quinta-feira, 20 de março de 2014

Fáilte, Ostara! Plenitude em Alban Eilir!

Fonte da imagem: http://umjeitomisticodeser.blogspot.com.br/2011/09/ostara-equinocio-de-primavera-2011.html

















Quer seja na reverência ao Norte, bem como à celebração do Sul, o dia de hoje marca início de festividades no mundo mágico. O equinócio de primavera era consagrado, segundo aos celtas, à celebração de Alban Eilir, ou "Luz da Terra" é para os celtas um momento de contemplação do renascimento e despontar da vegetação (Faur, 200, p. 70-71) em um dia de equilíbrio entre luz e trevas.

Clímax em que dia e noite se tornam iguais, Alban Eilir apresenta os dias escuros que progressivamente vão cedendo espaço para a luz do Sol que chegará irradiando luminosidade suficiente para que, em Beltane, a fecundidade seja plena no encontro entre Gamo-Rei e a Deusa. 

Em Ostara, uma correspondência deídica de cunho nitidamente solar, a data vacilante situa-se entre 20 e 21 de março, na qual se comemora um período de grande fertilidade, pois a Terra encontra-se apta a ser fecundada, já que a egrégora formada concentra alta energia cumulada pela atividade invernal de hibernação, que aglutinou, tempos atrás, o necessário para que as sementes vindouras pudessem se alimentar a contento. 
Fonte: http://www.odinic-rite.org/


A Deusa celta da Primavera - Eostre ou Ostara - é honrada nesse dia por intermédio de ovos coloridos colocados em cestos ou ninhos de palha com os quais as pessoas são presenteadas por ocasião da tradição de saudação à fertilidade. O ovo cósmico povoa o mítico universal de significação de nascimento, já que, grosso modo, todos e todas nós, em algum momento de nosso desenvolvimento fetal, adviemos de formas zigóticas originalmente elaboradas a partir de ovos. 

Além disso, o ovo de Ostara representa, por excelência, o casulo feminino na dualidade de gêneros, quer seja por sua forma arredondada - que lembra as formas de uma mulher plena - quer seja pela semelhança com o repositório universal, o caldeirão mágico da fartura, local onde todas as demandas por abundância são satisfeitas. Em algumas versões do mito, conta-se que Ostara eclodiu de um ovo que jazia na Terra, explodindo, assim, a centelha universal da criação. 

A correlação com o coelho igualmente remonta à fartura, abundância, prosperidade, bem como à fertilidade e fecundidade, já que tal mamífero tem um ciclo gestacional e procriativo surpreendente: eis a razão pela qual ele é, por excelência, o guardador universal dos ovos de Eostre. 

A tradição impele para a confecção dos ovos mágicos, com escrituras celtas ou rúnicas, cada qual simbolizando o agradecimento pela fecundidade que se encontra em pleno ar. Costumo sempre pintar os ovos para presentear as pessoas que venham a celebrar o ritual aqui em casa, mas em alguns clãs é possível se ver os membros pintando seus ovos em comunhão de afetos. 

Como se trata de um festival solar em que a luz e o fogo são co protagonistas, em Ostara também acendemos fogueiras para a celebração da vida, comemorando, ainda, com flores e alimentação mais picante e ígnea. Pedras amarelas e em tons verde, terra e laranja, além das já conhecidas para trabalhos de fertilidade também são ideias, como o citrino, o quartzo verde, o jaspe, o citrino. O que importa, mais uma vez, são os elementos necessidade, emoção e conhecimento. 

Em termos de cores, gosto de trabalhar em Ostara com laranja, verde, amarelo, terra e branco, que é a cor universal e "coringa" para eventuais trabalhos mágicos, a despeito de particularmente não fazer nenhuma bruxaria em tempos de equinócios e solstícios (deixo isso para a conexão com as faces da Lua). 

Todos os incensos e essências mais fortes e telúricas são convidativas nesse dia, em especial, cravo, canela, alecrim, manjericão, manjerona, além das ervas solares. A alimentação de Ostara sempre agrega sementes ou alimentos da Terra, para dar boas vindas à luz que promana dela por reflexo solar. 

Uma dica em tempos de correspondência de outono (pois a data sazonal aqui no hemisfério sul é outono, quando as noites ficam mais frias) é o famoso creme de abóbora com curry, de sabor leve, porém apimentado, guarnecido por torradas e queijo ralado na hora. Bolos e refeições à base de leite, mel e creme são bem-vindos em Ostara, pois o tempo é de celebrar!

Fonte: http://debemcomabalanca.files.wordpress.com/2013/03/ovos_coloridos.jpg




Fáilte, Eostre! Blessed be! So mote it be! Bençãos para todos e todas no mito da roda do ano celta!














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