terça-feira, 2 de novembro de 2010

Recolhimento e contemplação

O dia acordou acinzentado, como geralmente acontece no dia 02 de novembro, pois a Natureza - essa, sim, bem sábia e litúrgica em seus votos - recolhe-se para celebrar o desvendar dos véus que separam faces de um mesmo mundo, dispostas na configuração visual da carne, bem como na magia do etéreo invisível...

Beltane deixou sua marca na egrégora do casamento sagrado entre os bosques de almas, mas a manutenção do dia 02 em nossos calendários é, ainda, importante referência, pois, ainda que se trate da liturgia cristã de cunho católico, penso ser relevante abordá-la como fenômeno situado no rol de tradições brasileiras, ainda que, a rigor, para a sacralidade anciã, essa data esteja sendo comemorada no giro da roda do Norte.

Mais uma vez temos as discussões sobre as rodas. E, mais uma vez, penso, vem a reflexão como como vivencio e celebro a roda sazonal. Erro, acerto, quem sabe? Cada uma e uma sabe de seu caminho na vida e na arte, de mobo que não compete a ninguém traçar destinos, invocar panteões e muito menos ser proselitista (apesar de eu me deparar, o tempo inteiro, com pseudo-libertários e libertárias que, no fundo, estão mais apegados ao ego do que à ideia e a vivência na ancestralidade).

Como vivenciar o dia 02 de novembro? Sinceramente? Não tenho respostas, mas, diante desse silêncio, penso, encontro uma: o recolhimento na lua minguante, que traz a reflexão, a interiorização, o silêncio. Sim, creio, hoje é um dia de silêncio, não por ser um feriado cristão, mas apenas porque o dia começou em silêncio.

As aves aqui hoje estão caladas e a atmosfera, austera. Seguindo, pois, o ciclo Dela, grandiosa Natureza repleta de mistérios, permaneço quieta em meus pensamentos, dialogando, em silêncio, com meus ancestrais e me conectando com as energias que me são amistosas. Isso é tudo!

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