auspiciosa do ano (agora é estação de chuvas no cerrado, sincronizando, assim, os hemisférios sul e norte em uma egrégora, digamos, invernal). 

Desci para o Plano Piloto e, a cada quilômetro percorrido com o elemento ar acariciando minha pele, fui caminhar até o banco, não sem antes perceber na sutileza dos movimentos da Natureza significativos e intensos sinais para a celebração de novos ciclos, por intermédio da palavra GRATIDÃO

Isso somente é possível ante o silêncio...

Foi o que senti, sendo extremamente difícil traduzir ou conceituar aqui em palavras a intensidade do arrebatamento de gratidão de que me acometi durante o percurso. 

Passei embaixo de uma árvore de onde caíam flores amarelas em uma chuva dourada a formar um tapete aveludado em meio à umidade a adornar, como uma moldura, esse lindo quadro. Vi flores e folhas caindo, sentindo uma leve brisa de finalização e gratidão por tudo que experienciando estou a cada dia. 

Quando nos afastamos do ruído e nos permitimos apenas sentir esse "aqui e agora", a mente se aquieta o bastante para o mergulho no autoconhecimento, permitindo, com isso, a imersão em questões que usualmente acreditamos se encontrar fora de nós: esse é o desafio pessoal que nos envolve e abraça a cada átimo de segundo de nossas vidas. 

Afinal, quantas e quantas vezes acreditamos que a responsabilidade reside nas condutas dos outros, repetindo padrões e incidindo nos mesmos dilemas, numa sensação de "efeito carrossel"? 

Reclamamos de expectativas frustradas, imputamos a outrem falhas e frustrações, apontamos diuturnamente o dedo para um espelho que insistimos em não enxergar.

Ante a quietude, contudo, é possível voltar a atenção para nossas atitudes e reproduções, chamando, assim, de volta, a responsabilidade por nossas escolhas. Tal caminho oportuniza a contemplação do padrão, bem como sua modificação, para que possamos passar adiante, em novas lições que exsurgem em nossos horizontes. 

Essa é uma senda pessoal, intransferível e, sobretudo, solitária. Não em um sentido sacrificial de vazio pejorativo, mas da autossuficiência espiritual necessária para as curas e os desafios nessa existência. 

Quando isso acontece, uma descarga de beneplácito parece nos conectar com a imensidão do Universo, acarretando, assim, os lampejos de consciência e os colapsos quânticos que nos permitem avançar na jornada moral e espiritual.

Ao invés de enxergar no outro o "déficit" ou a "falha" (palavras inadequadas, mas que expressam, em algum momento, o espasmo emocional dos egos feridos), passamos a observar dentro de nós os desafios a enfrentar.

Isso é mágico: quem poderá negar? 

Afinal, magia é transformação da realidade que aparentemente não estabelece pelas vias causais ordinariamente visíveis nas relações de causa e consequência. De fato, quando olhamos apenas para o outro, a relação causal a se repetir petrifica-se em rotinas em relação as quais perdemos, pouco a pouco, poder de transformação.

Mas quando o véu dessas ilusões de imutabilidade se desfaz, o aparente inimaginável acontece, para espanto do/as incrédulo/as: olhamos para os eventos e, com toques sutis, transmutamos e transformamos tudo ao redor.

Quem poderá negar a magia disso? 

Por isso me espanto, ainda, ao me deparar com fórmulas complexas de ritos, rituais, procedimentos de conexão com o sagrado, pois tudo é muito mais simples e paradoxalmente mais complexo do que queimar incenso e invocar deidades. 

A verdadeira arte mágica encontra-se na VIVÊNCIA desta senda. Acima de tudo, na entronização do que é realmente relevante nesta vida, plasmando em nossas práticas o que está em consonância com nossa alma. 

No dia-a-dia da celebração do nascer do sol, do agradecimento por cada dádiva recebida ao longo do dia. Pela convivência com quem nos é caro, bem como pela devoção ao estado sagrado de Natureza. 

A magia, para mim, não é um "gatilho" a ser acionado para a resolução de um problema imediatista (quase sempre relacionado com amores, relacionamentos, vida profissional e financeira, como vemos nas promessas feitas por gurus de plantão). Trata-se de um estado de alma, e não de um instrumento efêmero de auto realização. Mas, claro, essa é minha opinião, baseada na percepção em face do que vivencio aqui. 

De tempos para cá tenho vivido intensamente isso, por intermédio de providenciais reencontros com pessoas do passado, que me mostraram o quão arraigada posso ainda estar em meus padrões, o bastante para me permitir realizar escolhas que me trouxeram exatamente para o mesmo ponto não finalizado com esses entes queridos. 

Grata, grata e grata!!! Céad mille fáilte!!! É o que posso dizer em retribuição ao bem enorme que produziram para a (re)elaboração da jornada.

Interessante que, à medida em que recobrava a memória emocional do que foi vivido, inicialmente me percebi nessa lógica de atributividade, imputando ao outro as mazelas do que, no fundo, é resultado direto de minhas escolhas determinadas por padrões. 

Cheguei a me desentender, claro, pois, afinal, olhar para o espelho choca o ego acostumado a ver tudo na autorreferência. 

Por outro lado, ao descobrir isso paulatinamente, deparei-me com a simplicidade de me voltar para meu eixo, observando, com isso, o paradigma então dominante em mim. Um universo inteiro se revelou. Revela-se, já que o fluxo de transformações não se acaba.

Passei a ver o outro e a experiência repetida com o outro como a projeção do que empurrei para debaixo do tapete. Uau! Que descoberta! Não se trata de racionalização - pois sempre temos um tratado sobre isso - mas se sensorialmente internalizar isso em nível emocional (epicentro do repeteco), ascendendo-se para o plano espiritual. 

Se não posso mudar mais o passado dentro de nossa física newtoniana, ao menos posso transformar o fluxo causal do presente e do futuro com essas pessoas, apenas não ME PERMITINDO mais repetir histórias que têm os mesmos protagonistas e enredos. 

Alguém pode argumentar que as experiências e as pessoas são distintas. Ou, ainda, que "pessoas podem mudar". Aliás, creio que isso já se tornou um clichê sedutor o bastante para nos encaminhar para o conformismo em repetir a escolinha da vida. 

Sim, claro, mas quando se trata da REPETIÇÃO de mesmas experiências com as mesmas pessoas, não se trata mais de imprevisibilidade ou possibilidade de mudança, mas de determinismo resultante da falta de clareza consciencial. Ou seja, operando no automatismo e na reprodução do padrão que nos leva a sempre incidir nas mesmas escolhas.

Diante disso inexiste inovação: padrão é padrão. Manter-se-á num continuum temporal, que pode levar anos, séculos, milênios ou eras, se é que pode mudar. Não sabemos. Simples assim. Para seguir adiante é vital romper esse liame, ainda que seja tormentoso para nosso ego (que sempre deseja, deseja e deseja).

Três experiências interessantes marcaram, em uma providencial sequência, a clarificação do meu foco, por intermédio da explicitação do padrão. 

Pessoas que me mostraram - em espelho - o que preciso ainda desenvolver, quais os medos a superar. Rupturas aconteceram a tal ponto que, invariavelmente, creio ter havido uma separação de trajetórias em rasgos colossais o bastante para não se firmarem mais os vínculos de outrora. 

Manter-se-ão, ao menos, vínculos? 

Não sei, pois as experiências trazem também para os interlocutores a possibilidade de reavaliação de suas idiossincrasias, já que o processo dual de interação supõe o compartilhamento. 

De qualquer sorte, não cabe a mim a decisão. 

O que posso e desejo realizar, cada vez mais, é essa constante e lânguida observação de meus padrões, tarefa essa que, a cada dia, traz mais e mais sentimento de GRATIDÃO. Eis o sentido mais singelo da impressão em nossas vidas de experiências que podem ter trazido dimensão de dor, mas que, ao final, superadas as lacerações do ego, mostram o quanto a alma se lapida.

Que venham, então, mais e mais experiências de gratidão!!!!

Fáilte!


Fonte da imagem: http://orig13.deviantart.net/a76e/f/2007/116/4/4/colored_triple_goddess_tattoo_by_roguewyndwalker.jpg





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