quarta-feira, 8 de junho de 2011

Girando a roda para mais um ciclo

Quando o giro da grande roda da vida marca seu percurso integral, o que era fim se transforma num mágico começo. Assim tenho sentido o relógio da vida, grande vida, marcando compassadamente o tique-taque de um ritmo consonante com as batidas do meu coração. Ou, quem sabe, com o ritmo da minha respiração calma e serena, quando me decido a praticar meus pranayamas tão preciosos.

Um ciclo se fechou, outro tentou se abrir, mas, atenta aos sinais que a vida tem me dado, reflito e pondero, percebendo no devenir a repetição dos padrões de outrora, que voltam, dentro de mim: será que voltam? Afinal, se vão e vem, talvez seja porque nem sequer foram! Esconderam-se dentro das gavetas bem articuladas de minha mente incauta, que, a cada dia, especializa-se mais e mais na doce arte de traquinagens!

Findou-se um ciclo e renasci dele plena porque, pela primeira vez em tanto tempo, consegui, sem que minha alma sofresse tanto abalo, dizer NÃO ao que me soava estranho e incompatível com minha essência. Se, outrora, lançava-se em aventuras que se prolongavam no tempo e no espaço às custas de minha saúde, hoje já olho para o cenário, antevejo e pondero sobre o que está, ali, à minha frente, como lição.

A bola da vez foi a devoção ao Sagrado Feminino, essa sacralidade tão incompreendida pelo universo patriarcal que, acho, ao contrário de perceber no mundo pós-moderno mudanças significativas em face das conquistas das mulheres, sinto a reorganização do masculinismo em sede de novas estratégias, cada vez mais sutis, de articulação da desforra.

Não sei, preciso amadurecer mais essa tenra ideia, mas ela já é o bastante para que possa, em minha escolhas, dizer NÃO sempre que meu Sagrado, o que é mais devocional dentro de mim em termos de conexão ao Feminino essencial, foi turbado. Sempre que alguém - consciente ou inconscientemente - pretender escamotear o que não se tange. Sempre, enfim, que meus espelhos internos de outrora atraírem meus contrapontos de igualdade.

É o bom retorno, com os ares do inverno que daqui a pouco chega, à casa sagrada!

Bem-vinda, casa antiga!

Bem-vinda, Deusa e todo o panteão da linhagem ancestral das guerreiras de minha casa...

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