sábado, 7 de março de 2015

Quando o fim é apenas o começo...

Fonte da imagem: http://www.kern-photo.com/wp-content/uploads/2012/08/wpid-ireland-landscape-tips-tricks-3-2012-08-5-14-00.jpg

Tudo inevitavelmente caminha para um fim, essa é a constância da Natureza: entropia e vazio...Não O fim, mas UM fim, término de ciclos que antecipam novas vivências. O fim é motivo de festejos, ao anunciar a reinvenção de nossas trajetórias.

Tenho pensando muito em sair das redes sociais e, depois de ponderar bastante, decidi - nas últimas semanas - deixar o facebook. Foram seis anos de compartilhamentos, alegrias, tristezas e, sobretudo, muita, mas muita observação do fluxo de constantes informações e dados.

A empiria e, mais, a auto reflexão, fizeram com que eu paulatinamente me ocupasse em chegar a esse ponto da minha trajetória. Estou me preparando para deixar as páginas de facebook, não sem antes tomar a cautela - cuidado com as pessoas que me são caras - de informar que nas próximas semanas deixarei de participar desse espetáculo circense. 

Em seis anos deixei de viver momentos de silêncio com a Natureza, deixei de investir no meu projeto pessoal, sobretudo aqui no blog. Percebi que, durante esse tempo todo, o aumento progressivo de postagens no facebook foi inversamente proporcional às postagens aqui. 

Acredite que essa rede social poderia possibilitar a reflexão e o compartilhamento de vivências. Mas hoje, mais madura e cônscia, cheguei a algumas conclusões. Encaro-as com gratidão e naturalidade. 

Foram seis anos em que emburreci como ser humano, trocando as teclas de meus artigos pela janelinha de virais, mêmes e outros nomes que custo a decorar, pois não são da minha época (na qual amizades se cultivavam apertando as mãos e olhando-se nos olhos). 

Frustrei-me, pois, além de me deparar com recorta e cola acrítico e acéfalo, ainda purguei amargas sensações de engodo, quer seja nos virais fake, perfis fake e, sobretudo, pessoas fake. 

Fotos postando alegria enquanto a vida se despedaça em pleno ar, notas de dinheiro mostradas como apanágio da boa vida, enquanto o SERASA e o SPC carcomem os bolsos desesperados em mostrar uma vida que não se sustenta. 

Egos e guerras ideológicas, religiosas (em todos os setores, dentro e fora da cristandade e do paganismo, o que me deixou sem a menor vontade de falar, comentar e compartilhar). No paganismo, em especial, a frustração se multiplica, pois esses dez últimos anos têm servido de azo para uma proliferação de ataques pessoais e trocas de acusações que denigrem a imagem e a prática da bruxaria no Brasil. 

E mais. 

Deixei de viajar e sentir o vento, por me ocupar com murais, fotos, caras e bocas. Deixei de ficar no silêncio da minha casa e na companhia dos meus familiares por me prostrar sentada em uma cadeira - com a boca cheia de dentes vendo facebook e esperando a morte chegar, para parafrasear Raul Seixas. 

Deixei de experimentar da internet o que ela tinha de melhor, a ACESSORIEDADE, para me enxergar em um mundo no qual não participar de um facebook traz ostracismo e apartação. Não quero ser mais uma pessoa a naufragar no denso mar da busca de um sentido para tudo isso. 

Descobri que minha vida tinha um sentido bem mais lúdico fora daqui. Indo ao Jardim Botânico sem celular, laptop, netbook, flip flop e toda a parafernália invasora da Natureza, pude me lembrar de como a vida era mais frugal sem eu me conectar a tamanho oceano da mais pura imbecilidade. 

A rede social? Nome já diz: rede. 

Capta, mas não aproxima as pessoas. Como a microfísica capilar foucaultiana, coloca-nos em um estado de constante vigilância, no qual a vida de uns fica à mercê da espionagem de outros. 

E, ainda que se lacre, camufle ou crie novo perfil, fica a pergunta: existe liberdade e plenitude nisso? Em se necessitar encobrir a própria vida para não se sentir invadido? Creio que não. Há que entenda - uns pseudo anarquistas com quem troquei ideias (ou pseudo ideias, quem sabe) - que o facebook traz a hecatombe anunciada do Estado, sob a égide da libertação midiática e virtual. 

Quando me lembro disso solto gargalhadas, pois creio que os mais presos, retrógrados e chafurdados na lama da ignorância são os que sinceramente encaram as redes como instituições filantrópicas fofinhas e descomprometidas. Tudo tem compromisso com algo. 

A História não é aleatória, muito menos ingênua. Instituições não são, muito menos. Pessoas que criam as instituições também não. Nada é ingênuo, bastando se apertar um botão para os monstros internos saltarem. 

Não quero mais saber de direita, esquerda, Dilma, Aécio, PT, PSDB ou PQP, pois nada disso postado aqui representa o que é, para mim, a verdadeira politização.  Quero ser eu e isso me basta para buscar a realização como indivíduo, nada mais. 

Ser cidadã é ter ATITUDE diária, e não plasmada de 4 em 4 anos numa urna cuja credibilidade não sei para onde aponta. Ser cidadã não é dar indireta ou direta para o Governo ou para a oposição (lamento, mas no Brasil não existe oposição, se não perceberam isso. Existe o compartilhamento do queijo na ratoeira, por todos, todos, todos), mas criar espaços dentro da própria vivência (do círculo de relacionamentos) para se agir correta e eticamente. 

Ser cidadã é se esclarecer, a cada dia, pelos passeios que a vida proporciona. A verdadeira vida, que não está em uma rede social, em um selfie ou chat, mas na interação pessoal e física. 

Nas cartas que ainda podem ser escritas, nos livros que ainda podem ser lidos, nos gostos que ainda podem ser sentidos. Nos telefonemas de orelhão que trazem na expectativa de uma ligação a proximidade que acende a verdadeira saudade. 

A verdadeira vida está, enfim, na busca que as pessoas que te amam fazem, quando instadas a procurar por você, saindo dessa zona de conforto do botãozinho que reflete apenas um trsite e vazio arremedo autômato de repetição viral. 

Para quem fica desejo apenas que leia esse texto e reflita sobre o significado real do que é viver, pensando que a cada respiração não temos certeza dos próximos cinco minutos e na responsabilidade em se fazer uma escolha adequada para se viver melhor. Essa é, creio, a opção que entendo estar tomando por agora e, para quem me conhece MESSSMMMOOO, verá que se trata de minha postura final em relação ao que vejo como nefasto em minha vida. 

Novos desafios e novas conquistas... Let it be!

3 comentários:

  1. DEFINITIVAMENTE, Alê, são atitudes (comportamentos, posturas, filosofias de vida) como a tua é que, DE FATO, trazem mudança. Já há meses reduzi drasticamente minhas publicações no facebook pois, assim como Você, não via (como vejo mais) sentido num universo de compartilhamento de vidas paradisíacas. Tudo lindo, só sorrisos, viagens, bens adquiridos... Enfim....tudo PERFEITO.... MAAAAASSS.....não encarnei para ter uma vida perfeita, mas para ser FE-LIZ....e felicidade, na minha opinião e por exemplo, NÃAAAAO se mede por quantos selfies se faz por mês (ou dia, ou hora)... Como tenho grupos nos quais compartilho material com Alunas e Alunos, vou dar um tempo razoável para que se adaptem APENAS as ambientes institucionais ou, se o caso, meu e-mail pessoal. E, assim, cultivar o que faço MUITO bem: olhos nos olhos, aperto de mãos e troca PRESENCIAL de experiências. E nada de virtualidade.

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  2. DEFINITIVAMENTE, Alê, são atitudes (comportamentos, posturas, filosofias de vida) como a tua é que, DE FATO, trazem mudança. Já há meses reduzi drasticamente minhas publicações no facebook pois, assim como Você, não via (como vejo mais) sentido num universo de compartilhamento de vidas paradisíacas. Tudo lindo, só sorrisos, viagens, bens adquiridos... Enfim....tudo PERFEITO.... MAAAAASSS.....não encarnei para ter uma vida perfeita, mas para ser FE-LIZ....e felicidade, na minha opinião e por exemplo, NÃAAAAO se mede por quantos selfies se faz por mês (ou dia, ou hora)... Como tenho grupos nos quais compartilho material com Alunas e Alunos, vou dar um tempo razoável para que se adaptem APENAS as ambientes institucionais ou, se o caso, meu e-mail pessoal. E, assim, cultivar o que faço MUITO bem: olhos nos olhos, aperto de mãos e troca PRESENCIAL de experiências. E nada de virtualidade.

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    1. Que bom, fico feliz, pois, afinal, uma das pessoas com quem tive a oportunidade de aprender essa máxima do desapego foi com você, quando, naquela primeira vez, deu um grito libertário em relação às redes sociais.

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