domingo, 3 de agosto de 2014

Felizes dias de Imbolc...

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O número três sempre foi significativo tanto para a o mundo mágico, quanto para a cosmogonia celta, representando a eternização do ciclo de vida e morte que, a rigor, é a base de compreensão dessa cultura tão vivificada. Os festivais de roda de colheita duravam três dias nos quais as celebrações renovavam votos de alegria, esperança e, sobretudo, gratidão, por isso aglutinavam toda sorte de atividades compartilhadas pelo clã.

Dia 01 de agosto marca o início das festividades de Imbolc na roda do sul, bem como de Lughnasadh para a roda do norte. Como estou bem tendente à formulação energética do clã, meu coração me encaminhou para observar a mudança sinergética para a comemoração segundo o giro no hemisfério sul. 

A data de celebração honra a grande e popular deusa Brighid, Brigit, Bríd, Bríde, Bridget, Brighit ou Briid, coincidindo com o chamado "pico do inverno", ocasião em que a incidência do Sol começa a afastar, pouco a pouco, a sombra do inverno. Nessa época do ano a luminosidade é linda, pois as cores ficam mais intensas, preparando-nos para o espetáculo primaveril que está por vir.

O Sol ainda não desponta com a plenitude de sua força, mas, de contraponto, já começa a afastar a escuridão. Data do despertar das sementes no solo, bem como do aumento da atividade lactante para o provimento das reses e demais filhotes. 

"Em leite" lembra a abundância que esvai das sagradas tetas da nutriz forte, que sobreviveu ao intenso inverno para garantir aos filhotes a poderosa alimentação que os sustentará. Na cultura celta, Oimelc significa "lactação", evidenciando a importância que a alimentação traz para o desenvolvimento da ria.

Nesse dia cultuamos Brid, deusa tradicionalmente cultuada em honra à fertilidade, cura, fogo e inspiração (poesia). Brighid é a padroeira dos ferreiros, artesãos quase míticos, cuja atividade era vista como a própria personificação da criação - já que o fogo conjuga o sopro da vida.

Esse ano convocamos uma egrégora no dia 01 de agosto - início dos festejos - sexta-feira, em honra à Brighid, com os cinco membros de nossa estrela sagrada. Como sempre, elaborei um cardápio auspicioso para a data, bem rústico e forte, pois o final do inverno, a despeito de despertar o calor, ainda traz consigo a brisa fria que demanda chama ao coração e estômago.

Carne de panela recheada com cenoura e paio, arroz com curry, salada e batatas sautè na manteiga e no cheiro verde marcaram as comemorações. Mas, antes, a abertura do círculo, com a convocação da egrégora ancestral, bem como o tocar do tambor marcaram o tempo dos corações batendo em sintonia.

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Em silêncio e em profunda concentração de propósitos, fizemos - cada qual - uma cruz de Brighid para agregar nossas intenções durante todo o ano. Nesse sentido, o crepitar das chamas consumindo minha antiga cruz trouxeram a lembrança do desapego, pois vi, pouco a pouco, a antiga cruz desaparecendo em meio ao fogo de nossa lareira. 

Brighid cura e inspira, elevando a frequência da casa e de nossos corações. Na Irlanda - reza a lenda - um fogo era alimentado em Kildare por 19 freiras e, em 02 de fevereiro de 1962 (QUINTINO, 2002, p. 74), a freira brigediana Mary Minehan acendeu o fogo perpétuo. 

É tempo de plantar sementes dos projetos, daquilo que desejamos desenvolver para o futuro. Imantamos na cruz nossos desideratos, elevando as estimas para a elaboração de uma egrégora saudável de criação de propósitos. Por aqui o clima não poderia ter sido mais agradável, com o ambiente de paz e tranquilidade. 

Estar ao lado de amigos e amigas não poderia ter sido uma melhor maneira de celebrar Brighid e a dignificação da arte, da cura, da poesia e do amor. Por mais que não seja, a rigor, uma deusa que personifica o amor, ela, por certo, agrega a amorosidade, sendo sempre lembrada por isso, já que também é guardiã das grávidas.

Com isso, desejo a todos e a todas que possam haurir da Terra os futuros ganhos. Que as sementes plantadas nasçam e renasçam, com a renovação das esperanças na primavera que está a despontar em nossos horizontes e corações. Que o segundo semestre seja marcado por júbilo em nossas vidas.

So mote it be!

Blessed be all of us!

Fáilte, Imbolc!

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