domingo, 29 de julho de 2012

Com a invisível dança do ar, eis que surgem os ventos da mudança...



O Ar é o mais volátil e misterioso de todos os elementos fundamentais, pois, quando nos debruçamos a pensar nele, assim, bem rapidamente...foi-se! Leva consigo o que quer que se deseja pensar em reter: com o Ar nada fica intacto, incólume e estático. Tudo queda e tudo se ergue diante dessa potestade em pleno devenir que não se esgota em suas potencialidades.


Secretos desígnios traz o Ar em sua essência, pois não sabemos, ao certo, os rumos que ele, doravante, tomará em seu curso. Não sabemos sequer se existe realmente um "curso" para o Ar, pois sua nobre indolência sempre nos remete à ideia de não ser se prostrar a serviço de nada, ou de ninguém, mas antes, apenas ao fluir etereamente. 


Ousado provocador de mudanças, eis que o Ar ultimamente apoderou-se de mim, lembrando-me, nesses últimos dias, do sentido frugal de fechar os olhos e me deixar acalentar pelo sopro de vida que mantém tudo em movimento. 


Dele estava apartada há um tempo, mas, agora, no giro da roda em minha vida de eternidades e efemeridades infinitas, eis-me aqui, novamente, a olhar para a varanda de minha casa e ver o quanto os mensageiros de vento e os sinos alegram-se com a passagem da brisa, trazendo ritmos e sons que pulsam diatonicamente com as palavras cantadas de meu coração renovado. 


Compondo a melodia, a amoreira dança, suavemente, acenando em cada um de seus braços a singeleza de um porvir suave, que, mais tarde, ofertará, com Ostara, de bom grado, as pequenas gotas de doçura...Sim, ela dança e, dançando ao som do passeio do Ar, traz boas novas de novos ritmos em minha própria vida, tão cheia de ritmos...


Poesia, música, comunicação, palavra: dons do ar em seus desígnios pouco conhecidos, já que seu destino, a ele pertence (será?). 


Precisamos do ar para manter nosso corpo na constância de sua pulsação. Sorvendo o elemento invisível, impulsionamos nossos órgãos, sangue e, sobretudo, nosso espírito em direção ao ânimo para alcançar nossos projetos. 


Basta lembrar que uma nau alimenta-se do vento para chegar ao porto que lhe é seguro para reafirmarmos a importância desse vital elemento em nossas vidas. Ou, então, lembrar que o Ar arrefecido carrega em seu manto invisível a semente do futuro, depositando nos lugares mais longínquos e inimagináveis as gotas de esperança necessárias para a continuidade da vida. 


Uma secreta rima - agora nem tão secreta assim - sempre fez parte de meus ritos... Quando desejo ardorosamente uma transformação em minha vida, fecho os olhos, abro os braços e me encaminho para o alto de um rochedo - ou, aqui no Planalto Central, para o alto do Vale do Paranã, e exclamo: 


"Sopra vento, sopra forte
Muda logo minha sorte"


Daí, com toda a força que promana de cada célula compassada de meu corpo, mentalizo e elaboro mental, emocional e espiritualmente o que desejo, canalizando cada pedaço do meu corpo a vibrar nessa toada. Afinal, magia é a arte da reelaboração de nossos percurso por meio de processos de modificação interna, a partir da instrumentalização da emoção e impostação de necessidade.


Está feita a mudança invisível em minha vida - afinal, invisibilidade também é a marca maior desse sutil provocador de eventos. Rumo aos deuses e aos céus, a rima, perfeita, sobe, indo coroar a teia mágica da vida, esquadrinhada a partir da intrínseca conexão com o que está dentro e fora de mim. Dito dessa forma, apenas exalo o ar que, no fundo, está em meus pulmões e que, em face das trocas, entra e sai, levando consigo meus desejos mais ardorosos...

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