domingo, 8 de novembro de 2015

Querer, ousar, saber...calar!

Fonte da imagem: http://www.osmais.com/wallpapers/201208/riacho-floresta-wallpaper.jpg
Cresci ouvindo as chamadas virtudes dos elementos - no meio hermético também relacionadas aos pilares de Salomão, para quem deseja aprofundar mais as leituras - materializadas em uma ação específica para cada um desses componentes mágicos que formam o Universo.

O fogo, no desejo ardente que nos leva ao querer, a iniciativa da busca por aquilo que almejamos. Não me refiro a um objetivo frívolo, mas a constante pulsação da alma imbuída da necessidade que nos leva à superação de nossos limites, no sentido de alcançar o que eleva nosso estado de alma para a realização e a plenitude.

A água em seu balé incontido, que se irradia na flutuação com que busca os locais mais inusitados para se espargir (eis a ousadia), cortando vales, sangrando montanhas e alimentando pastos, sangue dadivoso que imprime vida ao Planeta Terra, ao mesmo tempo em que nos purifica, limpa e nutre. 

O ar, domínio da mente, do conhecimento traduzido nos registros visíveis e invisíveis que nos trazem evolução e sabedoria. O saber do etéreo que se abre à sensibilidade de quem se permite penetrar na senda do autoconhecimento, conduzindo aos deuses nossos pensamentos mais abscônditos e profundos.

No calar, eis a virtude da Terra. 

Domínio do silêncio na densidade com que os átomos se mantém na oitiva de toda a reverberação do que está planificado no mundo. No silêncio, podemos desfrutar da magnitude do Universo, ouvindo, paradoxalmente, no silêncio, a mensagem que Ele nos traz.

É tempo de calar, eis meu tempo de calar. 

Falar menos, ouvir mais. Fernando Pessoa já falava que "existe no silêncio uma tão profunda sabedoria, que às vezes ele se transforma na mais perfeita resposta". Sem clichês ou julgamentos, apenas o silêncio que fala por si. 

Ouvir as batidas do meu coração e descobrir nelas a conexão com a batida da Terra. Ouvir as batidas do meu coração e me guiar por elas, pois só o coração se afina na linguagem de descoberta do Infinito. Simplesmente calar. Calar por calar. 

O calar para o saber, pois, afinal, só é possível a pretensão do conhecimento quando se supera o atropelo do ego desejoso em vociferar palavras, para, a partir daí, atingir a omnisciência do oculto que se apresenta, muitas vezes, como inatingível diante da agitação das cordas vocais.

Calar para ouvir o cântico das cigarras anunciando as chuvas. Calar para ouvir o som das águas se preparando para a derrocada da seca. Calar para deixar fluir a leitura dos sinais que a vida traz, o tempo inteiro, à nossa porta, lembrando-nos de que é o momento de respirar e pulsar.




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