domingo, 1 de agosto de 2010

O dia em que olhamos para o espelho de nossas vidas...

A aquisição de consciência reencarnatória faz parte de um longo percurso de dedicação, disciplina e, sobretudo, desejo e vontade acessar os domínios mais abscônditos de nossas almas, ingressando nos campos do que não está revelado para os olhos físicos, mas, antes, para o coração repleto de memórias.

Todos e todas temos capacidade - latente ou concretizada - de nos conectar com as salas de nossas reminiscências, bastando, para tanto, que nos permitamos, em nível psíquico, a fazê-lo. Não se trata, contudo, de uma aventura "bola de cristal", típica dos jogos de divinação nas feiras, mas de uma jornada séria, que demanda atenção, o tempo todo, em relação aos percalços que iremos encontrar. Não se brinca ou tripudia do que é sagrado...

Muitas pessoas - algumas por pura incredulidade - ingressam na senda do conhecimento hermético por pura curiosidade em conhecer algo "novo" ou "excêntrico", agindo como se estivesse fazendo parte de uma encenação ou dramatização, num teatro que, mal sabem elas, confunde-se com a dinâmica de suas próprias vidas.

Nesse processo de formação de uma grande teia causal dentro da qual estamos todos e todas, a nos reencontrar, nossos fios astrais confundem-se com os laços dos outros, fazendo com que, aos poucos, pelas vibrações de afinidade, de sincronicidade, além de repúdio e estranhamento, encontremos e desencontremos com nossos pares astrais e companheiros de outras vidas.

Com desafetos também... Sim, para a espiritualidade, estranhar e se afeiçoar têm o mesmo significado, a lembrança latente das experiências compartilhadas com os seres que encontramos no meio do caminho, qualquer que seja ele.

Para os incrédulos, contudo, é muito melhor achar que se encarnou como Cleópatra, ou como Rei Salomão, ou, ainda, com uma pessoa de muita luz, ao invés de observar o óbvio: todos e todas somos seres que já passaram ou passam por etapas de luz e sombra em termos de encarnação.

Já matamos, já morremos. Já machucamos ou fomos machucados. Já fomos para as fogueiras. já queimamos. Minha família e a memória que cerca nosso conhecimento entre-mundos é retrato fiel dessa oscilação encarnatória: as lembranças de forca, fogueira são prementes em um clã de mulheres extremamente firmes, fortes, poderosas e plenas.

Não existem anjos ou demônios no plano universal astral: essa é uma formatação cristã de contemplação do mundo a partir de sua dicotomização. Tal maniqueísmo limita a compreensão da dinâmica espiritual de causa e consequencia e, infelizmente - ainda que pagãos, ou cristãos renovados - trazemos 3.000 anos de história de culpa dentro da dicotomia, o que dificulta o acesso aos arquivos de nossas vivências. Todos já foram tudo, sempre e sempre, espiralizando-se, num DNA espiritual, tal vibração.

Somos essências cujo substrato é a energia consciente que, em virtude de sua linha evolutiva e sua vontade manifesta atuam no direcionamento das escolhas. Com isso, podemos ser o que desejamos projetar ser, desde uma Deusa encarnada, ou um quiabo (o exagero é um reforço retórico para deixar tudo mais claro ainda). Se assim nos convencemos, criamos a egrégora de materialização, de acordo com a textura dimensional no plano em que estamos.

Nossa ignorância em relação aos processos de descoberta pessoal desemboca, contudo, em muitas "aventuras quixotescas" digna de jogos RPG e, nessa "tortilla" sincrética, podemos machucar uns aos outros. Podemos imprimir dores por meio do desrespeito com o sistema de crenças e de valores dos outros. Além, claro, do desrespeito ao nosso corpo e espírito, por conta das diversas escolhas que se afastam de nossa essência de auto-preservação.

Sabotadores de nossa evolução, saímos, cegos, surdos e mudos, de templos em templos, pessoas em pessoas, quicando e procurando compor a história de nossas próprias vidas de outras eras, na esperança de quem alguém - que não nós - diga-nos quem somos, o que nos torna, cada vez mais, reféns de nossos algozes e de nossos medos mais profundos.

Somos todos senscientes, sensitivos, sensíveis.

Somos todos capazes de enxergar o que ficou para trás com uma intuição ímpar.

Quantas vezes já não nos deparamos com pessoas que nunca vimos nessa vida, mas cujo olhar já é o bastante para que saibamos o que ela ou ele estão pensando? Ou, ainda, quantas vezes repudiamos alguém, do nada, sem qualquer motivação racional a sustentar esse sentimento?

Nosso medo de encarar o passado de frente, porém, traz o bloqueio.

Afinal, não são todas as pessoas que conseguem lidar bem com o que produziram para si ao longo de suas encarnações. Daí o providencial bloqueio mnemônico, que traz os relances e os insights para essa vida, mas que, se não trabalhados, não passaram de simples sinais que, ao contrário de paz, trazem angústia.

Quem está disposto ou disposta a fazer a jornada?

Afinal, celebrar uma Lua Cheia, fazer um ritual em um círculo sagrado ou, então, consultar uma cartomante ou ler mapa astral, runas, tarot, búzios são buscas mais cômodas e fáceis do que mergulhar nos meandros de si. Sai mais barato também, quase custo zero para uma demanda superficial de crescimento.

Esse "atacadão" espiritual, contudo, sedimenta em nossas calota energética camadas e mais camadas de lodo dos processos alheios que, ao final, somam-se à miscelânea de nossas jornadas.

Não sabemos, mais, ao final, quem somos, quando, de fato, por não sabermos e não desejarmos pessoalmente saber, precisamos validar nosso conhecimento, desejando que outra pessoa confirme o quem de fato, sabemos. Já sabemos...

A grande questão não é ouvir apenas o que outra pessoa tem a oferecer em termos de memórias, mas, antes, falar, para que o conhecimento seja compartilhado, seja repartido e, com isso, todo mundo ganhe. Ouvimos mais os oráculos, as cartas, as runas, a Lua. Ouvimos as profecias achando que, ao final, serão elas o arauto da liberdade em relação à observação do sagrado em nós.

E, sem saber, entramos num calabouço das mazelas de nossa ignorância em relação à nossa vida. Perdemos o foco, achamos que estamos "flutuando" sem objetivo de vida, sem ação, quando, a bem da verdade, o único objetivo é a vida em si e a descoberta de nossa identidade sagrada. Nada mais e tudo isso!

Dion Fortune já comentava, em pleno início do séc. XX, que a ingenuidade na bruxaria protegia aquele curioso que desejava apenas uma "brincadeira infantil", pois, não tendo consciência dos processos e das realidades desbloqueadas, o adolescente espiritual não conseguia ingressar na zona de "turbulência psíquica" e, com isso, evitava boa parte das complicações em trabalhar no plano astral.

É bem verdade que, por outro lado, quando não entramos no olho do furacão - e sequer tentando ingressar no olho dele (lugar calmo e de onde surge a onisciência de memórias) acontece aquela sensação de "estar adormecido carmicamente" ou, como diria uma pessoa com que compartilhei mais um acesso de outra era, parece que não encarnamos. Sábia pessoa.

Eis uma espécie de não-existir, de latência, de sobrestamento de propósitos, de foco, de vida. Para quem professa vocabulário de outras religiões, um verdadeiro "limbo".

Não nos sentimos o pertencimento à egrégora do Planeta, quicamos de grupos em grupos, tentando e interagindo, mas, ao mesmo tempo, afastando-nos e não nos entregando aos processos de aproximação e conhecimento recíprocos. Entramos em processos de auto-extermínio, desencadeamos mais carma, sentimo-nos drenados e drenadas. E, para compor a baixa energética, precisamos buscar a energia vital do outro, para completar o "nível de óleo" que nos falta. É uma roda que gira permanentemente essa.

Achamos que somos diferentes - claro que somos, mas não é essa a questão - o bastante para não nos adequarmos a nada. Buscamos nos outros as respostas que devem ser dadas por nós. Somos espelhos recíprocos, o que não nos torna responsáveis cármicos uns dos outros. Cada um sabe de si e, juntos e juntas, suportamos os ônus e bônus das descobertas em relação aos nossos companheiros e companheiras. Simples...

Qual a dificuldade, então?

Reside justamente na ignorância quanto ao processo. Quanto menos ingressamos nas sendas do autoconhecimento, mais achamos que 'precisamos de um milagre', mais sentimos que somos impotentes e, dentro disso, a mágica estaria em outras pessoas, em amuletos, em tapuás.

Amuletos, oráculos, tapuás, dagides e símbolos são "gatilhos de acesso" ao subconsciente, acesso aos arquivos sagrados que estão no inconsciente coletivo, presentes de maneira ancestral, e que podem nos ajudar a entrar em contato com nossa essência sagrada.

Eles não substituem o desiderato pessoal de crescer, de evoluir, de quebrar os modelos que nos fazem ter a sensação de que estamos "andando em círculos". Se andamos é porque ainda não aprendemos a ver para além do véu que nosso ceticismo coloca em nossas frentes. Com isso, o diferente é apenas uma pessoa "haribo", a fadinha Sininho que, quando nos mostra o que não desejamos ver, transforma-se numa bruxa...

Sábias, porém, são as bruxas e infelizes os incrédulos do poder...

Hey ho!

4 comentários:

  1. Preciso dizer que enquanto lia seu texto uma coisa muito estranha aconteceu comigo, eu fiquei com medo. Até o presente momento estava encarando tudo normalmente como se tudo já tivesse sido uma parte de mim, mas então veio uma sensação de puro desconhecimento como se eu apenas conhecesse um grão de areia apenas da praia.
    Sei que quero seguir esse caminho mas eu tenho medo do que vou encontrar e quero ter forças para superar e continuar.Não quero abandonar esse caminho. Mas também tenho medo de descobrir que estou fazendo tudo errado e ao mesmo tempo seguindo o caminho errado.
    Até uns anos atrás eu achava que conseguiria sobreviver sem lições espirituais, sem religião. Mas descobri que isso não é possível, apenas a racionalidade faz muito mal e eu me sentia sozinha. Agora que estou começando a me dedicar a perseguir o Caminho da Deusa, tenho medo.
    Eu queria saber se isso é normal? (Pode parecer meio bobo mas acho que preciso conversar com pessoas mais experientes do que eu)
    queria saber se estou fazendo o certo em seguir esse caminho, ou isso é só insegurança e medo de jovem que acaba de descobrir um mundo novo?
    Muito obrigada por ter postada esse texto, sinto que precisava de uma ampliação de visão sobre isso.
    obrigada
    Morgana

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  2. Querida Morgana!

    Hey ho!

    O maior medo das pessos é SE ENFRENTAR...Acho que isso não faz parte de sua estrada, até mesmo porque seguir os caminhos da Deusa supõe vivenciar o preço existencial de ser LIVRE...O receio de errar faz parte da sistemática da racionalidade, que deseja receitas, fórmulas prontas e que geralmente estão em outras pessoas, em livros, nunca dentro de nós.
    Sua intuição SEMPRE é seu maior guia. Nada ou ninguém pode dizer para você o que fazer. O caminho solitário tem essa GRANDE VANTAGEM: erramos, mas, em cada erro aprendemos e nos fortalecemos muito, empoderamo-nos e enriquecemos nosso conhecimento. Isso ninguém pode viver por você ou tirar de você.
    É muito normal sentir medo ou receio. O medo é que nos faz, pouco a pouco, superar nossos limites...Até hoje tenhjo aprendido!
    Esse texto, por exemplo, veio de uma experiência recente com uma pessoa cuja memória acessei. Alguém para quem ingenuamente abri minha guarda espiritual. Vê? Poderia ser um erro, quem sabe, mas a questão é que não existe erro ou acerto, e sim caminhos que podemos percorrer segundo evolução e disciplina.
    Hey ho!

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  3. Muito obrigada mesmo, eu estava pensando nisso no caminho para a escola e percebi exatamente o que vc me falou que eu não posso ficar com medo para sempre. Tenho que superá-los porque eles são os desafios que a vida esta me dando para que eu possa crescer como pessoa e continuar no caminho que me foi escolhido.
    Muito obrigado,
    bjus
    Morgana

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  4. Oi, Morgana! Que bom!

    Minha intenção foi mostrar que, na verdade, estamos todas nos deparando com nossos medos, mas creio que, quando nos propomos - você, eu - a falar sobre eles, a mágica acontece e o medo se enfraquece...

    Você não está sozinha.

    A Deusa nos colocou em conexão para podermos aprender todas juntas!

    Por nada!

    Eu que tenho muito a agradecer!

    Hey, ho!

    Boa semana!

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