sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

E a roda vai girando...Que roda? Que giro?

Fonte da imagem: http://1.bp.blogspot.com/-SFmnuJZUrZ0/U9G-2jsnpMI/AAAAAAAAAE8/me2k7WaxhYk/s1600/yulelogentry.jpg

Dezembro em pleno ar e, quando me dei conta disso, percebi que fiquei afastada da "blogagem" por um tempo, o bastante para sentir falta de um bom bate-papo de final de ano. Um bom tema, aliás.

Final do ano...

Férias, ruas vazias, aviões decolando. 

Gente para lá e para cá, na correria, disputando brinquedos, perus, fios de ovos. 

Todo final de ano é sempre assim, uma espécie de desespero generalizado, como se o mundo fosse acabar e, no meio da hecatombe, as pessoas precisassem de felicidade meteórica, aquelas do tipo "então é Natal" entoada pela Simone todos os anos nos alto-falantes das lojas de departamento. 

O tempo de "ser feliz", dentro disso, parece se resumir ao bom e velho peru - agora a Fátima Bernardes, ganhando milhões, empurra o fiesta pela nossa goela na propaganda de uma ave descolorida e artificial (seria um alien esse fiesta?) - ao consumismo. 

Ou então, à egrégora fictícia de paz, amor, perdão e felicidade, alojando familiares que não se suportam o ano inteiro na confraria hipócrita de um jantar que se destina a provocar espasmos gastro-intestinais. 

Independentemente de uma ou outra perspectivas (ou de várias mais), a roda, enfim, do mundo-estruturado-no-paradigma-dominante-judaico-cristão, parece girar agora e, no meio disso, a pergunta que não quer calar: como sibilar em meio dessa roda quando se está noutro giro? 

Pergunta pagã, claro. Afinal, o ano novo celta e pagão foi-se em 31 de outubro para o giro do norte, ou, então, irá em maio para o giro do sul. estamos caminhando para Yule no dia 21 de dezembro. Socorro!!!

Que loucura, não?

Até que não...

Viver uma egrégora é, sobretudo, uma experiência pessoal e dependente de uma profissão de fé. Um modus vivendi nos impelindo aos costumes que, por sua vez, motivam a centelha da percepção e da sensorialidade. 

Interna, emocional e espiritualmente, é bem plausível observar a roda crística sem, contudo, vincular-se ao calendário gregoriano, bastando pura e simplesmente prosseguir na vivência da senda.

Não comemoro o Natal. 

Comemoro Yule. 

Sinto a energia inerente a esta data, mas, claro, respeitando com o maior carinho a comemoração cristã, por reciprocidade. A sensação é bem interessante, como se eu estivesse imersa em uma realidade, sentindo fluxos e influxos dela, sem, contudo, imergir em sua egrégora.

Uma egrégora em meio a outra egrégora. Ao lado, por sobre, sei lá. Não importa bem o sentido, mas, antes, apenas a percepção de existência de pluralismos na vivência do Sagrado. 

Isso é muito interessante como forma legítima de autoconhecimento, uma vez que, por óbvio, essa preferência traz sempre a curiosidade de quem reverbera a energia do padrão de final de ano. 

Algumas pessoas acreditam piamente que sou uma infeliz, trancada em casa com gatos, cachorros, solitária, sozinha e depressiva, por não estar com a célula-nutriz da sociedade: a sacrossanta família. 

Outras pessoas tentam me converter, em uma árdua batalha - já perdida - de proselitismo arcaico, que procura sempre deslegitimar as bases da fé que professo. O que é engraçado, já que subverte a máxima de amor ao próximo (o que denota, claro, respeito). 

A família - eclética, desde espíritas e adventistas - tenta se reunir, embalada pelo espírito da compaixão e do perdão, ainda que tenha ficado às turras durante os outro nove meses do ano. O peruzão vem para sedimentar a volta do filho pródigo ao lar. Da filha, no caso.

Nada disso me apraz. 

Não estou depressiva, não sofro de solidão, não ficarei sozinha com gatos e cães. Simplesmente a famosa noite de natal é uma noite como outra qualquer para mim. Ponto. 

Meu dia de força aloja-se em 21 de dezembro, no solstício de inverno para o hemisfério norte, ocasião em que o Deus-menino nasce do ventre de sua mãe-amante (bom, não vou comentar a compilação feita disso pela I.C.A.R, com a finalidade de facilitar a conversão dos pagãos). Promessa de vida, de júbilo.

Esse, enfim, é o pulsar em meu coração. 

A despeito do hemisfério sul comemorar Litha no giro da roda de chegada do verão, aqui no cerrado a estação é bem chamativa: chuva, chuva, chuva, com o frescor de um friozinho úmido, que não lembra tanto o verão, mas um inverninho. 

O cerrado tem dessas coisas mesmo. Tudo muito específico e diferente, o bastante para que as tradições do norte possam ser mantidas. 

Então é Yule...

Fáilte!

Fonte da imagem: https://creerparacrear.files.wordpress.com/2011/08/arbol-de-la-vida-celta2.jpg





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