quarta-feira, 15 de setembro de 2010

O mundo em uma amoreira...


Com a Primavera, chega por aqui, finalmente, a primeira densa florada de amoras, povoando a terra com a fecundidade do roxo quase negro, fertilizando o solo e produzindo um espetáculo de satisfatividade para a fauna invisível dessa casa.

Parece que não sou só eu que me deleito...

Outro dia deparei-me com o Mel comendo uma amora no pé, sujando sua boca de lilás, ao mesmo tempo em que se lambia todo, deliciando-se com a fruta docinha, cuja chegada foi tão esperada por todos nós. Os gatos também gostaram e, volta e meia, alguém sobre no pé para pegar, quem sabe, junto com a fruta, algum dos inúmeros passarinhos que vêm tomar café-da-manhã aqui conosco.

Quando as frutas pendentes caem, outro pitoresco cenário lúdico se apresenta, pois os calangos e as lagartixas, bem rápidas, saem das tocas feitas no muro do quintal, apenas para "beliscar" um pedaço desse mundinho que está ali, acessível, bem na palma da mão.

Ao colher cada frutinha, o olhar aparentemente atento voltava-se para os cachos cheios e os captava vorazmente, com certeza de ter pego tudo que estava sendo ofertado, de bom grado, pela Grande Mãe. Mas qual não era a grande surpresa, quando, ao me deparar novamente com o mesmo galho, ele estava repleto com mais e mais frutas!

O que mudou, então? Minha atenção? Desatenção? Será que não havia percebido isso? Impossível, claro, afinal, num mundo de tantas cores, olhar para o roxo perolado é exercício diário de contemplação.

Foi quando finalmente compreendi que o mundo inteiro era a própria amoreira, com seus segredos e desconhecidas situações, que se multiplicam em inúmeras possibilidades, num passe de mágica tão abrupto que não dá tempo de piscar os olhos: tudo muda, o tempo inteiro, no mundo complexo de uma amoreira.

E gira, então, a roda do mundo! Gira o mundo em meu particular universo.
Na imensidão de um mar de pérolas roxas de um grande oceano de escolhas, as escolhas contidas em cada uma das amoras sela o que a Natureza, ao final, prepara como banquete para cada um de nós!

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