domingo, 4 de março de 2012

Preparando o espírito para o Equinócio de Outono


Fàilte, Mabon!

O Equinócio de Outono marca da data em que se reverencia Mabon, data festiva de comemoração das dádivas de uma segunda colheita, preparando a vida para o posterior ciclo de hibernação, que vem com o inverno proeminente que perfaz em Samhaim o silêncio primordial do ciclo vida-morte-vida.

É tempo de equilíbrio, pois, no Equinócio, dia e noite têm duração igual: basta lembrar que aequus é igual em latim, enquanto nox refere-se à noite, numa compreensão de igualdade entre Sol e Lua e, portanto, entre as dimensões do feminino e do masculino.

Aqui no cerrado o tempo é de ressequidão, pois as folhas das árvores tortuosas já encampam a necessidade de buscar mais alimento, procurando, ávidas, as gotículas de água que se escasseiam, dia após dia. Com esse gesto singelo - que, por muitas vezes, passa incólume aos nosso olhos tão sucateados pela pressa, as raízes profundas das árvores típicas do cerrado nos mostram a maneira sábia como a Natureza-Mãe nos ensina a perseverar: o calor e a intempérie são escasseiam pelo alimento que jaz na profundidade, assim como o conhecimento se encontra no claustro para quem se projeta no alcance do saber.

Tenho na comemoração de Mabon um momento de profunda reverência a essa sabedoria sagrada de contemplação do que é profundo e, ao mesmo tempo, misterioso. Em Samhaim - égide do inverno - hibernar é o comando natural para quem pretende restaurar as energias para compor a força tida como necessária para se manter diante da adversidade natural. Por isso, em idos outonais, o equilíbrio pode bem representar a síntese mais perfeita do que se almeja em termos de autoconhecimento.

Os ritos de preparação seguem, para a egrégora do Sul que comemora Mabon em março, a proximidade com a Terra - império da cautela, do silêncio e, ao mesmo tempo, da prosperidade e parcimônia. Isso porque, a mesma Terra que nos dá provento, alimentando-nos fecundamente em outros momentos de giro de roda, em Mabon, alerta-nos para um atributo também ligado ao elemento Terra: prevenção, precaução. O bom uso da faculdade material, para que, em tempos de adversidade (como no inverno forte e rigoroso), possamos haurir da despensa o alimento sagrado que nos mantém vivos.

O corpo, por sua vez, pede a latência do que é ligado ao solo: sementes são a marca da segunda colheita. A lentilha, grânulo sagrado para a cultura continental, cede espaço, no Brasil tropical, para o culto ao feijão, em vários formatos. Não importa, conquanto que exsurja da Terra, tudo é bem-vindo aos olhos deste evento maravilhoso de agradecimento!!

Que venha Mabon...


Um comentário:

  1. Sempre uma aula! Sempre um exemplo!
    Obrigada por mais isso amiga!
    Te amo!

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