segunda-feira, 16 de junho de 2014

Dia de Fand, a deusa celta do Mar!

Dia 16 de junho tradicionalmente é dedicado à Fand, esposa de Manannan Mac Lir, deus dos mares, conhecida por "Pérola da Beleza" (tradução de seu nome) e originária - segundo lendas irlandesas - do Mar de Manx. Ligada afetiva e sexualmente a Cuchulainn (amor mortal), a quem se unia sempre de forma tempestuosa.

Metafmorfa, Fand transformava-se em gaivota juntamente com sua irmã Li Ban, sendo a ela unida por uma corrente de ouro, enquanto outros seres mágicos eram cingidos por liames de prata (isso mostra bem a grandiosidade de Fand). 

Seu encontro com Cuchulainn - o herói mítico irlandês - é cercado de ambígua agressividade (não poderia ser diferente em se tratando do herói temperamental das sagas célticas) - uma vez que este fere Fand quando ela se encontra em sua forma de gaivota.

Isso porque, Cuchulainn desejava capturar um pássaro esvoaçante para presentear sua mulher e, no ímpeto, fere a deusa, que passa a voltar contra o herói toda sua fúria de deusa vingativa, perseguindo Cuchulainn às margens de um lago, juntamente com sua irmã-gaivota Li Ban e um grupo de mulheres, todas a espancar o guerreiro. 

Como toda narrativa celta, Cuchulainn não sabe, ao certo, se teve um sonho ou se o evento ocorreu, mas, ao final, durante todo o intervalo de tempo de um ano, ele ficou enternecido pela deusa, sempre envolto nesse episódio entre-mundos, preso entre o sonho e a realidade, num torpor invencível por mediamentos comuns.

Segundo alguns historiadores, o deus Mannanan Mac Lir, tomado por ciúmes, deixou Fand durante esse período em que Cuchulainn prostrava-se em sonho quedando adoecido. Com isso, tornou a deusa vulnerável aos invasores formoire que tentavam sitiar a Irlanda, fato este que trouxe a necessidade de buscar Cuchulainn para que voltasse à batalha, já que Fand, deusa de cura, não poderia lutar contra os invasores (era contra sua essência).

No ano de Samhain o véu tornou-se mais fino e, com isso, Cuchulain pôde retornar e lutar contra os formoire, alcançando, assim, o êxito na batalha. 
Cuchulainn sai vitorioso sobre o Formorians, ao mesmo tempo em que se torna amante de Fand, despertando, com isso, ciúmes de sua esposa Emer.

Ao final, Mac Lir, vendo que o relacionamento entre Fand e Cuchulainn poderia colocar em risco o mundo das fadas e dos humanos, envolveu a esposa em seu manto mágico, fazendo com que ela esquecesse seu amado. Com a ajuda de druidas, o deus deu ao guerreiro uma poção mágica de esquecimento e, com isso, devolveu-o à sua esposa Emer.

Arquetipicamente, Fand relaciona-se à ligação entre os mundo físico e etéreo, lembrando-nos da responsabilidade de nossos atos (ela retorna para seu marido, ao mesmo tempo em que nutre, ainda, o amor por Cuchulainn). Consciência e responsabilidade, eis as palavras para acessar a egrégora de Fand. 

Ela nos auxilia na passagem do estado de consciência diuturna (responsabilidade), para um estado alterado de consciência no qual qual a mágica acontece (mundo das fadas do qual é guardiã da entrada). Além disso, Fand nos encaminha para a cura emocional (lembrando que a água é o veículo condutor disso), por meio da compreensão de nossa verdade mais profunda (no plano da psiquê).

O dia de hoje pode ser dedicado à meditação nas águas, bem como à reverência à deusa, por meio de atividades reflexivas e de cura, ou, ainda, por meio do uso de cristais transparentes ou azuis, bem como de ervas lunares.

Fonte da imagem: http://www.manannan.net/images/manannan/duncan-manannan.jpg

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