segunda-feira, 5 de novembro de 2012

O bom descanso da boa guerreira


Após um dia de intensa batalha campal, o guerreiro celta recolhia-se ao calor de uma boa fogueira, a fim de confraternizar com seus pares a vitória ante o inimigo, prantear - com gratidão - a ida dos amigos para o Outro Mundo, além de comer e beber para fartar o espírito com a completude de se sentir vivo!

Mais do que uma confraria, o momento pós-batalha revestia-se de um significado mítico para o celta, na medida em que o recolhimento marcava, para aquele nobre povo guerreiro, a morada do espírito em descanso revigorador, já que o celta, como é notório, quando não estava em guerra com outros povos, guerreava entre seus próprios flancos, até mesmo para extravasar seu ímpeto incontido e o desejo por se entranhar na guerra.

Toda luta demanda momentos de avanço, bem como de recolhimento, ocasião em que nos voltamos para nós mesmas no sentido de recompor a alma, lamber as feridas e descansar para a batalha final, realinhando a energia dispendida ou desordenada, bem como reelaborando as estratégias para o devenir desconhecido do campo.

Quando o tempo de recolhimento envolve, por sua vez, a dedicação invisível aos trabalhos do sagrado, eis que surge, em especial, o tempo de sobrestamento do que se está a conjugar, para que o trabalho druídico se volte para a imersão no abscôndito cenário dos mistérios das ervas sagradas, dos instrumentos e cânticos devocionais ao Sagrado Feminino. 

Esse é meu hino e minha força, a despeito do desconhecimento em relação ao que está distante do que se denomina "racionalidade" e que provoca, ainda, assombro por parte de quem não professa a diversidade de credos. Por muito menos, fomos julgadas e queimadas em largas fogueiras de carvalho.

Quem milita no espírito pre
cisa se abster, um pouco, da carne, ou, quando não se faz possível fazê-lo, ao menos da transcendência da obviedade do materialismo, para se coligar à espiritualidade nosso fragmento que aqui se encarna enquanto luz densificada. 





Quando as lutas demandam escolhas, precisamos ir adiante com determinadas opções, ainda que aparentemente desagrademos alguém: não podemos trair nossa essência, sob pena de nos perdermos no processo! 

Nenhum comentário:

Postar um comentário