domingo, 30 de outubro de 2011

É véspera de Beltane!

Beltane é um festival predominatente solar e marca a união dos princípios feminino e masculino, numa verdadeira superação das dualidades para a gênese de um novo ser que, por momentos, é andrógino.

Aprecio perceber isso em Beltane... a sua eterna possibilidade de ser reinventado na pós-modernidade com o anacronismo de, nessa aparente "coincidência" voltarmos para a reflexão sobre a unidade que supera o dual.

Afinal, não é sem propósito que boa parte das interpretações de matrilinearidade são invocadas a partir da percepção de uma Deusa que concebe seu consorte, o que, para mim, grava no imaginário popular a senda da unidade espiritual que, em face da necessidade de propagação (reprodução para vivência em carne do arquétipo deídico), bifurca-se na genitalização dos consortes (macho e fêmea).

No imaginário popular, a data comemora os momentos festivos em que os pagãos reuniam-se em volta do fogo (elemento essencial da criação, egrégora do espírito), pulavam a fogueira em sinal de reverência à fertilidade que envolve o culto e, após, dirigiam-se às florestas para a consumação do hierogamos, ou seja, do casamento sagrado abençoado pelo próprio Casal divino e terreno.

Daí, nesse exato momento de encontros, a dualidade se superar na concepção de um novo ser que, da junção gamética, é UNO, e não dual. Isso mostra o quão divinos somos, ao mesmo tempo em que vivemos na contemplação dos segredos da Terra. Por isso que meu beltane, esse ano, terá um gosto diferente, dada a percepção em relação à dicotomia que se dissipa, pouco a pouco, em meu universo simbólico.

Somos tod@s UM, é bem verdade e, estamos duais em busca de equilibrium com as coisas do Sagrado... Só se torna possível conceber a unidade a partir da harmonização das dualidades que, em Beltane, reconhecem-se em suas integralidades e, a partir delas, fazem-se unas. Por isso não mais entendo que seja no princípio da complementariedade a junção das polaridades, mas, antes, na concomitância do que é dual, mas completo, o exercício - no momento do casamento sagrado - da porção de feminino e masculino presentes em cada um ou uma de nós...

Aliás, escolhi essa pintura para exatamente apresentar essa completude. A bruxa empunha a espada, símbolo sagrado do universo masculino, colocada para baixo, em reverência, ao lado do caldeirão, útero da Grande Mãe que, alimentado pelo fogo do espírito (o "sopro do dragão"), dá origem a mundos e universo (mundos e universos pessoais, que seja, mas conectados com a compreensão do Todo).

O boline, então, ao lado esquerdo da moça, encerra ambas as percepções, pois, arredondado, lembra as fartas formas de uma mulher prenhe, a Deusa dadivosa que dará à luz mais adiante. Tal instrumento (usado muito pelos druidas), porém, corta, tal qual o princípio ativo masculino que, adentrando a fêmea, invade o repositório sagrado para a união gamética.

Somos todos UM em Beltane...


Um comentário:

  1. Adorei seu artigo sobre Beltane...também possuo uma visão unista... abraço

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