domingo, 8 de março de 2015

Todo dia é dia de celebrar o Sagrado Feminino!

Fonte da imagem: https://filhosdegaia.files.wordpress.com/2013/04/imagem_4.jpg
Geralmente se comemora no dia de hoje, 08 de março, uma data especial de prestígio a nós, mulheres. 

Rosas são entregues nas entradas de supermercados, restaurantes, bem como lembrancinhas e promoções coroam o ir e vir nos shopping centers por todo esse vasto Brasil. 


Optei, contudo, por não sair de casa, pois ainda percebo nessas "boas práticas" um ranço de machismo subliminar que, sinceramente, não me atrai nem um pouco. 


Também não vou me ocupar de fazer um manifesto sobre o feminismo e a necessidade da conscientização das mulheres brasileiras, porque, sinceramente, acredito que autonomia e autoestima não são extorquidas por discursos inflamados e compartimentados em -ismos limitadores do espírito. Meu único propósito consiste no viver e nos rumos que isso - o que, por si só, já constitui uma grande tarefa - trará. 


Os rótulos, afinal - sempre os rótulos - acabam nos reduzindo a pequenas possibilidades diante do inevitável espetáculo que é o humano. O caminho do meio me levou a ficar quietinha em minha toca.


Ficar em casa é a maior comemoração que poderia ter, pois, ao final, posso passar o domingo na companhia de quem verdadeiramente me compreende e respeita no que trago de mais singular na essência feminina, fora dos limites que os estereótipos de gênero usualmente impõem às relações sociais. 


Fazer um delicioso carneiro ao forno, plantar mudas de boldo e amoreira e interagir com o silêncio da alma são a melhor maneira de comemorar a repetição do que tenho como diuturnos "dias da mulher". Para lá da cultura feminista e pós-feminista, o importante, aqui, é saber que trago dentro de mim o espasmo da criação, bem como a centelha renovadora a embalar as sementes que poderão mudar o mundo.


Ah, sim, rosas!


Ganhei a mais bela, que não foi cultivada para morrer em nome do marketing: ao acordar e sair no jardim, deparei-me com um lindo botão de rosa vermelha, ainda pueril, balançando ao vento. Ao invés da morte, celebrei a vida com o singelo botão que me brindou com seu carmim. 


Vi a dança renovadora da vida e da morte, pois trouxe da minha antiga casa uma rameira de amoreira, para ser plantada aqui. A árvore-mãe foi derrubada lá, não sem me trazer uma dor no coração, uma espécie de pontada. Mas respeitando os ciclos, contentei-me em trazer um galho (olho) de amoreira, torcendo para a amorosidade converter em árvore a delicadeza desse raminho tão querido.


Nascer, plantar, criar, gerar: marcas do Sagrado Feminino, ou, como apregoam as ecofeministas, o baluarte do vínculo entre a mulher e a terra. A preocupação com o ambiente e com a terra nos fazem recuar no tempo, para as épocas remotas em que a mulher era venerada como a única criadora da Terra. Hoje esse sentimento perpassa a percepção de gênese humana, para abrigar tudo que diz respeito a se elaborar algo, a se deixar uma marca nesse planeta.


Deixar árvores, reciclar lixo e cultivar uma hortinha estão no retorno ao simples. Esse é meu sincero voto de felicidade no dia da mulher. Todo o resto é simples especulação discursiva. E de discurso o mundo está cheio!

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