terça-feira, 21 de abril de 2015

Observando os sinais indicativos de um ritual bem-sucedido

Fonte da imagem: http://www.cleanitlondon.co.uk/wp-content/uploads/2013/11/fairytale-tree-tunnel-ireland.jpg
Explorando as redondezas de onde moro, fui surpreendida pela informação providencial de existência de um córrego ao final da minha rua (na verdade, são dois córregos!). Havia me programado para explorar o local há duas semanas, mas somente hoje pude desacelerar o bastante para me permitir maior contato com o elemento água, pois precisava finalizar um trabalho mágico.

Havia feito um ritual de desenlace de vínculos na Lua Minguante e precisava depositar os dejetos de ervas queimadas em água corrente: eis o motivo principal de buscar as águas correntes (ainda mais depois da chuva purificadora) para literalmente "levar" o que não mais reverberava dentro de mim.

[Uma brecha aqui para sempre frisar não achar interessante o trabalho manipulativo. Afinal, que precisa modificar padrão sou eu e, com isso, mais coerente e menos narcisista fazer um ritual mágico para mim, e não - como vejo nas propagandas - para outra pessoa. Isso denigre o livre arbítrio, além de atrair a reação causal em face do desencadeamento de energias do Universo].

Por outro lado, minha experiência de "adaptar" a água corrente à tecnologia da descarga do vaso sanitário não deu muito certo, uma vez que entupi, por diversas vezes, o vaso (sem que os dejetos descessem, o que foi significativo demais).

[Ou seja, em um ritual no qual você tenha que se desfazer dos despojos em água, não sugiro o vaso sanitário se o "espólio" for muito volumoso. No meu caso, além de gastar um litro de álcool, pois a transmutação estava difícil, precisei empenhar muitas ervas, enchendo meu caldeirão o bastante para que o volume fosse inadequado para uma simples descarga...ou duas...ou três].

Pois bem, dirigindo-me para lá com o caldeirão, vi uma curva que desembocou no córrego. Estava cheio e ainda úmido por causa da chuva que hoje precipitou. O solo era bastante argiloso e, confesso, tive receio de cair (considerando meu histórico de reincidências).

Estava ansiosa para me desfazer dos despojos, pois não gosto de ficar guardando esse rescaldo de desconexão, ainda mais em se tratando de um final de ciclo de relacionamento, que nos impele à reciclagem energética para a desobstrução de canais e caminhos.

Segura de estar tomando a decisão correta, peguei o caldeirão e me dirigi para a margem do córrego, não sem antes pedir autorização para os protetores do local e me conectar com tudo. Foi quando, por ínfimos segundos, pensei comigo se o ritual teria dado realmente certo (são aqueles momentos de insegurança, quando a fumaça de dúvida paira em nosso horizonte, mas sem maiores proporções). 

Daí me lembrei de uma postagem que fiz no início de março deste ano, chamada Símbolos, signos e sinais: o recado auspicioso do Universo para o bem viver, na qual desenvolvi algo sobre a importância focarmos nos sinais para realizarmos nossas escolhas.

Diante desse lampejo observei algumas situações interessantes. A primeira delas foi o fato de não ter caído ou sequer escorregado durante o trajeto, o que seria razoável de acontecer, até por conta do terreno argiloso e escorregadio (aliado ao fato de ser essa uma das minhas lições nessa existência: cultivar a paciência diante do fato de ser estabanada quase sempre). 

Tudo deu certo: peguei o caldeirão, dirigi-me até às margens e o esvaziei, não sem antes agradecer e pedir para que levasse embora o despojo do que foi finalizado. Fiquei observando a velocidade da corrente, que logo abraçou a massa ressequida de ervas queimadas, fazendo-as desaparecer na submersão veloz.

Com leveza no coração (o que já é um excelente sinal), voltei das margens do córrego, não sem antes observar voando perto de mim uma linda borboleta de asas azuis, chamando a atenção com sua coloração vibrante!!! 

Foi o bastante para que eu tivesse a certeza de que tudo estava resolvido. Lembrei-me, logo de cara, do exemplo da pena do corvo que Laurie Cabot mencionou em seu livro...

Certa de tudo ter dado muito certo, voltei para minha casa - bem pertinho dali, que benção - com leveza na alma, o que me faz sentir e acreditar que a síntese da plenitude reside na oitiva da voz do coração!

3 comentários:

  1. Excelente história. E por falar em sinais, quedas também têm um significado interessante. Demonstram combate, batalha, superação, pois antecedem uma elevação, um surgimento, uma subida que leva ao apogeu da alma. E o fato de você ser estabanda reforça a ideia.
    E borboletas, nem é preciso dizer que seu significado de renascimento, metamorfose, renovação que purifica o recomeço, também geram essa sensação de liberdade e plenitude.

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  2. Sim, acredito que sejam símbolos quase universais, a despeito de sua percepção depender da experienciação de cada um. Para mim, trata-se do momento até aqui vivido, com gratidão e plenitude. Grata pelo comentário!

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  3. São realmente universais, mas cada um guarda um segredo que nem todos percebem, ou nem fazem questão de perceber.
    Às vezes, uma simples rosa isolada, ou um jardim bem cuidado numa casa. Tudo tem um significado, universal, porém individual.
    Sinais de um ritual bem-sucedido, ou sinais de um recomeço.
    Outro dia caminhei lado a lado com um gato, numa rua deserta, por uns 10 minutos, até tomarmos caminhos diferentes.
    Mas é isso aí, gratidão e plenitude.

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