sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Não existem atalhos para a evolução espiritual...


A "Nova Era" trouxe a diversidade nas opções de expressão e vivência da espiritualidade, culminando na proliferação democrática (e, muitas vezes, acrítica e irresponsável) de técnicas, filosofias, experiências, credos, seitas e métodos para que a humanidade possa viver melhor as chamadas "questões do espírito" e, de certa sorte, crescer rumo à elevação de um padrão coletivo de crescimento.

Com isso, longe estamos dos momentos medievais bipolares em que a celeuma mundial se restringia à disputa política e ideológica entre catolicismo e protestantismo, tendo em vista o pluralismo também se irradiar para a busca incessante de opções outras de viver a espiritualidade, principalmente se considerarmos o intercâmbio com as tradições orientais, seus mistérios e excentricidades. 

Como opção ante tal caldeirão fecundo, há tempos visito e vivencio a cosmogonia pré-cristã pautada na celebração do Sagrado Feminino como via de questionamento e desconstrução de um ethos religioso e espiritual marcado pelo androcentrismo e patriarcado, experienciando uma jornada solitária de autoconhecimento, por intermédio da vivência de uma senda de plenitude e bem-aventurança.

A predileção pela Tradição da Deusa trouxe, por sua vez, o aprendizado diuturno em relação a não enveredar por "atalhos espirituais" para ascensão a uma frequência vibratória, tendo em vista eu acreditar (por vivenciar com sucesso) em um crescimento que envolve a honestidade em relação às minhas limitações, bem como a necessidade de superar o que estiver dentro do que me programei a enfrentar nessa configuração material. 

Simples assim: não se barganha - em nível espiritual - uma evolução instantânea, mas, antes, (re)elabora-se uma jornada (árdua, decorrente trabalhosa, mas, sobretudo, bem-aventurada) calcada no firme propósito de se pisar com os próprios pés a trilha de crescimento e elevação. 

Esse caminho solitário pressupõe um lançamento rumo a experiências que, por seu turno, quase sempre trazem tentativas que logram êxito (alcançam um ethos de felicidade pessoal), ou, ainda,  imbuem-nos de dor (o que impropriamente chamados de erro apenas porque não compreendemos bem a neutralidade do caminho). 

Independentemente do quantitativo de alegria ou dor (sensações ainda marcadas em um binário no qual insistimos em julgar tudo e todos), acredito residir na empiria da jornada a validação de uma senda peculiar e individualizada, pois só assim é possível - ao meu ver - falar-se em crescimento espiritual. 

A despeito de apregoar o sucesso do enfrentamento de mim mesma no decorrer dessa trilha, não posso deixar de mencionar as vezes em que caí (por ignorância, principalmente), fulminada por escolhas que resultaram em experiências aparentemente infrutíferas, mas que, no fundo, trouxeram a expertise e parcimônia com as quais hoje contemplo - com gratidão - a indiscriminada propaganda enganosa de ofertamento de fórmulas "mágicas" para "limpezas cármicas", como se o desenvolver causal que as eras, vidas e escolhas trazem para nosso aqui e agora fossem realmente uma garagem a necessitar de um bom jato de água com sabão e esfregão...

Nunca antes havia me deparado com tamanho "saldão espiritual" disseminado no "mercado esotérico", no qual seres em completo desespero, marcado/as por culpa, atropelo e medo (e pouca paciência ou coragem para enfrentar seus dilemas) saem como franco ou franca atiradores/as, na esperança de evoluir "à fórceps", não raro empenhando cifras consideráveis em cursos, congressos pirotécnicos, cristais, pêndulos, mesas radiônicas, baralhos, canalizações etc. etc. etc., como se a senda fosse possível de ser alienada ou, ainda, cumprida por outrem, por intermédio de uma "procuração".

Não se delega a rédea da própria vida a ninguém sob a escusa de se estar respeitando "os desígnios" de guias, mestres ascensionados/as etc.. 

Isso é descompromisso com a responsabilidade de se realizar a escolha sem que o destino seja marcado pela inexorabilidade e pelo determinismo. Além disso, um credo (seita, método etc.) de credibilidade NUNCA atrela a pessoa em situação de dependência, mas, antes, libera o ser para que ele/ela possa, de per se, ser sujeito de seu caminho rumo ao crescimento. 

Tudo que refoge a isso é a mais pura expressão de CHARLATANISMO, fraude forjada à guisa de convencimento pelo desconhecido que a espiritualidade oferece. Paga-se um preço muito alto pelo uso e abuso da boa-fé objetiva e do desespero das pessoas na "evolução a jato": estagnação na cadeia causal de ascensão e, quando não, decrepitude, doença, loucura. Por isso, cada vez mais tenho concluído que não se brinca com o que não se conhece a fundo...

De outra sorte, consultar oráculos também pode ser muito interessante, principalmente se fazemos isso por nós mesmos/as, pois, nesse caso, conectamo-nos com nossas egrégoras, bem como, em nível subconsciencial, com os arquétipos presentes no inconsciente coletivo, acionando energias amistosas, formadas a partir de formas-pensamento saudáveis, alimentadas por um modus vivendi contínuo (a senda propriamente dita), e não por "picos de iluminação" fomentados por terceiros que não a pessoa que está vivendo seu dharma e carma.

Simples assim... 

Sem histeria, neurose, obsessão ou paranoia, mas, antes, na leveza do fluxo com o qual o Universo é apenas sentido como unidade da qual fazemos parte integrante. 

Mas, ao contrário, quando deixamos de lado a senda de esforço próprio pelo conforto de nos posicionarmos como espectadores de nossos dilemas, a partir da desenfreada reiteração de consultas (e consultorias) e na "delegação" de nossas vidas a outras pessoas, incorremos no vazio terapêutico, porquanto não enfrentamos as idiossincrasias que usualmente encobrimos (até de nós mesmos/as, quem dirá de um terapeuta), na esperança de "alguém lá em cima" (será mesmo em cima???) fazer isso por nós. 

Ou seja, atribuímos o cumprimento do destino ao "jogo de dados celestiais", o que me traz a lembrança da pantomima olímpica com a qual o panteão pagão (principalmente o grego) se refestelava às custas da tripudiação do/as mortais. 

Se "Deus não joga dados", muito menos guias, mestres, egrégoras, espíritos, energia (ou qualquer nome dado, a depender da tradição seguida) deveriam jogar conosco (e não jogam!!! Deixem as egrégoras em paz!). Ou, no mínimo, nem poderiam, pois a evolução é NOSSA

A escolha é nossa, bem como também é a responsabilidade em desvendar nossas mazelas espirituais para, a partir delas, podermos trabalhar nossas almas. 

Com isso, todo auxílio prestado por nossos afins no mundo extra físico há de ser tênue, não cabendo espaço, nesse contexto, para o uso de uma muleta a amparar nossas pernas sãs que insistimos em não usar, pois a inutilização acarreta a perda total de função e, com isso, a repetição na escolinha da vida, ante a insistência de se patinar infinitamente...

Não existem atalhos para a evolução espiritual, mas, antes, um lindo caminho empírico que somente é acessível quando nos dispomos a nos enxergar e, com isso, pegar as rédeas de nossas vidas em nossas mãos!!!!

Fonte da imagem: http://mrbtg.wordpress.com/








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