sábado, 14 de março de 2015

Símbolos, signos e sinais: o recado auspicioso do Universo para o bem viver

Fonte da imagem: http://cafecomjung.blogspot.com.br/2013/05/sol-e-lua-astrologicos-em-uma-visao.html
Relendo um dia desses Laurie Cabot, deparei-me com um relato dela sobre a importância que os sinais tinham em sua vida, bem como a necessidade de se considerar cada informação latente contida no sinal como um providencial recado do Universo para nossa experiência terrena. 

Ela ilustrou o assunto com uma situação pessoal, na qual se encontrava em dúvida sobre determinado assunto (acredito ser algo em torno de um aluguel de uma casa, uma mudança ou similar) e, enquanto pensava nisso, uma pena de corvo quedou à sua frente.


Essa aparente "coincidência" a encaminhou para um desfecho bastante positivo em relação à dúvida na escolha de um caminho, o bastante para que, doravante, começasse a se lançar na decisão pautada em cima de sincronicidades. 


Isso me levou a refletir sobre o papel que os sinais exercem em nossas trajetórias e a influência profunda (ou não) do que também os símbolos nos revelam. Em relação a tal, vale muito a pena me apropriar da literatura psicanalítica como meio interpretativo de tais eventos, uma vez que se passam nos abscônditos refúgios da psiquê humana.


Ao criticar o pensamento freudiano, Carl Gustav Jung vê nos símbolos idéias intuitivas ainda não formuladas, diferentemente do que Freud expunha como "conteúdo consciente". Assim, uma chave, por exemplo, - que, para Freud, encerraria um conteúdo consciente de abertura, introdução fálica ou algo parecido - não simbolizaria explicitamente isso, mas, antes, englobaria a ideia AINDA não convertida no conteúdo abertamente consciente. O inconsciente - sobretudo, o coletivo - traria o preenchimento do que o símbolo representaria de fato. 


Nesse contexto, todo símbolo, ao ser desvendado a partir dos meandros dos processos intuitivos e inconscienciais, poderia trazer significados específicos, hábeis a nos mostrar percursos e escolhas ainda não acessadas no plano consciente, mas perfeitamente elaboradas no plano do inconsciente, como no caso da pena de corvo que, para Laurie Cabot, adquiriu um significado especial de representação positiva de uma escolha. 


Comecei a prestar atenção a esses pequenos detalhes em relação ao espaço que os símbolos ocupavam em minha vida e descobri - ao longo do tempo - que isso é efetivamente real e produtor do que as pessoas menos atentas chamam de "ato mágico". Nada de sobrenatural: apenas outro plano de consciência e compreensão da ligação invisível entre cada elemento da Natureza. 


A partir do momento em que nos entregamos a esses mistérios, a vida corre com a fluidez necessária para que, mais e mais, adquiramos uma singular sabedoria, incomum e despercebida aos olhos de outras pessoas, mas compartilhadas por quem sibila na mesma sintonia.


Uma ave no céu, uma pedra diferente que se coloca no caminho, ou, ainda, uma chuva providencial no céu: símbolos de libertação, superação de obstáculos ou purificação. Os símbolos passam uma mensagem totalmente dependente do acervo de cada um de nós. Ainda que conectados pela universalidade do inconsciente coletivo - epicentro, segundo Jung, do repositório simbólico primitivo a inspirar a humanidade em sua caminhada - todos nós trazemos nosso próprio "vocabulário" e patrimônio interpretativo sobre cada símbolo.


Com isso, o que poderia ter um significado para uma pessoa pode ter outro completamente distinto para outra. Eis a razão pela qual já me posicionei contra esses manuais de interpretação de sonhos, já que trazem simbologias genéricas sobre cada um dos conteúdos oníricos. Depois passei a fazer uma espécie de "meio termo" entre o ceticismo e a dogmatização cega, uma vez que os significados ali contidos podem representar que está registrado no inconsciente coletivo.


Se, por um lado, os símbolos marcam conteúdos da psiquê, os sinais, de outro, indicam nortes ou direções possíveis, dentro do alcance do que os primeiros acenam. Tudo funciona de uma forma perfeita, na qual se pode caminhar sem medo de errar. O caminho para esse tipo de conhecimento, contudo, não se encontra na mente intelectiva, mas nos mecanismos intuitivos, que podem se materializar desde uma "voz interior" explícita até mesmo somatizações (como pontadas no estômago, sensação de gravidade zero etc.).


Quando a voz da intuição dispara o alarme está na hora de parar, respirar e perceber os símbolos e os sinais, lançando-nos no caminho. Adoro a figura mítica do Louco do tarot mitológico de Liz Greene, que espelha uma pessoa fora dos ditames do mundo racional e que se encontra à beira de um precipício, contemplando o caminho ainda desconhecido e sendo totalmente guiado por esses processos inconscientes e primitivos. É o retorno ao berço primevo de nossas essências, que manifesta, no plano dessa existência, a exigência de escape do automatismo que tem levado a humanidade à bancarrota.

Fonte da imagem: https://s-media-cache-ak0.pinimg.com/236x/28/0f/93/280f935b368c0a67adfd3b16d5603a81.jpg 



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