domingo, 1 de abril de 2012

E viva o dia 1o. de abril!

Ao invés de usar esse espaço para falar sobre o "dia da mentira" (dia consagrado à válvula de escape da necessidade humana de se firmar num caminho de retidão encoberta por idiossincrasias), prefiro gastar as linhas com as referências ao dia de hoje como corolário de intensa manifestação da Lua Crescente em Leão as 05h37, fazendo menção às Venerálias, as festividades romanas de culto à Deusa Vênus, ou, para alguns, reminiscência da ideia de Afrodite.

Aprilis - como os romanos falavam - era a época consagrada à abertura das flores, prenúncio, no hemisfério norte, de Primavera. Os celtas identificavam na deusa Eostre (Easter, na codificação feita posteriormente) a fecundidade, a abundância e a prosperidade. Não costumo celebrar o giro da roda do norte e, portanto, por aqui, celebro e me conecto aos mistérios de Samhaim em maio, mas devo admitir ser muito interessante observar no fluxo do hemisfério norte a marca com que o conquistador semeou, por essas bandas além-mar, seus simbolismos.

Semana que vem celebramos, por conta disso, dentro do panteão cristão, a renovação do ciclo de vida e morte de Jesus, ícone maior da cristandade. Essa comemoração - importante frisar - traz em seu nascedouro a prevalência, a partir da conversão de Roma ao cristianismo, de um paradigma específico de cosmogonia, qual seja, os mistérios de morte e ressurreição, fazendo-nos lembrar da necessidade de cultivar a reflexão em cima do silêncio.

No lado de cá, a partir da compreensão de reverência e devotamento ao culto do sagrado feminino, minha reflexão de hoje vai o cultivar da constância de pensamento focado na prática diuturna de si. De observar na menor chuva que cai, bem como no sibilar das árvores o anúncio que os elementos fazem sobre o significado da vida.

O que importa, então, nesse dia 1o. de abril? Nada além de saber de si a partir da prática diária de um viver permeado pelo autoconhecimento de máscaras, bem como dos trocadilhos que a mente incessante prega em nossas atordoadas almas. É tudo tão calmo e renovador quando sabemos a que porto nos dirigimos!

Minha virtude a ser melhor auferida é, dentro disso, o silêncio ante o desagrado, pois a fagulha de fogo que habita em mim ainda sedimenta o fluxo de meus propósitos e de minhas palavras. Fico imaginando, pois, como é gostoso calar mais, ouvir mais e, dentro disso, deixar as coisas tomarem seus rumos respectivos.

Deixemos o fluxo da vida traçar o caminho... Afinal, a água sempre sabe por onde vai seguir para, ao final, encontrar o mar!

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