domingo, 27 de outubro de 2013

Quando o coração pede licença para partir...

Uma das lições que sempre se renova em meus caminhos de senda espiritual diz respeito a dizer adeus a um relacionamento que já cumpriu sua finalidade. Ciclos fechados, portas abertas para o desconhecido: eis, enfim, a pergunta central, que diz respeito a como saber se já chegou o fim...

O coração que se aproxima do sofrimento inerente de um inevitável fim é o mesmo que prenuncia o caminho para o derradeiro e fatal adeus. Ele sangra aos poucos, não mais ansiando por momentos ao lado da outra pessoa, ou, ainda, dedicando-se a tantas outras atividades que o tempo a dois cede espaço para a solidão de se estar com alguém. 

Meus momentos de maravilhosa solitude usualmente estão relacionados à devoção aos caminhos do Sagrado como forma inequívoca de me transpor de uma orbe tão permeada de atropelos ao feminino para a superação e as cura das feridas no útero que insistem em não cicatrizar. 

Não tenho, contudo, nas experiências afetivas "maldições" ou "erros", mas, antes, vejo-as como reflexos em espelhos de alma que me ajudam na observação das minhas idiossincrasias incessantemente reproduzidas e que estão ainda latentes em minha alma. Daí, a cada relacionamento uma casca se solta de meu repositório anímico, fazendo fluir minha essência pura e simples. 

É mais simples olhar para o outro com a certeza de imputação de erros, pois a cristandade ainda não superou o paradigma de culpabilidade, imergindo na dor recalcada que nos transforma em almas amargas e fechadas para a maravilhosa experiência do amor. Quando simplesmente percebemos que inexistem culpados ou culpadas, mas tempos e ciclos, a vida segue de maneira mais fluida e leve, pois não nos cobramos em termos "do que poderia ser".

Passamos a olhar para frente mirando um futuro deliciosamente desconhecido, lugar "para além" de nossas pequenas zonas de conforto e que nos brinda com o abraço forte do que não compreendemos. Lançamo-nos apenas no caminho da adoração.

Em muitos momentos critiquei meus namorados em vários posts. Agora não tenho mais vontade de falar de ou sobre ninguém a não ser eu mesma. Acredito que reside em mim a potencialidade de fazer escolhas proporcionais ao limite (ou à falta de) do que minha alma pode me elevar, numa espécie de ação e reação cármica na qual nos deparamos com almas afins o tempo todo.

Eis-me aqui, novamente, a mesma Alessandra. Será? Improvável, pois a cada momento morro e ressurjo em ciclos perpétuos da mais pura redenção... No coração a certeza de quedar no colo da Grande Deusa, pois em meus mais profundos momentos de sombras e incertezas, o Sagrado me embalava no sopro revigorante da fagulha do feminino...

Blessed be!!!


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