sábado, 7 de agosto de 2010

Ode à minha luz...

Não tentem me encontrar em um lugar frio, pois não moro em casas ou apartamentos...
Apenas pego emprestado, de bom grado, algum deleite de pernoite, encostando minha cabeça sob algum teto efêmero que, logo, logo, irá se desfazer, como o vento que sopra e se esvai, deixando apenas a lembrança por onde passou...
Habito as estrelas e, com elas, faço-me plena de luz!
Como saber onde moram as estrelas? Afinal, quando as vemos, já feneceram, ao mesmo tempo em que insistem em existir, em lembranças cósmicas, bem diante de nossos destreinados olhos que procuram luz...
Onde está a luz? No campo áureo das estrelas que já quedaram, iluminando com sua explosão fatal a morada incompreensível dos deuses. Ultrapassaram o mundo dos formatos e, com isso, formam-se plenas em si, sem modelos pré-concebidos de percepções fragmentadas de essência.
Não tentem reter minha luminosidade em fórmulas prontas de como ser, estar ou agir...
Sou luz, não preciso de rótulos. Se'"estou" é porque, para muitos, não "sou".
Sou em mim mesma, basto-me de predicativos.
Não sou apenas, estou apenas em sendo e, sendo plena - é o que sei que estou - é o bastante para simplesmente continuar brilhando!
Não se apreende a luz em uma vidraça, pois a luz corta, como fio de navalha, o vidro tênue, lembrando que energia é muito mais do que matéria, é a própria alma preexistente ao físico, que vem aqui e acolá, brincando de esconde-esconde com quem deseja se fazer conhecedor do Outro.
Não tentem, ainda, colocar-me em um lindo embrulho vítreo, pois não pertenço a ninguém neste mundo. Nem a mim pertenço! Sou do Universo e, com ele, minha centelha sibila, percorrendo planetas e visitando constelações.
Não posso estar nas prateleiras dos que desejam se apropriar do que reverbera de luminoso em mim, pois tenho muito a iluminar nos percursos que pretendo fazer. Para que tanto egoísmo? afinal, somos luz, tudo é luz! Quando abro mão da minha para outrem iluminar, o Universo fica mais escuro...
Não tentem, ainda, entender-me no que faço em desacordo com o mundo, pois faço o meu mundo e, dentro dele, as regras são minhas... Sou luz e a luz é incompreensível mesmo para quem não entende como uma onda eletromagnética pode, ao mesmo tempo, ser mecânica!
Faço o que posso, quero e desejo fazer, pois, de fato, somente faço o que me deixa feliz.
Se estou feliz, o mundo brilha e as faíscas dos que me são queridos e sagrados brilham em meu céu, como uma dança de sílfides que despontam na abóbada entre-mundos.
"Meu destino não é de ninguém e não deixo meus passos no chão"
Flutuo em meio a um grande mar de almas que estão querendo se encontrar.
Sou os encontros e desencontros, as aventuras e bem-aventuranças dos pescadores de ilusão que trancetam pelo mundo, os Loucos plenos de si que vagam, incompreendidos, pelo oceano de almas aprisionadas no código linguístico do orgulho, da vaidade, do egoísmo e do desamor.
Sou Amor e não carência.
Sou sentimento e não dependência...
Sou sentidos e não indiferença.
Sou a marca da divisão de mundos. Coloco-me no eixo mundano de um mundo de amargura dos que ficam para trás em meio às histórias de sofrimento e me prostro como arauto transcendental de uma nova era, onde tudo evapora para dar espaço à compaixão, à convivência e ao amor desapegado...
Sem julgamento, sem jogos, sem fantasia... Pois será, um dia, esse mundo, a própria ludicidade do
Amor convertido em ação...
Eis que se faz a Luz!
Lucce... fiat!

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