domingo, 22 de agosto de 2010

Preparando a chegada de Ostara...


A cada dia o Sol mostra mais seu calor sobre a abóboda celeste, angulando em várias danças profanas, ao mesmo tempo em que dá adeus ao frio que insiste em não nos deixar.
Em menos de um mês chega a Deusa Eostre e, com ela, a fecundidade da lebre, embalada pela serenata da Natureza, que, pouco a pouco, acorda para a celebração do ciclo de vida e de mais luz.
Os campos do cerrado, tisnados de grená, terracota e palha, cintilam ao sopro do elemento ar em plenitude de ação, dando a sensação de incontida impermanência, marca da vivência neste e em outros planos existenciais.
Ouvir a Natureza é, sobretudo, escutar a si, sem o compromisso de moralização higienizante que sempre atribui uma pecha de mascaramento de essências.
Antes, é a lisura cálida de se ver como um ser com 75% de água no corpo e, com isso, lançar-se no bailado que esse elemento vocifera: ora lânguido, com as águas doces de um riacho que, em seca, baixa seu volume, ora em colapso de aterradora torrente, que leva tudo pela frente, limpando o caminho e transformando os contornos da geografia local.
O Sagrado não está adiante, em colinas inalcançáveis aos olhos profanos, mas em nossa efusiva expriência, contida nas pequenas celebrações do dia-a-dia, quando, embaladas pela maravilha da Grande Mãe, saudamos o Mundo e agradecemos por cada evento em nossa vida.
Todos os eventos seguem uma providencial lógica a-temporal de retirada de véus.
Nada escapa e, por mais que, aparentemente, pessoas, situações e momentos se apresentem como desagradáveis, prenso que o são porque nossos egos sentem dores.
Mas, na medida em que nos sentimos mais e mais conectadas às energias do Universo, transmutamos a compreensão de malefício (ou de benefício simplista) para a visualização do momento num processo maior do que nossas próprias vidas, alcançando, assim, o Outro e, com ele, compondo a gama de teias cósmicas de enriquecimento espiritual.
Assim é a primavera, o tempo de despertar da Terra e nosso tempo de despertar para os movimentos que o Sol nos coloca.
Não se trata de uma liturgia "barata" de apenas frequentar um templo (qualquer que seja ele, qualquer que seja a religião), mas, antes, de solificação de nossos templos pessoais, que ultrapassam as barreiras da construção material, para a edificação dos palácios que internamente abrigam nossas essências.
E viva esse lindo DOMINGO de Sol, em menos de um mês para a chegada do curso das flores.
Obrigada, Grande Mãe, por mais um dia em minha vida. Obrigada pelo dinamismo desse vida de celebrações!
Hey, ho!

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