domingo, 15 de junho de 2014

O apagar das luzes no Solstício de Inverno e a proteção de Cailleach, a senhora azul do Inverno!

Fonte da imagem: http://www.thehedgewitchcooks.co.uk/wp-content/uploads/2013/09/Cailleach_crone-goddess-pic.jpg

Dia 21 de junho o hemisfério Norte comemora o Solstício de Verão, marcando os festejos de Litha (no paganismo wiccano) - data solar - em contraponto à roda do sul a girar em Yule no Solstício de Inverno (exatamente às 07h52min), Meitheamh ou Alban Arthan na roda celta de celebração de colheitas, virada para a hibernação e reflexividade. Período de fortalecimento interior, regeneração e mudanças, marcado pelo recolhimento na total escuridão da alma., dentro da qual desponta a hibernação para a renovação.

As noites tornam-se mais longas que os dias e o inverno se estabelece, despontando o verdadeiro ciclo de morte e renascimento. Momento propício à meditação, introspecção e ao desapego, por meio da queimada do que não desejamos mais.

Aqui no cerrado o inverno já desponta no horizonte, quer seja pelo frio intenso (que nos direciona para o abraço quente do parceiro a envolver nossa alma e aquecer o coração), ou pela baixa umidade que se faz sentir na pele ressequida a demandar mais hidratação.

Não importa o clima...

Na senda espiritual é tempo de reverenciar o frio, bem como a deliciosa sensação de parar, hibernar, estagnar o metabolismo e guardar as reservas para enfrentar o frio. O inverno sempre remete à ideia de parada, bem como à mudança e renovação, pois se trata de uma estação fortemente relacionada aos mistérios da morte e da regeneração.

É tempo de celebração à Cailleach, a anciã-mestre do Inverno! Tanto a rica mitologia irlandesa como a galega reverenciam a Deusa Cailleach, anciã de pele azul e de um olho só que protege os animais durante o inverno. Reza a lenda que seu olho tinha uma acuidade a alcançar 20 km à frente, em uma velocidade de percepção incomum aos mortais.

Cailleach Bheur (Escócia) ou Cailleach Bhéirre (Irlanda) representam a soberania, senhora do frio, da terra, das rochas, dos rios, pântanos, mar e dos lagos, sendo a mais representativa e emblemática figura de respeito, reverência e ancestralidade dos povos. Toda a mudança climática envolve o sopro da presença da deusa anciã a deixar sua marca por onde quer que passe...

Isso tudo graças ao seu cajado mágico - slachdan - com o qual moldava a terram controlava o tempo e congelava o chão a cada toque (onde a deusa lançava sua lança nada crescia). De outra sorte, Cailleach transformava-se em pedra, tendo, assim, intrínseca relação com o submundo, já que seu nome traz à tona a menção de "mais sábia das mulheres". 

Ora representada totemicamente por uma coruja - oidhche Cailleach - ou pelo veado magro (inerente ao rigoroso inverno a consumir as forças), a deusa-anciã remonta à regeneração da Terra, já que desponta como a deusa da última colheita da roda do ano - Samhain.

No dia 21 de junho a celebração invernal nos remete ao verde, vermelho, ao pinheiro e às folhas, sobretudo, queimadas pelo frio e pela neve. Época auspiciosa para caldos, sopas, bebidas quentes...É o coração se preparando para a próxima colheita!

Fonte da imagem: http://sp0.fotolog.com/photo/0/2/6/ssuper_dooperr/1213113503189_f.jpg


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