domingo, 27 de outubro de 2013

De sabbats, rodas e transições: a boa filha à casa torna...

Inaugurando a semana que abriga o Samhain compartilho novos ares que invadem a alma e produzem um inigualável frescor de mudanças em minha vida. 

Trata-se daquela mesma sensação de outrora, mudanças despontando no horizonte que, a despeito de sempre estar à nossa frente, nunca é a mesma abóboda quando vira o dia. 

Uma maravilhosa sensação tem me acompanhado nesses últimos dias de reflexão sobre as celebrações de roda de ano e as transições imediatistas que o mundo tem observado.

Intrinsecamente relacionada com plenitude e fechamento de ciclos, decidi retornar aos preceitos da tradição em que fui iniciada pela unção poderosa das mãos de Gwyndha - Triskelion - para comemorar a Roda do Ano pelo giro do norte, e não mais pela egrégora do sul. 

Havia decidido em certa parte da minha trajetória como solitária adequar-me aos ciclos sazonais do hemisfério sul (2006-2013) por reputar ser mais intenso o campo energético do local da prática mágica quando perfilhado com as estações do ano da localidade. Em outras postagens comentei ativamente a predisposição em seguir o ritmo da Natureza aqui no Brasil, por entender que, àquela época, seria o mais interessante.

O que mudou, então? 

O mundo, a vida e, sobretudo, eu. 

Mudei e tenho mudado a cada dia singular de minha vida, a cada instante em que inspiro uma fração de precioso ar para reciclar as células do corpo em bailados de profundo êxtase renovador, tal qual o voo cálido de uma fênix que arde em chamas e ressurge em átimos de instantaneidade.

A todo tempo internalizo cada vez mais a ideia de inexistir inexorabilidade em convicções. Ao contrário, o percurso tem me encaminhado para o único caminho que pode servir de esteio para legitimar mudanças conscientes: o caminho do coração entrelaçado aos ditames que a intuição aponta.

Em janeiro passei por uma experiência que me fez retornar à morada da casa ancestral, qual seja, o hemisfério Norte, local que abrigou minha família, bem como assentou boa parte dos conhecimentos herméticos das tradições europeias familiares. 

Não estou negligenciando os clãs do hemisfério sul, muito menos menosprezando as comunidades ancestrais que aqui praticavam bruxaria ou magia, mas apenas seguindo a cadência que o pulsar do meu coração guarda com minha Terra ancestral, a Espanha. 

Vivenciar alguns dias de reflexão conjugada a um grupo especiais de mulheres sagradas trouxe a reafirmação que minha sacerdotisa outrora falava: "tradição é tradição". 

Lembrei-me do dia em que ela explicou pacientemente isso para nós, pois me senti acalentada em Brasília, uma vez que minha mãe não mais aqui residia. Imersa em uma jornada solitária, fiz minhas leituras, realizei minhas experiências, quedei e me levantei, empreendendo, com isso, a transposição para o sul e, com isso, senti à época a necessidade de me firmar nesse hemisfério.

Celebrei sabbats e converti minha roda para o giro do sul, sentindo-me imensamente grata pelo aconchego que a tradição do norte me possibilitou. O vento, contudo, virou os rumos de minha vida e, confesso, desde janeiro, senti-me imensamente saudosa de minhas tradições. Senti falta da roda do norte seguida por minha(s) família(s) mágica(s) e o pranto do coração me trouxe, enfim, à morada dos meus.

Não pretendo fazer proselitismo em apregoar uma revolução para que todas as bruxas se voltem para a roda do norte, pois acredito piamente que, assim como eu encontrei meu caminho por conta própria, cada qual pode encontrar sua zona de pertencimento. Mas, a despeito disso, tenho na ancestralidade de uma tradição (norte ou sul) a bússola para onde podemos nos voltar nos momentos necessários em que nossa alma necessita de orientação: um aconchego nos momentos de queda para que nos sintamos confiantes o bastante para novos desafios.

Assim, que venha o dia 31 de outubro, data inaugural dos três dias mágicos consagrados a Samhain, o fim do ano celta. Dentro de mim o ano já acabou, no aqui e no agora. Como, então, perseverar no giro da roda do sul quando a alma encontra-se ao norte? 

Fáilte, Samhain!

Merry meet!


3 comentários:

  1. Sábia decisão: ouvir o coração!
    Penso que não há o certo ou o errado em nossas buscas, mas aquilo que sacia e aquilo que não sacia a fome do buscador. Acho lindo que vc se permitiu comungar na egrégora do sul e agora se permite o retorno à egrégora do norte...Felizes aqueles que fazem escolhas..mais feliz, aquele q escolhe o coração como luz do caminho.

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  2. "Como, então, perseverar no giro da roda do sul quando a alma encontra-se ao norte? " Boa pergunta! As vezes sinto certa angústia, não sei...como uma falta de pertencimento. Talvez ainda não tenha encontrado "o meu lugar". Preciso aquietar-me e escutar para qual hemisfério a bússola de minha alma está a apontar!
    Lindas renovações para tod@s nós!

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  3. Grata, Rildo e Camila!

    Sinto-me "despertencida" o tempo inteiro, Camila, mas acredito que essa seja a senda do conhecimento, uma sensação gostosa de buscar sempre mais, não por ansiedade ou desespero, mas por pura contemplação do mundo a partir de nós mesmo/as. Rildo, realmente, para mim, certo e errado sempre foram mecanismo de culpabilização, razão pela qual busco administrá-los. Blessed be!

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