domingo, 17 de julho de 2011

A dor alegre de um lacônico palhaço...

Dizem que os melhores e mais arrojados palhaços são aqueles que choram, às escondidas, nos bastidores de um espetáculo circense, pois revelam, nas entrelinhas de cada apresentação, a sublimação de seus terrores individuais para abrilhantar cada show em que expõem suas almas.

A virtude do bufão reside em fazer ironia de seu próprio destino nefasto, de uma dor, de um amor não correspondido, ou, ainda, de ser um palhaço para além do palhaço do picadeiro, servindo de chacota, quem sabe, para algum espectador que se compadeça de vê-lo chorar às claras.

Sou um eterno palhaço que chora, tendo como alimento uma plateia de adoradores que eventualmente me desejam em riso, sem saber que, na cochia ou no meu trailler, verte lágrimas embaixo do chuveiro, para alimentar, depois, o roteiro das minhas melhores piadas para salvar o dia.

A mesma plateia que deseja meu riso, sem saber, é aquela que me devora ao me fazer chorar: são os séquitos dos admiradores - uns secretos, outros, nem tanto - que se regozijam com minha performance, alfinetando-me, logo a seguir, para que faça algum sentido um palhaço feliz poder chorar às escondidas...

Nobre profissão a arte do riso e da felicidade alheia, pois drena e renova, dentro de nós, grandes palhaços de nós mesmos, o veneno de uma imensidão de ignonimias, chagas mortais para as almas que desejam ir além de suas limitações circenses. Se rio é porque choro, se derramo lágrima é porque me deleito, num picadeiro construído para me proteger - em meu próprio mundo - dos polegares para baixo dos espectadores de Coliseu...

Fonte da imagem: http://4.bp.blogspot.com/_ydPgjUovqjw/SrWUcgru7WI/AAAAAAAAAQ8/zIGAFAv59sY/s200/palhaco_triste.jpg

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