segunda-feira, 29 de julho de 2013

Velas que iluminam e transformam: o nobre ofício da luz!

Em qualquer que seja a sociedade focada (Oriente ou Ocidente), as velas e o fogo sempre tiveram um significado especial em termos ritualísticos por aglutinarem força e marcarem a conexão com o Outro Mundo.

No livro A cidade Antiga, por exemplo, Fustel de Coulanges fala sobre a manutenção do "fogo sagrado", chama cerimonial mantida pelo pater familias na entrada da casa com o propósito de reverência aos ancestrais, deuses e deusas protetore/as do clã cujo liame se fazia pelo sangue.

Em algumas cerimônias de cunho céltico ou, ainda, na revitalização das antigas práticas de cultos pré-cristãos de celebração de equinócios e solstícios, a chama da vela adquiriu ao longo do tempo um conteúdo de relevo, por se relacionar - ora simbolicamente, ora fenomenologicamente - à luz tida como necessária para que os ancestrais encontrem caminho em meio aos véus turbados existentes entre os mundos.

Basta lembrar de Samhain, ocasião em que depositamos velas às janelas das residências para que o/as ancestrais possam encontrar seus caminhos em meio à turbação que a descida dos véus de separação entre-Mundos provoca.

Na adaptação festiva advinda da celebração de Halloween a vela cedeu lugar à abóbora iluminada (Jack O'Lantern), aglutinando, assim, tanto a luminosidade do fogo como a expulsão de entidades não amistosas aos membros do clã (basta observar os rostos entalhados na abóbora: a sombra projetada, ou, ainda, o próprio semblante na abóbora desenhado, mostram o potencial de amedralhamento que Jack propicia). 

Do potencial celebrativo para a prática mágica, a vela expressa uma harmônica aglutinação dos quatros elementos. Seu corpo, ora formado por cera, ora por parafina, representa o material e está sujeito ao poder do elemento Terra (já que ela está diretamente vinculada ao plano físico e à realidade visível). 

Quando acesa ostenta todo o potencial trazido pela chama, adstrito aos mistérios do Fogo, elemento transmutador e que se relaciona aos processos criativos (destrutivos ou ontogênicos). Do encontro entre esses elementos polarizados forma-se no topo um líquido - cera/parafina derretidos - que nada mais é do que o elemento Água vindo colorir a alquimia com sua plasticidade, impermanência e, sobretudo, contato com o onírico.

A fumaça eleva aos céus, por sua vez, a comunicabilidade que marca a qualificação do Ar, senhor da ligação entre os mundos, elemento incontível e incompressível, liame invisível que leva aos sídhes (morada dos deuses e das deusas) as alegrias, tristezas, os prantos e os pedidos dos mortais.


A partir dessa poderosa combinação de elementos podemos produzir egrégoras e aglutinar as condições para os trabalhos mágicos, bastando lembrar dos elementos centrais que impulsionam a magia: emoção + conhecimento + necessidade

Como podemos utilizar o potencial das velas?

De várias maneiras...

Hoje falarei da magia escrita na vela, bruxedo antigo e muito útil para quem não tem tempo para plasmar um ritual mais elongado. Para fazê-la é necessário, em primeiro plano, escolher a cor da vela em função da necessidade almejada.

Costumo usar a seguinte tabela de correspondências, lembrando que se trata de uma listagem de cunho pessoal, baseada na minha trajetória de experienciação:

amarelo: calma, felicidade, sabedoria, foco, alegria (depressão).
azul claro: inspiração, harmonia.
branco: paz, purificação.
índigo: intuição, espiritualidade.
laranja: energia, vitalidade, depressão.
lilás: transmutação, transformação.
marrom: aterramento, conexão, fixação.
preto: isolamento, proteção.
rosa: amor, afeição, auto-estima.
verde: cura, fertilidade, crescimento.
vermelho: paixão, raiva, ira, auto-estima.

Depois da escolha da cor sugiro observar a lunação segundo o mapa astrológico pessoal, pois tal procedimento sempre potencializa as atividades mágicas. Outro detalhe importante consiste em purificar a vela, uma vez que ela traz energias e propósitos preexistentes, usualmente imanadas por quem fabricou o artefato.

Para tanto uso essência de mirra, benjoim, losna, pinho, barbatimão, cânfora ou arruda, tomando o cuidado de espalhar de baixo para cima (pois é a direção de expulsão ou retirada). Uma vez purificada a vela utilizo outra essência para imantá-la com o propósito a ser desenvolvido, espalhando ao longo do artefato de cima para baixo (sentido de atração). 

Finda essa etapa escrevo sempre meu nome completo ao longo do corpo da vela, de cima para baixo e, a partir daí, insiro em outros pontos o que desejo desenvolver, sempre focando em minha necessidade no momento. Aconselho também a inserção de símbolos rúnicos relacionados à intenção desejada.

Consagro ao panteão que reverencio e, após, acendo.

Está feito, está feito, está feito, feito, feito!



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